sexta-feira, 22 de julho de 2016

Symmetrya: Evolução, Classe e Feeling



O que mais me chamou atenção neste novo trabalho da banda catarinense Symmetrya, foi como a banda buscou melhorar em todos os aspectos neste segundo álbum, e o potencial demonstrado na estreia, com o álbum "Eternal Search" (2007), se confirma em "Last Dawn".

Desde uma produção mais apurada, seja na parte sonora como na gráfica, como na instrumental e lírica, com músicas mais maduras, que mostram ainda mais facetas do grupo oriundo de Joinville, mostrando uma segurança que só o amadurecimento musical e muito trabalho sério dá.

Percebe-se logo que a banda trabalha em prol de construir boas músicas, usando a parte técnica para isso, dosando muito bem o feeling e a técnica, não fazendo malabarismos instrumentais desnecessários somente para mostrar que é capaz, e aí volto numa tecla que sempre costumo bater repetidamente: como parece fácil criar músicas boas e cativantes para alguns! É o feeling, gostar do que faz, trabalhar com o coração, pela música. Nesse quesito o Symmetrya está aprovado, e em "Last Dawn" temos excelentes momentos de boa música com o Metal do grupo, que envereda pelo Power, Progressivo e linhas mais tradicionais do Hard e Heavy Metal.


Em "Something in the Mist", por exemplo, que entra após a intro "Sensory", é um Power Metal melódico e veloz, típica faixa de abertura, com aqueles "ganchos" que fixam imediatamente na cabeça! Um trecho mais Progressivo aparece mais para a parte final, onde também há belos solos de guitarra (participação de Rafael Bittencourt) e teclado. Curti a letra também, que é baseada no conto "The Mist", do mestre King; "In the Blink of an Eye" tem uma levada mais cadenciada e agradável, um ótimo Melodic Metal com um refrão excelente, daqueles de cantar junto! "Falling down, falling on your kness and crying! Falling down...!" gruda na mente de imediato!

"Darkest Love", numa levada mais cadenciada também, porém com uma pegada mais pesada, sempre ressaltando as melodias bem trabalhadas, dosando bem a técnica e feeling, característica que já elogiei no início, e as inserções de Hard, Heavy, AOR e Progressivo enriquecem o trabalho, com a banda não se prendendo à um rótulo; "To Live Again", que é uma continuação da "Learn to Live", do primeiro álbum, também mistura o Prog Metal ao Power Melódico mais veloz, com mais um belo refrão, e essa diversidade e senso melódico é muito legal, deixando o trabalho sempre interessante.


"Caught in a Dream" é uma que se destaca um pouco mais das demais, sendo uma das minhas preferidas ao lado de "In a Blink..." e "Past Live Trauma". Uma quase balada, com belas e sofisticadas melodias,  instrumental com trechos intrincados e uma performance emocionante de Jurandir Jr., destacando a bela e emocional letra; "711" é mais na linha Hard/Heavy, em um ritmo bem contagiante, mas elementos de Prog Metal estão presentes; "Stormy Winds" é uma típica Heavy Ballad, com trechos acústicos e boas melodias.

A trilogia "The Witch of Portobello", que tem sua temática baseada no livro de Paulo Coelho, fecha magistralmente o álbum, onde a veia progressiva da banda aparece mais forte, destacando a primeira parte, "Past Life Trauma", que dosa de forma perfeita partes mais Power Metal, com instrumental intrincado e melodioso, tendo um dos melhores refrãos do álbum e um ótimo trabalho nas vozes; "Nature of the Witch", a segunda parte, tem um andamento mais meio-tempo, com trechos com riffs "cavalgados", um certo ar Classic Rock, principalmente nos teclados de Milton, e lá pelos 4 minutos a veia progressiva aparece novamente; a terceira parte, "Athena's Legacy", começa bem melodiosa, com dedilhados e teclados ao fundo (aliás, tenho que destacar as ótimas melodias criadas pelo Milton nesta trilogia, mas também ressaltar o trabalho do todo, como o grande trabalho de Lamim na guitarra), além de uma linha marcante de baixo, para em seguida ganhar trechos mais pesados, destacando os convidados Geane Carvalho e Luiz Moretti nos vocais, abrilhantando ainda mais o trabalho de vozes nesta faixa. 


