quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Tarja: "The Shadow Self", Solidez e Bom Gosto



Após a muito boa preparação para seu lançamento principal em 2016, com o álbum “The Brightest Void”, Tarja Turunen apresentou aos fãs o esperado “The Shadow Self”, e a produção impecável já mostrada no referido “aperitivo”, como era esperado, também impera neste álbum principal. Sobre o título, Tarja explica que a inspiração veio de uma entrevista que viu de Annie Lennox (Eurythmics), onde ela fala que todos temos um lado negro, e provavelmente apreciamos que ele exista, e os artistas gostam que esse lado se manifeste e buscam bastante inspiração nele.

Não obstante algumas das músicas presentes em “The Shadow Self” já figurarem em versões um pouco diferentes em “The Brightest Void”, inclusive até abrindo um  precedente de avaliarmos se não teria funcionado melhor ter apenas um lançamento, com uma duração um pouco maior e deixando-o ainda mais consistente? Pois considerando que temos duas canções que aparecem nos dois álbuns, em versões levemente diferentes,  mais 3 versões ou covers (sendo uma, “Supremacy”, que considero o ponto mais fraco dos lançamentos), que poderiam ser distribuídas como bônus em algumas versões do álbum.

Porém, analisando do ponto de vista comercial, e dos fãs, é muito mais legal e interessante, para os dois lados, ao invés de um single, ou ter que procurar várias versões para ter acesso a algumas faixas bônus diferentes, ter dois álbuns com material de qualidade.


Podemos notar em ambos os lançamentos, que o direcionamento está mais contido em termos de experimentalismos, tendo canções mais vibrantes, melodias mais fáceis e mais marcantes, inclusive com músicas lembram o Metal Sinfônico da sua época com o Nightwish, como a “Undertaker”, por exemplo, mas o certo é que vejo que foi encontrado um ponto de equilíbrio bem interessante, e as novas composições são direcionadas para que funcionem e encaixem muito melhor nas áreas em que a cantora se sai melhor, em um  Melodic Metal moderno, com algum acento pop, temperado a elementos sinfônicos e clássicos, além de algumas surpresas aqui e acolá, mas sem experimentalismo exagerado, consolidando o estilo do trabalho solo, ou da banda Tarja, já que são muitos colaboradores envolvidos.

Temos então 12 faixas (contando com a faixa escondida “Hit Song”), quase que em sua totalidade apresentando um Melodic/Symphonic Metal de bom gosto, com muitas melodias de fácil assimilação, andamentos cativantes e momentos criativos. “Innocence” abre com uma introdução virtuosa ao piano, dando um ar de dramaticidade, para em seguida transformar-se em um agradável e cativante faixa de Melodic/Symphonic Metal, onde Tarja alterna linhas mais melodiosas com os vocais de soprano. Uma intervenção um pouco longa de piano ao meio da música quebra um pouco o ritmo, provavelmente um interlúdio com a intenção de dar novamente um ar dramático, mas não chega a ser algo que comprometa a música, e depois de algumas audições, acabei acostumando.


“Demons in You” é uma faixa bem interessante, apesar do começo com uma linha de guitarra funkeada, depois ganha bastante peso nas guitarras, e Tarja ganha companhia de Alissa White-Gluz, que colabora com seus vocais guturais, tendo um contraponto interessante com o refrão melodioso; “No Bitter End” já é conhecida, inclusive pelo vídeo clipe, e aqui aparece em versão levemente mais Hard, talhada perfeitamente para grudar na mente de imediato com suas melodias fáceis e agradáveis.

“Love to Hate”, também é outra que traz essas doses do lado mais clássico e sinfônico com um acento pop, destacando arranjos orquestrais e as melodias que transmitem uma certa dramaticidade, além d e um trecho quase etéreo antes do final; depois temo “Supremacy”, que considero o ponto baixo, pois fazer uma versão de uma banda que considero chata pra cacete, no caso o Muse, era complicado em transformar em algo interessante (embora termos muitos casos que bandas de Metal fizeram versões muito boas de músicas sem graça). Foi até colocado um peso, e um ar meio trilha sonora, mas não me convenceu, e até os vocais de Tarja estão irritantes em alguns trechos.

