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quarta-feira, 22 de maio de 2013

Fueled By Fire: Liberadas Capa e Tracklist do Novo Álbum

Grupo californiano apresenta novidades

A banda californiana Fueled By Fire divulgou nessa segunda-feira (20) a track list e a capa de seu novo trabalho, “Trapped In Perdition".

A banda foi formada em 2002 e conta com a seguinte line-up: Carlos Gutierrez (bateria), Rick Rangel (vocal/guitarra), Anthony Vasquez (baixo) e Chris Monroy (guitarra). Gravaram sua primeira demo, intitulada “Life…Death…and FBF” em abril de 2004, com a proposta de tocar um Thrash Metal "explosivo", com uma veia oitentista, baseado nos demônios da velocidade: Slayer, Overkill, Testament, entre outros.

O novo álbum da Fueled By Fire, "Trapped In Perdition", será lançado na Europa em 26 de julho e na América do Norte em 06 de agosto pela NoiseArt Records. Adquira-o pela Pré-venda clicando aqui.
Grupo se apresenta em junho no Brasil pela primeira vez

A banda fará sua primeira turnê na América do Sul em junho, passando por várias capitais brasileiras, incluindo Brasília (DF), Porto Alegre (RS), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP) e Curitiba (PR), entre outras.



Tracklist:
1. Catastrophe
2. Suffering Entities
3. Forsaken Deity
4. Profane Path
5. Defaced Mortality
6. Rotten Creation
7. Pharmaceutical Extermination
8. Symbolic Slaying
9. Obliteration
10. Abeyant Future (Outro)
11. Depiction of Demise (Bonustrack)

Texto: Nanda Luiza
Edição/revisão: Eduardo Cadore
Fotos: Divulgação

Acesse e conheça mais sobre a banda

terça-feira, 21 de maio de 2013

Mad Old Lady: Simplicidade em Formato de Música

Álbum "Viking Soul" merece toda atenção do público da boa música


O músico Eduardo Fagundes não poderia ter feito melhor escolha ao deixar sua antiga banda para montar um novo grupo com uma proposta calcada menos no peso, mais focado na melodia. E foi nessa tentativa de sucesso de criar um som diferenciado que surgiu a Mad Old Lady e seu debut álbum “Viking Soul” (2012).

Com uma formação contando com três vocalistas (além de Eduardo, também cantam Marcelo de Paula e Flávia Tunchel), que já é algo que chama a atenção, mais o baterista Guga Bento, o baixista Gabi Moraes, os guitarristas Tiago Moura e Vitor e o tecladista Rafael Agostino, a Mad Old Lady impressiona quem aprecia um bom Heavy/Hard, com vários elementos de Folk Rock e Rock Progressivo (ouça “Someone” e se arrepie).

Composições simples e belas povoam disco de estreia

São apenas 10 faixas, composições do líder Eduardo, que ofertam ao ouvinte muita melodia, letras simples, mas que calam na alma. Aliás, simplicidade parece ser a palavra-chave do álbum que, apesar de ter sido gravado em um dos melhores estúdios do Brasil (Mosh, em São Paulo/SP) e ter sido produzido na Bélgica (estúdio I.P.C.), o grupo fez questão de deixar a sonoridade muito orgânica, de fácil assimilação, sem precisar apelar para clichês radiofônicos.

“Glances in the Dark” começa com tudo, bastante ritmo, clima de alto astral, seguida de “King”, que mostra já as primeiras melodias com passagens acústicas e um show dos vocais que fazem um verdadeiro coral e dão um clima macio a canção.

O casamento perfeito entre o Hard Rock e o Rock Clássico você encontra em “Power of Warrior” (conta Eduardo que a canção fora composta aos 18 anos, quando ouvia muito Black Sabbath), assim como “Prison” traz uma das melodias mais grudentas do álbum, com sutis presenças de gaita, violino, piano, ótima para ser cantada ao vivo.

