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segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Cobertura de Show - Krisiun, Carniça, Malévola e Syphilitic Abortion Juntos em Novo Hamburgo/RS (Rock And Roll Sinuca Bar 3, 12/12/14)


Um pouco mais de quinze anos se passaram desde a primeira passagem do Krisiun por Novo Hamburgo/RS, sendo que a quinze anos atrás a banda estaria conquistando seu nome entre os grandes, e passado esse tempo retornam como um dos grandes nomes do Death Metal mundial.

O local escolhido para destruição foi o Rock And Roll Sinuca Bar 3, até então desconhecido pelo público das redondezas (Porto Alegre, Canoas e etc), mas que se demonstrou uma grata surpresa e uma ótima opção para shows undergrounds.

Para completar esta festa em mais um sábado quente no Sul (12/12) as bandas Carniça, Malévola e Syphilitic Abortion se encarregariam da abertura, abrindo de vez os portais do inferno.


Começando a destruição a primeira banda a subir ao palco foi os veteranos da Malévola, que retornam a cena depois de quinze anos inativos. Sendo aquele o primeiro show oficial desde o retorno, porém o que vimos foi uma banda muito bem entrosada e disposta a causar muito headbanging.

Seu som é calcado num Thrash/Crossover no melhor estilo norte-americano, empolgante, visceral e enérgico, com composições curtas, mas na medida certa que agradaram em cheio o público que ainda chegava ao local.


Seguindo o baile era hora dos pútridos do Syphilitic Abortion entrarem em cena com seu Goregrind de extrema violência. Letras românticas e canções progressivas, além de um vocal lírico belíssimo. Brincadeiras a parte a banda mais parecia um rolo compressor sonoro, onde gerou as primeiras rodas da noite, para um público que já tomava boa parte da casa.


Passados da meia noite o Carniça toma seu lugar ao palco e quebra pescoços com seu Thrash/Death Metal de primeira, onde continuam a divulgação de seu mais recente disco “Nations of Few”. A banda destilou sons de todos os seus discos, e encerrou aquela apresentação emblemática com “Midnight Queen” do Sarcofago, levando o público ao êxtase, e mostrando que sim, temos uma das melhores bandas de Thrash/Death do país.

Após uma rápida troca de palco era hora da lenda do Death Metal nacional subir ao palco e deixar os bangers ensandecidos, agora com a casa totalmente tomada pelos deathbangers, o Krisiun fez um show competentíssimo, seja pela individualidade musical de cada um ou pelo conjunto, que esbanjam simpatia, humildade e muito amor ao Metal.


Seguindo a tour de divulgação do aclamado “The Great Execution” o Krisiun mesclou seu set com clássicos e sons mais novos (sendo que muitos também se tornaram clássicos), do disco mais recente tivemos “The Will To Potency” e “Blood Of Lions”, já dos clássicos mais antigos “Vengeance's Revelation” e “Descending Abomination”.

Também figuraram em seu set vasto clássicos atuais como “Combustion Inferno” e “Bloodcraft”. O Krisiun também nos brindou com a excelente versão de “Black Metal” do Venom, assim como a matadora e indispensável “Black Force Domain”.


Uma verdadeira aula de Metal Extremo seja na parte musical ou pessoal, pois Alex, Moyses e Max são a prova viva que se pode ganhar o mundo sem deixar de ser underground.

Fica os parabéns a Ablaze Productions pela produção e organização, e claro pela bela escolha do local. E que venham muitos outros!


Cobertura por: Renato Sanson
Fotos: Felipe Pacheco



  

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Machine Head: Evolução Constante!


Desde The Blackening (2007), o Machine Head vem mantendo um nível de qualidade excelente em seus trabalhos. Claro que, se olharmos pros primórdios da banda, Burn My Eyes (1994) foi uma estréia em grande estilo, seguido pelo bom The More Things Change (1997). Mas depois disso, parecia que a banda havia perdido o rumo. Troca de integrantes, inovações na parte musical, trouxeram desconfiança aos fãs.
               