Depois desse ponto negativo, temos a agradável e bela “The Living End”, canção com um ar e elementos folk, orquestrações leves e belos coros e vocais. Simplicidade e bom gosto. “Diva” vem em seguida, e impossível não procurar um certo ar de sarcasmo no título, lembrando da famosa carta da demissão do Nightwish, onde a banda dizia que Tarja achava que tinha se tornado uma Diva. Os elementos sinfônicos e os vocais operísticos se sobressaem, com o sotaque propositalmente mais carregado e uma certa dose de sarcasmo nos vocais, remetendo aqueles espetáculos circenses ou de cabaré.


“Eagle Eye”, também aparece aqui em versão levemente mais Hard, e é outra que traz esse equilíbrio entre Melodic Metal e Symphonic Metal com um acento mais pop, sempre com melodias e refrãos marcantes. Toni Turunen, irmão de  Tarja, divide os vocais com ela nesta faixa; “Undertaker”, conforme já havia comentado, além de também trazer esses elementos do Melodic/Symphonic Metal e melodias marcantes e agradáveis, se aproxima um pouco mais de algumas coisas de seu passado com o Nightwish, em faixas como “Nemo”, por exemplo.

“Calling From the Wild” tem um início meio Desert Rock/Stoner, destacando o pesado e marcante riff de guitarra, e os elementos Sinfônicos e Pop também se fazem presentes; a supostamente última faixa, “Too Many”,  tem suaves e  belas orquestrações, seguindo um estilo balada sinfônica, explodindo no refrão e destacando as linhas vocais, com Tarja usando um tom mais meio termo na maioria do tempo, e depois de um breve intervalo, a música escondida “The Hit Song” fecha de verdade o álbum, com um andamento bem veloz e pesado, além de um trecho de música eletrônica no meio, para descambar novamente no peso e velocidade. Somente uma brincadeira de 2 minutos.

Tarja segue construindo uma carreira cada vez mais sólida, com extremo cuidado em cada detalhe, e acima de tudo produzindo boa música, e embora alguns ainda torçam o nariz, traz qualidade, bom gosto e profissionalismo inegáveis. Imperdível para fãs do estilo e da musa finlandesa.


Texto: Carlos Garcia

Ficha Técnica:
Artista: Tarja
Álbum: The Shadow Self (2016)
Estilo: Melodic Metal/Symphonic Metal
Produção Artística: Tarja Turunen
Selo: Ear Music/Shinigami Records

Adquira "The Shadow Self" agora mesmo na Shinigami
Versão Simples Digipack

Tracklist:
Innocence
Demons in You (com Alissa White-Gluz)
No Bitter End
Love To Hate
Supremacy (Muse Cover)
The Living End
Diva
Eagle Eye (Com Toni Turunen)
Undertaker
Calling From the Wild
Too Many




segunda-feira, 29 de agosto de 2016

PATRIA – Mantendo alto o nível de seu Black Metal



‘Individualism’ é o quinto álbum da PATRIA, cuja projeção nacional e internacional só faz aumentar, tendo tocado no Inferno Festival (na Noruega) em 2015. E todo este cartaz não é em vão. Depois de uma Intro com pouco mais de meio minuto, a Horda diz a que veio e projeta uma perfeita visão sorumbática viajante devido à profundidade e densidade de seus riffs.

A banda se mantém crua e fria em determinadas partes, mas também lançam mão de melodias cadenciadas e introspectivas, conseguindo alcançar um meio termo bastante particular para construir sua sonoridade. Percebe-se que procuraram características que a tornasse uma banda diferenciada. E conseguiram.

Acima de tudo, ‘Individualism’ é um trabalho maduro de uma banda há muito tempo pronta para almejar vôos maiores.Sons como ‘Uncrowned God Of Light’, ‘Far Beyond The Scorn’, ‘Your Rotten Heart Dies Now’ e as demais estão aptas a nortear o ouvinte à uma grandiosa audição.


Como mencionado acima, o álbum não traz aquela produção ‘perfeita’, mas condizente com a proposta da banda. Tudo está em seu devido lugar. A produção gráfica é primorosa, tendo a bela capa sido feita pelo artista romeno Costin Chioreanu (Ulver, Darkthrone, Deicide); e artes no interior do encarte feitas pelo próprio guitar da banda Mantus (Marcelo Vasco - Borknagar, Slayer, Soulfly) e também pelo designer baiano Emerson Maia.