Excelente, trabalho instrumental variado, técnico, carregado de feeling, transitando por vários climas! E esta trilogia final não é menos que um fechamento épico! Praticamente condensando quase tudo o que a banda demonstrou no álbum, que é trabalhar em prol da música, da composição, pensando muito bem os arranjos e melodias. No final, ainda há a bônus "Shark Paddle", Hard/Heavy mais direto, citações da clássica trilha do clássico "Tubarão", o instrumental também lembra aquele Hard virtuoso de bandas como Mr. Big e Van Halen. Não conhece a banda ainda? Vá logo atrás de "Last Dawn"!

Texto: Carlos Garcia

Ficha Técnica:
Banda: Symmetrya
Álbum: "Last Dawn"
Estilo: Heavy/Power/Progressive
País: Brasil
Arte de Capa: Gustavo Sazes
Produção: Marcelo Vieira e Symmetrya
Selo: Independente


Line-Up
Jurandir Júnior: Vocais
Milton Rodrigo Maia: Teclados
Alexandre Lamim: Guitarras
Marcos Vinicius: Bateria
Gean Souza: Baixo (Obs: Jacson Luís era o baixista que gravou o álbum)


Track List
Sensory
Something in the Mist
In the Blink of an Eye
Darkest Love
To Live Again
Caught in a Dream
711
Stormy Winds
- The Witch of Portobello
Past Live Trauma
Nature of the Witch
Athena's Legacy
Shark Paddle (Bônus)

Contatos:
symmetryaofficial@gmail.com
contact@symmetrya.com
m.rodrigomaia@gmail.com






quinta-feira, 21 de julho de 2016

Death Angel: Evolução Constante



Formado em meados dos anos 80 por integrantes descendentes de filipinos, e também eram primos, o Death Angel é cria da famosa Bay Area, de San Francisco, o berço do Thrash Norte Americano, e embora não tenha conseguido o mesmo êxito comercial de conterrâneos como Metallica e Megadeth, certamente exerceu influência sobre integrantes dessas bandas e outras bandas de Thrash, pela sua sonoridade técnica e mais complexa, produzindo sempre material de qualidade. Provavelmente alguns problemas, como trocas constantes de formação, e alguns acidentes de percurso (incluindo um acidente literalmente, onde o baterista da época, Andy Galeon, se feriu gravemente, ficando um ano em recuperação) e essa busca constante em uma sonoridade diferente e agregando vários elementos mais melódicos, além de funk e jazz.

A separação da banda em 1991, justamente quando estava em seu auge, tendo um hiato de 10 anos, também foi um fator determinante para que não figurassem num mesmo patamar que outras bandas da época, lembrando que foi uma das primeira a assinar com uma major, no caso a Geffen Records, com a qual lançaram o excelente "ACT III" (1990), mostrando muita diversidade e técnica


Depois do retorno em 2001, para o "Thrash of the Titans", evento para arrecadar fundos para o tratamento de Chuck Billy (Testament), que havia sido diagnosticado com câncer. O que era para ser apensa um show, acabou motivando o retorno, pela boa resposta do público. A banda assina com a Nuclear Blast e em 2004, mesmo ano em que toca no Wacken também, lança "The Art of Dying", e segue lançando material de qualidade, principalmente após 2009, onde estabilizou a formação que está até hoje e nos traz este "The Evil Divide", destacando o trabalho da dupla Cavestany e Osegueda, únicos remanescentes da formação dos anos 80 (Osegueda entrou em 84)

"The Evil Divide", que traz uma bela capa, a qual lembra o icônico cartaz do filme "Silêncio dos Inocentes", mostra que o Death Angel, assim como queria Rob Cavestany desde seu início,  é uma banda que não para de buscar novos elementos para o seu Thrash Metal intrincado, embora não viesse mais transitando tanto para elementos estranhos ao Metal, segue evoluindo sem perder sua principais características, e este novo álbum já traz novas surpresas e variações, em momentos mais limpos e técnicos, mas também o peso e agressividade do estilo estão sempre ali. Não esquecendo o conteúdo ácido das letras de Osegueda, que escreveu todas as letras, menos "The Moth", que foi escrita por Rob Cavestany. Uma das grandes duplas do Metal mundial.