Em The Blackening, o grupo voltou à boa forma e na seqüência, mais um trabalho excepcional, Unto the Locust (2011). E a questão que ficou na mente dos fãs, foi: Teria como a banda melhorar ainda mais? Resposta: Bloodstone & Diamonds! Um álbum que mantém a genialidade da banda no ápice.


Um Metal denso, pesado, e por que não dizer, inteligente. Assim pode ser descrito o oitavo álbum de estúdio do grupo. Abrindo com a magistral Now We Die, cujo clipe teve partes censuradas, a banda mantém aquela pegada carregada por um riff pesado e com refrão no melhor estilo Machine Head. Vale um registro para a técnica do baterista Dave Mclain. Nem sempre lembrado, o músico é um dos grandes bateristas da atualidade. Killers & Kings é dona de um forte refrão e traz todas as características do Thrash vigoroso e moderno praticado pela banda. Com belos riffs, Ghosts Will Haunt My Bones mantém o alto nível do trabalho. Destaque para o vocal de Robb Flynn.

Em um álbum bastante homogêneo fica complicado citar destaques, mas um dos grandes momentos do trabalho é Sail Into The Black. Uma faixa “difícil”, mas que traz á tona toda a capacidade de composição do grupo, em especial de Robb Flynn. Com seus mais de 8 minutos, a música é a prova viva de que o MH não é apenas mais um grupo comum dentro do Heavy Metal. Eyes Of The Dead recheada de riffs e solos tipicamente Thrash, é uma porrada na boca do estômago.  In Comes the Flood, mais cadenciada e com um pé na velha escola do Metal (leia-se Black Sabbath), também merece ser citada.


Game Over é outro grande momento, com um vocal carregado de sentimento, um dos diferenciais de Robb Flynn. Um convite ao headbanging, à faixa tem um excelente trabalho de guitarras, onde o guitarrista Phil Demmel demonstra que é parte fundamental da banda. Cabe também destacar o trabalho do baixista Jared MacEachern, que substituiu Adam Duce, que deixou o grupo em 2013. O álbum se encerra com Take Me To The Fire, que fecha o trabalho de forma grandiosa.


Sem nenhuma dúvida, um do grandes álbuns lançados em 2014. Produzido pelo próprio Robb Flynn em parceria com Juan Urteaga, Bloodstone & Diamonds vem ratificar e consolidar o nome da banda como um dos gigantes do Heavy Metal atual. Longa vida ao MACHINE HEAD!


Resenha por: Sergiomar Menezes
Edição/revisão: Renato Sanson
Fotos: Divulgação

Tracklist:

01 Now We Die        
02 Killers & Kings    
03 Ghosts Will Haunt My Bones     
04 Night of Long Knives      
05 Sail into the Black            
06 Eyes of the Dead             
07 Beneath the Silt    
08 In Comes the Flood         
09 Damage Inside     
10 Game Over           
11 Imaginal Cells (Instrumental)                 
12 Take Me Through the Fire


Conheça mais a banda:

 



quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Cobertura de Show - Ratos de Porão Quebrando Tudo na Capital Gaúcha em Plena Segunda-Feira (08/12/14, Bar Opinião)


Show de banda nacional que já tocou na capital muitas vezes em uma segunda- feira às 22 horas, essa receita tinha tudo para dar em casa vazia, mas quem achou que isso aconteceria se enganou e muito feio, no ultimo dia 08/12 estava marcado na casa de shows mais tradicional de Porto Alegre e quem sabe do RS, a festa “Segunda Maluca”, onde a atração principal era nada mais nada menos do que os veteranos do Ratos de Porão, liderada pela figura carismática e ao mesmo tempo polemica de João Gordo. É uma das únicas bandas nacionais que conseguem juntar o público do HC e do Metal para o mesmo objetivo, curtir um som feito com ódio e muito peso e se destruir no mosh.