Outras canções como “Too Blind to See” e “Mad Train” trazem mais peso, mas sem esquecer o clima setentista que ronda a banda, sempre nos remetendo ora ao povo nórdico ao qual é dado o nome do álbum, ora ao próprio Rock & Roll de bandas como Lynyrd Skynyrd e Creedence.

Espirito Viking presente no álbum
A gaita de boca e o violão vão arrepiar você em “My Heart”, uma das mais belas canções que ouvi nos últimos meses e que, ao lado de “Far Away”, fazem uma dupla sensacional. Aliás, esta última virou minha preferida já na primeira audição e não sai da minha cabeça (muito emocionante e me identifiquei rápido com a bela e triste letra). “Viking Soul” fecha o disco com grande clima de despedida, obrigando-o a dar play novamente na bolacha sem medo e com a certeza de que Mad Old Lady é um grupo diferenciado nesse oceano de bandas nacionais de qualidade. Fique de olho e peça o seu álbum gratuito através do Facebook da banda (veja abaixo).

Texto e edição: Eduardo Cadore
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica
Banda: Mad Old Lady
Álbum: Viking Soul
Ano: 2012 
País: Brasil
Tipo: Classic Rock/Hard Rock/Folk Rock/Progressive Rock

Formação
Eduardo Fagundes (Vocal)
Marcelo de Paula (Vocal)
Flávia Tunchel (Vocal)
Guga Bento (Bateria)
Gabi Moraes (Baixo)
Tiago Moura (Guitarra)
Vitor (Guitarra)
Rafael Agostino (Teclados)



Tracklist
01 – Glances in the Dark
02 – King
03 – Power of Warrior
04 – Prison
05 – Too Blind to See
06 – Mad Train
07 – My Heart
08 – Someone
09 – Far Away
10 – Viking Soul

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Assista a banda ao vivo

Tocando "Viking Soul"

Vídeo clipe de "Power of Warrior"



segunda-feira, 20 de maio de 2013

Hibria: Um dos Grandes Nomes do Metal Nacional Lança Vídeo Clipe Inédito



Um dos grandes nomes do Metal nacional, a banda Hibria, acaba de lançar seu mais novo vídeo clipe, para música "Silence Will Make You Suffer" que pertence ao seu 4° trabalho de estúdio, ainda sem título, mas que será lançado no Japão no dia 26 de junho e no Brasil via Voice Music no dia 13 de julho.

O clipe foi dirigido por Luís Mário Fontoura, onde captou a energia da banda, como se estivéssemos vendo ao vivo, além do clima em preto e branco que caiu muito bem para música. Uma composição forte, que em alguns momentos beiram o Thrash Metal, além das belas melodias que acompanham a banda. Também é possível notar um ar mais moderno, mas que em nenhum momento desfavorece o grupo.

Enquanto o álbum não sai, já podemos ter uma amostra do que esperar clicando AQUI e com certeza será mais um trabalho de alto nível.


Texto: Renato Sanson
Edição/revisão: Eduardo Cadore
Fotos: Divulgação
Assessoria: Metal Media

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Clássicos: Blue Öyster Cult - 35 anos de "Something Enchanted Evening"


O Blue Öyster Cult, formado no final dos anos 60, em Long Island (EUA), foi um grupo que, segundo Albert Bouchard (baterista), antes de ser criado, já possuía seu conceito pronto, tendo criado em torno de si uma aura misteriosa, seja devido a sua música, o nome de batismo, o misterioso símbolo da cruz com um ponto de interrogação invertido (na alquimia seria o símbolo dos metais pesados, mas existem outras histórias a respeito), criado pelo excêntrico desenhista Bill Gawlik, e outras histórias que permeiam a biografia da banda. O certo é que essa aura e esses mistérios em muito ajudaram a carreira do BÖC.

Contratados pela Columbia Records, segundo reza a lenda, porque a gravadora procurava uma banda que tivesse um impacto no mercado, a exemplo dos concorrentes, como a Warner, que tinha o Black Sabbath em seu cast, e a London, que tinha os Stones.