Incrível como eles parecem se superar a cada álbum, e após o ótimo "The Dream Calls Blood" (2013), "The Evil Divide" não é menos que excelente. E respondi o porquê de achar isso no parágrafo anterior, eles simplesmente não param de buscar evolução e melhora em suas composições. "The Moth", a faixa de abertura é uma porrada Thrash naquele estilo Bay Area, alternando trechos velozes e diretos, com outros mais intrincados, e aqueles backing vocals e refrãos grudentos já característicos da banda; "Cause for Alarm", inicia com um baixo distorcido e veloz, abrindo caminho para o peso e velocidade, em riffs diretos, quase Hardcore, mas sempre havendo intervenções de pura técnica, ou seja, mesmo em músicas mais diretas, eles colocam elementos que jamais deixam a música repetitiva.

Se em "Act III" Castevany levou o Death Angel à caminhos mais ousados, desde o primeiro álbum após o retorno em 2001 a banda se restringiu mais a variar dentro do gênero, mas neste novo play já podemos encontrar novos elementos, como na excelente "Lost", que segue uma linha mais melodiosa, uma quase balada, com vocais muito expressivos de Osegueda. Ah sim, detalhe para algumas bases com mais groove. "Father of Lies" e "Hell to Pay" e "It Can be This" seguem por caminhos mais conhecidos do Thrash do grupo, sempre peso, velocidade e técnica, com a terceira apostando em mais cadencia.

"Hatred United/United Hate", tem excelentes e intrincados riffs, com mais melodias, trechos até próximos ao Melodic Death, e embora mais melódica, Osegueda não poupa fúria em seus vocais. A faixa reserva também muitos trechos instrumentais mais complexos e diferentes, além da participação de Andreas Kisser (Sepultura); "Break Away" é mais um bom Speed Thrash, com aqueles elementos de Hardcore, principalmente nos backing vocals; "The Electric Cell", é carregada de variações de andamento, destacando a cozinha bem quebrada da dupla Carrol/Sisson, principalmente na primeira parte, além dos sempre ótimos riffs e refrãos, que deixam as músicas sempre com aquele "gancho".



"Let the Pieces Fall", é uma aula de Thrash técnico e empolgante, com impressionante trabalho da dupla de guitarras Cavestany/Aguilar, escorada pelo peso e técnica da cozinha. O tantinho mais de ousadia ficou para o bônus, com a versão para "Wasteland", do The Mission, que ficou muito boa, ganhando, naturalmente mais peso, mas mantendo aquela aura soturna.

Fidelidade ao Thrash oitentista, mas sem ficar preso ao passado, ou datado, o Death Angel segue produzindo grandes álbuns, sem parar no tempo, pois enquanto muitas bandas daquela época acabaram mudando sua sonoridade, Cavestany, Osegueda e companhia souberam evoluir sem perder suas principais características. Para mim, o melhor álbum da banda desde o retorno em 2001, e superior ao que muitas contemporâneas suas, e de mais "renome", vêm lançando. Compre já!