Xamorx
A casa abriu as 21h00min em ponto, estava marcada para banda de abertura subir no palco ás 22 horas e o cronograma foi cumprido a risca, a banda escolhida para abertura foi a Xamorx da capital gaúcha, banda está com alguns anos de estrada deixou claro em seu show que não estavam ali apenas para fazer música e sim para levar sua mensagem, por varias vezes fizeram discursos contra a exploração animal, e deixaram bem claro que não estavam ali para agradar ninguém, foi um show curto cerca de 30 minutos, mas com toda certeza cumpriram o objetivo de passar a mensagem que queriam. “Negando Valores”, “O que Importa para as Empresas”, “Dinheiro”, “O Tempo Se Foi”, “Mas a Canção Não Terminou” e “Straight Edge Revenge” (cover do Project X) fizeram parte do setlist.

O Ratos de Porão veio para divulgar seu novo trabalho, “Século Sinistro”, álbum que está sendo muito elogiado pela critica especializada e pelos fãs. Um dia antes tocaram em Pelotas e havia rumores de que João Gordo não terminou o show, pois passou mal devido ao calor insuportável no local, então ninguém sabia o que esperar, mas as 22:40 a banda invadiu o palco, e  João Gordo sorrindo e muito expressivo mostrou que estava bem para destruir sonoramente o Opinião.


Começaram o show com “Conflito Violento” e seguiram com “Viciado Digital” duas músicas do novo trabalho, Gordo deu boa noite e conversou um pouco com o público, começou então “Ascensão e Queda” do álbum “Anarkophobia” e sem pausa nem para respirar começou “VCDMSA”, então João foi conversar novamente com a galera, dessa vez o assunto era futebol, perguntou quem era gremista e quem era colorado, encarou os presentes e largou um “foda-se” todos riram e começaram a gritar em coro “Gordo, Gordo, Gordo”.

Dois clássicos seguiram “Anarkophobia” e “Vida Animal”, que com toda certeza foi o auge do show, o público enlouqueceu e a roda era gigante, toda a pista do Opinião participava insanamente.


O show seguiu e a banda muito bem entrosada, voavam literalmente no palco, exceto João Gordo  que apenas ensaiava uma “dancinha”, batia cabeça e fazia gestos com as mãos, depois de uma passagem por vários álbuns da carreira Gordo dedicou a música “Igreja Universal” para seu ex chefe, obviamente era um deboche, todos sabemos que ele trabalhava na Record e que o dono é um dos donos da Igreja Universal.

O show já se estendia para o final, já aparentemente cansados anunciaram “Amazônia Nunca Mais” com todos presentes cantando junto e no fim João Gordo agradeceu a recepção e anunciou o encerramento com “Terra do Carnaval”.


Foi um show longo que viajou por toda a história da banda, certamente os fãs saíram contentes e com gosto de quero mais, Gordo prometeu voltar, vamos aguardar a próxima.

Cobertura por: Marlon Mitnel
Fotos: Billy Valdez
Revisão/edição: Renato Sanson

Setlist:
01 Conflito Violento
02 Viciado Digital
03 Ascensão e Queda
04 V.C. D.M. S.A
05 Crucificados Pelo Sistema
06 Anarkophobia
07 Vida Animal
08 Grande Bosta
09 Morrer
10 Não me Importo
11 Cérebros Atômicos
12 Difícil Entender
13 Arranca Toco
14 Atitude Zero
15 Stress Pós Traumático
16 Diet Paranoia
17 Crocodila
18 Igreja Universal
19 Beber Até Morrer
20 AIDS, Pop, Repressão
21 Plano Furado
22 Amazônia Nunca Mais
23 Terra do Carnaval



  

Republique du Salém: Rock Clássico em 6 Lições



Apesar de uma experiência no cenário musical, foi apenas em 2013 que os músicos da Republique Du Salém nos presentearam com um lançamento oficial no formato de um EP, contendo 6 canções cantadas em português que dão uma aula de como se fazer Rock Clássico no Brasil.

Chamado “O Fim da Linha Não é o Bastante” (2013), o álbum recebeu duas pré-indicações ao Grammy Latino (Melhor Disco de Rock Brasileiro e Melhor Novo Artista) e de lá pra cá só levantou bons elogios ao então quarteto que gravou o álbum.

