quarta-feira, 2 de setembro de 2015

ENTREVISTA – APOPHIZYS: Lançamento de material este mês!

Bem-vindos leitores e apoiadores da Road To Metal! Hoje vamos falar sobre a APOPHIZYS, banda gaúcha de Death Metal, da cidade de Passo Fundo, formada por Ederson Aguirre (Vocal), Juliano dos Santos (Guitarra), Arthur Navarini (Guitarra), Daigo Darrell (Baixo) e Luana Dametto (Bateria).

Fomos em busca de informações desde o surgimento da banda, sua trajetória, influências, lançamento de material, shows, e seus planos atuais. Para quem quiser conhecer o som deles ao vivo, a banda estará tocando nesse sábado 05/09 na Embaixada do Rock em São Leopoldo, na 58º edição do Storm Festival, junto de outras bandas de metal extremo do RS como DyingBreed, Morthur, Lethal Sense e Soul Torment.

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Confira nossa exclusiva com a banda agora mesmo:


ROAD: Para os leitores que já conhecem e acompanham o trabalho de vocês, assim como também para quem está conhecendo agora, como surgiu a banda?

Apophizys: A banda começou em 2005 como Slaughter Fleshcult, porém com algumas mudanças na formação, teve um curto período de inatividade, voltando oficialmente em 2012, com novos membros e o atual nome de Apophizys.


ROAD: Quais são as influências do som que vocês fazem? Que diga-se de passagem é bem diversificado e transita por vários estilos dentro do metal.

Apophizys: Como banda, ouvimos Hypocrisy, At the Gates, Death, Decapitated, entre outras… Mas não temos um padrão quanto a isso, as influências são das mais variadas, cada integrante tem um gosto musical diferente do outro, gostamos de variar, assim cada um coloca um pouco do que sabe na banda. A sonoridade é tão distinta quanto nossos gostos pessoais, temos músicas que pendem para o Brutal Death, como temos sons completamente melódicos, essa é a ideia, não ficar na mesmice, cada música tem seu momento.


ROAD: Quais são seus planos atuais? Tem material vindo aí?

Apophizys: Bom, este mês estará disponível nosso primeiro full-length, se chama “Into the Chaos”, e também será lançada uma versão internacional em Digipack, com músicas bônus e tudo mais! A curto prazo é isso, lançar esse álbum, compor músicas para um próximo, e fazer shows na medida do possível!


ROAD: Agradecemos a atenção e deixamos este espaço final para vocês enviarem sua mensagem aos leitores da Road To Metal:

Apophizys: Primeiramente, agradecemos a Road to Metal pelo espaço, e aos leitores que por aqui passaram!

Para quem quiser ficar por dentro das novidades, esses são nossos contatos:






Matéria/entrevista: Deisi Wolff
Fotos: Apophizys e Mony Ventura Fotografias


terça-feira, 1 de setembro de 2015

Entrevista - Armored Saint: "Temos que manter os pés no chão com nossas pretensões"

Uma ascensão meteórica ao quase esquecimento. Esse parâmetro pode definir como foi a carreira do Armored Saint. Se no final dos anos 80 a banda chegou a um ótimo reconhecimento, na década seguinte não podemos dizer o mesmo, pois tanto seu mentor, o baixista Joey Vera, quanto o vocalista John Bush estavam envolvidos com outros projetos (Anthrax e Fates Warning).

Pois bem, passado um período de hibernação o Armored Saint voltou a respirar, o que foi o indicio de que um dia poderiam retornar à todo vapor. E podemos dizer que  isto de fato se concretizou, desde a saída de Bush do Anthrax o Saint ganhou mais espaço, e retornaram com força total com seu novo disco, o excelente “Win Hands Down”.

Para contar um pouco dessas histórias (incluindo o convite para o Metallica), conversamos com o líder e fundador Joey Vera, que nos falou suas impressões sobre o novo álbum, a época de sucesso com o lançamento de “Symbol of Salvation” e muito mais!

Read in English HERE

Com vocês, a lenda Joey Vera:


RtM: Olá Joey, obrigado pelo seu tempo e atenção para nos responder a esta entrevista! Estamos muito felizes pela oportunidade e com o novo álbum. Bem, falando no álbum recentemente lançado, "Win Hands Down", que está tendo um excelente impacto entre os fãs. Como é para você ver esta grande e positiva repercussão? Seria o reconhecimento merecido que Armored talvez não teve nos anos 80 e 90?

Joey: Bem, foi grande e bastante inesperado realmente. Mas eu não sinto que nós merecêssemos alguma coisa apesar de tudo. Na verdade, as expectativas não eram por uma grande resposta. Temos que manter os pés no chão com nossas pretensões.

RtM: "Win Hands Down" tem recebido ótimas críticas e figurado em charts ao redor do mundo. A resposta então foi maior e mais rápida do que as suas expectativas iniciais? E, a julgar pelo título do álbum, ou foi uma feliz coincidência, ou penso que havia a certeza de que tinham um grande material em mãos! He he he! Armored Saint vai vencer com uma mão nas costas!! Grande álbum!

Joey: Obrigado. Mas, novamente, nós realmente partimos sem expectativas. O fato de que eu intitulei o álbum com a primeira faixa do disco não tem nada a ver com o que estamos tentando dizer sobre nós mesmos. Nós escrevemos uma música chamada “Win Hands Down”, e nós sentimos que musicalmente seria uma grande faixa de abertura. Isso é tudo.



RtM: O fato é que "Win Hands Down" é álbum poderoso e melódico, que traz muito do metal clássico, mas nunca datado, inclusive sendo uma tempestade de ar fresco, adjetivos que eu vi em vários comentários. A que você atribui toda essa energia que emana do álbum? Vocês sentiram durante a produção que estavam tendo um momento especial, ou simplesmente deixaram fluir naturalmente, seguindo seus instintos?

Joey: Sim, foi praticamente uma coisa natural. Desde o início, eu estava ansioso para fazer este registro soar grande e exuberante. Portanto, há um monte de overdubs e peças que criam esta parede de som. Eu também estava empurrando-nos a tocar com arranjos e orquestrações dentro das canções, porém sempre mantendo um senso de poder. Não foi nada super calculado, mas mais arriscando.

RtM: Senti uma banda muito livre, sem se preocupar com limites, e isso pode ser sentido em todo o álbum, com a inclusão de efeitos e elementos que deram um "brilho" especial ao som. Os efeitos em seu baixo, por exemplo, as canções "An Exercise in Debaouchery" e "Muscle Memory". Eu gostaria que você comentasse um pouco mais sobre estas duas faixas e estes "novos" elementos na música da banda.