Resumindo, Patria é chover no molhado. Grande álbum de uma banda de alto nível.

Texto: Marcello Camargo
Edição: Carlos Garcia/Renato Sanson

Acesse os canais da banda:
Lançamento: Indie Recordings

Line-Up:
Triumphsword – vocals
Mantus – all instruments


Tracklist:
1. Individualism
2. Blood Storm Prophecy
3. Uncrowned God of Light
4. Outrage
5. Orphan of Emptiness
6. Far Beyond the Scorn
7. Catharsis
8. Epiphany
9. Your Rotten Heart Dies
10. God’s Entombment
11. Requiem for the Ego

Video Oficial:

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Entrevista – Felipe Machado: Tomando Uma Nova Direção


Após uma eletrizante turnê comemorando os 25 anos do “Soldiers Of Sunrise” do Viper e divulgando o lançamento do primeiro DVD ao vivo da banda, o guitarrista e compositor Felipe Machado decidiu seguir seu rumo e soltou, no final do ano passado, o primeiro disco solo da carreira, intitulado de “FM Solo”, que contém a parceria do guitarrista Val Santos (Viper, Toyshop) e do baterista Guilherme Martin (Viper, Toyshop).

E é sobre esse assunto que o Road To Metal foi atrás dele para saber sobre esse recente trabalho, que foge do seu habitual que costuma fazer no Viper, explorando nuances e estilos diferentes.

Road to Metal: Antes de tudo Felipe, gostaria de agradecer essa oportunidade de falar com nós do Road To Metal. Pra começar, gostaria saber de onde venho a ideia de fazer um álbum solo?

Felipe: Esse álbum solo (“FM Solo”), que eu lancei no final de 2015, nasceu no final da turnê de reunião do Viper, a gente acabou fazendo muitos shows e a turnê foi bem longa. E quando acabou, eu quis continuar tocando. (risos) Eu tinha já algumas músicas, que já estava começando a trabalhar e tal. E eu comecei a me encontrar com o Val Santos, que é um amigo meu de longa data. E eu acabava mandando as músicas pra ele, ele mandava uma sugestão de bateria e começamos a fazer de uma maneira despretensiosa, até porque, eu vi que cada música era de um estilo, muito diferente do Viper. Eu fui gravando as músicas, bem na boa e em casa. Eu poderia continuar fazendo isso durante anos, mas quando chegou em 10 músicas, eu falei: ‘Val, vamos parar por aqui. Vamos mixar isso daqui para ver o que dá’. A gente acabou lançando o disco, fazendo alguns shows e tal. “FM Solo” nasceu de uma maneira despretensiosa, mas estou bem feliz com o resultado.

RtM: As composições desse disco são antigas, atuais ou são registros que já tinham sido criados na época do Viper?

Felipe: Não. Na verdade, são mais atuais mesmo. Tem a música “The Shelter”, que é do “Evolution” (Viper). Tem dois covers, um do Morrisey e outro do Athlete, que não são tão antigos, mas não são exatamente novos. E as outras músicas eu comecei a fazer quando o Viper parou e comecei a brincar com elas. Não tinha muitas músicas antigas não, elas refletiam o momento que eu estava no ano de 2014 e 2015, mais ou menos o tempo que elas foram compostas. Elas não eram antigas, elas foram criadas e gravadas nessa mesma época.

"FM Solo” nasceu de uma maneira despretensiosa, mas estou bem feliz com o resultado."
RtM: A questão de ter gravado o disco em casa ajudou a trabalhar de uma maneira mais calma e bem pensada?
Felipe: Super! Foi muito legal! Eu nem imagino, hoje em dia, trabalhando de outra forma, porque graças a tecnologia a gente consegue ter uma qualidade de gravação tão boa em casa quanto em alguns estúdios. O Val também é um ótimo produtor! E esse jeito de gravar em casa permitiu que a gente pudesse ter uma total liberdade de testar as coisas, refazer, fazer de novo e um monte de coisa. Então foi um jeito bem legal de poder criar de uma maneira mais descontraída.

RtM: O “FM Solo” que você lançou ano passado, possui uma direção muito diferente do Viper, que é um pouco mais ‘clean’ e não tão carregado. Fazer isso foi uma maneira de ter saído da área de conforto e explorar outros gêneros musicais?