Quarteto que gravou o EP (confira a formação abaixo)

Apesar da banda vir com o álbum de estreia em 2015 totalmente em inglês (produzido por Marc Ford, ex-Black Crowes), este registro traz músicas totalmente em português (exceto um trecho de uma delas), o que sempre considero um ponto forte de uma banda, que é a coragem e ousadia de não cantar somente em inglês (uma pena que o álbum de estreia vá abandonar esse formato).

“Cidadão Kane” e “Corpo Achado, Bala Perdida” são faixas com uma pegada clássica, com bastante groove, mostrando a união do versátil com a simplicidade. Na mesma linha e com boa aceitação está “Sem Hora para Voltar”, single que recebeu um vídeo clipe oficial (confira abaixo).



Porém, o ponto alto fica com “Apenas Uma Canção de Amor”, trazendo bastante elementos acústicos, grande melodia, com grande destaque para a bela voz de Davi Stracci com participações de Rachael Billman. O grupo caprichou na emoção e ofertou uma das mais belas faixas que ouvi nos últimos tempos.

Merece menção “Os Homens”, talvez a faixa com as letras mais poéticas, o que prova que nossa língua é muito bela e não deveria ser deixada de lado. Pura poesia. Grande faixa.

Com letras inteligentes, instrumental sem abusos, mas demonstrando ótima habilidade de composição, este EP deveria estar na prateleira de todo amante do Rock, pois é uma aula em 6 lições de como compor um trabalho digno e à altura.

Stay on the Road

Texto/edição: Eduardo Cadore
Fotos: Divulgação
Assessoria: Island Press

Ficha Técnica
Banda: Republique du Salem
EP: O Fim da Linha Não é o Bastante
Ano: 2013 
País: Brasil
Tipo: Rock Clássico/Rock Nacional

Formação
Davi Stracci (Vocal)
Marcio Algano (Baixo)
Guido Lopes (Guitarra, Violão e Piano)
Raul Lino (Bateria)



Tracklist
01 – Cidadão Kane
02 – Corpo Achado, Bala Perdida
03 – Apenas uma Canção de Amor
04 – Sem Hora pra Voltar
05 – Os Homens
06 – Expresso 212

Acesse e conheça mais sobre a banda

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Deep Purple: "Machine Head Facts", 20 Curiosidades/Fatos do Clássico

Capa do Disco "Machine Head"

Hoje em dia são inúmeros os recursos disponíveis em termos de equipamentos para produção de um álbum, porém, nada adianta sem o tal feeling, e o abuso da tecnologia, que inclusive serve para mascarar defeitos e limitações, muitas vezes é utilizado tão exageradamente que torna a música plástica, sem vida, e ainda faz parecer que muitos soem praticamente iguais, mesmos timbres...clones!

Certeza absoluta que muitos que gravam CDs hoje, não sairiam "das caixas" em tempos em que os dinossauros começavam a dominar a terra! Sim, gravar álbuns em condições adversas, praticamente ao vivo, com pegada, alma, música orgânica, com feeling, por gente que realmente sabia tocar seus instrumentos.

Será que tinham em mente o clássico absoluto que gravariam?
Alguns dos grandes clássicos do Rock e Metal, foram gravados assim, com alma, e por isso são clássicos, sentimos a música. E um desses clássicos, aproveitando também a passagem do Purple pelo Brasil no mês passado, é "Machine Head", que possui ali uma coleção de faixas definitivas. Pois bem, em conversa com amigos, acabamos lembrando algumas particularidades desta obra, e aí relembro algumas, que muitos de vocês que estão lendo, devem saber, ou já devem ter lido, mas talvez encontrem algo de novo, e também há os mais jovens, que possam aqui descobrir um pouco mais, as o intuito principal, é fazer uma matéria estilo bate papo com amigos, e incentivar uma divertida discussão, assim como nasceu esta matéria!