Texto: Carlos Garcia

Ficha Técnica: 
Banda: Death Angel
Álbum: "The Evil Divide" (2016)
País: EUA
Estilo: Thrash Metal
Produção: Jason Suecof e Rob Cavestany
Selo: Nuclear Blast/Shinigami Records

Adquira o álbum na Shinigami

Line-Up:
Rob Cavestany: Guitarra
Mark Osegueda: Vocais
Ted Aguilar: Guitarra
Will Carrol:Bateria
Damien Sisson: Baixo


Track List:
The Moth
Cause for Alarm
Lost (clique no link e assista ao vídeo)
Father of Lies
Hell to Pay
It Can't be This
Hatred United/United Hate
Breakway
The Electric Cell
Let the Pieces Fall
Wasteland (Bônus)

Acesse os canais oficiais da banda:
Site Oficial
Facebook




terça-feira, 19 de julho de 2016

Datavenia: Estreia Madura e de Peso!



Formada em 2007 na cidade de Frederico Westphalen, interior do RS, o Datavenia chega ao seu primeiro full lenght, já com uma maturidade lapidada por quase uma década de estrada, experiência essa refletida nas dez faixas de "Welcome to the Underground", transpirando personalidade, peso, melodia e muitos riffs.

A primeira coisa que chamou a atenção, foi a produção excelente (o álbum foi produzido pela banda e por Moris Drumm, no estúdio Drumm), mostrando essa maturidade que comentei no início, ou seja, a banda buscou registrar seu debut, um passo importantíssimo, de maneira profissional e de qualidade. Ressalto isso porque em mais de 30 anos mergulhado neste cenário, ainda vejo muitos trabalhos com uma qualidade sofrível, o que é algo imperdoável, o álbum é o cartão de visitas, então, ótima primeira impressão do Datavenia.

Segundo, as composições são bem acabadas, maduras e o álbum é muito bem balanceado, com peso, melodia e boas variações nas 10 faixas, e as músicas tem o principal, elas te prendem, e dá vontade de você ouvir de novo. Fazer boa música parece ser algo simples para alguns e tão complicado para outros, não é mesmo?


Partindo para as músicas que compõem "Welcome to the Underground", posso citar como referências o Metallica, principalmente ali entre o "And Justice.." e o "Black Album", e também Pantera, Black Label Society e Iced Earth, resumindo, aquele Metal pesado, beirando o Thrash às vezes, mas sempre com melodia, com a cozinha pesadona e segura, muitos riffs, refrãos marcantes e os vocais rasgados de Guilherme Busatto, que lembram algo entre James Hetfield e John Bush, casando muito bem com a sonoridade da banda.

Na abertura, com a  faixa título, vocês de cara poderão perceber esses pontos que toquei acima, e o Heavy Metal pesado, com um pezinho no Thrash, riffs marcante e boas melodias, inclusive algumas intervenções discreta de teclado, mas somando-se muito bem a massa sonora do Datavenia. As referências à Metallica me parecem bem evidentes, destacando o grande refrão e os solos com o uso certeiro do wha-wha; "Hate to the Bones" é outra paulada, mais cadenciada, e novamente ressalte-se os riffs e refrão marcantes, além do peso da cozinha; "Metal God" tem aqueles riffs arrastados e abafados, tipo a "Walk" do Pantera, só pra citar uma referência. Abro parênteses para a letra, que, pelo que percebi, critica a atitude de alguns nessas questões de "o que é 'true' ou o que não é".


"Even if Dies" começa com ótimos riffs, em um andamento mais acelerado e porrada, alternando com trechos mais cadenciados e melódicos; "The Last Chance" traz um pouquinho de calmaria, sendo aquela típica balada Metal, destacando os violões e solos bem melodiosos, com os teclados contribuindo de forma mais marcante. Como referência, citaria o Black Label Society, Zakk Wylde é um expert em baladas pesadas.

"Hot Ginger Woman" segue carimbando a qualidade e o equilíbrio do álbum, que volto a ressaltar, é bem balanceado, mas sem perder a personalidade, como acontece às vezes de algumas bandas atirarem em várias direções, mas sem uma coesão. Voltando à música, ela tem um andamento estilo Blues, um Heavy Blues, destacando os Hammonds, que sempre são perfeitos para que uma canção soe ou traga traços "setentistas"; "Bang your Head" é outra com andamento mais acelerado, não economiza peso, principalmente na cozinha, e com Busatto até beirando o gutural, num Heavy/Thrash que me lembrou o Anthrax.

