domingo, 23 de janeiro de 2011

Entrevista : NANDO MELLO, o "Infallible Bass" do HANGAR


Nada melhor do que no primeiro mês do ano começar com uma entrevista tão legal, falando de coisas sérias, mas com muita descontração, traduzindo muito bem como funciona a Banda Hangar, que, desde o início de carreira, leva as coisas muito a sério, funcionando como se fosse uma pequena empresa.




Com o lançamento do play "Infallible", a Banda deu mais um passo, como diria Nando Mello, "em busca do pote no fim do arco-íris", apresentando grande maturidade, adquiriu um ônibus, o "Infallibus", capaz de carregar uma estrutura excelente, o que possibilita levar a Banda a muito mais lugares, não sendo por acaso que foi a Banda de Metal nacional que mais esteve em atividade no último ano. Conquistou vários patrocínios e parcerias, sendo que envia relatórios períodicos a esses parceiros para que eles saibam que estão investindo bem seus recursos, e claro, cresce a legião de fãs Banda a cada dia!

Confira abaixo entrevista com Nando Mello, o homem responsável por completar a "cozinha" da Banda (por isso achamos apropriado colocar o título da entrevista como "O Infallible Bass do Hangar"), tarefa nada fácil, já que ao seu lado está ninguém menos que o polvo Aquiles Priester (lembrei até de uma brincadeira do Aquiles em Workshop, onde ele disse que ia chamar o Nando pro palco antes da hora, só pra pegar ele despreparado, aí ia ser legal, porque ele ia se atrapalhar todo! Ou seja, a Banda encara as coisas com seriedade, mas está longe de ser uma Banda de caras que só sobem ao palco, tocam como máquinas e depois vão embora!), onde vocês vão conhecer um pouco mais deste grande cara, que vem construindo uma carreira de muito respeito, ao lado de seus companheiros de Banda, que pela competência, seriedade, talento e respeito pelos fãs e admiradores que possui, o Hangar ainda vai muito mais além!

Road to Metal – Primeiro, agradecer pela honra de nos conceder a entrevista, possibilitando que conheçamos mais a ti e teu trabalho. Para começar, penso ser importante que você conte um pouco como chegou a tocar contrabaixo e suas influências?

NM – Comecei a tocar violão quando tinha uns 12 anos. Minha primeira música foi “Vento Negro” como todo bom gaudério dos pampas, he he he. Depois bem mais tarde recebi um convite para tocar contrabaixo em uma banda de Gravataí, chamada FOHAT. Eu não tinha idéia nenhuma do que era tocar um instrumento desses. Eu cheguei e as linhas já estavam prontas. Eles só me passavam e eu repetia. Com o passar do tempo fui me apaixonando pelo instrumento. Meus primeiros ídolos foram Chris Squire do Yes, Geddy Lee do Rush, Glenn Hughes do Deep Purple, Steve Harris do Iron Maiden, nesta ordem. Logo depois chegou o John Myung do Dream Theater. Mais tarde fui conhecer outros baixistas como Dave La Rue, Tony Levin e os brasileiros André Gomes do Cheiro de Vida, Dadi da Cor do Som e Sérgio Magrão do 14 Bis, talvez nomes pouco conhecidos hoje da galera do metal, mas baixistas sensacionais.

Eduardo "EddieHead" e Galera do Hangar, Work em Santo Ângelo-RS

RtM– Atualmente você toca com o Hangar, aliás é um dos membros mais antigos da banda ao lado de Aquiles Priester, bem como com a Riffmaker (banda de covers) além de workshops. Como conciliar essas três atividades?

NM - Na realidade tudo faz parte de uma mesma agenda porém com prioridades um pouco diferentes. O Hangar e os workshops são prioridade máxima. Tenho uma agenda diária que inclui a prospecção de novos locais onde possamos mostrar o trabalho da banda seja com shows ou workshows ou ainda workshops individuais. Não temos agentes ou uma empresa que trabalha conosco. Sempre preferimos sermos os nossos próprios empresários e temos nos saído muito bem. Cerca de 95% dos nossos eventos são marcados por nós mesmos então a ocupação é constante. Tudo bem organizado ou pelo menos eu tento. A Riffmaker toca bem menos e durante o ano de 2010 alguns shows foram feitos por outros baixistas convidados pois eu estava viajando. Isso não causou nenhum problema.