Felipe: Sim. Como eu tinha liberdade total, quando você está numa banda, o estilo da banda é a soma dos integrantes. Então quando eu pude fazer sozinho as coisas, acabei fazendo uma coisa totalmente que eu queria. Não tinha a obrigação de ser Heavy Metal ou de fazer qualquer estilo mais definido, então eu pude ficar mais a vontade de fazer exatamente o que eu queria. Não tinha muita obrigação de me prender a nenhum estilo.

RtM: E também tem a questão de você assumir os vocais principais nesse disco. Como você avalia seu desempenho vocal diante do “FM Solo”?

Felipe: Ah, eu não tenho que avaliar, vocês que tem que avaliar. (risos) Foi um jeito de se expressar de uma maneira mais legal. E como eu já estava acostumado a trabalhar com outros vocalistas e queria fazer uma coisa mais minha mesmo, achei que seria legal poder cantar também. E ficou uma coisa legal, adaptei as músicas para o meu arranjo vocal e para minha capacidade vocal também. Então eu fiquei bem feliz com o resultado.

"Não tinha a obrigação de ser Heavy Metal ou de fazer qualquer estilo mais definido, então eu pude ficar mais a vontade de fazer exatamente o que eu queria."
RtM: Em especial, destaco as músicas “Perfect One”, faixa de abertura, que você até criou uma bebida pra ela; a “Dark Angel”, que tem a participação da sua afilhada, Giovana. E a instrumental “Iceland”, onde são combinados vários instrumentos eruditos dentro da música. Tem outras que você mencionaria ou classificaria essas mesmo?

Felipe: Cada música tem uma história. Na verdade, cada música tem a sua característica mais marcante. Cada uma é bem diferente da outra, e a ideia era justamente essa. E foi muito legal poder brincar com esses ritmos e estilos diferentes, porque no Viper estou um pouco mais preso no Metal. E foi legal poder me libertar um pouco e fazer coisas de outras influencias que eu tenho também.

E como foi convite de colocar a sua afilhada para fazer a participação na faixa “Dark Angel”?

Felipe: Ela é uma compositora chamada Giovana Cervera, ela tinha essa música e trouxe pra gente. Estávamos compondo ela em Campos do Jordão, brincando com o violão, e a gente acabou fazendo a música juntos. Fiquei super feliz! Em breve ela deve ter um disco solo. Então é muito legal que a gente pode fazer essa coisa em família. A minha filha também acabou gravando um backing vocal nessa música, então foi bom pra manter as coisas em família.

RtM: Saindo fora do ambiente da música, você já teve oportunidade de escrever para vários vínculos daqui de São Paulo, incluindo jornais, revistas e até publicações fora do Brasil. E também você teve oportunidades de escrever livros, como o Martelo dos Deuses, Bafana Bafana (sobre a Copa do Mundo na África em 2010) e o Ping Pong (sobre as Olímpiadas de 2008).  Como é essa experiência de escritor, saindo fora da música?

Felipe: Eu já tinha essa carreira como jornalista antes. Eu nunca penso que uma hora eu vou fazer um livro ou fazer um disco. Tudo é um pouco de se expressar, de uma maneira geral, de acordo com meu estilo e de como eu penso. Então essa é outra parte da minha carreira, do jornalismo, que eu gosto muito! E não consigo dividir muito na minha cabeça de quando eu vou fazer um projeto ou outro, eles vão aparecendo, meio que vou tomando conta e vou dando atenção para cada um deles.

Eu nunca penso que uma hora eu vou fazer um livro ou fazer um disco. Tudo é um pouco de se expressar, de uma maneira geral, de acordo com meu estilo e de como eu penso.
RtM: Agora que o Viper encerrou sua turnê de divulgação do DVD, você pretende fazer uma turnê divulgando seu trabalho solo?

Felipe: Sim. Já fiz alguns shows pelo estado de São Paulo e pretendo fazer outros pelo resto do Brasil. Quero cair na estrada!

RtM: Muito obrigado mais vez pela oportunidade Felipe! E gostaria que você deixasse uma mensagem para os leitores do Road To Metal.

Felipe: Obrigado pela oportunidade! E essa coisa da internet possibilita, realmente, pessoas que não só têm acessos as informações diferentes, mas também a produção dessas informações. Então é um exercício bem legal e uma forma de democratizar a cultura e a informação. Então parabéns aí e obrigado mais uma vez!

