segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

A Sorrowful Dream: Dark Metal com Alma e Paixão



Fundada em 1996 no interior do Rio Grande do Sul (Sapucaia do Sul), e agora radicada na capital, a Sorrowful Dream passou por diversas fases e trocas de formações, lançando nesse tempo diversos trabalhos oficiais, como Demo-Tapes, CD-Demos, participações em compilações e dois full lenghts, evoluindo e agregando novos elementos, mas fiel a sua proposta inicial, de criar uma música unindo o peso, melodia e melancolia, inspirada nos principais nomes que surgiram na Europa dentro do Gothic e Dark Metal, passando por elementos do Death e Black, utilizando-se de orquestrações, vocais femininos e violinos.

Somente em 2009 veio o primeiro full lenght, "Toward Nothingness", sendo muito bem recebido, trazendo novas músicas e algumas composições de trabalhos anteriores, em um registro que a banda e fãs já mereciam.

Em 2015 chegou a vez do segundo full lenght, lançado no final do ano, tendo uma apresentação especial de lançamento no Teatro CIEE em Porto Alegre, dia 17 de outubro, onde a banda apresentou "Passion" ao público.


"Passion" apresenta o ponto alto do grupo, apresentando uma evolução com relação ao anterior, algo que a banda sempre buscou em sua carreira, não poderia ser diferente. Um trabalho elaborado, repleto de emoções, beleza e melancolia. A começar pela capa, que vem em digipack, com uma bela gravura (criada por Tric Jonathas) representando o conceito do álbum, que a banda explica (em folheto que acompanha o álbum, o qual também inclui explanações a respeito de todas as músicas) não ter sido intencional compor um trabalho conceitual, porém os temas recorrentes nas letras e certa relação entre as músicas, pode-se considerar "Passion" uma obra dessa estirpe.

Em 10 faixas, incluindo o prelúdio com "Prolusion", a banda põe pra fora uma música que, percebe-se por todo o trabalho de composição, foi feito por quem realmente ama e acredita no que faz, e trata isso como arte, como expressão de sentimentos, e conseguem passar essas emoções ao ouvinte.

O Dark Metal, acho que é uma denominação mais abrangente aos componentes da música da A Sorrowful Dream (Gothic, Black, Death, etc), que seguiu agregando novos elementos, pela evolução natural como músicos, e pessoas,  o que foi compondo e fortalecendo a personalidade da banda, e a cada canção vamos descobrindo esses elementos, viajando com o grupo por todas essas emoções expressas, com doses de originalidade e ousadia.


Bom, seguimos com as faixas, aproveitando também as explanações da banda a respeito de que se refere cada canção, e claro, música está sujeita a interpretação pessoal de cada um, muitos sons e palavras podem tocar as pessoas de diversas e diferentes maneiras.

O prelúdio junta-se a "Amálgama", tema que traduz a paixão em sua forma mais mundana, ótimo tema, um dos destaques, originária de poema do mesmo nome, tendo trechos em português e inglês, é uma música com peso e melancolia, que já impressiona e gruda na mente, com belo trabalho de vozes, onde se destacam os vocais de Éder, que em vários momentos do álbum me lembra bastante Fernando Ribeiro (Moonspell), destaque também pera a beleza e melancolia dos arranjos de violino (um dos instrumentos que mais transmitem esse sentimento de melancolia) e piano; "Entwined", aborda os relacionamentos, orquestrações e incursões mais suaves se juntam ao peso das guitarras, além das diversas vozes, limpas, femininas, guturais, transitando pelo Doom e Gothic Metal; 

"Silent Words", uma música de transição, ainda se referindo a relacionamentos, destaco aqui os ótimos riffs, e a bela melodia de guitarra que se junta a voz de Éder e Josi no refrão, além dos trechos mais acústicos, uma balada praticamente, mas com trechos extremos; depois temos "Ephemeral", que conforme a banda apresenta, é uma música polifônica, com diversas vozes representando estados diferentes de personalidade e consciência, começa com melodias limpas, para depois ganhar peso, não esquecendo jamais das melodias profundas e melancolia que marcam as canções da banda.

