sábado, 10 de dezembro de 2016

Cobertura de Show - Black Sabbath: O adeus dos mestres (29/11/16 - Porto Alegre - FIERGS)


Então no dia 29/11 Porto Alegre recebia o primeiro show da tour brasileira “The End” dos pais do Heavy Metal, o Black Sabbath. A expectativa era grande, mesmo tendo se passado apenas dois anos de sua última vinda a capital gaúcha, até porque aquela seria a última chance de ver os mestres.

O local escolhido para o show, foi novamente a contestada FIERGS, mais precisamente o seu estacionamento como em 2013, mas deixaremos esses detalhes dentre outros pontos mais para o final.

Ao chegar no local boa parte do público já estava dentro do estacionamento que teve uma entrada tranquila e organizada, tanto na pista premium como na pista comum, a estrutura montada era magnifica, assim como a boa localização de banheiros e lanchonetes dentro do recinto. A parte destinada para pessoas com deficiência não era num ponto ruim, mas ficou de certa forma meio deslocada, sendo à direita do palco, não tendo uma ótima visibilidade como em 2013.

Uma grande expectativa que carregava comigo era sobre o show de abertura dos gaúchos do Krisiun, pois era a maior e melhor banda de Death Metal da atualidade fazendo história novamente, e passando um pouco das 19h30min os monstros Alex, Moyses e Max adentram o palco para uma verdadeira aula de Metal Extremo, com um som muito bem equalizado e sem falhas o Krisiun literalmente quebrou tudo, tendo o belo entardecer de Porto Alegre ao fundo.

Por se tratar de uma banda de Death Metal e tendo ali cerca de 30 mil pessoas, a grande maioria não os conhecia, mas muitos ficaram impressionados com o som veloz e pesado dos gaúchos e outros nem tanto, o que se pode notar uma certa divisão de opiniões, mas mesmo assim o Krisiun agitou a galera e cumpriu com sombras está abertura histórica em sua terra natal.

Se em 2013 o Megadeth foi a banda que acompanhou o Black Sabbath em sua tour, desta vez os escolhidos foram os americanos do Rival Sons, que confesso, a banda não me agrada, mas vinha carregada de bastante expectativa por boa parte do público.

E isso se provou assim que entraram em cena, com seu som bem calcado na escola Led Zeppelin, mas mostrando competência e energia, fazendo a felicidade de quem estava ali para vê-los também.

Eis então o grande momento, após a rápida desmontagem do belo palco do Rival Sons tudo estava preparado para receber as lendas Iommi, Butler e Ozzy e por volta das 23h a intro ecoava nos PA’s da FIERGS e uma bela introdução computadorizada surge nos telões (e dessa vez os telões laterais funcionaram, o que foi muito bom, já que em 2013 os mesmos não foram ligados), e em seguida e de forma bem despojada a banda surge para delírio dos presentes e logo de cara abrem o espetáculo com a antológica “Black Sabbath”, fazendo a alegria de todos.

A produção de palco era fantástica, assim como a bela bateria de Tommy Clufetos, que encarnou o espirito de Bill Ward nesses últimos anos que vem tocando com o Black Sabbath, tocando as composições de forma fiel, e sentando o braço sem dó em seu kit monstruoso.

 Tanto o som como a iluminação beiraram a perfeição e as imagens que se intercalavam nos telões eram muito bem sacadas, assim como a imagem em alta definição do show que facilitava a visão para os que estavam mais atrás.

A sequência com “Fair Wear Boots” e a inesperada “After Forever” foi de derramar lagrimas, assim como o ótimo entrosamento da banda, claro que Ozzy está cada vez mais debilitado e com sua voz bem enfraquecida, mas mesmo assim deu conta do recado e mesmo com um deslize aqui e ali mandou muito bem, sem contar que o Madman é um verdadeiro show-man tendo a plateia na mão a todo instante.