Entrevista: Gabriel Arruda
Edição/Revisão: Renato Sanson
Fotos: Divulgação

Links de acesso:


quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Tarja Turunen: Ótima Entrada para o Prato Principal


Para satisfazer o jejum dos fãs por material inédito, Tarja Turunen vem com dois lançamentos neste segundo semestre, e o primeiro é “The Brightest Void”, precedendo o aguardado “The Shadowself”, e trazendo músicas inéditas, com convidados especiais, mais sua música que foi trilha de filme de drama/horror, duas versões e um remix.

A produção, como vem sendo recorrente na bem cuidada carreira da cantora, tanto nos seus trabalhos voltados para o Rock e Metal, como na sua carreira na música clássica, é excelente, com parte gráfica magnífica, com o figurino de Tarja alternando o preto e o branco. A produção sonora, dividida em vários estúdios pelo mundo, principalmente Argentina e Finlândia, é impecável, com muitos profissionais envolvidos, inclusive os próprios convidados, como é o caso de Michael Monroe (Hanoi Rocks).

Em “The Brightest Void” senti uma parte musical mais vibrante e cativante, parecendo que Tarja acertou de vez o ponto de equilíbrio e a personalidade do seu trabalho solo, com menos experimentalismos do que “Colors in the Dark”. O Metal moderno e o Rock Pesado Alternativo, junto a elementos clássicos e sinfônicos, e algumas surpresas que já são praxe, estão muito coesos, e tudo vai fluindo naturalmente.


Os riffs modernos e pesados de “No Bitter End”, já conhecida do público, e aqui na versão do vídeo clipe, fazem contra ponto perfeito as belas linhas vocais e o acento pop das melodias e do refrão marcantes, uma excelente e agradável candidata a Hit; os tons mais baixos e o andamento pesado e acelerado de “Your Heaven and Your Hell”, são o fundo perfeito para o dueto com o ícone do Hard e Glam finlandês, Michael Monroe, que também toca harmônica e Sax na faixa, em um interlúdio que muda totalmente a direção da música, para depois voltar ao ritmo inicial, quase Punk Rock.

 “Eagle Eye” traz como convidados Toni, irmão de Tarja, para dividir os vocais, e Chad Smith na bateria, em mais uma canção cativante e vibrante, destacando novamente os riffs pesados, em contraponto com melodias quase que introspectivas, com belas e modernas linhas melódicas, lembrando um pouco o grupo argentino Soda Stereo; “An Empty Dream”, que é tema principal do filme “Corazón Muerto” (Mariano Cattaneo), é densa e climática, quase fantasmagórica, com os graves pulsando ao fundo.


“Witch-Hunt” é quase como se fosse uma continuação da anterior, densa e pulsante, quase hipnótica, destacando a interpretação emocional e as belas orquestrações; Depois desses momentos mais densos e climáticos, “Shameless” muda novamente o rumo, para um Hard moderno, mais pesado e direto;  em seguida, a versão de “House of Wax”, de Paul McCartney, que com seu clima dark, meio misteriosa e versos surreais, caiu perfeita no estilo de Tarja, deixando a canção com a sua cara.

Em seguida, mais uma versão, e se não ficou a altura da anterior, ficou muito boa sua releitura para “Goldfinger”, trilha do filme “007 Contra Goldfinger” (1964),e a musa finlandesa quem sabe se candidate a uma próxima canção tema de 007, afinal “O Mundo Não é o Bastante” he he he; finalizando, “Paradise (What About Us?)”, Metal Sinfônico moderno e com acento Pop, colaboração sua com o Within Temptation, que aqui aparece em uma versão remixada e com mais ênfase nos vocais de Tarja.


Em uma sonoridade moderna, densa, e ao mesmo tempo cativante e criativa, Tarja mostra que não se acomoda, segue levando muito bem suas carreiras paralelas, buscando melhora e superação a cada trabalho, e tive de aplaudir estas primeiras amostras em “The Brightest Void” enquanto aguardava ainda mais ansioso por “The Shadow Self”.