"A Lullaby For Lunatics" é outros grande destaque, trazendo doses de originalidade, com a mistura de tango ao Dark Metal do grupo, nem sempre esses experimentos podem dar certo, mas aqui encaixou perfeito, de certa forma são duas formas de música que possuem como característica a melancolia. Muito bom.


"Solo Awakening" se aproxima do conceito de paixão como sacrifício, e aqui destaca-se o belo trabalho vocal de Josi, mesclando voz natural ao canto lírico, que tem em contraponto vocais guturais, com a música transitando por passagens mais arrastadas e mais intensas com trechos mais rápidos; "In Hebetude", que significa "estar em letargia", trata do contraste do mundo real e o "eu", em outra canção com bastante peso e intensidade.

"Only Blood Knows", é ponto crucial na paixão, onde os indivíduos percebem que esse caminho se encontra neles próprios. É bastante intensa, também  iniciando num andamento lento, iniciando com melodias quase etéreas, e a voz grave de Éder, quase num tom de narrativa, surge em uma interpretação carregada de emoção e teatralidade, tendo ao fundo o peso das guitarras e cozinha, além da companhia da voz suave de Josi, sempre acrescentando ainda mais beleza a esta peça repleta de variações instrumentais, em trechos mais etéreos, permeados pela melancolia dos violinos e piano, aos trechos mais pesados.


"Passion" é a conclusão do percurso, retomando ambos os sentidos da "Paixão", o mundano, ou a paixão amorosa, e o do sentido de sacrifício, doação.  Um gran finale carregado de belas melodias, peso e melancolia, destacando o brilhante desempenho nos vocais, principalmente com Josi e Éder "duelando", transmitindo muito feeling, em interpretações impecáveis, algo bem teatral. O instrumental traz peso e melodia bem dosados, destacando as belas melodias criadas por Mari Vieira ao teclado, e a cozinha de Tuko e Ricardo, com peso e precisão, sentando a mão sempre que a canção pede, os riffs abafados, pesados e soturnos das guitarras. Trilha perfeita para o tema cantado.

 Uma coleção de canções que agradarão a todo fã de bandas do estilo, que sentem saudades de grandes momentos de grupos como Theatre of Tragedy, Tristania e outros tradicionais nomes pioneiros do gênero, em um álbum carregado de melancolia, peso, melodia, beleza e música feita com paixão e alma.

Texto: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Banda: A Sorrowful Dream
Álbum: "Passion" (2015)
País: Brasil
Estilo: Dark Metal
Produção: Sebastian Carsin e Ricardo Giordano 
Selo: Independente
Assessoria: War Gods



Canais da Banda:

Éder A. de Macedo (voz) 
Josie Demeneghi (voz) 
Aurélio Martins (guitarra)
 Lucas Vargas (gui/violino) 
Mari Vieira (teclados) 
Geovane "Tuko" Lacerda (baixo) 
Ricardo Giordano (bateria)

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Cobertura de Show: Warrel Dane & Furia Inc. (30/01/2016 – Hangar 110 – SP)


Desde abril de 2014, o vocalista norte americano Warrel Dane adotou o Brasil como sua segunda casa, conquistando a simpatia e o carinho do público de forma rápida, acompanhado sempre de grandes músicos brasileiros ao seu lado. Se tratando de uma grande pessoa como ele, o qual fez história registrando grandes trabalhos com o Sanctuary, Nevermore e carreira-solo, é sempre bom reve-lo por aqui. Residindo em São Paulo temporariamente para trabalhar no seu segundo CD solo, que promete ser bastante pesado, o ‘front-man’ deu novamente, no sábado passado, a chance dos fãs brasileiros poderem vê-lo ao vivo na capital paulista, durante a tour “Dead Heart, In A Neon Black”. cantando os grandes clássicos da sua carreira.

