domingo, 26 de março de 2017

Cobertura de Show – Angra & Odysseya: Uma Noite Regada de Surpresas (19/03/2017 – Clube Hortência – Osasco/SP)


Alguns dos grandes ícones do Heavy Metal já tiveram seus momentos de reformulação por parte do Line-Up de uma banda. A saída de um integrante consagrado sempre gera dúvidas, pensando em qual nome pode substituir vocalista, guitarrista, baixista ou baterista a altura do sucessor. E isso, na cabeça dos fãs, é motivo de debate, discussão e até brigas, com cada um defendendo seu lado, surgem as opiniões sobre que fase é a melhor que a outra e etc. No caso do ANGRA, a história é diferente: cada integrante da banda, principalmente os vocalistas, foram recebidos com carinho pelos fiéis fãs da banda, não se importando quem está cantando, não gerando tanta controvérsia como um Sepultura, por exemplo, que até hoje divide muitos fãs.

Com uma nova formação, que já dura 2 anos, com Fabio Lione (vocal), Marcelo Barbosa (guitarra e cobrindo o lugar do Kiko Loureiro), Rafael Bittencourt (guitarra e único membro original), Felipe Andreoli (baixo) e Bruno Valverde (bateria), o Angra deu um aperitivo do que vai ser a breve turnê de 25 anos da banda (conciliada com a turnê de 20 anos do “Holy Land”)  num show que foi repleto de novidades no repertório, tocando, praticamente, músicas de todos os discos (exceto canções do “Fireworks”), encantando o público de Osasco no último domingo (19/03), no Clube Hortência.

O dia fazia seus preparativos para a chegada do outono, com pouco frio e sem nenhuma ameaça de chuva, antecipando o fim da estação mais quente do ano. Chegando ao local do show, aproximadamente às 14h 45, encontravam-se pouquíssimos fãs, mas conforme foram passando as horas, a fila aumentava até concluir metade do quarteirão, estendo a abertura dos portões pra mais uma hora, combinado para abrir às 16h, não comprometendo, de maneira alguma, o cronograma das apresentações. A única coisa a desejar é o espaço da casa, que suporta um público muito pequeno. Em questão do som, soava na devida altura.

Odysseya e as honras da abertura


Transportado de uma introdução marchante, com Devil’s March, os catarinenses do Odysseya tiveram o privilégio de fazer as honras da noite, entrando em cena às 18h. Lançando o EP de estreia, “In Media Res”, o quarteto, formado por Felipe Silva (vocal), Vinicius Mira e Victor Franco (guitarras), Vitor Vieira (baixo) e Henrique Dias (bateria), contém forte influencia do Heavy Metal tradicional dos anos 80, principalmente do Iron Maiden e de bandas da NWOBHM, começando as suas primeiras impressões com “Phoenix”, partindo logo para “Blind Truth”, mesclando nuances progressivas.

O vocalista deu seus primeiros agradecimentos, perguntando aos presentes se estavam gostando, dando sequência para a rápida “Lands Of Man”. Apresentando o baterista Henrique Dias, eis que o mesmo exibe suas habilidades num ‘mini’ solo que, por ventura, durante o finzinho, acaba escapando uma baqueta de uma das mãos, mas com todos gostando do que viram, abrindo caminho para mais uma música do recente EP, “Fight or Fight”. Perguntando se todos estavam se divertindo, vindo da rápida afirmação, Felipe anunciou “Edge Of The Blade”, também presente em “In Media Res”, que é tomado por peso, técnica e backing-vocals meio ‘old-school’.


Dando destaque para mais um integrante, o guitarrista Victor Franco enfileirou belas melodias, dando início para “Master Of Time”, portando ótimos solos e Vitor tomando a frente do palco com o saber do seu baixo. Empolgado, Henrique logo iniciou as primeiras linhas da próxima música. Pedindo calma, Felipe o interrompeu rapidamente, explicando que a  faixa fala de uma viagem, convidando todos a embarcarem nela com “Odysseya”, música que dá nome a banda, tendo forte participação do público no refrão.

A derradeira todos conhecia bem, finalizando a meia-hora de show com o cover de “RunTo The Hills”, do Iron Maiden, que, na frente do palco, uma pessoa acabou roubando a cena cantando verso por verso, e o Felipe acabou emprestando o microfone ao sujeito por alguns minutos e recebendo uma palheta de presente pelo Vinicius.




A Vez do Angra


A ansiedade já tomava conta quando, aos poucos, o palco se caracterizava com a simbologia e o perfil da banda. Depois de toda auditoria e checagem de tudo, diante do popular “Ole, Ole, Ole”, a intro, que abre o disco “Secret Garden” (2015), começou a ecoar às 19h 15. Apostos, completando o time com o Lione, encetaram o set-list com a irada “Newborn Me”. Voltando no tempo, mais precisamente no álbum “Rebirth” (2001), “Acid Rain” contou com a energia do público, avistando o Rafael enfocando energias positivas, que só engrandeceu para a terceira faixa, “Nothing To Say”, do “Holy Land” (1996). O único tropeço foram os elementos de música clássica, na ponte final, não terem surgido, mas nada que estragasse, o importante mesmo era sentir a vibração da música.

Após a rápida trinca, Lione tomou a frente do palco dizendo que estava feliz em tocar com a banda em Osasco, irrogando que o set-list da noite estava renovado e um pouco diferente. A contígua faixa seria do álbum “Temple Of Shadows”, e o Lione queria ouvir todos cantando a “Waiting Silence”, com os fãs correspondendo exatamente com o que foi pedido pelo vocalista italiano. Do disco mais antigo, “Angels Cry” (1993), o ‘front-man’ pediu pra todos levantarem as mãos pra abarcar os primeiros versos da “Time”, havendo um pequeno probleminha no baixo do Felipe, mas que foi solucionado de maneira rápida.