Com um começo tímido, aos poucos a banda foi ganhando público, e veio o grande sucesso comercial, a música "(Dont' Fear) The Reaper", de "Agents of Fortune" (1976), o quarto disco do BÖC, sucessor da chamada trilogia preto e branco, formada pelos 3 primeiros álbuns, que possuem as capas, logicamente, totalmente em p&b.

A formação clássica nos anos 70
E em 1978, é lançado o maior sucesso de vendas até hoje da banda, o ao vivo "Something Enchanted Evening", que não era o primeiro "live", que foi "On Your Fett On Your Knees" (1975).

Primeiramente, era para ser um álbum duplo, mas devido aos resultados abaixo do esperado das vendas de "Spectres" (1977), acabou saindo na versão simples, e, mais tarde, relançado com vários bônus.

Até o fato de, no final ter saído em versão simples, ficando mais curto, é um ponto a favor, pois deixa o ouvinte com aquele gostinho de quero mais.

Contendo sete faixas, sendo duas delas covers, "Something Enchanted..." é um álbum que possui uma energia fantástica, sendo seguramente um dos melhores "Live" da história. Já conhecida muito mais pelas apresentações ao vivo, explosivas e com efeitos de lasers, inclusive o famoso efeito que lançava lasers dos pulsos de Eric Bloom, que rendeu até algum falatória na imprensa, dizendo que podia ser prejudicial aos olhos de quem estava nos shows.



Em "Something Enchanted...", a banda era formada por Donald "Buck Dharma" (guitarra e vocal), Eric Bloom (guitarra e vocal), Allen Lanier (teclados), Albert Bouchard (Bateria) e Joe Bouchard (baixo e vocal). A formação mais clássica do BÖC, que já tinha nas costas mais de 200 shows, com um entrosamento perfeito, captados nessas faixas, compiladas de diversos shows da banda pelos EUA e Inglaterra.

A capa, que traz o "ceifador" cavalgando, em um corcel negro, que traz o símbolo da banda, em um cenário lunar, ilustração feita pelo artista T.R. Shorr. Uma bela e misteriosa arte, embalagem mais do que perfeita para um álbum marcante na carreira da banda, ou seja, a bolacha tinha todos os requisitos para ser um clássico.

Nesta época a banda também excursionou com vários gigantes dos anos 70, como os shows ao lado do Rush e Kiss.


"SEE", abre com "R.U. Ready To Rock", um rockaço enérgico e já pegando o ouvinte, lhe transportando literalmente pra dentro do show, perfeita abertura, pelo seu refrão pegajoso; "E.T.I. (Extra Terrestrial Intelligence)", do álbum "Agents of Fortune", tem uma sonoridade Rock & Roll/Progressivo, tendo do meio pro fim um belo "duelo" instrumental; "Astronomy", que ganhou uma cover do Metallica, inclusive, traz aquela característica misteriosa que o BÖC sempre carregou, sabendo-se também da fascinação por ficção científica, principalmente por Eric Bloom, climática e melódica, vai aos poucos crescendo. Épica, é a palavra para defini-lá! Verdadeiro clássico. 


"Kick Out the Jams", cover do MC5, vem também cheia de energia, uma excelente versão executada pelo BÖC! Quebra tudo! Destaque para as guitarras alucinadas! "Godzilla", mais um hit do BÖC, cujo riff, Donald "Buck Dharma" diz ter criado em um quarto de Hotel, e fala que "O que poderia ser mais pesado que Godzilla?" esclarecendo a inspiração para o peso da canção. Vale lembrar que a banda usava um "Godzilla" nos shows, com olhos vermelhos e que soltava fumaça, sendo provavelmente um dos maiores efeitos de palco que usaram;


O maior hit do BÖC vem em seguida, "(Dont' Fear) The Reaper", também do "Agents of Fortune", mais do que idolatrada através dos anos, é só aquele riff inicial começar para que o público venha ao delírio. Mais um épico. A faixa foi alvo de polêmicas, com acusações de que fazia apologia ao suicídio, com o uso dos personagens centrais da letra, Romeu e Julieta, com Buck explicando que a música tem dois conceitos, o primeiro de que um romance poderoso pode levar a morte física e o outro de que a morte é algo inevitável, e que devemos enfrentá-la sem medo, tendo confiança na continuidade do espírito. A versão contida no álbum, provavelmente seja a versão definitiva da música. Perfeita.