Com um calor que beirava os 30º graus no lado de fora, os fãs aguardavam ansiosamente a abertura da casa, que teoricamente era pra ter dado o ‘abre alas’ a partir das 18h30min conforme o combinado, tendo um atraso de meia hora para o público, aos poucos, ir tomando o Hangar 110, para já ir aquecendo, tomando uma água ou uma cerveja antes de começar o evento, apreciando um DVD do Motörhead no telão, homenageando o grande Lemmy Kilmister, falecido em dezembro passado.

Por volta das 19h15min, os paulistanos do Furia Inc. deram o ponta pé inicial da noite com o seu Thrash Metal ríspido e azedo. Dando ênfase no seu primeiro trabalho, “Murder Nature”, o quarteto, oriundo de Guarulhos, formado por Victor Cutrale (vocal), Gustavo Romão (guitarra), Bruno Nicolozzi (baixo) e Neto Romão (bateria), não fez feio diante do público, levando muita gente ao agito com um set matador de 40 minutos. No primeiro momento, a banda iniciou o petardo com “Pitchblack Downfall” e “Crash”, ensurdecendo os presentes com riffs absurdos e uma cozinha rítmica pesada, distinguindo também a grande presença de palco e o desempenho vocal do Victor. Antes de anunciar “The Cage”, Victor agradeceu a presença de todos para, logo em seguida, dar continuidade a porradaria com os fãs se mostrando empolgados, dando o embalo imediato para faixa-título do primeiro disco, “Murder Nature”.


Revisitando o passado, foi anunciado “Screaming Inside”, que está presente no EP de estreia da banda, “Before The Word Ends”, caindo muito bem ao vivo. “Breaking the Silence” foi uma homenagem à cena Metal brasileira, onde o Victor aclamou que, apesar da crise que o nosso país está vivendo, o Metal nacional se encontra forte com grandes bandas e músicos tento a oportunidade de tocar fora do país, citando o guitarrista Kiko Loureiro (Angra, Megadeth) como exemplo.

Chegando ao fim, a banda ainda queria mais energia, e foi aí que as rodas começaram a se abrir durante as faixas “There Is No God” e “Into the Mirror”, essa última com o Victor indo para o meio da galera participando no ‘mosh pit’. Uma forma digna de encerrar o show, onde a banda mostrou, fazendo trocadilho, toda a sua “fúria” a cada momento.


O Hangar já se encontrava bastante cheio durante a pausa para recarregar o fôlego e apreciar a atração principal da noite, que durou, aproximadamente, 40 minutos de intervalo. E por volta das 21h, Warrel Dane,e a sua trupe de brasileiros deram início ao espetáculo. A baixa durante o show é que o vocalista estava um pouco debilitado, provavelmente pelos seus problemas de saúde (N.T.: Warrel Dane, há um tempo, enfrenta problemas de diabete), não estando nas suas perfeitas condições: um banquinho de batera, um ventilador e um pedestal, na qual ficou apoiado em boa parte do show, realçou que o negócio foi sério. Já a banda, formado por Thiago Oliveira e Johnny Moraes (guitarras), Fabio Carito (baixo) e Marcus Dotta (bateria), teve a árdua missão de ir para o ataque e colocar a bola dentro do gol, provando que são as pessoas perfeitas para acompanha-lo.

O set foi recheado de clássicos, mas devido ao estado que o Warrel se encontrava, muitas vezes ele não conseguia atingir o tom certo das músicas e, até mesmo, dando algumas derrapadas nas letras. E a primeira hora do show foi dedicada a momentos do álbum “Dreaming Neon Black”, dando início aos trabalhos para a “Beyond Within”, com o Warrel tentando dar o seu esforço máximo, pois os fãs já perceberam que ele não estava bem, mas que, em momento algum, não comprometeu a satisfação de todos. O negócio começou a ficar bom em “The Death Of Passion”, com o público cantando o refrão a plenos pulmões unindo-se para ajudar o vocalista, feito muito bonito por parte deles. Tal façanha foi progredida com a “Poison Godmachine” e “The Fault Of The Flash”, marcado também pelo instrumental forte e pesado da banda. “Forever”, umas das mais melódicas do disco, teve erros por parte de Warrel na afinação e na letra, sendo, talvez, o ponto mais baixo da noite. “Dreaming Neon Black”, faixa-título do disco, teve como convidada especial à vocalista Rafaela Vilela, do Ravenland. Mas o dueto não surtiu muito efeito, quase não sendo possível ouvir a voz da moça devido ao volume muito baixo do seu microfone. E dessa maneira, foi encerrada a primeira parte do set.