Joey: Bem, acho que nossa banda sempre foi um pouco “simples” em termos de produção. Gastamos um monte de discos tentando capturar o nosso som "ao vivo", afinal nós somos uma banda de alta energia ao vivo. Mas desta vez, eu queria ir um pouco além em termos de produção. Eu queria que fosse épico. Também estou envolvido em diferentes tipos de música e é divertido achar um lugar para adicionar instrumentos étnicos ou sons estranhos. Foi um exercício para desafiar a criatividade, mantendo um sentido ou urgência.




RtM: A faixa-título é também um destaque, bom, o álbum todo está ótimo, gostaria que você comentasse um pouco mais sobre isso, a mensagem que traz as letras, e também a capa do álbum, que é criativa e divertida, mostrando um jogo de cartas em um saloon, onde algumas pessoas parecem tentar levar vantagem sobre os outros utilizando-se de artifícios tecnológicos.

Joey: O título vem de uma expressão usada em corridas de cavalo, e ela define uma vitória muito fácil. Quando um jockey está muito à frente dos outros cavalos, ele vai tranquilo e "ganha com uma mão nas costas" (Win Hands Down). John escreveu as letras sobre os tempos em que éramos jovens e explorávamos a vida e a música com os amigos. O momento em que estamos cheios de admiração e de energia. A vida era mais simples e mais fácil, então. É uma celebração da música da vida.

Não tem nada a ver com a forma como vemos a nós mesmos como uma banda. A ilustração da capa veio do nada. John não parava de dizer que a faixa-título lembrava de imagens do velho oeste. Então eu juntei esta ideia de pegar o velho oeste e jogá-lo em um lugar etéreo, é em algum lugar entre Westworld e Blade Runner. Eu queria que fosse uma obra de arte independente, ambígua. Eu busquei luz e inspiração dos velhos mestres como Rembrandt e Carravaggio.

RtM: Falando na produção, as músicas e ideias já estavam sendo trabalhadas durante esses cinco anos sem lançar material novo? Foi um processo demorado a composição e a própria produção, ou as coisas fluíram mais rápido, devido a vontade de fazer um novo álbum do Armored Saint?

Joey: É assim que foi: Nós não compusemos nada até cerca de Janeiro de 2013. Foi então que eu comecei a colocar pra fora algumas ideias. Então John me perguntou se eu estava compondo e eu disse que sim, então eu fiz-lhe uma demo de umas duas músicas, então, ele ficou animado e escreveu letras para elas e foi nesse momento que começamos a compor este álbum. Mas a nossa forma de trabalhar é muito lenta. Nós dois temos famílias e nossas vidas são bastante ocupadas, por isso, fazemos música sempre que podemos encontrar tempo. Não temos a gravadora nos dizendo que temos que fazer algo até uma determinada data. Acabamos por trabalhar em nosso próprio ritmo, e temos muita sorte de ter isso.




RtM: E como surgiu a ideia de ter a participação da Pearl Aday (filha de Meat Loaf) na faixa "With a Full Head of Steam"?  Os vocais ficaram matadores, casando perfeitos nesta canção. O fato de vocês terem contato com o marido dela, Scott Ian (Anthrax), acredito ter facilitado essa opção.

Joey: Sim. Enquanto nós trabalhávamos no álbum, John disse que queria fazer um dueto com uma cantora. Mas nós não sentíamos que alguma das músicas era a certa, até que escrevemos esta. Ela (Pearl) foi a escolha certa, somos todos amigos e eu a vejo regularmente durante todos esses anos de amizade. Foi automático.

RtM: Em 91 o Armored Saint teve uma parada considerável em suas atividades,  John Bush estava com Anthrax e você com Fates Warning. Em algum momento vocês cogitaram parar definitivamente com as atividades da banda?

Joey: o Saint não fez nada entre 92-99, quando decidimos compor e gravar “Revelations”. Scott teve uma pausa com o Anthrax pra fazer o SOD, por isso decidimos que era hora de fazer um álbum. Mas em nossas mentes era apenas um.




RtM: 1991 marca também o lançamento de um dos melhores álbuns de sua carreira, o clássico "Symbol of Salvation". Como foram os momentos de composição e produção do álbum? E você poderia nos contar um pouco mais sobre a abordagem lírica dele?

Joey: Foi uma gravação difícil de fazer, logo após de dizer adeus ao nosso amigo e guitarrista David Prichard, vítima da leucemia. A maioria das canções foram escritas por Dave e nós sentimos como se tivéssemos muito a provar e fazê-lo orgulhoso. Por isso, foi muito emocional. Liricamente foi um tempo de provação para nós. Fomos demitidos da gravadora Chrysalis no final de 1988, e poderia não haver outra gravadora interessada. Nós compusemos, voltamos para nossos trabalhos regulares, durante cerca de 3 anos. Assim, as letras são sobre esse tempo em nossas vidas. Algumas delas são material ficcional, mas algumas são muito pessoais.

RtM: Em 2000 a banda retornou ativa lançando dois álbuns, "Revelations" (00) e "Not to the Old School" (02). Como foi compor estes dois álbuns após quase 10 anos parados? E nesses discos foram incluídas composições antigas?

Joey: “Revelations” foi tipo uma vibe de bem-vindo ao lar para nós. Foi apenas uma coisa divertida para fazer juntos e nos divertir entre nós. Foi bom trabalhar juntos novamente. “Nod to...” foi mais uma coisa que fizemos para os fãs. Ele tem um monte de faixas ao vivo e faixas demo. Músicas que nunca havíamos gravado, apenas demos. Era para ser um presente aos nossos fãs dentro do que nós trabalhamos.




RtM: Joey você é conhecido por sua excelente técnica e poder de composição, esses adjetivos chamaram a atenção do Metallica. Eu sei que você provavelmente já respondeu a essa pergunta milhares de vezes, mas, por que você não aceitou entrar no Metallica após a morte de Cliff Burton? Quando Jason Newsted deixou a banda o seu nome também foi lembrado. Naquele momento eles vieram falar com você sobre isso? (acho que você não aceitaria o cargo, porque talvez você não teria liberdade criativa no Metallica.)