RtM – Tivemos a oportunidade de vê-lo em quatro oportunidades na nossa região em 2010, show do Hangar em Ijuí/RS, Workshow Hangar em São Luiz Gonzaga/RS, em workshop do Aquiles em Santo Ângelo/RS e num workshop próprio em Ijuí. O que podemos notar é sua simplicidade em qualquer dessas situações, e quem teve a oportunidade de conversar mais tempo com você percebe que está sempre atento ao que as pessoas querem dizer. No workshop realizado em Ijuí você falou sobre a humildade e simplicidade dos caras do Dream Theater (que o Hangar fez a abertura em SP em 2008), pessoas que com tamanha técnica e história até “poderiam” ser arrogantes, mas mostram que, no final, são seres humanos como todos os outros. O que mais você pode falar sobre isso, quem sabe dar uma “moral” na garotada iniciante que muitas vezes são mais arrogantes que seus ídolos?

NM – Esta coisa de arrogância vai da educação e temperamento de cada um. Eu conheço bastante os integrantes da banda e sei que temos um perfil assim, de falar, dar atenção. No meu caso e posso estender isso aos outros também, nunca me iludi com o glamour ou alguma outra espécie de abordagem que me levasse a soberba. Na real somos todos grandes fãs de metal e rock em geral. Se você tem estas raízes e lembra de onde você veio, com certeza não terá problemas. Eu sei que as vezes a “molecada” se passa e se perde um pouco neste glamour de “fazer show”, “tocar isso, tocar aquilo”. Eu acho engraçado. Muitas bandas antigas tinham esta postura e agora estão mudando, acho que o Hangar faz escola a muito tempo. Mencionei o Dream Theater pela maneira espontânea que nos trataram quando nos encontramos, o mesmo comportamento que temos também em qualquer circunstância.


RtM – Nessa mesma ocasião do workshop, você valorizou bastante a fase inicial da banda Hangar, contando sobre como entrou no grupo bem como sua chegada ao mundo Metal. Quais as grandes diferenças do tempo em que vocês começaram com o disco “Last Time” (1999) para o atual momento, após o grande sucesso de “The Reason of Your Conviction” (2007) e “Infallible” (2009)?

NM – As mudanças naturais da sua própria vida. Você amadurece. No inicio você não sabe nem como lidar com as situações. Geralmente você acha que é somente compor, ensaiar, tocar e está pronto. Com o passar do tempo você começa a entrar realmente no negócio. Sua banda começa a crescer e seus compromissos também. Você passa de uma promessa para uma realidade. É muito diferente você lançar um CD e ninguém conhecer o seu trabalho do que lançar um CD onde existem centenas de fãs esperando para conhecer a “música nova dos caras”. No inicio existe até uma certa inocência e depois você vai perdendo isso e ganhando em experiencia.
Hangar 2003

RtM – Falando do último trabalho da banda, o álbum é de longe o mais completo da sua carreira. Nele vocês oferecem Metal Progressivo, Power Metal, até algumas passagens quase Thrash Metal, além de excursionarem para alguns sons mais “acessíveis”, como as baladas “Solitary Mind” e “Time to Forget” e os covers para “39” (Queen) e “Mais Uma Vez” (Flávio Venturini/Renato Russo). O processo de composição intencionalmente seguiu para essa linha, ou foi “acidental”?

NM – A palavra certa seria natural. Quando chegamos ao sítio em Tatuí no interior de São Paulo não pensamos em fazer música “A” ou “B”, simplesmente deixamos fluir o que vinha no dia. A primeira música que fizemos um esboço foi "Infallible", mas no sítio a primeira música realmente pronta no primeiro dia foi “Time to Forget”, que saiu em duas ou três horas de trabalho. Era uma música diferente de tudo que havíamos feito, como "Dreaming", "Solitary Mind" e "Based". Mês passado estivemos em Santo Ângelo e cerca de 30 pessoas nos pediram para tocar “Time to Forget” no workshow. Ela estava fora do set mas acabamos tocando e a galera toda cantando junto. Se tivéssemos sido radicais talvez esta música nem chegasse ao público, o que teria sido um erro. Para mim o disco foi uma evolução do trabalho da banda.