Se o set-list fosse precisamente cingido na ordem, o momento era do solo de bateria do Bruno Valverde. “Querem mais?”, perguntou Lione, o mesmo pediu a ajuda de Felipe Andreoli pra estabelecer as primeiras linhas de “Eggo Painted Grey”, do “Aurora Consurgens” (2006), que se encaixou celestialmente na sua voz, sendo que, há muito tempo, não a tocam ao vivo. Regressando novamente ao “Secret Garden”, “Upper Levels” foi executada pela primeira vez ao vivo, não perdendo a textura composta em estúdio.
Pronto! Agora sim é a hora do Bruno Valverde destruir seu kit de bateria, apresentando um solo matador e carregado de malabarismo, revelando o por que de ser o baterista do Angra hoje, que vem surpreendendo a cada apresentação.

Chegando a parte intimista da noite, Rafael tomou o palco para dar suas saudações, transmitindo o clima amoroso e confortável com a balada do último disco, “Silent Call”. Aproveitando a conexão com os fãs, Rafael emitiu uma forte declaração de sentimento pela banda: “A minha alegria, naquele momento, recomeçando, mais uma vez, pelo disco que a gente fez com o Bruno Valverde e o Fabio Lione, o “Secret Garden”. Então, mais uma vez, a banda se renovou e precisou se desafiar, mostrando pras pessoas que continua vivo o nosso amor pela música, pelo Rock e pelo Metal. Essa banda já tem 25 anos, e é com a maior honra e orgulho que a história da minha vida está conectada com a história dessa banda, pois não consigo pensar na minha vida fora dela”. Sob a iluminação dos celulares que “Lullaby For Lucifer”, do “Holy Land”, terminou a parte profunda do show.


O sistema de som ressoava ao som do berimbau, percebendo que a próxima seria a nada menos que “Holy Land”, que foi bem recepcionada, com todos entrando na roda através das palmas. Reservando mais surpresas, a banda desenterrou mais uma que, há anos, não tocam ao vivo, dessa vez é a “Running Alone”, do “Rebirth” (2001). Via-se que alguns tinham a letra na ponta língua, e o Lione já logo apontou o microfone na boca de quem estava ali na frente.

Enquanto os restantes tomavam folego, o Lione aproveitou pra brincar com os fãs e testar a voz de cada um. A cada nota vocal, ele pedia pra que todos tentassem fazer igual, e chegando a hora do tenor italiano (principal característica dele), a risada era estampada no rosto do vocalista, dizendo que é um pouco mais complicado, mas que não fizeram feio. E pelo jeito, ele não vai sair nem tão cedo do Angra, pois o domínio e a simpatia que ele tem com o público é algo indescritível.


Com mais uma do “Secret Garden”, o show deu continuidade com “Final Light”, contando que o clip foi gravado no museu da Tam, em São Carlos (SP). “The Rage Of Waters”, do “Aqua” (2010), teve as vozes preenchidas pelo Rafael, não dando pra ouvir cantando pelo baixo volume do seu headset. “Silence And Distance” (outra que arrancou suspiros) e “Angels and Demons” (retomado pela adrenalina), completaram a primeira parte do set antes de partir para a etapa final.

O bis, de costume, é ocupado por “Rebirth” e, claro, a indispensável “Carry On”, ingressando, após a virada de bateria, com “Nova Era”, trancando a apresentação que durou quase 2h30.
2017 para o Angra será recheado de surpresas. Além da tour de comemoração de 25 anos, o novo álbum está sendo preparado, com previsão máxima de lançamento para o começo do ano que vem.

Texto: Gabriel Arruda
Edição/Revisão: Carlos Garcia
Fotos: Dener Ariani

Odysseya
01. Devil’s March/Phoenix
02. Blind Truth
03. Lands Of  Man
04. Fight Or Flight
05. Edge Of  The Blade
06. Master Of Time
07. Odysseya
08. RunTo The Hills (original by Iron Maiden)
Angra
01. Newborn Me
02. Acid Rain
03. Nothing To Say
04. Waiting Silence
05. Time
06. Ego Painted Grey
07. Upper Levels
08. Silent Call (acoustic)
09. Lullaby For Lucifer (acoustic)
10. Holy Land
11. Running Alone
12. Final Light
13. Rage Of  The Waters
14. Silence And Distance
15. Angels And Demons
Encore
16. Rebirth
17. CarryOn/Nova Era

sexta-feira, 24 de março de 2017

Deep Purple: "California Jam 74" - Versão Restaurada é Presentão aos Fãs


 
O concerto do então reformulado Deep Purple na primeira edição do festival California Jam(Ontário, Canadá), em 06 de abril de 74, o qual foi transmitido pela rede ABC TV, já teve outras versões no mercado, inclusive em DVD de boa qualidade em 2005, mas esta nova versão traz como novidade a restauração se utilizando do que há de mais atual em tecnologia, podendo ser apreciado com uma definição de imagem e som muito superiores às versões anteriores. 

Além disso, vem com o show completo, trazendo também "Lay Down, Stay Down", que ficou de fora da versão original. Foram feitas também  novas edições de imagem, e pela primeira vez o concerto foi disponibilizado em Blu-Ray (que traz como bônus a versão com as edições originais).