Fechando, mais um cover, uma maravilhosa versão de "We Gotta Get Out Of This Place", do "The Animals", uma canção icônica, imensamente popular entre as forças armadas os EUA durante a guerra do Vietnã. Grande versão, fechando com chave de ouro este clássico que não pode faltar na coleção de nenhum amante do Classic Rock/Metal, que este ano vai completar 35 aninhos de idade, um dos belos exemplos de que música boa não envelhece!


Texto e edição: Carlos Garcia
Revisão: Eduardo Cadore
Fotos: Divulgação

Acesse
BÖC Site Oficial









domingo, 19 de maio de 2013

LandWork: Lançado Novo Vídeo Clipe da Revelação Catarinense

Lançado 2º vídeo clipe da banda catarinense


Anualmente pipocam bandas ótimas no cenário nacional, com grandes lançamentos, uma verdadeira enxurrada que enlouquece qualquer headbanger que queira conhecer tudo o que acontece no universo da música pesada brasileira.

Já conhecida dos Roaders e de vocês, leitores, a LandWork, banda de Blumenau, Santa Catarina, lançou “Stand” em 2012, primeiro álbum do quarteto que aposta em um Groove/Stoner Metal de alta qualidade, tudo feito na raça e quase sem apoio (o que não é novidade).

Quarteto segue divulgando "Stand", seu álbum de estreia

Já para divulgar o álbum, o grupo havia lançado o vídeo clipe para a música “Fight”, que até o momento ultrapassou as 7 mil visualizações no Youtube. Agora, após série de shows, inclusive fora do estado de origem (confira resenha da apresentação do grupo em Porto Alegre/RS aqui), o grupo lança o aguardado vídeo clipe para “Fly Away”, retirada do debut álbum.

Gravado com imagens de Victor Padrela e editado por Daniel Lima, o vídeo clipe independente une a simplicidade com tomadas enérgicas, passando ao telespectador o espirito de uma apresentação ao vivo do grupo.

O guitarrista Jhony Israel comentou o vídeo clipe: "'HOW DID YOU LOVE ME? LIKE YOU DID? HOW YOU SAVED ME!' Estamos caminhando focados em nossa meta e cada sonho realizado é uma grande vitória e esse clipe é mais uma!".

Confira o vídeo clipe e conheça mais sobre a banda no nosso site e nos links relacionados abaixo. Apoie a cena do seu país!

Texto e edição: Eduardo Cadore
Fotos: Divulgação





Confira nossa matéria sobre o álbum da banda clicando aqui

Acesse e conheça mais sobre a banda
Site Oficial (baixe o CD LEGALMENTE)

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Entrevista: Nervochaos - Em Constante Busca Pela Sonoridade Própria




Formada em 1996 e, contando o ao vivo "Live Rituals", tendo seis álbuns cultuados pelos seguidores do Metal Extremo, passagens bem sucedidas pelo exterior, são 17 anos ininterruptos de batalha, o que lhes dá respaldo para saber o que querem, quais os caminhos a tomar, e que fazer música extrema e a vida na estrada não é para qualquer um.

Prontos para, no mínimo mais 17 anos de Metal, a Nervochaos comemora uma nova fase, com o lançamento de "To The Death" pela tradicional Cogumelo Records e a solidez e entrosamento da nova formação. O baterista Edu Lane recebeu o Road para conversar sobre tudo isso e muito mais! Confira a seguir!