RtM – Como os fãs sentiram a mudança sonora de um disco pesado e agressivo como “The Reason of Your Conviction” para “Infallible”? A mudança na formação com a saída de Nando Fernandes (com um vocal mais agressivo) e chegada de Humberto Sobrinho (que tem a voz mais “macia”) teve efeitos sobre isso? Pergunto isso porque vi a banda no programa “Combo Fala + Joga” da PlayTV em que revelaram que Humberto fora o último a chegar na chácara onde fora gravado o álbum.

NM – Eu acho que os resultados que tivemos em 2010 pelo numero de shows, entrevistas e destaque em várias revistas e sites mostram que estamos no caminho certo. Mais importante do que as pessoas que não aceitaram a mudança, se é que ouve alguem, foi o número de novas pessoas que estão conhecendo o trabalho da banda e apoiando. A sua vida segue e não havia outro caminho. Eu lembro com muito carinho de todos os discos do Hangar, mas hoje nosso foco é o momento e futuro que temos com esta formação. Humberto foi o cara certo na hora certa e tem um potencial muito maior a ser explorado. Nosso público depois do Infallible cresceu muito.
Workshow Hangar em São Luiz Gonzaga-RS

RtM – Ainda sobre o “Infallible”, comentamos com o Fábio Laguna que este fora o melhor disco de Metal nacional que ouvimos. Mesmo sabendo ser uma pergunta difícil, qual álbum do Hangar lhe agrada mais (seja em termos de composição, de temática, ou mesmo do período em que a banda estava passando)?

NM – Cada disco traz uma lembrança. O "Inside Your Soul" é um marco, um disco com músicas sensacionais. O "TROYC" é um baita disco de metal, acho que dos melhores. Quem escuta este disco sabe o que quero dizer. “Call Me in the Name of Death” na minha opinião ainda é um dos melhores, se não o melhor clipe do metal nacional em todos os tempos com todo o respeito aos demais. O "Infallible" representa a nossa afirmação como uma banda madura. Cada um tem o seu charme sem dúvida. Hoje o momento é o do "Infallible".

RtM – No seu blog, www.riffmaker.blogspot.com, você começou uma série de textos, falando sobre músicas que marcaram. Aproveitando o gancho, conte pra gente como foi seu primeiro contato com a música e depois com o Hard Rock, Metal, e se você lembra qual o primeiro disco que comprou?

NM – A idéia do blog é justamente esta. Trazer a tona algumas lembranças e também atualidades. Sempre tive contato com a música. Meu primeiro contato mesmo foi quando descobri o Led Zeppelin. O Led era a única banda que tinha acesso a mídia na época. Era possível comprar revistas , escutar na rádio (All my Love), então eles eram intocáveis, ninguém ousaria falar mal de Led Zeppelin. Coisa parecida eu só vi depois com o Guns n Roses de 90 a 95. Programas de rádio na época dos anos oitenta como “A hora do Rush” e “Estúdio 576” na rádio Ipanema FM foram os grandes responsáveis por levar um monte de pessoas aqui do Rio Grande do Sul a conhecer rock de verdade. Saudações a Kátia Suman, Mauro Borba, Ricardo Barão (R.I.P.) e Mary Mezzari. Esta turma de locutores loucos que rodavam Rush, Pink Floyd, Black Sabbath, Led Zeppelin, Van Halen não importando o horário. Era comum escutar “The Camera Eye” do Rush as duas da tarde por exemplo. Meu primeiro disco de vinil foi “ Houses of the Holy” do Led Zeppelin em 1983 e depois vieram “Live Evil” do Black Sabbath, “The Final Cut” do Pink Floyd, “Exit Stage Left” do Rush e “Made in Europe” do Deep Purple. Nos anos noventa chegaram os CDs e o meu primeiro foi o “Awake” do Dream Theater em 1994.
Show com Dream Theater