Ah, você pode ter alguma outra versão, mas não tem como não adquirir esta, porque, além de ter o show completo e novos cortes de câmera incluídos, simplesmente vale a pena apreciar a apresentação histórica da MK III em uma qualidade superior, pois as anteriormente lançadas possuem uma imagem mais apagada.


O grupo apresentava ao público o recém lançado "Burn", iniciando o show com 4 músicas desse álbum, frente a cerca de 400 mil pessoas, que estavam lá para ver o Purple e mais ELP, Black Sabbath, Eagles, Black Oak Arkansas e outras. 

Bom, somente por todos esses elementos, de estar apresentando um novo álbum, novo line-up (o show foi tido como a "prova de fogo" dos novos integrantes), um festival que então foi o recordista de público, ainda teve várias outras histórias, começando que Blackmore teve que ser meio que forçado a subir ao palco, porque não queria começar a tocar antes do sol se por, justificando que havia essa condição no contrato, e que tocar com o dia ainda claro atrapalharia o impacto do show de luzes do grupo (detalhe curioso é que há um arco-íris no palco do festival, lembra o que?). Blackmore ainda deu uma apresentação bem explosiva, destruindo guitarras e amplis, sobrando até para uma câmera da rede de TV.

Fora  as peripécias de Ritchie, a performance dos demais é incrível, carregada de energia, técnica e segurança, destacando Glenn Hughes, que se mostrava já uma personalidade forte e dominante, com muita segurança, dividindo os vocais com Coverdale, que apesar de ainda parecer um pouco preso em alguns momentos, já era um cantor diferenciado.


Com o "quatrilho" inicial que era parte do álbum "Burn", começando já com a hoje clássica faixa título, seguida por "Might Just Take Your Life", "Lay Down, Stay Down" e "Mistreated", que já trazia um show de interpretação de Hughes, além de nelas todas já termos as características que marcaram o MK III, trazendo mais doses da ´Black e Soul Music. Completam o set-list "Smoke on the Water", "You Fool no One", incluindo trechos de "The Mule" e "Lazy", e fechando com "Space Truckin", onde podemos ouvir incursões de "Mandrake Root". Inclusive nas músicas da fase MK II já podemos sentir o toque da, então, nova formação.

O final com "Space Truckin" é qualquer coisa de incendiário e apoteótico. Lord começa a brincar com seus teclados, enquanto Paice Massacrava seu kit, acompanhado por Hughes, sem camisa e enfurecido, pra em seguida as atenções voltarem todas a Blackmore, que começa a improvisar e destruir algumas de suas guitarras, e é até engraçado o pessoal da equipe de filmagem meio se escondendo com medo que voasse algum pedaço neles. Sobra pra uma das câmeras que se aproxima pra fazer um close, mas o câmera-man não recua. Blackmore destroçando a guitarra em meio a fumaça e banda tocando ao fundo, traz o trocadilho inevitável de que a banda estava "em chamas". Cláaassicooo!!



"California Jam 74" é isso mesmo, um clássico, um concerto histórico e um Deep Purple literalmente em chamas, onde os novos integrantes passaram com louvor na dita "prova de fogo", com a MK III saindo ovacionada pelas milhares de pessoas presentes. O DVD está disponível em versão nacional pela Shinigami Records, e traz como bônus imagens em super 8 feitas pela equipe da banda.

Texto: Carlos Garcia

Lançamento: earMusic/Shinigami Records

Line Up:
David Coverdale
Glenn Hughes
Ian Paice
Jon Lord
Ritchie Blackmore

Veja também:



Deep Purple - California Jam 74


1. Burn
2. Might Just Take Your Life
3. Lay Down, Stay Down
4. Mistreated
5. Smoke on the Water
6. You Fool No One / The Mule
7. Space Truckin’
Bonus
1. Super 8 Crew Recordings


quarta-feira, 22 de março de 2017

Mindcrafter: Livres e Certeiros Nas Ideias!



O Prog Metal não é um estilo que pode ser chamado de fácil, seja para quem toca ou para quem gosta de ouvir, enfim, para todos que querem mergulhar no estilo, pois além de exigir competência e técnica musical, a inventividade e o intelecto são alguns desses princípios para que uma música do gênero soe excelente, apesar de haver certas ideologias que consideram a complexidade um estorvos para os ouvidos dos mais bruscos.  Vindo como uma grata revelação, o Mindcrafter aposta na sortida variedade sonora no seu ‘debut’ álbum , “Singns Revealed” (2015).

Cercado de experimentação e tipicidade, o disco gira em torno de performances hábeis, perscrutando melodias bem feitas e pontos de pura viagem, mapeado pelo peso e do expor de músicas brasileiras, sobrepondo mais soberania e essencialidade ao trabalho, deixando bem clara as influências de principais nomes da tribo Progressiva, tendo o guitarrista e vocalista Phelipe Henriques a frente das ideias, e completando o time, Kim Karvalho (guitarra), Lucas Amaya (baixo) e Felipe Bonomo (bateria). 

A produção tange tempos mais cheios e orgânicos, assinada pelo próprio Phelipe Henriques, com a masterização e mixagem feita por Daniel Escobar, gravado no HR Estudio (RJ), não deixando apetecer a qualidade sonora, que ficou boníssima e clara. A arte gráfica foi distinguida pelo Rodolfo Ferreira, da Obsidian Design, que arreganha a moção sonora do disco nos mínimos detalhes.

Phelipe Henriques, o mentor da banda.
“Singns Revealed” mantem o âmago do Prog Metal no seu devido recinto, não deixando prevalecer nuances que não são tão recorrentes, ressarcido por um trabalho natural e aberto, com cada faixa sendo diferente uma da outra, retratando-se sobre variados conceitos, sendo um álbum distinto dos outros que estamos acostumados a ouvir do gênero.