E clássicos foi o que não faltaram, como “Into the Void”, “Snowblind” ou ”War Pigs”, porém nas não tão clássicas assim para o grande público como as fantásticas “Behind the Wall of Sleep” e “Dirty Woman” era notável uma certa amornada nos ânimos onde só os que realmente “conheciam” cantavam e se emocionavam, pois, verdade seja dita, impossível não se emocionar com Tony Iommi fazendo o solo de “Dirty Woman”, épico no mínimo!

E falando no mestre dos riffs, dispensa qualquer comentário, sorridente do começo ao fim e despejando seus riffs monstruosos e seu solos marcantes, com um peso absurdo, mostrando todo o poder de sua superação mesmo enfrentando sua luta pessoal contra o Câncer, um verdadeiro Iron Man.

Em termos individuais é impossível não se impressionar com Geezer Butler, seu baixo estala como trovão e suas linhas deslizam ao meio da técnica apurada e do puro feeling, tocando como um garoto.

Para quem acompanhava os shows antes da tour no Brasil já sabíamos que o setlist da mesma era mais enxuto, mas quem se importa, em um show onde temos “N.I.B.” e logo em seguida “Rat Salad” onde imagens do Black Sabbath nos 70 surgiram, o que foi muito bacana, assim como o solo de bateria de Clufetos, que achei um pouco demasiado, mas que na verdade era um tempinho a mais para os velhinhos descansarem e voltarem para encerrar a noite, que ainda teve “Iron Man”, “Children of the Grave” (com Ozzy se perdendo no tempo no início, mas voltando e concertando) e “Paranoid”.

Vale ressaltar o momento em que Ozzy fez a apresentação da banda, e ao falar o nome de Iommi a comoção tomou conta de Porto Alegre, em uma saudação calorosa e ensurdecedora, simplesmente de arrepiar, assim como o final do show onde mais uma animação computadorizada invadiu os telões criando a imagem do “The End” enquanto a banda estava abraçada e se despedindo do público, que fez um grande show e que encerra um ciclo sem tamanhos para o som pesado, em um legado irreparável.

Questões adicionais:

Como mencionado anteriormente sobre a escolha da FIERGS para o show, não podemos deixar de falar sobre pontos já citados anteriormente em 2013, desde a má localização da mesma, que dificultou o acesso de todos, e também a saída tumultuada ao final do show, que infelizmente se torna uma péssima escolha para shows desse porte.

Outro ponto que chamou a atenção negativamente foi o preço abusivo das águas, cervejas e lanches, sendo de fato um desrespeito muito grande, pois se tratando de um show dessa magnitude muitos estavam na fila a dias, e você ter que pagar 10 reais em uma mísera garrafa de água é muita falta de respeito com o consumidor, que está ali já pagando um preço exorbitante no ingresso.

E fechando e explicando aos nossos leitores, infelizmente os veículos de imprensa não tiveram a aprovação da produtora para fotógrafos, sendo que fomos orientados pela mesma a não levar nenhum tipo de máquina fotográfica, pois estava proibido tirar fotos ou fazer filmagens.

Mas o que pergunto é: como proibir algo desse tipo no mundo atual em que vivemos onde um simples celular já é melhor que muita máquina fotográfica? Ok, respeitei tal decisão, mas vi muitas pessoas lá dentro tirando fotos com maquinas semiprofissionais, mas se era proibido acredito que isso não poderia acontecer né?


Devido a isso, infelizmente nossa resenha não terá imagens, mas no mais agradecemos a parceria e o credenciamento.


Cobertura por: Renato Sanson


Setlist:
Black Sabbath
Fairies Wear Boots
After Forever
Into the Void
Snowblind
War Pigs
Behind the Wall of Sleep
N.I.B.
Rat Salad (e solo de bateria)
Iron Man
Dirty Women
Children of the Grave

Bis:
Paranoid 

Temperance: The Mother Earth's Embrace


With a little more than 3 years of existence, Temperance has already released their third album, which in addition to showing an even more cohesive and evolved soun, and maintaining a high quality standard, stands out as one of the great revelations of Italian Metal, dealing with the most contemporary tendencies of the style.     Versão em Português

Check out the conversation we had with Chiara Tricarico (singer), who told us a bit more about "The Earth Embraces Us All", what title gives us clues about the lyric's inspirations, dealing basically with the human being's relationship with the environment surrounding them.