Road to Metal: Tanto no álbum "Battalions Of Hate", quanto no novo "To The Death", existem passagens mais cadenciadas e muito mais trabalhadas. Esse é o caminho para os futuros lançamentos da NervoChaos? E como a nova formação contribui para esse direcionamento musical cada vez mais apurado, porém sem perder mão da agressividade em si?

Edu Lane: Acredito que sim. Nós estamos na constante busca pela nossa sonoridade própria. Nós nunca quisermos ser a banda mais rápida ou mais gore do planeta, e sempre iremos permanecer fiéis as nossas raízes e a nossa proposta inicial. Não nos prendemos a rótulos pré-estipulados e conseguimos transitar livremente entre as diversas vertentes da música extrema.

Fazemos somente aquilo que gostamos sem nos preocupar em agradar um determinado segmento musical. Queremos sempre evoluir como banda e como músicos, e é algo natural esta evolução e esse amadurecimento. A nova formação esta bastante entrosada, sólida e com uma participação ativa de todos os integrantes no processo de composição, o que eu acredito ser extremamente positivo e contribui bastante para esta sonoridade mais trabalhada.


RtM: Confesso que assim que soube que a NervoChaos assinou com a Cogumelo Records meu primeiro pensamento foi: "até que enfim"! E para vocês, qual a sensação de estar no cast de uma das gravadoras mais significativas do Metal Extremo nacional? E qual a importância de um selo hoje em dia com essa era de downloads?

E.L.: Para nós é uma tremenda honra fazer parte do cast da Cogumelo. Todas as bandas que curtimos e que nos influenciam fizeram ou fazem parte da Cogumelo. A Cogumelo tem uma excelente distribuição, não só no Brasil, mas no exterior também. Tem sido muito bom trabalhar junto com eles e esperamos que essa parceria seja duradoura. A Cogumelo é a única gravadora nacional totalmente dedicada e focada na cena nacional, fazendo história há mais de 30 anos. Apesar de vivermos uma era de downloads e pirataria, acredito que é essencial para uma banda ter o apoio de uma boa gravadora.


RtM: Para algumas pessoas, o título "To The Death" pode remeter diretamente ao Death Metal, porém desde sua formação o NervoChaos sempre passeou por vários estilos da música extrema. Se fosse necessário encaixar a sonoridade de vocês em um estilo, qual seria? E qual a ligação da banda com a temática do satanismo: ideologia ou apenas tema lírico?

E.L.: Como mencionei anteriormente, nós nunca nos prendemos a rótulos pré-estipulados e sempre tivemos liberdade de passear pelas diversas vertentes da música extrema, mas sem deixarmos de ser fieis a nossa proposta inicial e as nossas raízes. Se tivermos que rotular a nossa sonoridade, diria que somos uma banda de música extrema. O título do novo CD é uma declaração que iremos permanecer nesta banda e com esta proposta até o fim. É muito interessante ver e saber as diferentes interpretações de nossas letras e títulos de CD. Não há espaço para modismos nessa banda e a nossa temática sempre teve conteúdo satânico, obscuro e anticristão. Eu não tenho isso como apenas tema lírico.



RtM: Realmente a safra de música extrema no Brasil está muito boa. Na visão de vocês que estão na batalha há muito tempo, o que falta para o fortalecimento de uma cena no Brasil?

E.L.:Ser underground não é aceitar qualquer coisa, não é ser tosco e sim é viver plenamente este estilo de vida. Infelizmente, no Brasil, ainda há uma visão errada do que é ser underground e muitas vezes nos deparamos com o descaso de produtores locais e com prática não saudáveis. A mudança que desejamos deve partir de nós mesmos e o Brasil é certamente um dos mais importantes berços da música extrema mundial. Há dificuldades como em qualquer lugar do planeta, talvez algumas vezes um pouco mais especifica em alguns pontos, mas acredito estarmos caminhando para um maior fortalecimento.


RtM: “Quarrel in Hell" trazia uma lista de convidados ilustres, agora "To The Death" repete a dose. Essas parcerias são pensadas ou surgem espontaneamente  E alguma vez já rolou algum estresse com algum músico convidado?