De prima, “The Night Wizard” é vestida de boa técnica, moldada por feeling e melodias requintadas, transcorrendo mudanças de ritmos, detidos pelos ótimos arranjos de guitarra; a longa “A Warrior’s Blaze” transpõem linhas mais limpas e morosas, não deixando prevalecer a carga vindo das guitarras, ficando obvio, de inicio, as influências de ritmos brasileiros. A instrumental “Against The Ravens In The Sky” traz aspectos cristalinos, ora momentos mais cheios, destacando o labor rítmico do baixo e da bateria.

Mincrafter: Line-Up atual
“The Grasping Hand” intervê a união do Heavy Metal tradicional com o Rock Progressivo, que fica perceptível nos vocais do Phelipe, lembrando o Ian Anderson, do Jethro Tull, além do peso exalar vindo das guitarras; “Challenge Of The Gods” é coagida de agressividade, guiada por riffs abrasivos e de momentos mais intricados; “Endless Hope” é escorada pelo peso, caracterizado por melodias limpas e traços de música latina.
Aos afeiçoados por Prog Metal, “Singns Revealed” é uma ótima recomendação.

Texto: Gabriel Arruda
Fotos: Divulgação
Edição/Revisão: Carlos Garcia

Ficha Técnica
Banda: Mindcrafter
Álbum: Singns Revealed
Ano: 2015
País: Brasil
Gravadora: Ms Metal Records – Voice Music
Assessoria de Imprensa: Ms Metal Agency

Formação
Phelipe Henriques (Guitarra/Violão/Vocal)
Kim Karvalho (Guitarra)
Lucas Amaya (Baixo)
Felipe Bonomo (Bateria)

Track-List
1.    The Night Wizard
2.    A Warrior’s Blaze
3.    Against The Ravens In The Sky
4.    Paths To Redemption
5.    The Grasping Hand
6.    During The Storm
7.    Secret Worlds
8.    Challenge Of The Gods
9.    Alternative Fields
10.  Endless Hope

   

Contatos

terça-feira, 14 de março de 2017

Entrevista – Toyshop: Punk Rock e Bubblegum Para Todos os Gostos




Uma das bandas mais eletrizantes e acessíveis do Brasil acaba de retornar, após 12 anos de inatividade e de incertezas, com um disco novo de inéditas, até então, apenas o segundo disco da discografia. Com certeza você já deve ter visto essa banda em algum programa de TV, rádio e nas casas mais populares do underground de São Paulo nos anos 80, e que também teve seu reconhecimento no exterior. Se você pensou no Toyshop, a resposta está certa!

É sobre o novo disco e a volta que fomos procurar o líder da banda, o baterista Guilherme Martin, para falar de tudo o que está acontecendo nessa nova fase.



RtM: Como sou um pouquinho leigo sobre o Toyshop, já que a minha praia sempre foi mais o Heavy Metal e suas vertentes, e , até onde eu sei, foi a sua principal banda. Gostaria que você comentasse, resumidamente, sobre a trajetória com a banda?
GM: Na verdade, ela não é minha principal banda. Todas as bandas que eu toco, dou o mesmo gás, não importa que seja o Viper ou Toyshop. Estou trabalhando em bandas diferentes, mas é o mesmo amor e faço com o maior tesão em qualquer uma das duas bandas.

RtM: O inicio foi meio que paralelo com suas atividades no Viper, certo?
GM: O inicio do Toyshop tem tudo a ver com a história do Viper, vamos dizer assim. Eu me juntei com o Val Santos, que na época estava trabalhando de roadie do Viper. E eu já tinha sido o baterista do Viper na época do “Theatre Of Fate”, seguindo, mais ou menos, até a época do inicio do “Evolution”. E o Val tinha umas músicas muito legais! E ele vinha tocando com o Gabriel, que também era roadie do Viper nessa época, fazendo as músicas meio que na estrada. Ai eles me chamaram pra fazer um som com eles. E eu achava que tinha tudo a ver, porque tinha a pegada meio Ramones e um pouco mais Punk, que tinha tudo a ver com que estava escutando na época. E a gente não tinha vocalista. E queríamos colocar um vocal feminino, e eu acabei conhecendo a Natacha e comecei a namorá-la. E por acaso, nessas brincadeiras de churrasco, o Val não parava de tocar violão e de tocar pra tudo quanto é lado. E ela começou acompanhar, mostrando uma voz perfeita. E ela era a pessoa que se encaixava, porque ela é bonita e tinha tudo a ver com o que a gente queria.  

"O inicio do Toyshop tem tudo a ver com a história do Viper, vamos dizer assim. Eu me juntei com o Val Santos, que na época estava trabalhando de roadie para a banda."
RtM: E foi ai que surgiu o Party Up!, que permaneceu com esse nome até lançar o primeiro disco, assinando logo com uma gravadora importante, que foi a Banguela.
GM: Isso! A banda começou a se chamar Party Up!, fazendo uma demo já com ela cantando. E foi uma demo que tomou uma proporção muito grande na época, por causa dessa demo conseguimos contrato com a gravadora independente Banguela, que pra quem não sabe, é a gravadora que lançou o Raimundos e que tinha os Titãs como donos. Eles tinham um sub-selo da Warner que se chamava Banguela Records, e contrataram a gente. Em princípio, o primeiro produto que eles lançaram da gente foi uma demo tape, que era legal e cultuado na época. E a gente tocava muito aqui em São Paulo nessa época dos anos 80, porque tinha muito lugar pra tocar: tinha muita casa underground, tinha bandas e muita coisa acontecendo. Valia muito a pena!