Joey: Bem, eles fizeram contato comigo, mas não pelas razões que você indicou. Eles estavam em um momento terrível e tendo de fazer audições de baixistas, e eles odiavam. Eles queriam tocar com amigos, pessoas que conheciam, por isso Lars me chamou para uma jam e ver o que acontecia. Mas eu estava bem em meios às gravações de “Raising Fear” com o Saint. Eu não estava em um momento da minha vida em que eu estava procurando uma mudança. Eu não senti que era o momento certo de deixar a minha banda, e amigos de infância, bem no meio disso. Então, eu não quis. Eu não era o cara certo. Jason era.

Quando Jason deixou a banda ele mencionou o meu nome na imprensa uma vez, e isso é o fim de tudo. Em retrospectiva, eu não acho que eu teria sido criativamente feliz no Metallica. James e Lars são uma grande equipe. Eles não precisam de outra pessoa dentro da bolha. Mas eu gosto da música que eu fiz e todas as pessoas que eu trabalhei desde então, eu não poderia imaginar minha vida de outra maneira.

RtM: Além do Saint, onde você escreveu seu nome na história do Heavy Metal, você é parte de um outro gigante, o Fates Warning, que fez inúmeras turnês e gravou cinco álbuns. Como foi essa experiência de tocar com uma lenda como Fates Warning?

Joey: Tocar com Fates tem sido muito gratificante. Em tantos níveis. Fiz grandes amigos para toda a vida, eu toquei com alguns dos melhores músicos da cena e eu me tornei um músico e compositor muito melhor. Estar no Fates fez-me um músico melhor. Totalmente.




RtM: E com tantos anos de estrada, vendo tantas bandas surgirem e desaparecem também, assim como novos estilos e sub-estilos, como você compara a cena de hoje com os anos 80, onde começou a sua história?

Joey: Passou por muitas fases, algumas das quais eram uma merda, e algumas das quais são muito interessantes. Há muito mais lá fora agora do que há 30 anos atrás, mas depois de você peneirar a merda, há algumas joias lá fora.

RtM: E quais novas bandas chamam sua atenção e que você acha que terão uma longevidade

Joey: Eu nunca posso dizer se alguém vai ter longa carreira nos dias de hoje. Tudo sobe e desce tão rapidamente. Os dois álbuns anteriores do Between The Buried And Me chamaram minha atenção, e esse próximo deve ser mais um passo na direção certa.



RtM: Muito obrigado mais uma vez pelo seu tempo Joey, e deixamos este espaço final para que você envie uma mensagem para seus fãs na América do Sul! Esperamos ver vocês em breve aqui no Brasil! The Saints are marching!

Joey: Obrigado a todos os nossos fãs. Nós não poderíamos fazer nada disso sem vocês, vocês são muito pacientes e agradecemos-lhes por estarem conosco.




Entrevista: Carlos Garcia e Renato Sanson

Interview - Armored Saint: "We have to keep our feet on the ground with our claims"




From a meteoric rise to almost a oblivion. This parameter can define how was the Armored Saint career. In the late 80s the band reached a great recognition, but in the next decade we can not say the same, as both, their mentor, bassist Joey Vera, as the lead singer John Bush were involved with other projects (Anthrax and Fates Warning).Well, after a period of hibernation the Armored Saint breathed again, what was the hint that one day they could return with full force. And we can say that it actually materialized, since Bush's Anthrax departure, the Saint has more space, and returned with a new album, the excellent "Win Hands Down".

To tell you a little of these stories (including the invitation to join Metallica), we talked with the leader and founder Joey Vera, who told us his impressions of the new album, the successful time with the release of "Symbol of Salvation" and more !With you, the legend Joey Vera:

Leia em Português AQUI

Road to Metal: Hello Joey, thanks for your time and attention to answer to us this interview! We are very happy with, and also very happy with the new album. Well, let's go!

You recently released your new album, "Win Hands Down", which is having a great impact. How is for you to see this so great and positive repercussion? It would be the deserved recognition that Armored perhaps had not in 80s and 90s?

Joey: Well it’s been great and quite unexpected really. But I don’t feel like we deserve anything at all. In fact we had little expectations for this response. We have to stay grounded in what our intentions are.

RtM: "Win Hands Down" has received great reviews and climbing several charts around the world. The response has been big and faster than your initial expectations? And judging by the album title, or was it a happy coincidence, or you already were sure you had a great stuff in your hands, and the album had everything to be a great success! He he he! Armored Saint will win with Hands Down !! Great album!

Joey: Thank you. But again, we really came out of this with no expectations. The fact that we titled the record with the first track on the record has nothing to do with what we are trying to say about ourselves. We wrote a song called Win Hands Down and we felt like musically, it was a great opening track. That’s all.


RtM: "Win Hands Down" is a powerful, melodic album, which brings a lot of Metal Classic, but never dated, including being a fresh air storm, adjectives I've seen in several reviews. What do you attribute all this energy that emanates from the album? You felt during production it was a special moment or simply ceased to flow naturally, following your instincts?

Joey: Yeah it was pretty much a natural thing. from the get go, I was attemting to make this record sound big and lush. So there are lots of overdubs and parts that create this wall of sound. I was also pushing ourselves to play with arrangements and orchestrations within the songs while always maintaining a sense of power. This thing was not super calculated at all, but more like taking chances.

RtM: I felt a very free band, without worrying about limits, and this can be felt throughout the album, with the inclusion of effects and elements that gave a special “shine” to the sound. The effects on your bass, for example, in the songs "An Exercise in Debaouchery" and "Muscle Memory." I would like you to comment a little more about these two tracks and these "new" elements in the band's music.

Joey: Well, I guess our band has always been a little stripped down in terms of production. We spent a lot of records trying to capture our “live” sound as we are a very high energy live band. But this time, I wanted to go a bit overboard with the production. I wanted this to be epic. Also I am into lots of different kinds of music and it’s fun to have a place to add ethnic instruments or strange sounds. It was an excercise in bridging creativity while maintaining a sense or urgency.


RtM: The title track is also a highlight, even the whole album being great, would you also comment a little more about it, the message that the lyrics brings,  and also  the creative album cover, which is also very funny showing a card game in a saloon, where some people seem to try to take advantage over the others.

Joey: The title comes from Horse Racing and it defines a very easy win. When a jockey is so far ahead of the other horses, he lets the reigns go, and “wins hands down”. John wrote the lyrics about the times when we were young and exploring life and music with friends. The time when we are full of wonder and energy. Life was simpler and easier then. It’s a celebration of life song. It has nothing to do with how we see ourselves as a band. The cover came out of the blue. John kept saying the title track reminded him of western images. So I concoted this idea to take the old west and throw it into an ethereal place, it’s somewhere between Westworld and Blade Runner. I wanted it to be a seperate art piece, something that was ambiguous. I took light and setting ideas from the old masters like Rembrandt and Carravaggio.