Após todos os conceitos apresentados com o “Dreaming Neon Black”, Warrel anunciou “When We Pray”, faixa que se encontra do seu primeiro trabalho solo, “Praises To The War Machine” (2008), mas o momento épico ficou com “Brother”, que levou muita gente à emoção por se tratar de uma música muito prestigiada da sua carreira.

Enquanto rolava uma pausa para um rápido descanso, a intro “Procognition” dava indícios de que hora de executar o aclamado “Dead Heart In A Dead Word”, e após o termino, o Hangar virou de cabeça pra baixo com a “Narcosynthesis”, faixa que dá abertura ao disco, levando o público ao extremo delírio. A carga foi aumentando cada vez mais com “We Desingrate”, “Inside Four Walls” e “The River Dragon Come”, onde os fãs queriam se aproximar de qualquer jeito do palco para cantar junto com o Warrel. “The Heart Collectors” foi dedicado a um casal e para duas garotas que estavam no meio da pista, bastante empolgadas durante essa parte do show. Os momentos finais ocorreram com “Believe In Nothing” e “Dead Heart In A Dead World”, tendo mais uma vez alguns tropeços por parte do Warrel na letra. A banda voltou do bis tocando “The Godless Endeavour”, mas o show encerrou por ai devido o Warrel ter estourado o seu limite de cota, pois no set ainda havia a “Future Tense”, do Sanctuary.


O show foi ruim? Não. Mais uma veze a banda dispensou comentários com um surpreendente espetáculo, apenas faltando sorte para o Warrel Dane, que não estava 100% do seu ideal no dia. Que ele esteja bem nos próximos shows que irá fazer ao redor do Brasil.

Cobertura: Gabriel Arruda
Fotos: Gabriel Arruda
Revisão: Renato Sanson

Furia Inc.
01.  Pitchblack Downfall
02.  Crash
03.  The Cage
04.  Murder Nature
05.  Screaming Inside
06.  Breaking the Silence
07.  There Is No God
08.  Into the Mirror

Warrel Dane
01.  Ophidian (intro)
02.  Beyond Within
03.  The Death of Passion
04.  Poison Godmachine
05.  The Fault of the Flesh
06.  Forever
07.  Dreaming Neon Black
08.  When We Pray
09.  Brother
10.  Precognition (intro)
11.  Narcosynthesis
12.  We Disintegrate
13.  Inside Four Walls
14.  River Dragon Has Come
15.  The Heart Collector
16.  Believe In Nothing
17.  Dead Heart, in a Dead World
18.  This Godless Endeavour


Agradecimentos: Tiago Claro (TC7 Produções) e Luciano Piantonni (Lanciare Comunicação & Entretenimento) 

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Maverick: Thrash Moderno e Com Ênfase nos Riffs



O álbum de estreia destes thrashers de São José do Rio Pardo (SP), "The Motor Becomes My Voice" traz uma boa produção sonora, apresentando um Thrash Metal vigoroso, direto, com riffs e cozinha apresentando doses de groove, nuances modernas numa linha próxima ao Pantera, menos no quesito solos, pois o Maverick não os possui em sua música, e em alguns momentos parece que algumas faixas pedem um solo, ou algo mais que a preencha, apesar de haver dois guitarristas, mas são detalhes que aos poucos a banda vai ir encaixando e evoluindo. Não que solos sejam imprescindíveis, apesar de característica bem marcante no Metal, mas também me refiro a outros elementos, amadurecimento da proposta, entrosamento, etc.