RtM – Na nova versão do “Last Time”, que vem com o DVD de bônus, a gente pode acompanhar muitas coisas do dia a dia da Banda, as brincadeiras, as viagens... e também nas vezes que pudemos bater um papo com vocês, o Aquiles acaba sempre falando que as coisas complicadas acabam ficando sempre para você, e que valeu uma brincadeira de chamarem você de “crocodilo”, porque, segundo eles é um cara muito resistente, por isso mesmo as piores tarefas ou situações acabam sobrando pra você! Conte pra gente sobre como surgiu essa brincadeira e alguma história engraçada que aconteceu na estrada!

NM – Uma banda é formada por várias pessoas, cada uma com a sua personalidade. Como bom virginiano que sou, tento sempre fazer as coisas chegarem ao ponto correto o mais rápido possível. Nada demais em querer as coisas corretamente. Muitas vezes também é mais fácil deixar uma situação para outra pessoa resolver, rsrsr. Eu realmente gosto do papel que tenho na banda porque faço pensando sempre no futuro. Já passamos por várias situações. Lembro uma vez que eu comentei que de alguma maneira “estava procurando o potinho no final do arco íris.” Pronto, bastou eu soltar esta frase para que o Aquiles nunca mais a esquecesse. Fica me zoando até hoje. Mas esta face de responsabilidade tem a ver com o meu passado de quase 10 anos trabalhando em empresas onde o resultado e o comprometimento eram prioridades máximas. Nesta época eu tinha que ser frio e tomar muitas decisões e isso a gente nunca esquece, pelo contrário acaba aplicando no dia a dia. Uma outra história aconteceu perto de São Luiz Gonzaga. Estávamos viajando com o “Infallibus” e paramos em uma balança obrigatória para pesagem do ônibus. O funcionário que estava trabalhando leu “Hangar” e disse “sou fã de vocês”. O pessoal acabou vendendo um CD pra ele e tudo. Alguns minutos depois ele me fala assim: “pô, acho legal aquela música de vocês, “Estrela Guia”. Eu levei um choque, o rapaz era fã da banda Hangar, mas Anjos do Hanngar. Lá fui eu explicar a situação pro cara, tentar devolver o dinheiro dele, mas ele acabou não aceitando e ficou com o Infallible assim mesmo.


RtM – Ainda falando sobre as histórias da estrada, uma história clássica, que o Aquiles jura que é verdade e que tirou até foto e rindo muito, ele falou que você se defende dizendo que eles exageraram, mas ele diz que é tudo verdade! hehehehhe!! É da viagem ao nordeste, em que tinham prometido um ônibus leito, e na hora vocês tiveram que ir de ônibus normal, e você teve que ir sentado ao lado do senhora de tamanho avantajado e que tomava quase os dois assentos, e ela não levantava pra nada durante todo o tempo da viagem!

NM – O Aquiles conta as histórias pela metade, principalmente as que me ferram. A verdade mesmo é que quando entramos no ônibus o lugar do Aquiles era ao lado desta senhora e ele não quis sentar porque ela era muito grande. Como eu era menor sentei sem problema algum. A viagem foi passando e notamos que esta senhora não descia do ônibus nas paradas. No inicio não foi problema, mas depois de um dia inteiro de viagem você começa a perceber e sentir algo estranho no ar. No decorrer o ônibus foi ficando vazio e eu pulei fora. A senhora subiu em Goiás e só desceu em São Luiz no Maranhão, umas 40 horas depois. Imagina a pessoa ficar 40 horas sentada sem descer do ônibus!? Coitada.Depois descobrimos que era uma senhora com problemas de saúde. A filha tinha colocado ela no ônibus e outra estava esperando no final. Pra ficar aquele tempo todo sentada somente uma super fralda geriátrica, ou seja, não teve nada de engraçado nesta aventura, bem pelo contrário. A lenda ficou e no Hangar não se perdoa, ela sempre será contada da maneira apropriada que “esculhambe” alguém rs.