E.L.: Nada é por acaso e todas as participações que tivemos em nossos CDs foram planejadas cautelosamente. É uma forma de presentear os nossos fãs com algo especial e único e essa sempre foi a nossa intenção. Nunca tivemos nenhum problema com os convidados, até porque, convidamos músicos que são nossos amigos e que tem afinidade com a nossa proposta e com a banda. Houveram convidados que não puderam participar, tanto no 'Quarrel in Hell' como no 'To The Death', mas mais por uma questão de incompatibilidade de agenda.



RtM: A parte gráfica é um elemento bastante importante, até mesmo para chamar atenção àqueles que não conhecem a banda. Em “To the Death” vocês deram um passo além, ao terem como responsável pela capa o ilustre artista internacional Joe Petagno. Ele teve total liberdade para cria-la, ou vocês passaram as informações de como a desejavam? Conte um pouco sobre esse processo.

E.L.: Sempre sonhei em ter algum trabalho nosso com a arte do Joe Petagno e para o novo CD resolvi arriscar. Entrei em contato com ele e ele prontamente me respondeu dizendo que tinha interesse em fazer o trabalho conosco e que havia gostado da banda e da nossa sonoridade. Demos total liberdade para ele no processo de criação, enviamos as letras e o título do novo CD, e ele criou a arte em cima disto. Ficamos totalmente satisfeitos com o resultado final, até porque é algo bem orgânico (pois o Joe não utiliza computador para criação de suas artes) e casou por inteiro com a proposta deste novo CD.


RtM: A banda já tem uma certa experiência em shows pelo exterior. Como são as condições que vocês encontram, em termos de estrutura em geral (locais dos shows, equipamentos, hospedagem, transporte)? Muitas bandas comentam que, várias vezes, não traz um retorno e muitos acabam se aventurando, tocando em locais e condições precárias apenas para dizer que tocaram no exterior.

E.L.: No geral tivemos boas experiências tocando no exterior. Sempre há uma ou outra dificuldade mas a cultura no exterior trata o underground de forma bem mais adequada do que aqui no Brasil. Nunca tivemos problemas com transporte ou equipamentos, pois sempre viajamos com um backline e um transporte próprio (ou seja não é fornecido pelo organizador local), mas já enfrentamos alguns problemas com hospedagem (o que as vezes enfrentamos por aqui também) e/ou cancelamento de datas. Nenhuma banda tem 100% de garantia de que não encontrará problemas ou dificuldades em uma turnê, seja no Brasil ou no exterior, mas é possível reduzir bastante esse risco. Estamos sempre aprendendo e evoluindo com essas experiências.



RtM: Ainda sobre essas experiências lá fora, vocês devem ter muitas histórias curiosas. Poderia contar alguma? E calote? Já levaram algum lá fora, ou entraram em alguma roubada, tipo prometerem algo e depois vocês chegarem ao local e as coisas não eram bem as combinadas?

E.L.: É verdade, existem muitas histórias destas turnês, algumas engraçadas, muitas boas e outras ruins, mas é sempre um aprendizado onde assimilamos as coisas positivas e procuramos aprender e crescer com os erros e as coisas negativas que rolaram.

Nunca tomamos um calote financeiro no exterior, mas já enfrentamos roubadas do tipo cancelarem um show quando chegamos na cidade ou do local de hospedagem não ser o que havia sido combinado. Estar numa banda e em turnê é bem mais difícil do que parece e certamente não é algo para qualquer pessoa.


RtM: Edu, recentemente você publicou um comunicado encerrando as atividades da Tumba Records. Nos conte um pouco mais sobre o por que de encerrar as atividades da produtora? Você acredita que o Metal no Brasil tende à se profissionalizar ou cair no "ostracismo"?

E.L.: Após 17 anos agendando shows e turnês pelo Brasil e pela América Latina conclui o meu ciclo. Todos os objetivos traçados foram atingidos e percebi que era o momento certo para encerrar as atividades da Tumba. O Metal no Brasil já se profissionalizou bastante e torço para que continue nesse caminho e evolua ainda mais.