Alguns detalhes da produção, como em alguns momentos um ou outro instrumento fica mais alto que o restante, mas nada que comprometa o vigor e garra do Thrash produzido pela banda, que nessa sonoridade mais direta e voltada aos riffs, produz uma boa estreia em 8 faixas, alternando momentos com mais cadência e groove, a passagens mais rápidas, onde o vocal animalesco de Gabriel, detalhe que mais uma vez me lembrou o Pantera, traz a agressividade necessária para a proposta.


Estreia convincente, uma banda que mostra futuro, indicado a fãs de Pantera, Sepultura e Thrash direto, com groove e pegada, destacando as faixas "Upside Down", que começa com um peso demolidor, tem boas variações e riffs indicados a bater cabeça, com bastante groove, alternando para partes mais rápidas, "The Motor Becomes my Voice", que começa bem na manha, com peso cavalar, destacando também as trocas de andamento e "Disorder", que inicia pesada e cadenciada, para após um riff regado a flanger, entrar em um ritmo frenético, daqueles de abrir rodas de slam dancing, alternando cadencia, peso, velocidade em interessantes trocas de andamentos e muitos riffs. Confira sem medo.

Texto: Carlos Garcia

Banda: Maverick
Álbum: The Motor Becomes my Voice
País: Brasil
Estilo: Thrash Metal/Groove/Modern Thrash Metal
Selo: Shinigami (acesse o site e adquira o álbum)

Canais oficias da banda:
Facebook
Soundcloud


A nova formação, com  Cesar "Cesão" Perdão
Line-up

Gabriel Sernaglia (Guitarra/Vocal)
Caio Henrique (Guitarra)
Lucas Silva (Baixo)
Gustavo Polississo (Bateria)

Cesar Perdão: Guitarrista (desde dezembro 2015, substituindo Caio Henrique)

Track List:
1 – V8
2 – Upsidown
3 – Motor Becomes My Voice
4 – Shadows Inc.
5 – Disorder
6 – Karma Extinction
7 – Dehumanized
8 – Scarecrow
 



terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Entrevista - Mike LePond: Retorno ao Brasil, Heavy Metal tradicional e muitos mais!


Read in English: http://bit.ly/1PQp1nH


Mais conhecido pelos seus trabalhos no Symphony X, o baixista Mike LePond prova que não respira só Prog Metal, e eu seu primeiro trabalho solo “Mike LePond's Silent Assassin” temos um ótimo Heavy Metal tradicional calcado nos anos 80, com bons toques atuais, o que deixou o resultado final muito interessante.

Conversamos com LePond sobre a concepção do disco, escolha dos músicos e claro Symphony X! Confira nas linhas a seguir e não deixe de conferir este projeto:


Road to Metal: Mike, primeiramente gostaria de agradecer a oportunidade de entrevistar um dos melhores baixistas do mundo! Aproveitando, gostaria que você nos falasse um pouco mais da temática de “Mike LePond's Silent Assassins”.

MLP: Obrigado pela entrevista. Minha grande paixão sempre foi o Heavy Metal tradicional. Era meu sonho lançar um álbum do estilo. Quando o Symphony X estava na turnê do nosso último CD eu tive o tempo necessário para compor as músicas dentro do nosso ônibus.

RtM: A sonoridade em si de seu primeiro trabalho solo soa bem diferente de sua banda o Symphony X, pendendo mais para o lado Tradicional. Como surgiu as ideias para o mesmo?

MLP: A maior parte da música que escrevo se encaixa na estética do Heavy Metal tradicional então ter ideias para ele foi algo realmente fácil. Eu queria fazer um álbum como as bandas da década de 80, mas com a orquestração que é usada nos dias de hoje, pois para mim isso iria criar uma nova sonoridade.


RtM: “Mike LePond's Silent Assassins” foi lançado através de um projeto Crowdfunding, onde os fãs puderam contribuir para que o mesmo ganhasse sua versão física. Como foi essa experiência? Devido à baixa venda de discos que o mercado musical vive essa seria uma opção para o futuro?

MLP: Crowdfunding foi realmente uma ótima experiência para mim. Nos dias de hoje, onde as gravadoras estão falindo, eu acredito que seja uma ótima maneira para as bandas alcançarem seus objetivos. É como se os fãs se tornassem a sua gravadora.