RtM: Speaking about the production, the songs and ideas,  were it already being worked during those five years without releasing new material? It was a lengthy process the composition and production itself, or things flowed faster, because the will to make a new Armored Saint’s album?

Joey: This is how it works: We didn’t do any writing until about Jan of 2013. It was then that I started puttng down a few ideas. Then John asked me if had been writing and I said yes, so I made him a demo of about 2 songs or so. Then he got excited and wrote lyrics to those and it was at that point that we started to write this record. But the way we work is very slow. We both have families and our lives are quite busy so we make music whenever we can find the time. We don’t have the record label telling us we have to be done by a certain date. We just work at our own pace, and we are very lucky to have this.


RtM: And how surged the idea of ​​having the participation of Pearl Aday on the track "With a Full Head of Steam"? Her vocals were killers, married perfect in this song. The fact that you have contact with her husband, Scott Ian (Anthrax) believe have facilitated this option.

Joey: Yes. While we wre writing the record, John said he wanted to do a duet with a female singer. But we didn’t feel any of the songs were right until we wrote this one. She was the right choice as we are all friends and I see her almost regularly during the year as friends. it was a no brainer.

RtM: In the year of 91 Armored Saint has a considerable time out in their activities, John Bush was with Anthrax and you with Fates Warning. At some point you all thought in stop definitively the activities with the band?

Joey: Saint did not do anything from 92 to 99 when we decided to write and record "Revelations". Scott took a break from Anthrax to do SOD so we decided it was time to make a record. But in our minds it was just a one off.


RtM: 1991 mark a break in the Armored activities, also marks the release of one of the best albums of your career, the classic "Symbol of Salvation". How were the moments of  album’s composition/production? And could you tell us a bit more about the lyrical approach on it?

Joey: That was a tough record to make, just after saying goodbye to our friend and guitarist David Prichard to Leukemia. Most of the songs were written by Dave and we felt like we had a lot to prove and make him proud. So it was very emotional. Lyrically it was a trying time for us. We were dropped from Chrysalis in late 1988 and we could not get another record deal. We wrote, went back to day jobs, for about 3 years. So the lyrics are about that time in our lives. Some of it is fictional stuff but some of it is very personal.

RtM: But in 2000 the band returned active releasing two albums, "Revelations" (00) and "Nod to the Old School" (02). How was to compose these two albums after almost 10 years without new material? And on those albums did you included any old composition?

Joey: Revelation was like a welcome home vibe for us. It was just a fun thing to make and be together goofing around. it was good working together again. Nod was more of a thing we did for the fans. it has a bunch of live tracks and demo tracks. Songs we never recorded but made demos of. It was supposed to be a gift to our fans into how we work.


RtM: Joey you are known for your excellent technique and power of composition, these adjectives caught the attention of Metallica. I know you've probably answered this question a thousand times, but, why did you not accept to join Metallica after the death of Cliff Burton? When Jason Newsted left the band your name was also remembered. at this time they came to talk to you about it? (we guess you do not accept the post, because maybe you would not have creative freedom in Metallica.)

Joey: Well they did contact me but not for the reasons you stated. They were in a terrible place having to audition bass players and they hated it. They wanted to jam with friends, people they knew, so Lars called me to come jam and see what happens. But I was right in the middle of making Raising Fear with Saint. I wasn’t in a place in my life where I was looking for a change. I didn’t feel it was the right time to leave my band, and childhood friends, right in the middle of this. So I declined. I wasn’t the right guy. Jason was. When Jason left he mentioned my name in the press once and that’s the end of it. In hindsight, I don’t think I would have been creatively happy in that camp. James and Lars have a great team going. They don’t need another person in that bubble. But I enjoy the music I’ve made and all the people I’ve worked with since then, I could not imagine my life any other way.

RtM: Besides Armored Saint, where you has written your name in Heavy Metal history, you are part of another giant, the Fates Warning, which has done countless tours and recorded five albums. How was this experience to play with a legend like Fates Warning?

Joey: Playing with Fates has been very rewarding. On so many levels. I made great life long friends, I’ve played with some of the best musicians in the buisiness and i’ve become a far better player and writer. Being in Fates has made me a better musician. Period.


RtM: And with so many years on the road, seeing so many bands arise and also disappear, as well as new styles and sub-styles, how do you compare today's scene with the '80s, where you began your story?

Joey: It’s gone through many phases, some of which were shitty, and some of which are very interesting. There’s so much more out there now than there was 30 years ago but after yoo sift through the shit, there’s quite a few gems out there.

RtM: And wich new bands called your attention and you believe will have a longevity?

Joey: I can never tell who is going to have long career these days. it all rises and falls so quickly. I’ve been noticing Between the Buried and Me for the past couple records and their new one should be another step in the right direction.


RtM: Thanks a lot for your time Joey, and we let this end space to you to send a message to your South American fans! Hope see you all soon here in Brazil and South America! The March of the Saint over the world!

Joey: Thank you to all of our fans. We cannot do any of this without you, you are very patient and we thank you for coming along with us.


Interview: Carlos Garcia/Renato Sanson


Links:

https://www.facebook.com/thearmoredsaint?fref=ts

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Cobertura de Show - Zakk Wylde: Uma noite Wylde - Capítulo Porto Alegre (23/08/15 - Bar Opinião)


Após a passagem pela cidade de São Paulo, foi à vez de Porto Alegre curtir uma noitada com o Sr. Zakk Wylde (Black Label Society). São Paulo e Porto Alegre foram às únicas cidades brasileiras a receberem a tour do músico. “Uma noite com Zakk Wylde”: algumas vidas seriam poucas ao lado do mestre, mas a família infernal já ficou muito grata pela (uma) noite. Viver, estar, ser e sentir -  por esses momentos vale a pena cada centavo, cada sacrifício, cada quilômetro viajado e cada hora de sono adiada. Dia 23 de agosto de 2015, no Bar Opinião, mais uma marca foi talhada na moldura da história porto alegrense do rock.