RtM: Hi Chiara is a pleasure talk to you again about a new album. Congratulations to all for another beautiful album! The third full-length in four years, very cool! I remembered that I was kiddin with in an interview last year,  if you do not released a third album soon, the fans would think something was wrong! Ha Ha
Chiara Tricarico: Ahah, thank you...glad you like our new album!

RtM: And how are the expectations for receptiveness towards for this new album, and opportunities for concerts by more countries, conquering new territories for Temperance?
Chiara: Well, as usual, when we work on a new album, we do no ask ourselves what people may like, but we basically write songs for ourselves... anyway, we can’t wait to bring our music to many new countries!

"We have been evolving both as musicians and as human beings in the last years, and this fact has given us the chance to add many new elements to our music."
RtM: Would you tell us a little about the beautiful cover art, and the title of the album concept, "The Earth Embraces Us All".
Chiara: The cover is, again, by Gustavo Sazes...we like his art very much, so we asked again for his help to explicate what was running through our minds. The artwork basically shows the relationship between human beings and the environment surrounding them... this theme is recurrent throughout this album. Nature is described in many ways, both in a speculative and in an introspective point of view.

RtM: The band has been evolving and adding new things every album, and I’m stunning with the melodies and very cool oriental sounds, more progressive passages, as in the track "A Thousand Places," which opens the album. I would like you to talk a little about these new textures and elements, and sure, about this opening track.
Chiara: Yes, we have been evolving both as musicians and as human beings in the last years, and this fact has given us the chance to add many new elements to our music, which is like the mirror of our souls:for example, we have recorded an actual violin, bagpipes and soprano sax on this new album.
The opening track is one of the most complex and complete songs on the album... the central theme of the lyrics is this sort of wanderlust... in the last three years of live activity together we had the chance to visit many new places (a thousend places, I’d dare to say) and you can find a little taste of our experience in thin song.



RtM: The cool thing is that you are not afraid to experiment, having the ability to present innovations every album, and maintaining a very homogeneous sound. We have melodious tracks with Pop accent, some complex and progressive elements and more symphonic but all with Temperance’s personality. I believe that the experience and conviction of you, the band acquired a personality and maturity quickly. What do you have to say about this unity in the band, and the way for you to create and compose together?
Chiara: Since our very beginning, the main moving force for our band has been this hunger for music we all have... this is basically what has kept us together through the years and has given us the force and inspiration to always write new material in a very short time. And, yes, we are not afraid of experimenting new sounds!

RtM: The track "Unspoken Words" is one of my fav, and it ended up being the first video as well. I see "A Thousand Places" as a track that brings well the elements and shows the ability of the band to create catchy tunes, with many creativity. I'd like you to tell us more about this song, and about your choice for the video.
Chiara: “Unspoken words” is one of my fave track on the album as well... it has this folk taste which brings me so much energy. And the lyrics are about the fear we all have sometimes to explein our feelings to other people... this sometimes can bring human relationships to the point of no return... yes, the lack of communication is very dangerous: this song is basically an invitation not to keep feeelings for ourselves, but to say those “unspoken words”.

"The relationship between human beings and the environment surrounding them... this theme is recurrent throughout this album... in a speculative and in an introspective point of view."
RtM: Another song in my view stands out, is "Maschere" which is in Italian, sounding very beautiful. Was a way to thank and honor the Italian fans? And it must be something special singing and composing in your native language. Many bands like to use some typical and folk elements, and write songs in your mother language. Maybe you have to put some Tarantella in a song! ha ha ha
Chiara: Ahahah, actually we are not that familiar with “tarantella”  in the Italy area we are from, but.. .we can think about putting it in the next album, anyways!
Yes, writing lyrics in my native language was something completely new for me... since I have been studying opera singing for many years, singing in italian is nothing new for me... but the classical music world is something different from the mood of the song “Maschere”, and to compose lyrics is something very different from just singing them. It was a little bit challenging at first to switch my mind from english to italian, but I had the support of the rest of the band...and we all seem to like the result... also the audience seems to appreciate this song very much!