Texto: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica:
Artista: Tarja Turunen
Álbum: "The Brightest Void"
Estilo: Simphonic Metal/Alternative Metal
Produção Artística: Tarja & Mic
Lançamento: Ear Music/Shinigami Records

Adquira o álbum na Shinigami




Track List:
No Bitter End (Video Clip Version)
Your Heaven And Your Hell
Eagle Eye
Empty Dream
Witch-Hunt
Shamless
House OF Wax
Goldfinger
Paradise (What About US)



terça-feira, 23 de agosto de 2016

Broken & Burnt: Qualidade ímpar!


Peso, morbidez e melancolia. Essa é a primeira impressão que o Broken & Burnt passa em seu segundo disco, “It Comes to Life” (2016).

Um álbum carregado e temperamental, assim como suas letras, já que as mesmas são baseadas no clássico “Frankenstein”, e seguindo como a obra literária, temos os momentos fúnebres, agressivos, tensos e porque não violentos, expressados de forma ímpar e de maneira bem peculiar.

O quarteto de Espirito Santo investe numa sonoridade mais grooveada, mas que carrega consigo a atmosfera do Doom Metal e grandes influencias experimentais, como podemos notar logo de cara na faixa título ou nas intensas “Bestowings Animation” e “Eve” (faixa instrumental, mas carregada de muito sentimento).

As linhas vocais são muito bem colocadas e variam entre partes agressivas e outras mais limpas de forma mais fúnebre, que junto aos riffs arrastados e o peso martelado da cozinha transbordam um som poderoso e diferenciado. A produção sonora acertou em cheio junto a proposta do grupo, o peso é latente e predominante, mas soa clara e muito bem timbrada, deixando na cara o que queriam passar ao ouvinte. A parte gráfica carregada em tons cinzas, brancos e amarelados soa bem abstrata, mas que combina com a proposta lírica e deixou um ar mais vintage ao belo Digipack que embala o disco.

De fato, não é um álbum de fácil assimilação e pode soar azedo aos ouvidos não iniciados, mas que escutado com atenção você encontrará um grande trabalho além de uma qualidade sonora absurda e porque não original, pois não se é necessário ter técnica exuberante ou variações e quebras de tempo a todo instante para se reinventar e trazer uma sonoridade mais peculiar, e o Broken & Burnt prova isso.


Resenha por: Renato Sanson

Links de acesso:

Formação:
Hugo Ali (Guitarra/Vocal)
César Schroeder (Guitarra)
Denis Coelho (Baixo/Vocal)
Apache Moons (Bateria)

Tracklist:
Músicas:
Parte I:
1. It Comes to Life
2. Bestowing Animation
3. Unexpected Dirge

Parte II:
4. Along The Way
5. Eve
6. Dead Womb

Parte III:
7. Deep Inside the Void
8. Cold Letters
9. Darkness & Distance

domingo, 21 de agosto de 2016

Megadeth: A cobertura que quase não saiu (16/08/16 – Pepsi On Stage – Porto Alegre/RS)


Estranho começar uma cobertura de show com este título, não? Pois bem, infelizmente é verdade, e quase que o Road to Metal fica sem essa cobertura, e vou explicar a vocês nas linhas a seguir.

Antes de mais nada e que me interpretem errado, em termos de produção de show a Abstratti Produtora foi impecável, o que pesou e nos levou a temer se teríamos ou não a cobertura (isso já dentro da casa), foi a questão de acessibilidade do local.

Para quem não sabe eu (Renato Sanson) responsável por 90% das coberturas de shows do site sou cadeirante, porém em muitos casos nunca utilizei os locais devidamente marcados para pessoas com deficiência, e sempre fiquei na grade ou próxima a ela, porém nas vezes que quis utilizar os locais “apropriados” sempre tive um grande stress, e no show do Megadeth não foi diferente. O Pepsi On Stage em si é um ótimo local para se ver shows, tem banheiros adaptados, local para percorrer sem elevações, tudo que uma pessoa com deficiência precisa, porém desta vez não entendi a lógica do local marcado para pessoas com deficiência.

Sempre tive ótimos momentos no Pepsi, mas fiquei sem entender o porquê de tamanho descaso desta vez. O local apropriado colocado por eles (ou pela produtora, não sei quem teve tal ideia) era em uma das laterais da casa, que de fato não era longe do palco e seria bem agradável de ver o espetáculo dali se não fossem dois detalhes cruciais: 1°: o local era na frente da fila do bar, onde se concentra o maior número de pessoas possíveis na volta, não me entendam mal, mas aí vem o segundo detalhe, o local destinado não tinha altura suficiente para um cadeirante por exemplo ver o show dali. Conforme a fila do bar aumentava, as pessoas ficavam na frente e conforme o local enchia menos se via o palco, chegando ao ponto de a casa estar lotada e não conseguir se ver nada do espaço destinado, já que a altura que a casa ou produtora estabeleceu, não supria o que uma pessoa com deficiência necessitava para se ver o show.