Na tarde que antecedia ao show, a movimentação era forte pelas redes sociais e pelo evento oficial do show, no facebook. Alguns fãs se organizando entre amigos combinando encontro na fila, algo em torno das 14 horas, a expectativa era grande (mal sabiam eles). Ao chegar ao local do show, avistamos a fila que alcançava a esquina anterior ao Bar Opinião e estava longe de ser uma surpresa. Enquanto isto, dentro da casa, acontecia o “Meet and Greet” para um público bem restrito. Poucas unidades foram disponibilizadas para a venda (um deles estava sendo comercializado por U$ 1.000 – dava direito ao encontro, e entre muitos outros prêmios, um colete que seria entregue pelas mãos do próprio Zakk. Será que nesse momento há alguém por aí sem janta e almoço, mas muito feliz dentro de um colete especial?). Enquanto na fila, foi possível observar os músicos saírem da casa em suas vans particulares, após o "meet". Hora de tomar posse do interior da casa! Tudo correu dentro (ou muito próximo) da conformidade proposta desde o início, logo após as 18h30m o Opinião abriu para a entrada Hotpass e em seguida foi liberado o acesso ao público em geral. Como o show começaria às 21h, tivemos uma espera musicada eletronicamente. Até às 20h o som (imagem) ficou por conta da equipe do Bar Opinião, no telão vimos de Metallica até Hibria com uma parada pelo velho Steve Ray Vaughan. Após as 20h, como aconteceu em SP e irá acontecer durante toda tour, entrou a trilha sonora da equipe técnica de Zakk Wylde, um set mais calmo que desacelerou o pessoal e preparou o espírito da galera para show. Posso arriscar um palpite de que são músicas que o próprio Zakk curte como, a versão de Joe Cocker para "Little Help from My Friends", Jimmy Hendrix com "Little Wing" e muitas outras.  Nesse momento, como a trilha era somente sonora, a casa aproveitou o espaço para divulgar os próximos eventos. O detalhe é que nenhum clipe ou imagem tinha despertado o alvoroço da turma, até aparecer à divulgação do show da Testament e Cannibal Corpse.


O metal é a lei, e isto ficou bem claro na reação de um público que estava num show acústico, do frontman de uma banda Stoner, ao visualizar a divulgação de um show enraizado no thrash e death metal. Logo após a exibição do filme institucional apresentando as opções de saídas de emergência e locais dos extintores da casa de show, apagam-se as luzes e sobe o telão, pronto, esse era o sinal mais esperado da noite, hora de deixar a adrenalina correr solta pelo corpo. Após três tentativas de total escuridão (inibida pelos flashes de celulares) Sr. Doom Trooper, praticamente, invade o palco.

Posicionado ao palco, Zakk Wylde é recebido fervorosamente! Muito bem acompanhado por Dario Lorina, um teclado mais ao fundo e de uma caneca de "Valhalla Java Odinforce Blend" o multi-instrumentista dá início a uma verdadeira celebração sonora do bom gosto. Lorina teria conteúdo para uma resenha completa, tamanho o condicionamento técnico do guitar hero. Em alguns momentos Zakk e Dario passaram a nítida imagem de uma unidade sonora e não de uma dupla.


A balada noturna começa ao som de “Losin’ Your Mind” e “Suicide Messiah” e desse momento em diante o que se vê é uma sequência desenfreada de maestria. Muito além da musicalidade obvia, há que se cultuar a precisão cirúrgica com que as notas musicais foram despejadas ao público. Riffs e licks perfeitos ligando acordes, transformados com a troca do calor sentimental do momento. Músicas originalmente um pouco mais pesadas e mais rápidas, adaptadas para um palco tranquilo e suave, isto não é novidade, o fator novo era que isto estava acontecendo ao vivo, diante dos nossos olhos.  Após a primeira intro da noite chegou “Road Back Home”, a primeira grande “heart crusher” e um dos momentos fortes da noite (mesmo sabendo que ainda viria pela frente a “In This River” e “Scars”). Zakk não interagiu muito com o público, entre o intervalo de um solo levava a mão ao ouvido como se estivesse dizendo: - Vocês estão mesmo ai? Não escuto nada! A resposta vinha em forma de assobios, palmas e punhos erguidos ao céu. Na sequência do “Sonic Brew” vem a “Spoke in the Wheel” que emenda na “Machine Gun Man”, baladona e que faz a galera acompanhar o ritmo irresistível. O Zakk que nos acompanhou na noite do dia 23 de agosto tinha semblante tranquilo, com raríssimos “Fist to the Sky” entre solos, ao lado de sua cadeira um aparador improvisado trazendo duas garrafas d’água e uma caneca de café, tranquilo sim. Mas durante os solos (“fritura” pura e esperada), momento libertador, ele sonorizava em negrito o instinto verdadeiro, falava alto e forte através das cordas:

- “Ei vocês, não se enganem comigo essa noite, ainda existe um leão indomável dentro da cada riff. Fiquem atentos”!


Estamos atentos Sr. Wylde, estamos atentos. Hora da tríade conhecida como “Alicate de pressão Cardíaco”. Enfileirando suspiros vieram “Sold My Soul”, “In This River” e “Scars” (ufa!). Como de costume, lágrimas eram o mínimo a se esperar e ao final da “In This River”, Zakk sempre manda seu recado ao amado amigo Dimmebag: “Thank You Dimme”!  O set alongou-se trazendo novidades do “Catacombs”, mas em sua grande maioria foram músicas já velhas conhecidas pelo público. Dois atores coadjuvantes que merecem atenção durante o show, são o “Wylde Rotovibe” e o “Cry Baby Wah Wah”. Dois pedais que transformavam o show quando convocados, traziam nova alma para o Violão EMG (com captação externa) e digamos que usou de um “outro conceito” para definir uma noite “acústica”. Estupefato pela emoção estava na hora de receber o choque que traria o público de volta do mundo anestésico, chega o trio “Blessed Hellride”, “My Dying Time” e “Stillborn” para encerrar a apresentação.


O músico fez questão de se despedir de pé, ainda sonorizando a última melodia, cada presente no Bar Opinião, foi aos cantos e ao centro do palco agradecer pela noite. Em pé, pediu com as mãos, para que todos fizessem muito barulho. Logo após cada onda de histeria sonora, Zakk fazia o sinal da cruz e olhava para cima, em sinal de agradecimento. Certamente alguém há de ter notado que Zakk perdeu o controle da garganta por um milésimo de segundo e não conseguiu alcançar alguma nota, alguém há de ter reclamado do alto controle sobre fotos nessa noite, certo que alguém irá dizer que sentiu muita falta do Catanese ou de alguma música.