Seguindo essa boa dinâmica do álbum, "Bad Days" é um dos destaques, soando meio melancólica, com bases pesadas, cadenciadas, densas e melódicas, inclusive com os teclados novamente sendo bem colocados, deixando a canção com um ar épico; "Rescue Me" e sua base arrastada e compassada mantém a qualidade, com muito peso e melodia, e parece inesgotável a fonte de bons riffs e refrãos da banda; "Unprotected" Thrash moderno, pesado e com aquele andamento meio tempo, invoca mais uma vez o grande Pantera, fechando o álbum da maneira que abriu, com peso, melodia e personalidade.


"Welcome to the Underground" deixa as melhores impressões, mostrando uma banda madura, produção profissional, trazendo 10 composições muito boas, com peso, melodia e boa diversidade. Traz o que se espera de um álbum bom de Metal, ou seja, riffs e refrãos marcantes, cozinha pesada e bons solos, e o mais importante, aquilo que ressaltei no início, músicas que são marcantes, que dão vontade de ouvir de novo, que a melodia e o refrão grudam na mente.

Texto: Carlos Garcia

Ficha Técnica:
Banda: Datavenia
Álbum: "Welcome to the Underground" (2016)
Estilo: Heavy/Thrash
País: Brasil
Produção: Datavenia e Moris Drumm
Design Gráfico: Carlos Trelles
Selo: Independente

Contatos: 
bandadatavenia@gmail.com

Line-Up:
Guilherme Busatto: Vocals & Guitars
Guilherme Argenta: Bass & Backing Vocals
Eduardo Pegoraro: Drums
Gabriel Quatrin: Guitars

Track List:
Welcome to the Underground (clique no link e assista ao clipe)
Hate to the Bones
Metal God
Even if it Dies
The Last Chance
Hot Ginger Woman
Bang Your Head
Bad Days
Rescue Me
Unprotected


sexta-feira, 15 de julho de 2016

Deep Purple: "Long Beach 76", Registro Fundamental do MK IV


Após a saída de Ritchie Blackmore do Deep Purple em 1975, um cara que era a grande força criativa do grupo até então, além de sua guitarra e performance ser uma marca registrada da formação dita e considerada "clássica", desgostoso com os caminhos tomados pela banda, enveredando por elementos do Soul e Funk, foi cogitado o encerramento das atividades, pelo menos sob o nome Deep Purple (o próprio Coverdale queria que seguissem como uma nova banda), mas, provavelmente por razões de "negócios", os remanescentes seguiram em frente, e buscaram um novo guitarrista, e alguns dos nomes cogitados foram Jeff Beck e Rory Gallagher, porém, diante a impossibilidade desses nomes, um jovem guitarrista norte americano, de visual meio hippie, meio índio, foi o escolhido para o posto da banda, até então, exclusivamente formada por membros britânicos. Tommy Bolin, um guitarrista talentoso, e que não era um clone de Blackmore. Estava iniciada a curta era do MK IV.

Em outubro de 1975, "Come Taste the Band" chega às prateleiras (pouco depois do álbum solo de Bolin, "Teaser"), e traz ainda mais fortes as influências de Funk e Soul Music, com Bolin participando bastante da parte criativa, casando com o que Hughes e Coverdale já haviam trazido para o som do Purple, além das influências mais Jazz-Fusion do novo guitarrista, diferente da escola mais blues e clássica de Blackmore.

"Long Beach 76", gravado em Los Angeles, no dia 27 de fevereiro daquele ano, esse material pode ser encontrado em versões não oficiais (os fãs mais ardorosos e colecionadores vão lembrar do "On the Wings of a Russian Foxbat"). A apresentação traz foco em "Come Taste the Band" e também clássicos da era Hughes/Coverdale, dos clássicos do MK II aparecem "Smoke on the Water" (que é emendada com "Georgia on my Mind", famosa na interpretação de Ray Charles), "Lazy" e "Highway Star", além de "Homeward Strut", da carreira solo de Bolin.