RtM: É inevitável entrarmos num ponto polêmico. Muito desconforto foi gerado, especialmente entre os headbangers gaúchos, com algumas postagens entendidas como ofensivas de um membro da banda em relação à tragédia em Santa Maria/RS. Queremos dizer que foi muito digno e respeitoso por parte do Edu Lane se manifestar contra tal comportamento e por ter lembrado que já tocaram na cidade algumas vezes. Sabemos que na cena extrema do Brasil temos certos radicalismos (muitos músicos geram comentários polêmicos nas redes sociais). Como é, para você, Edu, como líder do grupo, quando o nome da banda pode ficar associado à um comentário infeliz de um integrante? Qual a linha divisora entre o comportamento individual/pessoal de um membro e o nome da banda como um todo?

E.L.: Realmente foi um fato muito infeliz o comentário feito por ele sobre o assunto de Santa Maria/RS. Por isso resolvi publicar no site da banda uma nota sobre o acontecido e deixar claro a posição da banda sobre o assunto. A banda atualmente é composta por 4 pessoas e todos nós temos os mesmos direitos e as mesmas obrigações dentro dela. Sou uma pessoa de mente aberta e com bastante bom senso, mas a partir do momento que um integrante começa a interferir na política da banda ou no bom andamento dela, eu me sinto na obrigação de intervir, justamente para não ficar associando coisas que batem de frente com a proposta e a postura que adotamos. 

Somos todos brasileiros e temos muito orgulho disso. Não somos (e nem nunca fomos) uma banda política ou com preconceito de qualquer tipo. É claro que existem diferenças de opiniões e de pensamentos entre os integrantes da banda e trato isso como algo positivo e benéfico, mas não posso compactuar quando é algo totalmente fora da nossa linha de pensamento e da nossa postura, como por exemplo foi o comentário feito. Todos nós somos passiveis de erro e isso faz parte da natureza humana, mas quando isso acontece, o que eu espero é que haja o reconhecimento e a compreensão do erro cometido para que o mesmo não se repita e haja uma evolução, uma melhora. Se isso não ocorre com a franqueza e a sinceridade necessária, foi invadida a linha divisora entre o comportamento individual de um membro e a banda como um todo.

RtM: Um dos argumentos mais presentes de crítica ao Metal nacional, sobretudo por pessoas de fora da cena, é de que as bandas cantam em inglês e não na língua materna. Levando em consideração que vocês cantam em inglês, qual a opinião do NervoChaos sobre tal argumento e sobre bandas que cantam em português, algumas inclusive usando esse argumento de “obrigação” de cantar em português? E vocês visam o mercado externo ou é uma questão de estética musical?

E.L.: Não acredito que seja uma obrigação cantar em sua língua materna. Acho louvável e bem interessante o trabalho que algumas bandas fazem e isso não impede que elas atinjam o mercado no exterior. A nossa proposta nunca foi cantar em português e formatamos a nossa estética musical em cima da língua inglesa. Desde o inicio vejo bandas vindas de países como a Alemanha, Suécia, Holanda, Bélgica, Noruega, Japão, México, Colômbia, Brasil, e etc...cantando em inglês e algumas outras em sua língua materna. Acredito que tudo depende da proposta inicial da banda e da estética musical adotada. Fodam-se os dogmas do Metal, faça o que tu queres pois há de ser tudo da Lei.


RtM: Sabendo que a banda está em pleno processo de divulgação do novo álbum, gostaríamos de agradecer pelo tempo dispendido e deixamos o espaço final para uma última mensagem da banda ao público.

E.L.: Muito obrigado pela excelente entrevista, pelo espaço cedido e pelo apoio dado ao NervoChaos. Para saber mais sobre a banda visitem: www.nervochaos.com.br  Vejo vocês na estrada! To the death!


Por: Carlos/Eduardo/Fernanda/Harley


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