 Vamos lá, aos fatos:

- Em Dezembro de 1971, o Deep Purple partiu rumo a Suíça, para gravar o seu sexto álbum de estúdio, sucessor de "Fireball", e o terceiro com a MK II. Por que na Suíça? Por recomendação dos seus contadores e advogados, a fim de ter menos despesas com impostos, resolveram então gravar fora da Inglaterra;

E o som não pode parar...

-  O Purple faria shows nos EUA no final de 71, porém, devido a Ian Gillan ter contraído hepatite, os shows foram cancelados, então, tudo conspirou para Montreaux;

- Enquanto esperava a recuperação de Gillan, e aproveitando tempo disponibilizado pelo cancelamento dos shows nos EUA, Ritchie Blackmore começou a escrever alguma coisa, e foram nascendo "Space Truckin'" e "Smoke on the Water";

- Martin Birch, foi escolhido para ser o engenheiro de som. Nome que virou lenda, produzindo e trabalhando como engenheiro de som, além do Purple, grandes álbuns de bandas como Blue Öyster Cult, Black Sabbath, Jeff Beck, Faces, Iron Maiden, Rainbow e Fleetwood Mac, pra citar alguns;

Ruínas do Mountreaux Casino
- "Machine Head" seria então gravado no Montreaux Casino, e o trabalho começaria após uma apresentação de Frank Zappa lá, e, bom, todo mundo lembra o que aconteceu, alguém disparou um sinalizador e o teto suspenso do casino pegou fogo, fato esse que inspirou a letra e foi devidamente relatado em "Smoke on the Water";

- O famoso estúdio móvel dos Rolling Stones, que foi locado pelo Purple para utilização do equipamento, também estava estacionado no local;

- A banda e mais alguns amigos e membros da equipe, terminaram aquela noite do show de Zappa, à beira de um lago próximo, assistindo o casino queimar, e preocupados com o  estúdio móvel dos Stones, que estava estacionado perto do casino, que acabou sendo "tostado";

- Sem condições de usar o Casino, e após o insucesso no teatro local "The |Pavillion", devido a reclamação dos vizinhos, o que levou a polícia a tirá-los do lugar, a solução foi o Grand Hotel, pelo distância de qualquer vizinho, e em pleno inverno, o que facilitou de estar meio deserto, então a banda se enfurnou nos corredores, utilizando colchões e cobertores como isolação, até conseguir o som ideal nas sessões;

- Tudo foi feito ao vivo, sem overdubs, o que se ouviu no álbum, não foi retocado posteriormente;

- "Never Before", foi a faixa que a banda apostou que seria a ideal para o primeiro single, sentindo que teria um apelo comercial, porém, não foi o que ocorreu, e provavelmente é uma das menos lembradas;

- Por outro lado, "When a Blind Man Cries", faixa adorada pelos fãs, e muito presente nas apresentações ao vivo, não entrou no álbum, e é porque Blackmore não gostava dela, simplesmente;

- E "Smoke on the Water" não estava prevista para entrar no álbum, mas após mostrarem para Claude Nobs (fundador do festival de Montreaux), este disse que aquilo era incrível e tinha que estar no álbum, e se não bastasse (veja que interessante, como estava escrita a história desse clássico), os Warners (donos da gravadora do Purple na época) convenceram a banda que "Smoke on the Water" deveria ser o single, e que  "Never Before", que era a escolhida pela banda, não teria o mesmo potencial. Foram lançados singles com as duas faixas, e sabemos que os Warners entendiam de negócios!;

- Em "Space Truckin'", Gillan lembra que a banda pensou que seria moderno viver na era espacial, então a ideia de ser um "caminhoneiro espacial", como oposto de um caminhoneiro terreno, era interessante;

- E  sobre o riff de "Space Truckin'", Blackmore disse que o lembrava o tema da séria "Batman", dos anos 60;


Estúdio Móvel dos Stones

- Ainda sobre "Smoke on the Water", o título surgiu quando Roger Glover acordou com as palavras, alguns dias após o incêndio no Casino, contando que simplesmente veio aquela frase à sua mente, e levou a ideia para Ian Gillan, e das mãos dos dois, nasceu a letra toda, nascendo também o modo que até hoje trabalham, co-escrevendo as músicas;