RtM: Nice! And the lyrics...
Chiara: The lyrics talk about the fact that we all should grasp the essence of situations and people surroundng us to really understand what’s going on. We all basically think we are forced to wear a mask sometimes, and sometimes situations seem very different if observed from an external point of view...in other words: not all that glitters is gold. The english translation for “Maschere” is, in facts, “Masks”.



RtM: Something that caught much my attention were tracks like "The Advice From a Caterpillar" (which has a very curious title) and "The Restless Ride," which are more longer tracks, with many changes of tempo and climates. The compositions surged this way naturally, or you thought in advance to create these longer issue? Remind me some Nightwish songs, which traditionally have longer themes, and with this way of soundtrack.
And, you could tell us a little more about the subject of the lyrics of these two songs.
Chiara: As usual, we did not planned anything in advance while working on this album, ahah. Everything was the usual “stream of inspiration” that you can basically find in all of our albums. “Advice from a caterpillar” is inspired by the novel “Alice’s adventures in Wonderland” by Lewis Carrol, while “The Restless Ride” is the only song which has lyrics written by Giulio on this album and they are about how humanity is neglecting our planet and only following greed.



Interview: Carlos Garcia

Temperance Official Facebook





Temperance: O Abraço da Mãe Terra



Com pouco mais de 3 anos de formação, o Temperance lançou já seu terceiro álbum, que além de mostrar uma banda ainda mais coesa e evoluída e manter um padrão de qualidade alta, firma-se como uma das grandes revelações do Metal italiano, principalmente no que tange às tendências mais contemporâneas do estilo.  Read the English Version

Confira a conversa que tivemos com a vocalista Chiara Tricarico, que nos contou um pouco mais a respeito de "The Earth Embraces us All", cujo título já dá pistas sobre a inspiração, tratando basicamente sobre as relações do ser humano com o ambiente que o cerca.


RtM: Oi Chiara é um prazer falar com você novamente sobre um novo álbum. Parabéns a todos por outro belo trabalho! O terceiro full-length em quatro anos, muito legal! Eu estava lembrando que brinquei com você em uma entrevista no ano passado, se vocês não lançassem um terceiro álbum em breve, os fãs iriam pensar que algo estava errado! ha ha!
Chiara Tricarico: ha ha ha, obrigado ...  estou feliz que você gostou do nosso novo álbum!

RtM: Nos fale sobre as expectativas e receptividade para com este novo álbum, estão abrindo mais oportunidades para concertos por mais países, conquistando novos territórios para o Temperance?
Chiara: Bem, como de costume, quando trabalhamos em um novo álbum, não nos perguntamos o que as pessoas poderiam gostar, mas basicamente escrevemos músicas para nós mesmos ... de qualquer forma, mal podemos esperar para levar nossa música para muitos novos países ! 
  

"Evoluímos como músicos e como seres humanos nos últimos anos, e este fato nos deu a chance de acrescentar muitos elementos novos à nossa música"
RtM: Você poderia nos falar um pouco sobre a bela arte de capa, e o título e conceito de álbum, "The Earth Embraces us All" ( "A Terra abraça a nós todos").
Chiara: A capa  foi novamente criada pelo Gustavo Sazes ... nós gostamos muito de sua arte, então pedimos novamente a sua ajuda para explicar o que estava se passando em nossas mentes. A obra basicamente mostra a relação entre os seres humanos e o ambiente que os rodeia, e este tema é recorrente ao longo do álbum. A natureza é descrita de muitas maneiras, tanto no ponto de vista especulativo quanto introspectivo. 