Podemos sentir um Coverdale que já estava muito mais seguro de si, já com sua personalidade como cantor totalmente formada; Jon Lord e Ian Paice, simplesmente lendas em seus instrumentos; a personalidade de Hughes, que além de exímio baixista, era um vocalista e compositor acima da média; completando, Tommy Bolin, estrela ascendente, de enorme talento, e embora seus problemas com drogas, que até o prejudicavam em sua apresentações, como em show no Japão, onde teve problemas no braço esquerdo devido a uma aplicação de heroína, tinha um carisma e um estilo próprios. Temos versões carregadas de classe e feeling de clássicos como "Stormbringer" e "Burn", já da era Hughes/Coverdale, e maravilhosas composições do "Come Taste...", como "This Time Around" (que Hughes dedicou a Steve Wonder), "Getting Tigher" (uma das que mais evidencia essas influências do Funk e Soul) e "Lady Luck" que traziam os novos elementos e personalidade do trio mais recente, tendo diferenças significativas da sonoridade do MK II, e inclusive da MK III, principalmente pelas influências da Soul e Funk music, mas marcas registradas do Purple, como as jams e improvisações continuaram presentes.


Nesta versão remasterizada, ainda temos como bônus três músicas do show em Springfield, durante a tour na América do Norte, são elas a dobradinha "Smoke on the Water/Georgia on my Mind", "Going Down" e "Highway Star".

Eram cinco músicos fantásticos, iniciando uma nova fase para a banda, as diferenças de direcionamento são bem evidentes, e para um nome tão gigante, sempre há controvérsias, mas a musicalidade do quinteto que seguiu em frente escreveu um capítulo importante, embora a banda atualmente, mais precisamente por causa de Gillan, não toca músicas do MK III e MK IV, e somente em apresentações de Hughes e Coverdale em suas atuais bandas ou projetos podemos apreciar clássicos como "Burn", "Stormbringer" e "This Time Around".


O Purple anunciou a dissolução oficial em julho de 76 (em 84 tivemos o retorno da banda, com a formação clássica do MK II, com o álbum "Perfect Strangers"),  e no mesmo ano, infelizmente houve a morte de Bolin em 04 Dezembro (por intoxicação múltipla causada por drogas), pouco depois de finalizar seu segundo álbum solo, "Private Eyes".

Registros como "Long Beach 76" permitem também que possamos respirar um pouco da mágica criada pelo MK IV, que poderia até ter tido uma vida mais longa, até mesmo como uma banda nova, a exemplo do que vários queriam, mas o certo é que a curta existência do MK IV deixou um legado essencial e cultuado, e este lançamento remasterizado se torna obrigatório, não só pela história, mas pela qualidade da música produzida.

Texto: Carlos Garcia

Ficha Técnica:
Banda: Deep Purple
Álbum: "Long Beach 76" (gravação remasterizada do show de Long Beach - LA, Tour Americana do álbum "Come Taste the Band", único de estúdio da MK IV)
País: Inglaterra
Estilo: Classic Rock/Hard Rock
Selo: Earmusic/Shinigami Records

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Line-Up:
David Coverdale: Vocais
Glenn Hughes: Baixo e Vocais
Tommy Bolin: Guitarras
Jon Lord: Teclados
Ian Paice: Bateria

Track List:

Intro      2:00
1.02       Burn    
1.03       Lady Luck          
1.04       Gettin' Tighter 
1.05       Love Child           
1.06       Smoke On The Water   
1.07       Lazy       
1.08       Homeward Strut           
2.01       This Time Around          
2.02       Owed To G       
2.03       Guitar Solo        
2.04       Stormbringer   
2.05       Highway Star    
                Bônus
2.06       Smoke On The Water    
2.07       Going Down      7:43
2.08       Highway Star






terça-feira, 12 de julho de 2016

Asteroides Trio: O Punkabilly do Espaço!