RtM: Claro que não poderíamos ficar sem falar de Symphony X. “Underworld” foi lançado em 2015 e traz a banda mais melódica que de costume. Como está sendo a recepção do mesmo?

MLP: A reação em relação ao “Underworld” foi melhor do que jamais poderíamos sonhar. Nossos fãs simplesmente o amaram e a imprensa nos deu resenhas extremamente positivas. Quando nós escutamos a mixagem final, nós sabíamos que tínhamos algo muito especial para compartilhar com o mundo.


RtM: O ano 2000 marcou a sua entrada para o Symphony X, onde você estreou gravando aquele que é considerado o melhor trabalho da banda, “V: The New Mythology Suite”. Poderia nos falar sobre o processo de gravação do mesmo e alguma curiosidade desta época?

MLP: Quando eu entrei na banda este álbum estava quase todo já composto, então eu tive muito trabalho tentando aprender a tocar este novo material. As gravações duraram 3 longos dias de trabalho, mas quando eu terminei, eu estava muito feliz e orgulhoso do que eu fiz.


RtM: Em “Mike LePond's Silent Assassins” além do baixo você também gravou as guitarras rítmicas, contando com seu companheiro de Symphony X Michael Romeo e Metal Mike (Halford, ex-Sebastian Bach, ex-Testament) nos solos. Como surgiu a ideia de convidar esses dois monstros da guitarra para o disco?

MLP: Quando pensei sobre quem faria os solos de guitarra, eu decidi que queria os melhores que eu pudesse ter e que estivessem perto de onde moro. Metal Mike é um amigo muito querido eu inclusive toquei em seu CD solo então ele ficou muito feliz de ajudar. Quando acrescentei o estilo do Romeo ao dele tudo se complementou de uma maneira bem legal.

RtM: Ainda sobre o line-up de seu álbum solo, Alan Tecchio (Hades, ex-Seven Witches, ex-Watchtower) aparece nos vocais, onde fez um trabalho soberbo, mostrando ser a pessoa certa para o momento em questão. Como se deu a procura do vocalista para o projeto? E o porquê de usar bateria programada no álbum, não foi possível encontrar um baterista?

MLP: Alan tinha todo o poder e habilidades melódicas que eu precisava e além do mais ele é um amigo muito próximo. Ele amou o que eu estava fazendo e ele fez um trabalho fascinante. Eu pedi o Romeo para programar as baterias devido ao nosso orçamento e tempo que estavam curtos para gravar o álbum.


RtM: Você pretende fazer algum show com seu projeto solo? E o Symphony X quando retornará ao Brasil?

MLP: Sim eu gostaria muito de tocar ao vivo com o Silent Assassins, eu apenas preciso coordenar a agenda do projeto com a agenda de turnês do Symphony X. Nossos planos são de tocar em Maio no Brasil com o Symphony X.


Entrevista por: Renato Sanson
Tradução: Guilherme Alvarenga


Links de acesso:

Interview - Mike LePond: Returns to Brazil, traditional Heavy Metal and many more!


Leia em português no link: http://bit.ly/1VJ6Rc8



Best known for his work in Symphony X, bassist Mike LePond proves not breathe only Prog Metal, and I his first solo album "Mike LePond's Silent Assassin" have a great Heavy Metal traditional trampled in the 80s, with good current rings, the leaving the end result very interesting.

We talked to LePond on the disc design, choice of musicians and of course Symphony X! Check the lines below and be sure to check this project:


Road to Metal: Mike, firstly, I would like thank you for opportunity the interview one of the best bass players of world! But I would like you to tell us a bit more of theme from “Mike LePond's Silent Assassins”.


MLP: Thank you for the interview. My first love has always been classic heavy metal. It was my dream to release an album in this genre. When Symphony X toured on our last CD, I was able to write all the songs on the tour bus.   

RtM: The sound of your first solo album is so different from your band, Symphony X. it’s more Traditional. How did come the ideas for it?