RtM: As coisas que vocês estavam fazendo era um som enérgico e contagiante, agradando a muitas pessoas de gostos distintos, uma música i se tornando acessível pra todos.
GM: E foi ai que a gente se revelou como uma banda de Punk Rock, Bublegum, com uma mina cantando e alguma coisa assim. Seguimos com a Banguela por um tempo e, logo em seguida, fomos gravar um disco. Esse disco também tem uma história curiosa, porque nos tivemos vários produtores que queriam trabalhar com a Party Up! na época. E um dos que topou fazer o trabalho foi o Igor Cavalera, que na época estava entre o Chaos A.D e começando o Roots. E nós fomos pra Phoenix pra gravar no estúdio que ele estava podendo fazer a produção e muito mais. Então, de dia, gravávamos o Party Up!, com a produção do Igor. E a noite ele ia fazer o Roots, que, às vezes, nos íamos ver as gravações de estúdio, que era algo monstruoso, sendo uma coisa que a gente nunca tinha visto. Foi um negócio bem histórico!

RtM: Graças a ele, o disco do Toyshop saiu pela Roadrunner, gravadora do Sepultura na época. Mas, na verdade, o disco ia ser lançado pela Banguela, certo?
GM: Esse disco, era pra sair com a Banguela quando chegamos aqui, a gravadora estava no seu finzinho e não indo muito bem na época. Então o que aconteceu: pegamos a master e levamos ela, e ficou engavetada por um tempo. E o Igor tinha levado, por acaso, a master desse disco pra Roadrunner, que era a gravadora do Sepultura. Ficou na gaveta, até que um dia o dono da gravadora pegou a fita pra escutar, e gostou demais dela, contratando a Party Up! pra fazer parte da Roadrunner, ou seja, nos mudamos pros Estados Unidos outra vez. Tivemos que regravar praticamente tudo do disco, porque eles queriam com uma roupagem nova e mais moderna, pois já tinha se passado um tempo da gravação original.

" O primeiro disco tem uma história curiosa, porque nos tivemos vários produtores que queriam trabalhar com a banda na época. E um dos que topou fazer o trabalho foi o Igor Cavalera."
RtM: Em 1998, o primeiro disco, o "Party Up!". E uma coisa gratificante também foram vocês terem assinado com uma gravadora super cultuada, como foi a sensação de ter assinado com a Roadrunner?
GM: Às vezes, a gente se perdia, porque a coisa aconteceu de um jeito meio estranho, até porque éramos uma banda underground e, de repente, estava lá no ‘main-stream,’ com a gravadora do Sepultura. E a gente tinha um suporte legal pra gente fazer nosso trabalho lá, sabe? Foi um negócio meio surreal, de um dia a gente morar lá, assinar com uma gravadora... Eu sei o trabalho que a gravadora faz, porque eu fiz tudo sozinho nesse novo disco. E é um puta trabalho, que poderia ser mais simples a relação entre o artista e a gravadora, mas eu não sei se optaria, hoje em dia, por assinar com uma, a não ser que eles me dessem um suporte bem legal, uma distribuição legal e uma divulgação legal, pra isso funcionar bem. Agora, a  manufatura do CD em si, dá pra fazer sozinho.

RtM: Vocês também conseguiram reconhecimento na Europa com a música ‘Daydream’, que ficou bastante tempo em primeiro lugar nas paradas na Europa, chegando superar muito artista que estava bombando na época.
GM: E a gente conseguiu fazer o primeiro disco,  "Party Up!", e mudamos de nome para Toyshop. É um disco de Bublegum e Punk Rock, que foi produzido pela Silvia Mazzi, produtora super cultuada nos Estados Unidos. Ela já tinha feito Red Hot Chili Peppers, Prince, Tool e algumas bandas dessas assim. Ela é super top nos Estados Unidos. E a gente nem sabia o que estava fazendo, e o local onde fomos gravar esse disco foi nada menos que no Soul City, em Los Angeles. E a gente nem sabia que o estúdio ia virar isso que virou hoje, uma lenda. 

Fizemos todo o trabalho lá, lançamos um single de uma música chamada “Daydream”, uma balada. E a gente conseguiu chegar nas paradas da Europa e da Holanda. E era curioso, porque andávamos na rua e víamos o clip passando nas televisões de Amsterdã, falando: ‘Caramba... O que está acontecendo?’ Chegou a atingir, nas paradas, um lugar legal, tipo segundo e primeiro lugar, tipo... Britney Spears e Toyshop. Mudamos de volta pro Estados Unidos, continuamos fazendo turnês e fizemos uma turnê grande pela Califórnia. E nessa época, achamos melhor voltar pro Brasil pra mostrar nosso som. Tocamos muito, na época, nas rádios grandes daqui do Brasil (não vou citar nomes).


"Gravamos pela Roadrunner em Los Angeles, lançamos um single de uma música chamada “Daydream”, uma balada. E a gente conseguiu chegar nas paradas da Europa e da Holanda."
RtM: E o rompimento da banda ocorreu em 2001, com cada um fazendo as suas coisas e seguindo outros caminhos.
GM: Sim. Chegou uma hora que cada um foi seguindo outro caminho. A Natacha, vocalista, foi ser veterinária. Ela já tinha desistido uma vez pra ser vocalista da banda. Apoiei ela, que ela deveria terminar o curso de veterinária, que era uma coisa que ela queria muito. O Gabriel teve um estúdio, saiu pra estrada com o Sepultura, ficou uns 15 anos trabalhando com o Igor Cavalera e com outras bandas. O Val compondo... Entrou um baixista novo, que é o Nando Machado, irmão do Felipe Machado, do Viper. E a gente seguiu fazendo mais alguns shows e algumas coisas, mas cada um foi cuidar da sua vida. Nunca deixei de desistir da banda, eu e o Val sempre sentávamos em estúdio e fazíamos músicas. O Val é um compositor de mão cheia! Eu sento com ele e boto a minha influência, que é um pouco mais Punk, nas músicas dele. E sempre sai coisa boa! Eu sou fã assumido das músicas do Val.