RtM: A banda segue evoluindo e a adicionando novas coisas a cada álbum, e gostei muito mesmo das melodias e sons orientais, passagens mais progressivas, como na faixa "A Thousand Places", que abre o álbum. Gostaria que você falasse um pouco sobre essas novas texturas e elementos, e claro, sobre esta faixa.  
Chiara: Sim, evoluímos como músicos e como seres humanos nos últimos anos, e este fato nos deu a chance de acrescentar muitos elementos novos à nossa música, que é como o espelho de nossas almas: por exemplo, gravamos violino, gaitas e sax soprano verdadeiros neste novo álbum.A faixa de abertura é uma das músicas mais complexas e completas do álbum. O tema central das letras é este tipo de desejo de viajar, wanderlust ... nos últimos três anos de atividade convivemos muito juntos, tivemos a chance de visitar muitos lugares novos ("A Thousand Places") e você pode encontrar um pouco de nossa experiência em boas canções.



RtM: Uma coisa legal é que vocês não tem medo de experimentar, tendo a capacidade de apresentar inovações a cada álbum, e manter um som muito homogêneo. Temos faixas melodiosas com sotaque Pop, alguns elementos complexos e progressivos e mais sinfônicos, mas todos com a personalidade do Temperance. Eu acredito que com a experiência e a convicção de vocês, a banda adquiriu uma personalidade e maturidade rapidamente. O que você tem a dizer sobre essa unidade na banda e o caminho para vocês criarem e compor juntos?
Chiara: Desde o início, a principal força motriz da nossa banda foi esta fome de música que todos temos ... é basicamente o que nos manteve juntos ao longo dos anos, e nos deu a força e a inspiração para escrever sempre novo material em um curto espaço de tempo. E, sim, não temos medo de experimentar novos sons!

 RtM: A faixa "Unspoken Words" é uma de minhas favoritas, e acabou sendo o primeiro vídeo também. Eu a vejo, junto com "A Thousand Places", como uma faixa que apresenta bem os elementos todos que vocês usam, e mostra a habilidade da banda em criar melodias cativantes, com muita criatividade. Nos fale mais sobre esta música e sobre a sua escolha para o vídeo.
Chiara:  "Unspoken Words" é uma das minhas favoritas no álbum também ... tem esse jeito pop que me traz tanta energia. E as letras são sobre o medo que todos temos às vezes para expor nossos sentimentos para outras pessoas ... isso às vezes pode levar as relações humanas a um ponto sem volta ... sim, a falta de comunicação é muito perigosa: esta música é basicamente um convite para não nos mantermos aflitos, mas sim dizer essas "palavras não ditas".


"A relação entre os seres humanos e o ambiente que os rodeia,  é o tema recorrente ao longo do álbum, tanto introspectiva como especulativamente."
RtM: Outra música que na minha opinião se destaca, é "Maschere", que é em italiano, soando muito bonita. Foi uma maneira de agradecer e homenagear os fãs italianos? E deve ser algo especial cantar e compor em sua língua nativa. Muitas bandas gostam de usar alguns elementos típicos e populares, e escrever canções em sua língua materna. Talvez você possa colocar algo de Tarantella em uma canção! ha ha
Chiara: ha ha ha, na verdade não estamos familiarizados com "tarantella" na região da Itália de onde nós somos, mas .. .nós podemos pensar em colocar no próximo álbum, de qualquer maneira!E sim, escrever letras na minha língua nativa foi algo completamente novo para mim ... apesar que estudei e pratiquei ópera muitos anos, e cantar em italiano não é nada de novo para mim ... mas o mundo da música clássica é algo diferente do humor da música "Maschere", e escrever letras é algo muito diferente de apenas cantá-las. Foi um pouco desafiador no início mudar a minha mente do Inglês para o italiano, mas eu tinha o apoio do resto da banda ... e todos nós curtimos o resultado, e também o público pareceu apreciar muito esta canção!

RtM: E mais especificamente a respeito da letra?
Chiara: As letras falam sobre o fato de que todos nós devemos compreender a essência das situações e as pessoas que nos rodeiam, para realmente entender o que está acontecendo. Todos nós basicamente pensamos que somos forçados a usar uma máscara, às vezes, e às vezes as situações parecem muito diferentes se observadas de um ponto de vista externo ... em outras palavras: nem tudo que reluz é ouro.
A tradução em inglês de "Maschere" é, de fato, "Máscaras".




