sábado, 29 de agosto de 2009

Resenha de Shows: Na Mira do Rock (Tierramystyca, Scelerata, Paul Di’anno e Datavenia), Frederico Westphallen/RS


Sábado (11 de julho)depois de um dia com muita chuva em todo o Rio Grande do Sul. No norte do estado, a cidade de Frederico Westphallen e toda a região do RS e também inúmeras cidades de Santa Catarina compareceram ao Parque de Exposições da cidade para presenciar a apresentação histórica de Paul Di’anno, primeiro vocalista da lendária banda Iron Maiden.

Di’anno foi o primeiro vocal a gravar com a banda, gravando demos, singles e os dois primeiros álbuns da Donzela, “Iron Maiden” e “Killers”, de 1980 e 1981, além do ótimo ao vivo no Japão “Maiden in Japan”.

Além dessa lenda viva, as ótimas bandas Tierramystica e Scelerata de Porto Alegre/RS também marcariam presença antes do show de Di’anno. Inclusive esta última foi a banda de apoio de toda a turnê brasileira do inglês. Eles já haviam tocado no Paraná, Santa Catarina e na cidade de Passo Fundo no RS. Tratava-se, portanto, do quinto show do vocalista em 2009 no Brasil.

Além das bandas de abertura, a noite, ou melhor, a madrugada fechou com a banda local Datavenia, tocando os maiores clássicos do Thrash Metal mundial e derrubando tudo para o delírio daqueles que ficaram até o final.

Fazia um frio incrível e eram passada das 22 horas (horário marcado para inicio) quando os portões do ginásio foram abertos. O local foi apropriado, embora certas dificuldades de acesso ao banheiro, o que dificultou bastante a locomoção.

Cerca de 1.500 pessoas compareceram para ver a Tierramystica abrir esse “festival” promovido pelo programa Na Mira do Rock que completava 5 anos de uma rádio local. A banda toca há poço tempo junta, sendo uma dissolução da Toccata Magna, também da capital.

Já havíamos visto uma apresentação da banda e esperávamos ansiosos por algo superior a apresentação de meses antes. Um pouco pelo frio, mas muito pela própria banda o show foi bem fraco, com pouca participação do público, exceto quando tocam o clássico do Iron Maiden “Run to the Hills”. O Folk Metal da banda é bem tocado, com toda certeza, mas o estilo ainda não é bem assimilado ao vivo por estas regiões. Vale lembrar que a banda tem crescido bastante, abrindo recentemente para o Angra e Sepultura em Porto Alegre.

Após sobe ao palco a bastante esperada Scelerata, banda de Power/Progressive Metal que já tendo mais de um álbum lançado, pôde fazer o público agitar nas músicas próprias. O vocalista convidado (a banda está a procura de um definitivo e no site da banda há mais informações http://www.scelerata.com/), Dan Rubin (que canta na banda Magician) deu um show à parte, bastante integrado com a banda, agradecendo ao público pelo espaço e aos amigos da banda pelo convite.

A banda formada por Gustavo Strapazon (baixo), Francis Cassol (bateria), Magnus Wichmann (guitarra e neto do músico gaúcho Teixerinha, o que inclusive justifica o uso de gaitas em algumas canções da banda em estúdio) e Renato Osorio (guitarra) tocou músicas de seus álbuns “Darkness & Light” (2006) e “Skeletons Domination” (2008) e detonaram com Master of Puppets, clássico do Metallica.

A banda agradece e sai do palco. Todos ansiosos esperando por Paul Di’anno, mas o cara não chega. Passam mais de 30 minutos quando ele entra pela lateral do ginásio, com a já esperada bengala de apoio devido à problemas na perna direita.

A banda inicia com uma das maiores introduções da história, “Ides of March”, avisando que Di’anno, o vocalista que ajudou a banda Iron Maiden a iniciar sua jornada para o topo do Heavy Metal, estava se preparando para entrar no palco.

Com seus muitos quilos a mais, Di’anno detona com o clássico “Wrathchild”, cantado pelos maiores fãs, do inicio ao fim. Ele mostrava simpatia com o público, pedindo que agitassem mais.

“Prowler”, do primeiro disco da banda (1980), foi uma surpresa pra este que escreve. Lembro que, depois do hino da banda “Iron Maiden” (que Di’Anno não toca nos shows), esta foi a primeira música que ouvi da fase Di’anno, porém, com o Bruce Dickinson (que o substituiu) nos vocais.