RtM: E depois de muito tempo, após 12 anos de espera, vocês pegaram todos de surpresa com a volta banda, anunciando um novo disco de inéditas, que foi lançado há pouco tempo.
GM: Resolvemos voltar pra, pelo menos, fazer um novo CD e alguns shows, não deixar morrer com apenas um trabalho algo tão legal que a gente fez lá atrás. Então eu resolvi pegar firme até o CD ficar pronto. E o CD, “Candy”, ficou pronto depois de uns 3 anos de trabalho,  tudo bem produzido e gravado pelo Mauricio Cersosimo. Ele já produziu desde Emicida, Titãs e Lobão aqui no Brasil, morou lá fora e trabalhou com a Avril Lavigne. Então é um cara bem update com tudo o que está acontecendo. E ele é perfeito, porque ele é meu irmão mais novo e sabe tudo do que eu gosto de som. Ele foi um dos grandes parceiros e uma das pessoas que fez esse disco acontecer também.


RtM: A arte do disco também esté muito legal, está bem caprichada!
GM: Hoje em dia, ninguém liga muito pra fazer uma boa arte no CD, mas eu fiz questão de ter uma arte legal, retratando as coisas que eu gosto, que é Punk Rock. Eu queria que fizesse uma coisa que flertasse ao Punk Rock e a New Wave, que é a tendência meio Rock N’ Roll, Punk Rock e Bublegum. Eu queria bastante cor, tendo a estrela da banda que, no caso, não é a Natacha, e sim a Matilda. Como a Natacha é veterinária, ela quis expor a cachorrinha dela pra ser a grande estrela da banda. 



RtM: O estilo do Toyshop é basicamente essa junção do Punk Rock com o Bublegum, adicionando algumas coisas melódicas. E por você já ter passado por diversas bandas, como o Viper mais pro lado do Heavy Metal, tendo passagem também pelo Luxúria, em 2007, como é que você concilia o estilo do Viper ao lado do Toyshop diante do seu ambiente musical?
GM: Se minha cabeça fechar, eu consigo separar os dois muito bem. Hoje em dia, eu também faço o projeto solo do Felipe Machado, que também é outro estilo, com alguma coisa de melódico e pesado, que gosto muito de fazer. E são desafios como músico, por exemplo, a configuração da batera do Viper que eu uso é totalmente diferente da que eu uso no Toyshop ou no FM Solo, onde uso uma coisa mais simples. A música pede menos esse tipo de configuração, mas pra mim é normal. Como música e como músico, o que vier dá pra separar. O legal é que eu me considero um batera que tem um estilo meio próprio, então eu imprimo o meu estilo nessas bandas todas que citei.

RtM: Quando você está tocando, você sente mais confortável com qual estilo?
GM: Eu sou meio esporrento na bateria, gosto de sentar o braço!

RtM: E percebemos isso, porque você é um baterista que prioriza ritmos fortes.
GM: Sim. E tem barulho de tudo quanto é lado vindo ali, então eu sempre consigo do bumbo e a caixa estar perfeitos, porque dai a música vai e os guitarristas e o vocal podem viajar e harmonizar. Se eu ficar ali que nem uma máquina, sempre vai sair bom.

RtM: O Toyshop ficou bastante tempo parado, como eu falei, aproximadamente 12 anos de inatividade. Quando vocês voltaram, fazendo os primeiros ensaios e tudo mais, deu pra sentir alguma mudança ou a mesma coisa de sempre?
GM: O Toyshop nunca chegou a acabar. Continuamos amigos, mas só que a banda deu um tempo, porque todo mundo só fez isso na vida. Então cada um deu um tempo pra cuidar da sua história, mas quando a gente voltou, a fórmula da banda estava pronta, só demos uma aperfeiçoada sonora. A gente queria muito que soasse como se fosse uma evolução do primeiro disco. As músicas estão até mais enxutas hoje em dia, mais para um Punk Rock simples estruturalmente.




RtM: Vocês tiveram um inicio dentro do underground, como todas as bandas passam no começo. E logo de cara, quando lançaram a primeira demo, a banda chamou a atenção de várias TVs, rádios e exterior. Essa rápida ascensão do underground pro ‘main-stream’ te assustaram de alguma forma?
GM: Essa é uma pergunta legal que você fez. O Toyshop sempre esteve nesse limbo, entre o underground e o ‘main-stream’, fazíamos alguns programas bem ‘main-stream’ e, às vezes, underground, como na MTV, por exemplo.

RtM: Até na TV Globo vocês apareceram também, certo?
GM: Sim. De repente, em seguida, estávamos na TV Globo. Depois fomos fazer Carla Perez, tudo porque a nossa música estava tocando nas rádios, que era uma música mais acessível pra todos os estilos, funcionando pro Rock e para o pessoal mais eclético de música. Eu não acho isso ruim. Se você consegue por a sua música no estilo que você faz pra todo mundo ouvir, isso é um grande desafio, você não concorda?