RtM: Algo que chamou muito a minha atenção também foram faixas como "The Advice From a Caterpillar" (que tem um título muito curioso) e "The Restless Ride", que são faixas mais longas, com muitas mudanças de tempo e climas. As composições surgiram desta maneira naturalmente, ou vocês previamente tinham em mente criar estas músicas mais longas e progressivas? Elas me lembraram um pouco canções do Nightwish, que tradicionalmente têm temas mais longos, e com este jeito de trilha sonora.Aproveitando, você poderia nos contar um pouco sobre o assunto da letra dessas duas canções. 
Chiara: Como de costume, nós não planejamos nada com antecedência enquanto trabalhamos neste álbum, hahaha. Tudo seguiu o habitual "fluxo de inspiração" que você pode basicamente encontrar em todos os nossos álbuns. "The Advice from a Caterpillar" ("O conselho de uma lagarta") é inspirado no romance "As aventuras de Alice no País das Maravilhas" de Lewis Carrol, enquanto "The Restless Ride" é a única canção que tem letras escritas por Giulio neste álbum e elas são sobre como a humanidade está negligenciando nosso planeta  apenas após a ganância.

RtM: Chiara, obrigado mais uma vez, e parabéns pelo álbum. Sucesso!
Chiara: Obrigada por mais esta oportunidade e apoio. Convido a todos a ouvirem nosso álbum e conferirem nossos canais oficiais.

Entrevista: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação


Assista ao vídeo para "Unspoken Words"

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Temperance: Terceiro Álbum em 3 anos, Talento e Contínua Evolução


Temperance é uma banda italiana de Heavy Metal Melódico. Fundada em 2013 por músicos com mais de uma década de experiência na cena. No dia 16 de setembro foi lançado o álbum “The Earth Embraces Us All” pela Scarlet Records, terceiro já da banda. English Version

A primeira faixa “A Thousand Places” mistura muito bem peso e melodia, trechos mais progressivos, sinfônicos e ritmos orientais. Bastante variedade no instrumental e nas vozes, característica que segue por todo o trabalho. Em alguns momentos é difícil não notar certa semelhança do timbre de voz da vocalista Chiara com o de Elize Ryd (Amaranthe). A ótima “At the Edge of Space”, dá continuidade no peso da guitarra e bateria, além de apresentar um refrão bem pegajoso. “UnspokenWords” (que também virou o primeiro vídeo oficial do álbum) começa um pouco mais calma e traz um clima mais folk. Em seguida “Empty Lines” alterna melodia com alguns riffs mais rápidos.

Chiara durante as gravações do clipe para "Spoken Words"
“Maschere”, além de ser um pouco mais calma, é cantada em italiano, mostrando bastante originalidade. “Haze” tem uma pegada forte, os vocais com certeza são o maior destaque, a banda prova que é possível fazer música de qualidade sem abrir mão de um refrão pegajoso. Finalmente minha favorita “Fragments of Life”, com um belo piano, é uma canção muito agradável, daquelas que se ouve várias vezes ao dia sem enjoar.

Em “Revolution” é a vez de destacar o talento do vocal masculino, que me lembrou muito os vocais do Marco Hietala ( Nightwish ). “Advice From a Carterpillar”, é bem acessível, e apesar de mais longa, com certeza tem grande potencial para se tornar música de divulgação. A penúltima faixa “Change the Rhyme” tem uma melodia cativante, mais uma vez a qualidade dos teclados chamam atenção. E para encerrar “The Restless Ride”, mais uma canção com teclados marcantes e com um apelo mais sinfônico em alguns momentos.


Foi a primeira vez que eu ouvi a banda, a produção do álbum é caprichada. Em alguns momentos eu não consegui evitar a comparação da sonoridade com outras bandas, mas com o tempo consegui notar as características próprias.