Bom nem tudo é perfeito e esses detalhes nos trazem à realidade tateável. Mas em 99% do tempo, foi uma grande e perfeita noite. Parabéns à Produtora Abstratti e Bar Opinião por mais essa grande balada, uma noitada inesquecível para muitos.

An Evening With ZAKK WYLDE!

Cobertura por: Uillian Vargas
Fotos: Diogo Nunes
Revisão/edição: Renato Sanson

Setlist:
1 – Losin' Your Mind (Pride and Glory)
2 – Suicide Messiah (Mafia)

Intro
3 – Road Back Home (Book of Shadows)
4 – Spoke in The Wheel (Sonic Brew)
5 – Machine Gun Man (Skullage)

Intro
6 – Sold My Soul (Book of Shadows)
7 – In This River (Dimebag Darrel Tribute – Mafia)
8 – Scars (Catacombs of the Black Vatican)
9 – Empty Promises (Catacombs of the Black Vatican)

Intro
10 – Trowin’ It All Away (Book of Shadows)

Intro
11 – The Blessed Hellride (The Blessed Hellride)
12 – My Dying Time (Catacombs of the Black Vatican)
13 – Stillborn (The Blessed Hellride)


quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Entrevista – Serbherus: Retornando para transmitir o caos

Fala galera!!! Hoje a Road To Metal está trazendo uma matéria com a Horda Gaúcha Serbherus, com muita informação importante para quem acompanha a banda desde o início da sua trajetória, e também para despertar o interesse de quem quiser conhecer esse Black/Death Metal de muita personalidade e qualidade.

Abordamos na entrevista temas como a formação e histórico da banda, temáticas, influências, sobre o tempo que ficou inativa e seu retorno, lançamento de material, planos, e muito mais!

Confira nossa exclusiva com o baixista Róbson (Abadom) agora mesmo:


Road to Metal: Róbson, para o pessoal que não teve oportunidade de conhecer a banda ainda, e também para levar um pouco mais de informação aos bangers, você poderia fazer um breve histórico do início da Horda até hoje, como e onde foi formada, e se tem material lançado?

Abadom: Primeiramente, gostaria de saudar a Road to Metal bem como todos os seguidores do metal negro que apoiam e acompanham a horda, também, deixar minhas saudações a todos os guerreiros (a) que irão ler esse material.

Bom, a banda foi fundada em 1998 por Mephisthopeles e Tormento, a mesma era cunhada em ideais voltados ao anti- cristianismo, trevas, caos e destruição. Após mudanças na formação a banda se estabilizou com minha entrada, e assim passamos a ser definitivamente um power trio. Vale ressaltar que primeiramente a banda se chamava “Ímpeto Maligno”, tendo mais tarde trocado o nome para Serbherus, cujo nome faz menção a conhecida figura mitológica de três cabeças que protegia o mundo dos mortos na Grécia antiga. (Tártaro).


Dando continuidade, em 2001 já com o nome Serbherus, é gravado o Debut “Devotos da escuridão”, uma demo cheia de ódio e com hinos de total massacre a cristandade. Em 2003 é gravado a segunda demo intitulada “Senhor da Guerra”. A boa aceitação aos trabalhos deu origem ao CD “Guardião das Sombras” gravado em 2004.

A partir de então, saímos em divulgação de nosso trabalho fazendo vários shows pelo Rio Grande do Sul, tendo em 2006 participado da coletânea “Massacre nas terras do Sul” e em 2007 do DVD “Live at Blasphemic Attack IV”. Em 2009 a banda “encerra” suas atividades retomando a mesma no início de 2015.

RtM: Porque a banda acabou encerrando as atividades e qual a motivação que os fizeram retornar?

Abadom: Como dito anteriormente, a Serbherus estava divulgando seu trabalho, e em meados de 2007 iniciamos as gravações do nosso quarto álbum que seria lançado no ano seguinte. No decorrer das gravações, diversos fatores fizeram a mesma atrasar, isso nos levou a uma “pausa” natural das atividades onde cada um de nós seguiu com seus projetos, esses concretos ou não, isso levou à banda a inatividade por esse tempo, em outras palavras, nunca oficializamos nosso fim.

A motivação para voltarmos sempre existiu, visto que possuíamos o sentimento de um trabalho não terminado, mas ainda não havíamos tido a oportunidade para concretizar o fato, o que foi acontecer somente no final de 2014 onde Tormento, Mephistopheles e eu em uma conversa decidimos retomar as atividades, o que veio a acontecer de fato em fevereiro de 2015.


RtM: O retorno da Serbherus aos palcos ocorreu dia 18 de abril, no Profano Festival III (no Mutantes Bar em Porto Alegre), como foi estar novamente no palco, como vocês se sentiram e como sentiram a reação do público?

Abadom: Durante o tempo que a Serbherus ficou inativa, Mephistopheles e Tormento não abandonaram os palcos pois ambos possuíam suas bandas paralelas, eu por minha vez, segui apenas compondo, escrevendo e criando arranjos, pois independente do futuro que a Serbherus teria eu jamais deixaria (ou irei deixar) de expor minhas ideias através do metal negro. Então dessa forma, retornar aos palcos depois de tantos anos foi talvez diferente para mim do que para meus companheiros de banda. Eu estava ao mesmo tempo empolgado e apreensivo, pois não sabia ao certo a reação que o público teria, pois durante esse tempo muitas coisas mudaram na cena metal do nosso estado, muitas dessas mudanças não me agradam nem um pouco, diga-se de passagem.


Mas referente ao show, o que presenciamos foi uma reação insana do público, isso superou totalmente nossas expectativas, mas o que nos deu ainda mais força para solidificar nosso retorno com certeza foi à presença e o apoio de guerreiros do verdadeiro underground.


RtM: E falando um pouco mais da sonoridade da banda, quais as temáticas que vocês abordam nas letras? Algo que o Metal em geral tem de diferencial, é essa questão de trabalhar sério, desde a arte da capa, sonoridade e as letras, pois o público banger é sabidamente bem informado e exigente, justamente por isso é mais que um estilo musical.