RtM: Claro! E outra coisa que vocês conquistaram, o que até então era só o Sepultura que havia tido a oportunidade, se eu não me engano, foram de terem se mudado pra fora do país. Essa acessibilidade, de estarem num país diferente, que é os Estados Unidos, acrescentou mais experiência?
GM: A gente aprendeu bastante coisa, a banda nunca tinha ficado bastante tempo na estrada até então. A gente sempre fazia os shows underground aqui em São Paulo e, de repente, quando mudamos pra lá, tivemos que se adequar como realmente funcionava o negocio, assim como todas as bandas funcionam: a gente entrava numa van, a gente dirigia, íamos como toda aparelhagem atrás, chegava no lugar, entrava, montava, tocava e já ia pra outro lugar. Fizemos isso várias vezes na Califórnia toda, abrindo pra uma banda chamada Zebrahead, que era bem renomada na época, nessas de Punk Rock. E a gente ia tocando, fomos pra San Francisco, San Diego e rodamos a Califórnia inteira. Tocávamos em Los Angeles, que era onde a gente morava. E depois disso, por acaso, entramos numa trilha sonora de uma propaganda de cosméticos lá na Itália.

RtM: Teve música de vocês em alguns filmes americanos, que não vou lembrar o nome agora.
GM: Em dois filmes. Um filme estrangeiro, que era das irmãs Olsen  (Olsen Twins). Entraram três músicas nossas nessa trilha sonora (o filme era Holiday In The Sun/Férias Ao Sol, traduzido pro português), que eram super bombadas na época, sendo o filme mais teenager da época. Com esse disco atual, estamos com sorte em trilha sonora. A música “Running Out” entrou no filme do Mauricio Eça, "Apneia", que é um filme com artistas globais e tudo. É demais esse filme, bem pesadão. E uma coisa curiosa agora é que a gente entrou numa trilha sonora do carro Hyunday – HB20, com um cara que pula de paraquedas, passa debaixo do cristo redentor, aterrissa e entra dentro do HB20. A música do Toyshop funciona pra essas coisas, por isso que eu falo que é uma música acessível. Não é que nem o Heavy Metal, que é segmentado pra aquelas pessoas que gostam do estilo. Talvez, com o Toyshop, estamos provando que a gente tem um leque de oportunidades legais fazendo esse tipo de som, apesar de cantar em inglês também.


"Entrávamos numa van, nós mesmos dirigíamos, íamos com toda aparelhagem atrás, chegávamos no local, era montar, tocar e já íamos pra outro lugar. Fizemos isso várias vezes na Califórnia."
RtM: Ainda fazendo esse link da passagem de vocês pelos Estados Unidos, como você compara o público estrangeiro (americano) com o daqui do Brasil?
GM: Nesse patamar que a gente estava, principalmente, a gente era banda de abertura que estava bombada. Então, toda a noite, a gente tinha que sair ganhando a galera. E a gente conseguia. Nas primeiras músicas, era meio morno, ia esquentando, daqui a pouco a galera estava dançando, pulando e, às vezes, não sabiam nem a letra e estava cantando junto com a gente. O resultado sempre era esse, não importava onde a gente tivesse fazendo, pois saíamos do palco sempre satisfeitos. Era sempre um desafio. 

RtM: E como ocorreu a transição do nome Party Up! para Toyshop?
GM: O Party Up! era um termo velho que não se usava mais, era como se tivessem convidando você pra uma festa de arromba. ‘Ah meu... Vamos lá que vai ter uma festa de arromba’. Era meio que convidar pra uma balada, falando: ‘Puta... Vai ter uma balada do caralho! Vai ser uma festa de arromba’. Mas a gente não sabia, achávamos que funcionava. Digamos que era meio fora de moda, fizemos até um quadro lá no estúdio que gravamos, fazendo um brainstorm com várias coisas escritas no quadro, com metade de nome e coisa que fomos descobrindo. E durante as gravações, alguém tinha uma ideia e ia juntando as palavras, e Toyshop foi a que agradou todo mundo, combinava com a cor da música. Basicamente isso.

RtM: Sobre essa questão de selos, em sua opinião, você acha importante, pra uma banda que está começando, lançar um trabalho independente ou mesmo optar por um auxilio de gravadora?
GM: É uma pergunta difícil... Depende do que estão te oferecendo. Hoje em dia, tudo mudou muito, até o enfoque de como você vai divulgar seu trabalho é diferente. Apesar da maioria da divulgação ser tudo por meio da plataforma digital e rede social, precisa da parte física, de pegar o seu CD e levar num programa pra apresentar. Você precisa estar presente! Eu sou dessa opinião, mas eu também já estou há um tempo nisso dai, tendo que aprender bastante coisa ainda.




RtM: E como está sendo esse recomeço do Toyshop, um novo trabalho já rodando?
GM: Está todo mundo animado e a fim de trabalhar. Vamos tocar bastante! O Toyshop é uma banda boa de palco, animada e tem uma pegada legal. Às vezes, a gente vai a alguns shows e vê umas bandas muito ruins e fala: ‘Puta... Que negócio fraquinho’. Dai entra uma banda que dá um susto em todo mundo, toca uma porradaria e vai embora, deu conta do recado. Uma banda que me impressionou ultimamente, e que a gente até tocou junto, foi o Far From Alaska, que é muito boa, com uma mulher cantando em inglês também. É uma pegada totalmente diferente do Toyshop, claro, mas é uma puta banda boa. Eles merecem aqui a minha aprovação.