Para quem gosta de bandas com vocais femininos, Temperance é uma ótima banda para sair um pouco da rotina das bandas com vocais líricos. Todos os músicos provam que além de experiência também possuem muito talento, em um trabalho mostrando variedade e envolto em excelente produção. Quem, assim como eu, começar por este álbum com certeza sentirá vontade de conhecer os trabalhos anteriores.
Rate: 8,5/10

Texto: Raquel de Avelar
Revisão: Carlos Garcia

Ficha Técnica:
Banda: Temperance
Álbum: The Earth Embraces Us All (2016)
País: Itália
Estilo: Symphonic/Melodic/Progressive Metal
Selo: Scarlet Records

Assista ao vídeo para "Unspoken Words"

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Line-Up
Chiara Tricarico: Vocais
Marco Pastorino: Guitarra e Vocais
Luca: Baixo

Giulio: Bateria e Teclados


Chiara Tricarico

Track-List
1. A Thousand Places
2. At The Edge Of Space
3. Unspoken Words
4. Empty Lines
5. Maschere
6. Haze
7. Fragments Of Life
8. Revolution
9. Advice From A Caterpillar
10. Change The Rhyme
11. The Restless Ride




Temperance: The Third Album Since 2013, and Constant Evolution!



Temperance is an Italian Melodic Heavy Metal band. Founded in 2013 by musicians with more than a decade of experience in the scene. On September 16 the album "The Earth Embraces Us All" was released by Scarlet Records, the band's third full lenght.  (versão em português)

The first track, "A Thousand Places", mixes very well weight and melody, more progressive parts, symphonic and oriental rhythms. Quite variety in instrumental and vocal arrangements, characteristic that follows by all the album. In some moments it is difficult not to notice a certain similarity of the vocal tone of the vocalista Chiara with Elize Ryd (Amaranthe). Another very good track,  "At the Edge of Space" gives continuity in the weight of the guitar and drums, in addition to presenting a very sticky chorus. "UnspokenWords" (which also became the first official video of the album) begins a little more calmly and brings a more folk mood. Then "Empty Lines" alternates melody with some faster riffs.


"Maschere", besides being a little more calm, is sung in Italian, showing a lot of originality. "Haze" has a strong footprint, the vocals are certainly the biggest highlight, the band proves that it is possible to make quality music without giving up a sticky chorus. Finally, my favorite: "Fragments of Life", with a beautiful piano, is a very nice song, to hear several times a day without being bored.

In "Revolution" is the time to highlight the talent of the male vocal, which reminded me a lot of the vocals of Marco Hietala (Nightwish). "Advice From a Carterpillar" is very accessible, and although longer, it certainly has great potential to become a popular music among the fans. The penultimate track "Change the Rhyme" has a captivating melody, again the quality of the keyboards call our attention. And closing the chapter, "The Restless Ride", another song with remarkable keyboards and a more symphonic appeal.


It was the first time I heard the band, the production of the album is great. In some moments I could not avoid the comparison Temperance's sonority with other bands, but over time I was able to notice their own characteristics.

For those who like bands with female vocals, Temperance is a great band to get out of the routine of Female Fronted bands with just operatic vocals. All the musicians prove that besides experience they also have a lot of talent, in a work showing variety and wrapped in excellent production. Who, like me, start with this album will certainly want to hear the previous works.
Rate: 8.5 / 10

Text: Raquel de Avelar
Revision: Carlos Garcia

Band: Temperance
Album: The Earth Embraces Us All (2016)
Country: Italy
Style: Symphonic / Melodic / Progressive Metal
Stamp: Scarlet Records





Line-Up
Chiara Tricarico: Vocals
Marco Pastorino: Guitar and Vocals
Luca: Bass
Giulio: Drums and Keyboards

Track-List
1. A Thousand Places
2. At The Edge Of Space
3. Unspoken Words
4. Empty Lines
5. Maschere
6. Haze
7. Fragments Of Life
8. Revolution
9. Advice From A Caterpillar
10. Change The Rhyme
11. The Restless Ride