Abadom: Levamos o metal muito a sério, isso automaticamente reflete na seriedade do trabalho, seriedade que vai desde o primeiro acorde criado até o último detalhe da capa de algum disco. Diferente de alguns exemplos, não nos colocamos em um patamar acima do público em geral pelo fato de tocarmos, pois quando não estamos tocando somos parte do público, vamos a shows, compramos e trocamos CDs, lemos entrevistas, ou seja, apoiamos o underground 24 horas por dia. Falando isso, quero mostrar que fazemos parte desse público exigente, esse que quer seriedade e compromisso nos trabalhos undergrounds e isso claro, molda nossa forma de trabalho. Quero deixar claro que nunca fizemos nada para responder as exigências de outros e sim as nossas próprias, pois acreditamos que sendo sinceros em nosso trabalho, conseguiremos transmitir a nossa essência aos verdadeiros apoiadores do underground. O que é nosso foco.


Quanto à temática, mantemos a mesma do início da horda, ideais voltados ao anti-cristianismo, trevas, guerras, caos e destruição. Buscamos sempre dar muita propriedade as letras, se analisarem, as mesmas possuem um forte embasamento histórico, algo indispensável em nosso trabalho.

Enfim, nosso objetivo sempre foi buscar algo que apesar de influenciado por várias bandas, deixe claro a nossa autenticidade e identidade, o que para mim é fundamental para uma banda.


RtM: E quanto as influências ou inspirações de vocês, que bandas você citaria?

Abadom: Os três integrantes da banda possuem uma bagagem musical considerável, dentro do nosso estilo bem como em todas as ramificações do metal, sendo assim, tudo de sincero e autêntico que passou por nós acabou nos influenciando de certa forma, claro, não posso deixar de citar os pilares de tudo, bandas que nos influenciaram inicialmente e ainda nos influenciam e MUITO nos dias atuais, bandas como o Venom, Darkthrone, Mayhem (antigo é óbvio), Bathory, principalmente a fase inicial, e claro, o bom e velho Hellhammer.

RtM: Vocês estão com planos para gravação e lançamento de material inédito? Seria legal regravar algumas faixas da primeira fase da banda e lançar um material bem completo.

Abadom: Com certeza. Podemos dizer que as gravações de materiais para o próximo álbum já foram iniciadas. Esse trabalho irá conter além de músicas novas é claro, alguns sons da fase antiga, como é o caso da faixa “Devotos da Escuridão”. Essa regravação é uma homenagem aos 14 anos de lançamento da nossa primeira demo que carrega o mesmo nome.


RtM: Além do álbum, quais os planos imediatos da Serbherus para o futuro?

Abadom: Estamos com vários planos, mas no momento estamos totalmente focados na gravação do novo álbum, após a conclusão do mesmo, daremos início à divulgação desse material. Não estou aqui descartando a possibilidades de shows, mas no momento essa não é nossa prioridade.

 RtM: E o cenário para as bandas independentes, principalmente, o que melhorou, o que piorou? Quais as principais dificuldades que as bandas encontram?

Abadom: Gostaria de ter uma resposta diferente para essa pergunta, mas infelizmente o que assisto é uma cena muito diferente do que a de tempos atrás, uma cena quase genérica, onde grande parte dos ditos “bangers” escolhem trilhar os caminhos mais fáceis ao invés de batalhar de forma digna a verdadeira batalha, tornando assim o underground algo superficial.


Outro fator que devo salientar é a falta de espaço para o metal extremo, visto que boa parte deles são controlados por pessoas que se encaixam no perfil citado acima, isso acarreta a ascensão de muitas bandas posers, essas enquadradas nesse contexto genérico buscam sempre o mais fácil visando notoriedade e assim se sobressaem sobre as demais. Outro ponto negativo que não posso deixar de citar é o chamado “apadrinhamento”, onde bandas se destacam por fazerem partes das chamadas “panelas”, algo bem presente em nossa cena. Boa parte da culpa dessa situação se deve também a superficialidade de muitos dos que se dizem fãs do metal.  Em outras palavras, vivemos um underground em crise com uma infestação de produtores interesseiros, bandas posers e público superficial.

Por outro lado, quero deixar bem claro que ainda existem sim bandas, produtoras, público banger entre outros, que acreditam no estilo e realmente se esforçam para manter acesa a verdadeira chama do mesmo. Acredito fielmente na vitória do verdadeiro underground, e essa será graças aos guerreiros (a) que nunca deixaram de acreditar na verdadeira essência desse estilo de vida.


RtM: Agradecemos a atenção e deixamos este espaço final para vocês enviarem sua mensagem aos leitores.

Abadom: Quero em nome da Serbherus agradecer a Road to Metal pelo espaço dedicado à nossa horda, bem como agradecer novamente todos que de alguma forma sempre nos apoiaram e apoiam.
Sempre é bom lembrar a importância que possuí um espaço como esse, e apontar também que são atitudes desse cunho que mantêm vivo o underground. A Road to Metal tem nosso total apoio e admiração.

Abaixo deixarei nosso contato para quem quiser conhecer mais nosso trabalho ou mesmo trocar ideias ou materiais.

Força e Honra ao Underground Nacional!!!


Entrevista por: Carlos Garcia e Deisi Wolff
Revisão: Deisi Wolff/Renato Sanson

Fotos: Mony Ventura Fotografias

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Hellsakura: Porradaria Venenosa e Empolgante



O Hellsakura da conhecida e carismática guitarrista e vocalista Cherry, que já possui uma longa estrada pelo Rock pesado brasileiro, acaba de lançar o segundo trabalho, “Venömrizer” em parceria com o selo Shinigami Records, trazendo, além do seu Punk/Thrash Metal direto e por vezes sujo (sendo impossível não lembrar o Motörhead, Girlschool e bandas como o Atomkraft),  alguns convidados especiais.

A capa, por exemplo, foi concebida pelo Serpenth, do Belphegor, que também participa do álbum, e ainda músicos do Nervochaos, Immolation e Test.

Na produção a banda contou com a própria Cherry e Henrique Khoury, e este e Wagner Meira também se encarregaram das gravações e mixagem, e ainda com os experientes Pompeu e Heros Trench, do renomado Mr. Som, na gravação e mixagem da faixa “Death Row”, que também foi escolhida para vídeo de divulgação, e a faixa “Gory” gravada e mixada no Produssom. Como podemos perceber, a banda não poupou esforços para produzir um álbum de qualidade e com vários atrativos.


Uma banda experiente, que conta atualmente também com Donida (Matanza), e o quarteto senta a mão, comandado pela sempre enérgica e insana Cherry, em um álbum direto, bem agressivo, com seu competente e empolgante Punk Metal, temperado ao Rock and Roll sujo, no estilo do já citado Motörhead, e Speed/Thrash Metal.