Sendo assim, fui em busca de uma solução, pois estava ali a trabalho e não poderia deixar de ver o show, pois o que eu teria para escrever se não visse nada? Lembro de uma situação parecidíssima que ocorreu comigo quando fui fazer a cobertura do show do Kiss no Gigantinho em 2012, o local não supria as necessidades e tanto a produtora e a casa não achavam uma solução cabível, eis então que entrou em ação o corpo de bombeiros, que estavam no local e acharam um lugar para que eu pudesse ver o show e concluir o meu trabalho. E não é que no Megadeth aconteceu a mesma coisa? Pois é, depois de muita conversa, explicações nada se resolvia, e lá estava a brigada de incêndio, que incomodados com a situação resolveram ou melhor, tentaram achar uma solução cabível para mim poder ver o show e poder concluir meu trabalho novamente.

Eis então que eu estava ao lado direito do palco em cima das escadas próximo ao banheiro, em uma altura que sim, me proporcionava ver o palco, mas confesso que fiquei decepcionado com o local proposto originalmente, onde não se tinha uma segunda opção, é aquele e pronto. Mas e aí? O local não é apropriado, não tem como se ver nada dali, então o profissional ou cliente sai lesado e pronto? Lamentável. Lembrando que esses espaços em locais de entretenimento são obrigatórios e deveriam ser regidos corretamente, mas não tem o que se esperar de uma cidade em que 99% das casas de shows não se preocupam com isso, não é?


Voltando agora ao evento em si, pontualmente às 20h a banda gaúcha It’s All Red sobe ao palco para fazer as honras da noite, e confesso não sou um fã da banda e muito menos do estilo sonoro que fazem, mas é inegável que apresentaram um ótimo show dentro de sua proposta. A banda demonstra muita vitalidade e profissionalismo, tendo uma ótima oportunidade de mostrar seu som a várias pessoas que certamente não os conheciam. Destaco a performance precisa do baterista Renato Siqueira e a ótima versão de “Only” do Anthrax que agitou os presentes.

Após uma rápida mudança de palco era hora de receber o Megadeth, que desembarcava na capital gaúcha pela terceira vez. Porém desta vez tínhamos um atrativo a mais, além do novo álbum “Dystopia” tinha o renomado guitarrista brasileiro Kiko Loureiro (Angra). Onde muitos se perguntavam: “mas e ao vivo como o Megadeth vai soar com o Kiko?

Mesmo achando exagerado todo o falso patriotismo em volta da entrada do Kiko no Megadeth (pois temos diversos músicos brasileiros em grandes bandas mundo a fora, mas infelizmente ninguém dá o devido valor) eu tinha lá minhas dúvidas, não pela questão técnica, mas sim ao vivo, pois como já vi o Angra diversas vezes tinha aquela visão menos enérgica do mesmo.


Então era hora de ver o que teríamos com o brasileiro como novo guitarrista do Megadeth. Vale ressaltar o belo palco montado para essa tour, com diversos telões que mudavam a cada música, e já na abertura com “Hangar 18” temos uma explosão da massa com Dave Mustaine comandando e Kiko sendo muito ovacionado durante os solos.

Se faltava energia nos shows do Angra, no Megadeth Kiko quebrou a regra e agitou o tempo todo, tendo uma performance acima do esperado, e estando muito carismático. Já Dave Mustaine tem a sua clássica soberba e muitas vezes passa a impressão de não estar com vontade de tocar, sendo sempre marrento, mas um verdadeiro showman. Já Ellefson infelizmente estava com uma fratura na perna e não pode se movimentar tanto como estamos acostumados, mas mesmo assim não se poupou. E fechando o Megadeth o estreante Dirk Verbeuren (Soilwork), que não fez nada além do esperado, entregando o que as músicas precisavam em uma performance bem contida.