MLP: Most the the music I write is in the traditional metal style so the CD was very easy to put together.  I wanted to make a 1980s style metal album but with orchestration that is used in the modern day. This would create a new and fresh sound.


RtM: “Mike LePond's Silent Assassins” was released by crowdfunding Project, where the fans contributed for a physical version of album. How was that experience? Due to the low sales of discs that the music business lives that would be an option for the future?


MLP: Crowdfuding was a really great experience for me. These days when record labels are going out of business, I think this a great way for a band to achieve it's goals. So its the fans now who can in essence become the new record company.

RtM: Of course, we could not do without talking about Symphony X. "Underworld" was released in 2015 and brings more melodic band than usual. How is the reception of it?


MLP: The reaction to Underworld was better than we could have dreamed. Our fans just loved it and the press gave us great reviews. When we heard the final mixes, we knew we had something very special to share with the world.


RtM: The year 2000 marked its entrance to the Symphony X, where you opened recording what is considered the best work of the band , "V : The New Mythology Suite" . Could you tell us about its recording process and some additional curiosity this time?


MLP: When I joined the band this album was almost completely written, so I had a lot of work trying to learn all this new material. The recording process took three long days of work, but when I finished, I was very happy and proud of what I did.

RtM: In "Mike LePond's Silent Assassin" beyond the bass guitar you also recorded the rhythm guitars, with his Symphony X teammate Michael Romeo, and Metal Mike (Halford, former Sebastian Bach, ex-Testament) in solos. How did the idea to invite these two guitar monsters for the record?


MLP: When it came to the lead guitar playing, I wanted to have the best players I could get in the area where I live. Metal Mike is a close friend and I actually played on his solo CD so he was happy to help. Romeo's style complimented his style rather nicely.


RtM: Also about the line-up of his solo album, Alan Tecchio (Hades , former Seven Witches, Watchtower former) appears on vocals, which did a superb job, proving to be the right person for the time. How did the singer searching for the project? And why use programmed drums on the disc, could not find a drummer?


MLP: Alan had the power and melodic ability that I needed. He is a dear close friend. He loved what I was doing and he did an incredible job. I asked Romeo to program drums because of the project's budget and time issues.


RtM: Do you plan to do a show with his solo project ? And when Symphony X will return to Brazil?


MLP: Yes I want to play live with the Silent Assassins. I just need to coordinate my tour dates with the touring schedule of Symphony X.  And as of right now, Symphony X are planning to play in Brazil in May.


Interview: Renato Sanson


Links:



sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Deep Purple "From the Setting Sun, in Wacken": Não Somente Mais um "Ao Vivo", Um Momento Especial



Os álbuns ao vivo eram itens muito festejados pelos fãs, e praticamente obrigatórios para as bandas, com muitos registros tornando-se peças clássicas, as quais não podem faltar em nenhuma coleção, discos como o "Kiss Alive", "Unleashed in the East", do Judas Priest, "Tokyo Tapes", do Scorpions,  "Framptom Comes Alive", acho que o álbum ao vivo mais vendido da história, e "Made in Japan", do Deep Purple, só para citar algumas dessas joias. 

E o Purple, como uma das bandas que mais lançou álbuns ao vivo, continua mantendo a tradição, afinal era algo que se tornou uma marca, sempre era aguardado um novo ao vivo após cada tour, tendo a banda inglesa uma coleção invejável de grandes e memoráveis discos ao vivo, e não só nos anos 70, mas continuou lançando registro memoráveis - além de inúmeros outros concertos que foram sendo recuperados e lançados posteriormente, como o "California Jammin" e "BBC Sessions" -  como os concertos no Montreaux Jazz Festival  e o "Live at the Royal Albert Hall" (2000), acompanhado de orquestra, recriando o clássico "Concert For Group and Orchestra" (1969), contando nesse espetáculo com convidados como Dio, Margo Buchanan, Sam Brown e Steve Morris.