Não vou descrever aqui faixa por faixa este show que, com certeza, superou minhas expectativas como fã de Iron Maiden. Di’anno estava, dentro do possível, agitando, interagindo com o público, inclusive brincando dizendo que o público dormia (exagero da sua parte).

Tocando músicas da época pós-Maiden, poucas pessoas reconheceram as canções, que, diferentemente dos clássicos que ajudou a criar, são bem mais pesadas, em alguns momentos até apelando para um vocal mais gutural. Várias delas bem Thrash Metal.

“Murders in the Rue Morgue” veio para mostrar que Di’anno ainda tem o fôlego suficiente para essa que é uma das mais rápidas da história do Metal. Uma pena que o público não retribui à esse clássico como poderia...

Dedica “Remember Tomorrow” para seu “irmão” (como ele diz) Clive Burr, baterista até o terceiro disco do Iron Maiden e que, há anos, sofre de esclerose múltipla (morte em massa das células). Esse som é muito emocionante, e um dos primeiros a mesclar melodia e peso (trecho calmo-trecho rápido).

Era uma música muito esperada e o público reagiu bem melhor a ela, embora ainda os protestos do corintiano Di’anno (ele brincara com o público gaúcho, pois o Internacional havia perdido a Copa do Brasil para o seu time e, no dia seguinte, quando estaria na capital gaúcha, seria a vez do Grêmio).

Antes de uma das músicas, o vocalista a dedica à sua ex-esposa (ele fala em português nessa hora), que vive em Curitiba, que é uma verdadeira “vaca”.

A casa cai quando a Scelerata começa “Killers”, um dos sons mais “nervosos” do Iron Maiden e que Di’anno fez questão de colocar bastante peso. Ficou ótima. Assim como “Phantom of the Opera” que, embora não tenha ficado tão boa quanto as demais, também valeu pelo registro histórico dessa canção que o Iron Maiden ainda toca, entre uma turnê e outra, ao vivo.

“Running Free” vem pra fechar o show antes do bis, que obviamente ocorreria. Essa foi a primeira canção a dar popularidade aos ingleses, ainda em 1980 e que, com a lenda viva há poucos metros, só veio para acrescentar mais brilho à esse show histórico.

Com os já esperados pedidos da volta do vocalista ao palco, após alguns instantes, a Scelerata toca a instrumental “Transylvania”, de uma forma espetacular, conseguindo mobilizar o público que já podia se considerar cansado. Di’anno volta, para a satisfação do povo, e mete mais duas, “Mad Man” e fecha com o já esperado cover do Ramones, “Blitzkrieg bop”, banda que segundo o vocalista gosta muito. Aqui ele dá a prova do seu amor pelo punk rock.

Ele se despede, dessa vez definitivamente. Mas os fanáticos ainda iriam de atrás dele no camarim, tiram fotos e conversam com ele e a banda. Momento, para este que escreve, que ficará na memória para sempre.

Considero o Di’anno uma lenda viva do Heavy Metal (e pude dizer isso para ele), mas, em sua “humildade” não reconhecida, apenas se considera um “punk”.

Antes do fim dessa grande noite, a banda local Datavenia vem brindar com o pouco público que permaneceu tão tarde (deviam ser algo como 2 ou 3 da madrugada). Os garotos tocaram vários clássicos de bandas como Iron Maiden (fase Dickinson), Slayer, Pantera e Metallica.

Mesmo sendo apenas uma banda cover, eles tem sido reconhecidos na região pela excelência que tocam esses sons que não são fáceis de tocar, além que possuem a habilidade de movimentar seu show.

Terminada a noite, ficou a satisfação de ter participado desse evento que reunião gente de muitas cidades, grandes nomes do Metal nacional e regional, além da atração principal memorável. À organização, os nossos parabéns pela iniciativa ousada. Sabemos como organizar eventos desse porte é necessário persistência e apoio.

Stay on the Road

Texto: EddieHead

2 comentários:

...Na Mira do Rock... disse...

Obrigado pela força!
Metal rules...

Monsieur Schmidt disse...

O comentário de Paul faz sentido, lembro que poucas pessoas cantavam ou agitavam.