São dez faixas em pouco mais de meia hora (31:18 minutos, para ser exato), dinâmico e direto (inclusive o álbum acaba de "sopetão"), e “Emergency” já dita o tom, em riffs bem Thrash e a voz de Cherry que por vezes me recorda o estilo de Wendy O. Williams, rouca e com muita garra, em uma faixa perfeita para bater cabeça, ótima abertura; “Venom” é rápida, bem naquela veia Motörhead, enquanto que “Lethal” começa mais na manha, mais cadenciada, riffs marcantes e alguns resquícios de melodias em meio a distorção.

A carismática Cherry
Podemos encontrar doses de Hardcore/Crossover como em  “Toxic” e experimentalismo da praticamente vinheta “No Serium” (o nome explica), mas o que manda mesmo são os riffs marcantes e a pegada, nessa mistura de Metal, Punk, Thrash e Rock & Roll “sujão”, proposta muito bem executada pela banda, e que com certeza funciona ainda melhor ao vivo. Porrada e cativante!

Resenha: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Banda: Hellsakura
Álbum: Venömrizer
Estilo: Punk/Metal/Thrash Metal

Formação:
Cherry - Guitarra, Vocais
Donida - Guitarra
Napalm - Baixo
St Denis - Bateria



Track List:
1. Emergency
2. Venom
3. Lethal
4. Mark Of The Witch
5. Bloody Hell
6. Toxic
7. No Serum
8. Gory
9. You Got the Metal
10. Death Row


domingo, 23 de agosto de 2015

Sirenia: Symphonic de Classe e a Significativa Marca do 7º Álbum


O Sirenia , banda que foi sofrendo diversas alterações na formação, e que na verdade deve ser encarada como projeto solo do multi-instrumentista e produtor Morten Veland, também conhecido por ser um dos fundadores do Tristania, sendo responsável pelos dois primeiros magistrais discos da banda. Veland praticamente seguiu a linha adotada nos primórdios do Tristania, enquanto que sua antiga banda foi buscando inovações que nem sempre surtiram o resultado desejado, inclusive desagradando os fãs mais antigos.

“The Seventh Life Path” já é o sétimo álbum do Sirenia (disponibilizado em versão nacional pela Shinigami Records, sob licença da Napalm Records), e se Veland não se enveredou por grandes mudanças ou riscos na sonoridade, continua produzindo com maestria o Metal Sinfônico, com pitadas de Gothic Metal e passagens melancólicas, vocais femininos, que aqui mais uma vez ficam a cargo da espanhola Ailyn Gimènez, que caracterizou seu trabalho no Tristania e demais álbuns do Sirenia, e talvez o que tenha realmente adicionado, foi um instrumental mais intrincado. Destaque para a bela capa a cargo de Gyula Havancsak, que traz várias referências ao número 7, além de ser o sétimo álbum da banda, como sete corvos, sete serpentes e sete rosas que aparecem na ilustração.

A bela capa, com vários detalhes relacionados ao número 7
Após a intro com “Seti”, “Serpent” apresenta as características conhecidas do Sirenia, Metal sinfônico com doses de melancolia (observe que a letra fala sobre a morte, o que remete também ao tema da capa), peso nas guitarras, belos corais e arranjos e os vocais ríspidos de Veland por vezes se alternando aos vocais de Ailyn, e esses elementos permeiam o decorrer do álbum, destacando-se a produção cristalina, absolutamente necessária neste estilo, mas apesar de ser um álbum bem, digamos, uniforme, além da faixa de abertura, temos mais momentos que se sobressaem como em “Elixir”, que traz à lembrança alguns dos grandes momentos de Veland tanto no Tristania como no excelente disco de estreia, e talvez melhor álbum do Sirenia, destacando a participação nos vocais masculino limpos de Joakim Naess, a faixa traz belas e marcantes melodias ao teclado, elementos mais visíveis do Gothic Metal e grandiosos corais, culminando em um refrão pesado e  com ênfase nos guturais.

Morten Veland, o mentor do Sirenia e ícone do Symphonic/Gothic Metal
“Sons of the North” começa com um coral que lembra um canto gregoriano, seguido de cozinha pesadíssima e mais corais grandiosos em uma faixa poderosa, pesada, densa e sinfônica que toma ares de trilha sonora épica, praticamente uma ode à Escandinávia; “Insania” traz elementos mais atuais, destacando a pegada pesada das guitarras e sintetizadores furiosos, aliados às características tradicionais dos trabalhos de Veland; “Contemptuous Quietus” traz aquele ar bem melancólico, lembrando também bastante o Tristania dos primórdios, além de bastante peso nos riffs, crescendo em peso a partir da metade; e ainda a bela balada “Tragedienne”, que também aparece em versão em espanhol como bônus track, carregada de melancolia e lindos arranjos de piano e violino.

Sempre uma excelente pedida aos aficionados pelo estilo, além de termos a certeza de que se tratando de Morten Veland, podemos esperar uma produção primorosa, belos arranjos, corais primorosos e Metal Sinfônico de qualidade.

Rate: 8,5/10

Resenha: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica:
Banda: Sirenia
Álbum: The Seventh Life Path
País: Noruega
Estilo: Symphonic/Gothic Metal
Selo: Napalm Records - Licenciado para o Brasil via Shinigami Records


 Band members

Morten Veland – guitars, vocals, bass, piano, synth, mandolin, programming
Ailyn – female vocals
Live Members
Jan Erik Soltvedt – guitars
Jonathan A. Perez – drums

Guest musicians
Joakim Næss – clean male vocals on “Elixir”
Damien Surian – choir
Emilie Bernou – choir
Emmanuelle Zoldan – choir
Mathieu Landry – choir


 
Track listing
1. Seti 2:05
2. Serpent 6:31
3. Once My Light 7:21
4. Elixir (featuring Joakim Næss) 5:45
5. Sons Of The North 8:16
6. Earendel 6:14
7. Concealed Disdain 6:11
8. Insania 6:39
9. Contemptuous Quitus 6:29
10. The Silver Eye 7:29
11. Tragedienne 4:54

Bonus track
12. Tragica (Spanish version of Tragedienne) 4:55

Band members
Morten Veland – guitars, vocals, bass, piano, synth, mandolin, programming
Ailyn – female vocals
Live Members
Jan Erik Soltvedt – guitars
Jonathan A. Perez – drums

Guest musicians
Joakim Næss – clean male vocals on “Elixir”
Damien Surian – choir
Emilie Bernou – choir
Emmanuelle Zoldan – choir
Mathieu Landry – choir


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