Mas, para uma banda que tem essa tradição, um grupo que tem realmente seu habitat natural no palco, dentre tantos álbuns ao vivo, já estava tardando uma apresentação no Wacken Open Air, hoje o maior festival de Metal/Heavy Rock do mundo, e em 2013 finalmente aconteceu, tendo um dos pilares do Heavy Metal a oportunidade de se apresentar para uma plateia, em que provavelmente muitos estavam tendo contato com a banda pela primeira vez, e que os recebeu com grande entusiasmo.

"From the Setting Sun...Live in Wacken" (o primeiro dos dois álbuns ao vivo que o Purple lançou em 2015, sendo que o seguinte, "...To the Rising Sun...In Tokio", também sairá aqui no Brasil. Note que os títulos são interligados, "From the Setting Sun, referindo-se ao show que iniciou à tardinha no Wacken, com o sol se pondo, e o outro no Japão, terra do sol nascente...to the rising sun) possui uma energia fantástica, com o público recebendo de forma calorosa e empolgada clássicos como "Highway Star", que abre o show, além de "Strange Kind of Woman", "Perfect Strangers" talvez uma das mais conhecidas das gerações mais novas, causando uma reação ainda mais efusiva, "Space 
Truckin'".

 
E outra que também causou, e sempre causa, uma reação explosiva no público, "Smoke on the Water"! Afinal, quem nunca ouviu esse riff? Pude ver de perto a reação que ela causa, durante o show do Purple aqui no RS em 2014. Durante sua execução a banda teve Uli Jon Roth (Ex-Scorpions) como convidado especial, para dar ainda mais brilho ao momento.

Mas a banda também mandou novas músicas do seu álbum mais recente, "Now What?!", como a pesada "Vincet Price", que achei melhor ao vivo, além de "Above and Beyond", que também é outra que caiu muito bem nos shows, e "Hell to Pay", pena que não tocam a "All the Time of the World", uma das melhores  desse álbum. 

Bom, e claro, como é tradição, temos vários solos individuais, improvisos e jams, destacando a já também tradicional "Well-Dressed Guitar", onde Steve Morse mostra um pouco de sua técnica e feeling, sendo depois acompanhado pelos demais, emendando em "Hell to Pay" para terminar com "Lazy", outra que é talhada para os improvisos e jams do grupo. O solo de Don Airey sempre é muito legal também, onde o tecladista toca trechos de vários clássicos, trilhas e outras surpresas.


Conforme citei antes, a explosão de entusiasmo com "Smoke on the Water" é sucedida por "Green Onions" como introdução para o gran-finale com "Hush" e "Black Night"! 

A banda estava especialmente animada, certamente pelo momento histórico, de estar no palco do Wacken pela primeira vez, assim como a plateia, extremamente calorosa e empolgada. Não há o que falar da categoria dos músicos da banda, e Gillan, apesar de já não alcançar mais as notas mais altas, continua com a classe de sempre, e soube ir adaptando o modo de cantar com as mudanças e limitações que o tempo lhe trouxe.

Mais um grande registro ao vivo da banda, captando um momento especial, esta primeira vez no Wacken, onde o público, formado por milhares de pessoas vindas de todas as partes do globo, pode presenciar ao vivo clássicos atemporais de um dos pilares do Heavy Metal, que forma a "santíssima trindade" do estilo ao lado do Sabbath e do Zeppelin.  O show está disponível em CD duplo e DVD, lançado no Brasil pela Shinigami Records. Vale demais a aquisição!


Texto: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Banda: Deep Purple
Álbum: From the Setting Sun, in Wacken (2015)
Categoria: Live Álbum (disponível em CD duplo e DVD)
Estilo: Classic Rock/Hard Rock
Selo: Ear Music/Shinigami Records

Adquira o álbum na Shinigami



Tracklist:


    Highway star
    Into the fire
    Hard lovin' man
    Vincent Price
    Strange kind of woman
    Contact lost
    The well-dressed guitar
    Hell to pay
    Lazy
    Above and beyond
    No one came
    Don Airey solo
    Perfect strangers
    Space truckin'
    Smoke on the water (feat. Uli Jon Roth)
    Green onion / Hush
    Black night



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