O Asteroides Trio é um trio de rockabilly da cidade de Arujá, Grande São Paulo. Com 10 anos de banda, vem tocando o terror por onde passam, sempre com irreverência e muito groove - e, claro, uma pitada de anarquia!

Conversamos um pouco com eles a respeito do som e da cena, confere aí:

Road to Metal: Essa ideia da mistura do punk rock com o rockabilly dá muito certo, como já sabemos. De onde veio essa inspiração de vocês?

Asteroides Trio: É o tipo de música que nos agrada, com início, meio e fim. Sem muitas complicações. Quando punk surgiu no final da década de 70, trouxe de volta um pouco dessa energia que estava sendo esquecida pelas bandas de rock progressivo e afins.

RtM: Poderiam citar algumas influências?

AT: Algumas influências em comum entre todos da banda: Ramones, Buddy Holly and the Crickets, The Meteors, Cramps, Ritchie Valens, Undertones, Gene Vincente, Eddie Cochran, Johnny Thunders, Los Saicos, Cólera, Restos de Nada, etc.

Bebemos muito da fonte do Punk 77, rock n’ roll e rockabilly dos anos 50's e psychobilly clássico dos anos 80's.


RtM: Vocês já frequentavam a cena punk e/ou rockabilly antes de formarem os Asteroides?

AT: Sempre tivemos contato com o punk desde a década de 90. Mas na época, a pessoa que esteve mais envolvida diretamente foi o Weasel Rocker. Eu, o Formiga e o Weasel Rocker, antes do Asteroides, tínhamos uma banda de punk rock chamada Asterix. Também toquei numa banda de hardcore em Guarulhos chamada Faces da Miséria.

Comecei a frequentar festas rockabilly em São Paulo no início dos anos 2000. Um cara que nos inseriu nesse universo foi o Eric von Zipper, que até hoje organiza eventos do gênero em São Paulo.

RtM: Como vocês encaram a cena hoje? Ainda rolam gigs legais ou 'antigamente era melhor'?

AT: Sou otimista. Eu acredito que a coisa está melhorando. Não dá para ficar de braços  cruzados, apenas no saudosismo. O punk nos ensinou muito com o lance do "faça você mesmo", da ajuda mútua e colaboração entre as bandas. Ainda vejo essa sinceridade no punk. Mas é claro que nada é perfeito.


RtM: E tretas? Por estarem ligados ao punk rock, já rolaram brigas em gigs ou algo do tipo?

AT: Brigas sempre rolam, desde sempre, não somente no meio punk. Em balada de sertanejo universitário é o que mais tem. Eu particularmente, sou contra conflitos entre pessoas da mesma classe social, contra o sectarismo. Respeito é tudo. Mas sempre evitamos contato e amizades com pessoas preconceituosas, racistas, homofóbicas, etc.


RtM: E para finalizar: como vocês enxergam a cena do rock (em geral) hoje em dia? Há futuro para o rock?

AT: Existem muitas bandas, músicos excelentes, arregaçando as mangas e fazendo a coisa acontecer. Basta sair um pouco da internet e participar, seja como público, seja tocando. Quem faz arte, com certeza não está na grande mídia.

Para finalizar, agradecemos a oportunidade e interesse pela banda. Grande abraço e... Sigam os Asteroides!

Entrevista por: Caius Caesar
Revisão/edição: Renato Sanson

Links de acesso:


Nervosa: Consolidando-se Como uma Grande força do Metal Brasleiro



O trio Thrasher brasileiro, formado por Prika Amaral, Fernanda Lira e Pitchu Ferraz chega ao seu full-lenght, "Agony", mostrando evolução e composições mais maduras, e embora menos cru, não perde a agressividade e pegada demonstrada no debut "Victim of Yourself", e com este álbum e mais as apresentações fora do país, essas garotas conquistaram um status elogiável, sendo citadas por diversas publicações como um dos principais nomes do Metal vindo do Brasil, pois além de Angra, Sepultura e Krisiun, mesmo tendo algumas outras bandas que tiveram algum êxito, não vejo outra que tenha tido um momento como o Nervosa está tendo, lançando já o segundo trabalho pela gravadora austríaca Napalm Records (e disponibilizado no Brasil pela Shinigami Records).