RtM: E os planos pra divulgar o disco?
GM:  os planos do Toyshop agora são fazer turnê, rolar bastante esse CD por aqui e mostrar no nosso som, que é totalmente diferente do trabalho que eu faço com o Viper ou com o Heavy Metal. É uma música um pouco mais Pop, cantado em inglês também, mas que é um ritmo mais acessível. Tem balada também nesse disco, queria que vocês escutassem, se tiverem a oportunidade, de baixar no Spotify pra poder ilustrar o que nos estamos falando e saber como soa o novo disco do Toyshop. É mais ou menos isso... Os planos agora são divulgar e tocar o máximo possível, fazendo com que esse CD seja bastante conhecido, seja aqui no Brasil ou lá fora, porque pode atingir o exterior por ser cantado em inglês também. É basicamente essa mensagem que eu quero passar.

RtM: Voltando no passado novamente, você chegou a ser roadie do Igor Cavalera na época que ele estava no Sepultura, que em paralelo, produziu o primeiro disco do Toyshop. Como foi esse período de convivência com ele?
GM: O Igor foi o seguinte: ele topou fazer, nesse tempo entre a final da turnê do “Chaos A.D” e do “Roots”, o Toyshop. E foi um monte de moleque pra lá. E rolou uma amizade que existe até hoje. Ele é um dos meus melhores amigos e conversamos todo dia, apesar dele não estar morando aqui no Brasil. Eu parei um pouco de trabalhar como técnico, mas ainda faço se for pra ele. Tenho orgulho de trabalhar pra ele e de tudo que eu fiz com o Sepultura. A primeira vez que eu vi o Igor tocando batera foi uma coisa que mudou totalmente na minha cabeça, porque eu tocava batera de um jeito e, quando vi ele tocando, eu falei: ‘Puta... Mas se dá pra tocar daquele jeito, por que eu toco do jeito que toco?’ Mudou tudo na minha cabeça! O jeito de tocar e a energia que coloco na bateria tem tudo a ver com o Igor tocando. Eu considero ele o meu grande professor de bateria até hoje.

RtM: Chegando ao final da entrevista, muitas bandas brasileiras hoje estão optando por cantar em português e ter destaque aqui. E como o Toyshop é uma banda que canta em inglês, o tão desejado reconhecimento mundial ainda perdura para muitas bandas. Ainda ajuda, mesmo com o advento da internet, a conseguir destaque cantando na língua universal?
GM: Eu acho que ajuda. Eu não sei por que existe essa barreira... Pra você entrar no ‘main-stream’ do Brasil, você tem que cantar Rock em português. Eu não acho nenhum problema nisso, mas também não acho que cantar Rock em inglês é um problema. O problema é se alguém cantasse MPB em inglês, coisa que não tem a ver, porque é a Música Popular Brasileira, mas o Rock foi criado em inglês. É música, de qualquer jeito que soe, soa legal, mas as bandas que cantam em inglês e uns sons mais alternativos tem que expandir trabalho e sair daqui, seja aqui no Brasil ou fora daqui, onde da oportunidade fazer isso daí.

RtM: Dá pra notar que você é um cara que ouve praticamente bandas na pegada Punk Rock. Mas fora esse gênero, o que tem te agradado ultimamente que você destacaria?
GM: Eu sou um cara não muito eclético. Eu gosto muito de Punk Rock e de tudo o que é Punk. Só escuto Punk Rock hoje em dia. Sou fã do Ramones, inclusive, tenho a banda na minha pele. Eu gosto de The Misfits pra caralho! Tenho escutado muito essa trinca do The Clash, The Jam e Cock Sparrer. A maioria, que eu escuto, são bandas de Punk, como Circle Jerks e Black Flag, que gosto pra caramba e que mostram atitude. Eu gosto de Heavy Metal pra caramba! Fui curtido no Heavy Metal, mas eu sou forte nos medalhões. Eu gosto dos primeiros discos do Iron Maiden e do AC/DC. Eu gosto de Black Sabbath pra caramba, que talvez, seja uma das minhas bandas preferidas de todos os tempos também. E o Spotify me ajuda a conhecer bandas parecidas com as que eu gosto, porque gosto de procurar coisas que tem a ver e tal. E tem sido um ótimo exercício procurar coisas novas.




RtM: Pra finalizar, onde você acredita que o Toyshop pode chegar com esse novo trabalho, já com uma formação consolidada, sendo que a única novidade é o Nando Machado no baixo, e o que as pessoas podem esperar dessa nova fase da banda?
GM: Shows com energia! Foi um trabalho que demorou pra ficar pronto, mas a gente colocou muita energia. Quem gosta desse estilo, vai agradar quem gosta de Heavy Metal. Quem gosta de Viper, vai gostar de Toyshop. Quem gosta de Ramones, vai gostar de Toyshop. Vai agradar bastante coisa, tendo música pra todos os gostos de Rock.

RtM: Muito obrigado pela disponibilidade Guilherme. Fica o espaço para deixar a mensagem final aos leitores.
GM: Quero deixar aqui um agradecimento a você, Gabriel, e a quem está acessando o Road To Metal. Gostaria que vocês seguissem e soubessem como soa o Toyshop. É uma coisa diferente pra quem está acostumado a ouvir somente Heavy Metal, mas tenho certeza que vai agradar muito. Lembrando também que tem os lançamentos do Viper, que é o DVD/CD da reunião da banda, que continua sendo muito legal. Isso é um breve resumo da minha carreira, tenho outros trabalhos menores aqui, mas o recado é um agradecimento. E vamos continuar apoiando! Quem está fazendo um trabalho como esse do Toyshop, por exemplo, vamos dar chance e botar as bandas legais e originais do Brasil tocando. Se não dá de um jeito, vamos atrás de outro que vamos chegar lá.  



Entrevista: Gabriel Arruda
Edição/Revisão: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação/Cedidas pela banda


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