Seguindo o baile (que estava com som e luzes impecáveis) “Threat Is Real” do novo álbum é apresentada e mostra-se bem aceita com destaque ao trabalho preciso e coeso de Ellefson, mesmo que muitas vezes esquecido é com certeza um dos melhores baixistas do estilo.


Eis que ao final da música todos se retiram do palco e volta apenas Mustaine, onde foi bastante ovacionado e anuncia um de seus maiores clássicos “Tornado Of Souls” (“Rust In Peace” – 90), e aí amigo, a casa foi abaixo, e mostrou que Kiko já está imprimindo sua característica nos solos, onde tomou a frente do palco e fritou sua Ibanez sem dó.

Após mais uma do novo álbum “Poisonous Shadows”, era hora de arrancar lágrimas da velha guarda, e “Wake Up Dead” e “In My Darkest Hour” chegam uma emendada na outra e esquentando a casa ainda mais.

Dando ênfase ao seu novo disco (uma pena terem deixado de fora músicas dos álbuns dos anos 2000, pois ótimas composições foram criadas que cairiam muito bem ao vivo) tivemos o duo “Conquer or Die!” e “Fatal Ilusion” que mesmo sendo boas composições, esfriaram a galera, que só voltaram a se animar com o anuncio da ótima “She-Wolf” (“Cryptic Writings” – 97), onde as guitarras saltam aos ouvidos, e com Kiko esbanjando carisma junto a postura mais agressiva de Dave.

Eis então que Mustaine & cia preparavam o terreno para uma trinca arrasadora, a começar por “Dawn Patrol” onde Ellefson tomou o palco e imprimiu seu peso, abrindo as portas para a arrasadora “Poison Was The Cure” para em seguida a clássica “Sweating Bullets” entrar em cena e tomar o ar dos pulmões da plateia.


O ato a seguir do show seria um pouco mais ameno, muitos não gostam, mas são composições que caem muito bem ao vivo, e “A Tout Le Monde” e “Trust” fizeram os presentes cantarem juntos até o último verso, sendo um dos momentos mais marcantes do show.

Seguindo as divulgações do novo álbum “Post American World” e “Dystopia”, que novamente, mesmo sendo boas músicas não mexeram com o público, mas parece que o Megadeth tinha tudo calculado, e mesmo depois de ter dado uma amornada, o maior clássico da banda chega “Symphony of Destruction” e o coro “Megadeth, Megadeth i wanna Megadeth” se virilizou no Pepsi On Stage, levando a galera a histeria!

Mais uma saída de palco e Ellefson retorna sozinho e puxa a intro de “Peace Sells”, que ao seu final trouxe a palco o mascote Vic Rattlehead, pegando todos de surpresa, mas algo muito legal que deixou o show ainda mais especial.


O espetáculo se aproximava do final e não sabíamos se teríamos mais uma música ou se seria a “saidera” com “Holy Wars”. Porém Dave surpreende e retorna ao palco sozinho para ser ovacionado mais uma vez e anunciar o improvável, “The Mechanix” do Debut “Killing is My Business... And Business is Good!” (85), que foi tocada com uma ferocidade latente, estando ainda mais rápida que a versão original, onde fez muito marmanjo old school ir as lagrimas. Para quem não sabe “The Mechanix” é a primeira versão de “The Four Horsemen” do Metallica, faixa está escrita por Dave na época em que integrava o grupo.

E fechando o show de forma magistral a clássica e nunca cansativa “Holy Wars”, que veio para fechar com chave de ouro uma apresentação tecnicamente impecável dos americanos. Que tiveram uma performance um tanto “ensaiada” tudo funcionava como se fosse um reloginho, o que não é ruim, mas que fica meio engessado. Mas no mais, foi mais um grande show de Heavy Metal na capital gaúcha.

Cobertura por: Renato Sanson
Fotos: Diogo Nunes

Setlist - Megadeth:
01 Prince of Darkness (intro)
02 Hangar 18
03 The Threat is Real
04 Tornado of Souls
05 Poisonous Shadows
06 Wake Up Dead
07 In My Darkest Hour
08 Conquer or Die!
09 Fatal Ilusion
10 She-Wolf
11 Dawn Patrol
12 Poison Was The Cure
13 Sweating Bullets
14 A Tout Le Mond
15 Trust
16 Post American World
17 Dystopia
18 Symphony of Destruction
19 Peace Sells
20 The Mechanix
21 Holy Wars... The Punishment Due