- A grande abertura, com "Highway Star", e seu famoso solo, já impressionam de cara, e é uma das melhores aberturas de todos os tempos, e sobre o solo, Blackmore confessa que talvez tenha sido o único solo que ele trabalhou em cima, pois sempre foi muito espontâneo com seus solos;

- A banda levou três semanas para concluir as gravações, fazendo praticamente tudo em um take...menos Ian Paice, que perfeccionista, conforme relatou Blackmore em documentário, tocava 10 takes ou mais...e quando Ritchie e Lord largavam seus instrumentos, Paice ainda ficava insistindo por só mais um take!

- Em 25 de março de 1972, "Machine Head" foi lançado, atingindo o primeiro lugar nas paradas britânicas na primeira semana, permanecendo no top 40 por cerca de 20 semanas;

- Nos EUA, chegou ao sétimo lugar, ficando nas paradas por cerca de dois anos;

- Estima-se que o álbum, nos seus 40 anos de vida, já ganhou mais de 50 versões em vinil;

Um pouquinho de uma história cheia de curiosidades, desde o inusitado "estúdio" nos corredores do Grand Hotel de Montreaux, até a história das faixas que o compõe e todos os personagens envolvidos. Para saber mais, recomendo o documentário "Deep Purple - The Making of Machine Head (Eagle Rock DVD - 2002) e  Deu vontade de ouvir o álbum agora!


Um pouco de ar puro após a correria.


Texto: Carlos "Caco" Garcia
Edição, Revisão e Pitacos: Nanda Vidotto
Fontes: Memória, "DVD The Making Of Machine Head", "Classic Rock Magazine Archives"



Track list do vinil original:

Side one             
  
1.            "Highway Star"               6:05
2.            "Maybe I'm a Leo"          4:51
3.            "Pictures of Home"         5:03
4.            "Never Before"               3:56

Side two             

5.            "Smoke on the Water"    5:40
6.            "Lazy"                            7:19
7.            "Space Truckin'"             4:31








segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Carro Bomba - Pragas Urbanas, Pragas de Thrash n' Roll!



Há quatro anos, dentro de uma roda de amigos, me recordo de alguns assuntos referentes a novidades que surgiam dentro do Heavy Metal, e em meio a todos os comentários e troca de informações, um dos meus amigos apresentou o Carro Bomba, que apesar de ter 10 anos de estrada, contabilizando o ano de 2014, parecia ser uma banda nova, pela questão do nome e de nunca ter ouvido ou escutado alguma música. Mas eu, curioso, fui logo procurar material da banda, que na época foi o “Nervoso” (2008), pra poder avaliar a sonoridade. Logo de cara, pelas primeiras audições, fiquei surpreso pelo som pesado de guitarra, influenciado principalmente pelo Black Sabbath e, claro, das letras compostas e cantadas em português, características essas que me fizeram adquirir grande respeito pelos Bombers.

Em 2011, quando lançaram o “Carcaça”, os paulistanos quiseram ousar e abusar ainda mais no que diz respeito a peso, gana essa que os levou a arriscar o incremento de arranjos de Thrash Metal, tudo dentro da sua proposta de fazer Heavy Metal com uma veia Rock N’ Roll, o que acabou dando certo, tanto que, em passagem pelo Chile, o público local denominou a banda de Thrash N’ Roll, e que também soou fortemente aqui no Brasil, pois tem tudo a ver com a personalidade sonora da banda. E o “Carcaça”, em si, foi um sucesso tanto em vendas, criticas e aceitações, culminando a ser o que é hoje, uma das principais bandas de Heavy Metal do Brasil.


Passados quatros anos após o lançamento do 4º disco (citado acima), Rogério Fernandes (vocal), Marcello Schevano (guitarrista e único membro original), Heitor Shewchenko (bateria) e Ricardo “Soneca” Schevano (baixo), que vem comandando o posto deixado por Fabrizio Michelloni, segue adiante com o seu mais novo trabalho, o intitulado “Pragas Urbanas”, que não apresenta nenhum tipo de diferença ou segredo, apenas mantém o mesmo comportamento dos seus dois últimos trabalhos, que é, como eles dizem, fazer "MPB" (Música Pesada Brasileira) com qualidade, sendo, até então, o disco mais pesado de sua discografia.