A honestidade e crueza do Nervosa, aquela pegada do primeiro trabalho, evoluiu em composições melhor acabadas, mas mantém a fúria, com aquelas influências que passam pelas bandas Norte Americanas como Slayer, e a escola alemã de Sodom e Kreator. O Thrash Metal é o estilo do Nervosa, mas traços de Death Metal ainda são encontrados, embora em menor escala do que no início da banda, e agora nuances mais Metal Tradicional estão presentes, além de algumas outras surpresas e características do Thrash mais moderno também aparecem, mas nada "polido" ou "modernoso" demais que descaracterize o bom e agressivo Thrash de raiz.


As meninas descem a mão, com Fernanda Lira soltando os demônios, atacando seu baixo com fúria e vocalizações ferozes, mostrando ainda mais desenvoltura, formando com Pitchu uma cozinha pesada e agressiva, e juntando-se à rifferama de Prika, o trio mostra uma unidade cada vez mais sólida.

São 12 faixas, e "Arrogance" e "Intolerance Means War" e "Hypocrisy" talvez estejam um patamar acima das demais, porque trazem alguns dos melhores riffs do álbum, aquelas mudanças de ritmo tradicionais, e uma pegada que remete imediatamente aos grande nomes do Thrash, trazem de volta aquela sensação que tínhamos ao ouvir álbuns de bandas como Slayer ou Kreator lá nos anos 80, quando demonstravam uma vontade, uma energia inesgotável e uma capacidade de produzir riffs e mais riffs empolgantes. O nível é muito bom no geral, alternando faixas que trazem mais variações rítmicas, com outras mais velozes e  alguns elementos que se somam ao Thrash, o que não deixa que você perca o interesse no álbum, como acontece em muitos casos em que as estruturas das músicas se parecem demais.


Destaco ainda "Deception", que beira o Death Metal, e com mudanças de ritmo, que embora bem tradicionais ao gênero Thrash/Death, empolgam pela pegada e honestidade que transpiram, "Guerra Santa", cantada em português, que me lembra algo do Ratos de Porão, e o bônus, que é bem surpreendente, "Wayfarer", que deve ter sido colocada dessa forma, por arriscar algo mais Rock and Roll e bluesy/soul nos vocais. Ficou bem legal mesmo. Com certeza, no próximo trabalho estarão ainda mais à vontade para arriscar.

Tem caminho pela frente ainda, mas os resultados até aqui são muito positivos, muito promissores, e se a banda continuar focada, e buscando evolução, a exemplo deste segundo e muito bom álbum, o Nervosa vai conquistar ainda muito mais. O futuro é muito animador, e pode abrir portas para mais grupos aqui do Brasil. Para finalizar, parodio as palavras do Schmier (Destruction), quando comentou sobre o primeiro álbum do Nervosa: "Tem tudo que um álbum de Thrash tem que ter.".

Texto: Carlos Garcia
Revisão: V. Furnier

Informações da Banda/Álbum:
Banda: Nervosa
Álbum: "Agony" 2015
País: Brasil
Estilo: Thrash Metal, Death/Thrash
Produção: Brendan Duffey
Mixagem e Masterização: Andy Classen
Selo: Napalm Records/Shinigami Records

Adquira o álbum na Shinigami

Line-Up:
Fernanda Lira: Baixo e Vocais
Pitchu Ferraz: Bateria
Prika Amaral: Guitarras

Track List:
Arrogance
Theory of Conspiracy
Deception
Intolerance Means War
Guerra Santa
Failed System
Hostages  (clique no link e assista ao vídeo)
Surrounded By Serpents
Cyberwar
Hypocrisy
Devastation
Wayfarer

Saiba Mais Sobre a Banda:
Site Oficial
Facebook
Contacts: nervosathrash@gmail.com