Neste 5º disco também não há novidades nas partes de produção e arte gráfica, a cargo do Mr. Som estúdio, com a produção feita pelas mãos de Marcello Pompeu/Heros Trench (ambos do Korzus), também tendo o Ricardo dando suporte, e do quadrinhista André Kitagawa, que novamente se responsabilizou a ilustrar a capa e desenvolver o novo logotipo da banda. E mantém também, claro, as letras, que abordam os principais problemas sociais e urbanos, como o próprio título do álbum sugere.


Não há momentos ruins ou medianos que possam ser apontados, muito pelo contrário, todas as faixas soam perfeitas, com cada faixa seguindo num andamento diferente, mas não poupando o peso, agressividade e, por que não, algumas melodias? Porque não é só peso que a banda propõe para os nossos sensíveis ouvidos.

O play inicia com a faixa “Máquina”, que já começa com os dois pés no peito, de forma certeira e cheia, com riffs que são uma verdadeira tijolada saindo da Gibson SG de Marcelo Schevano, que depois do saudoso Hélcio Aguirra ter nos deixado no início deste ano, vem sendo o principal guitarrista no aspecto de criar riffs poderosos, destacando também o ótimo entrosamento do baixista e irmão, Ricardo Schevano, que caiu como uma luva para os Bombers;

“Fuga” prossegue mais cadenciada, e ganha um swing no decorrer da música, tendo pegada e reforçada pela habilidade nas baquetas de Heitor Shewchenko; a curta e direta “Esporro” possui dosagem mais agressiva, sendo rápida em todos os sentidos, com vocais bem ríspidos de Rogério; “Arrastando Correntes” mergulha nas influências"Sabbathicas" da banda, com uma melodia saliente e o vocal cheio de drives de Rogério Fernandes, já conhecido por possuir uma forte semelhança com o timbre do mestre Ronnie James Dio.



O momento mais especial do disco está em “Mojo”, apresentando a atmosfera e o lado mais Rock N’ Roll da banda, tendo a participação do gaitista Sérgio Duarte; “Let’s Blow” possui uma ótima letra e um refrão que incita sair cantando por ai, com Marcello Pompeu participando: “Let’s Blow/Ondas de Choque/Let’s Blow/Explode Tudo e Vem pro Rock”; completa o disco com “Thrash N’ Roll” (não poderia faltar uma dedicatória) e “Fantasma”, que encerra o petardo de forma digna.


Da mesma forma que falo que não há nenhuma banda que possa superar o Black Sabbath, Deep Purple, Iron Maiden, Judas Priest e outros tantos dinossauros que estão ainda na ativa, a mesma coisa é com o Carro Bomba. Acho que, dificilmente, alguma banda nacional irá alcançar os Bombers, porque tirando o Golpe de Estado e a banda que eu vos falo neste review, não tem nenhuma que faz algo parecido.
E parafraseando o editor-chefe da revista Roadie Crew, Ricardo Batalha: “É a Melhor Banda de Heavy Metal que Canta em Português”.

Texto: Gabriel Arruda
Revisão: 002
Fotos: Divulgação/Ricardo Girardi

Ficha Técnica
Banda: Carro Bomba
Álbum: Pragas Urbanas
Ano: 2014
País: Brasil
Estilo: Heavy Metal/Rock N’ Roll
Produção: Marcello Pompeu/Heros Trench
Gravadora: Independente

Line-Up
Rogério Fernandes (vocal)
Marcello Schevano (guitarra)
Ricardo “Soneca” Schevano (baixo)
Heitor Schewchenco (bateria)

Track-List
1.    Máquina
2.    Fuga
3.    Pragas Urbanas
4.    Esporro
5.    Arrastando Correntes
6.    Mojo
7.    Let’s Blow
8.    Thrash N’ Roll
9.    Fantasma