RtM – Novamente destacando essa proximidade que vocês fazem questão de ter com os fãs, e que é sempre muito citada, dia 12/03 está marcado em São Paulo o Hangar Day, no Blackmore Rock Bar, evento em que os fãs poderão ter a oportunidade de tocar com a Banda. Conte um pouco pra gente como surgiu a idéia e um pouco mais como será esse evento.

NM – O Hangar Day surgiu de uma idéia do Aquiles em levar e dividir o palco com o cara que é fã da banda e também toca. Tivemos apoio das pessoas e empresas envolvidas e queremos que seja um dia especial. Quem quiser participar tem que mandar um vídeo tocando determinada música escolhida pela banda. As regras estão todas no site do Hangar. Nem chegamos ainda perto do evento e a idéia já repercutiu tão bem que já temos datas para outros “Hangar Days” em cidades diferentes. Será uma grande celebração da banda com pessoas que gostam da nossa música.
Nicko vestindo a camiseta do Hangar

RtM – Falando sobre o início da carreira no Hangar, você imaginava que estaria há mais de dez anos numa Banda, com vários discos lançados, inúmeros shows e eventos e dedicando-se exclusivamente à profissão de músico?

NM – Quando comecei foi em uma época onde tudo era mais difícil. Não existia toda a facilidade de informação que temos atualmente. Na época eu ficava lendo as revistas, vendo as fotos e nem imaginava que talvez um dia chegaria a algo parecido. Hoje sou muito grato a tudo que eu consegui trabalhando com os colegas de banda. Conseguimos reconhecimento, lançar nossos CDs fora do Brasil, tocar em todas as regiões do país e a parte mais importante, uma base muito grande de pessoas que gostam e acompanham a banda. Isso tudo era um sonho e hoje é realidade. Temos um grande caminho a percorrer, mas sei que estamos na estrada certa. Acho que não chegamos ainda onde queremos e isso faz com que busquemos cada vez mais aquele famoso “potinho no final do arco íris” que citei na outra resposta.

RtM - E se um dia o Hangar resolver encerrar as atividades, já pensaste nessa possibilidade e se já tens em mente que caminho tomaria?

NM – Sinceramente eu espero continuar trabalhando bem próximo a música. Continuaria tocando, compondo, mas procuraria outras atividades ligadas ao todo da música. Quem sabe continuar a “empresariar” alguma banda, sei lá.

RtM – E sobre shows fora da América do Sul, o Hangar já recebeu alguma oferta concreta? Visto que os CDs da Banda já foram lançados na Europa e Japão, por exemplo, e o Aquiles também tem um bom nome lá fora, provável que aconteça algo em breve.

NM – Já recebemos vários convites. Alguns tivemos que declinar, outros eram muito bons, mas fomos pegos no meio da crise do Dólar/Euro em 2008/2009, o que tornou impossível de tornar-se realidade pela própria queda de várias empresas ligadas ao metal na Europa. Para este ano estamos encaminhando muito bem as coisas, talvez pinte uma surpresa no segundo semestre. Temos vontade de ir pra fora, mas nosso principal mercado é o nacional.



15 – E sobre os sons que você tem ouvido ultimamente? Você que é um fã de Classic Rock, Hard Rock, deve estar contente por tantos lançamentos e retornos legais de Bandas e Artistas clássicos. Novos trabalhos como o Black Country Communion, com o Glenn Hughes, por exemplo. Conte aí o que tem ouvido ultimamente e se você é um colecionador também.

NM – Eu ouço de tudo. De Arch Enemy até Beyonce, passando por Rammstein, anos 80, 90 até Avenged Sevenfold. Geralmente as coisas mais pesadas eu busco informações em sites especializados, mas não sou um fã de maneira geral. Gosto mais de coisas pop. Tenho muitos CDs, mas muito mais músicas no meu PC. Dream Theater também nunca falta, tenho tudo. Journey, Liquid Tension, misturados com Shania Twain, 14 Bis, Elton John, Firewind e assim vai.

RtM – Além da música, você também tem outra paixão, o Inter de Porto Alegre, e, com certeza, apesar do clube ser o clube Brasileiro que mais trouxe troféus internacionais para o Brasil nesta década, ficou aquela ponta de decepção com o que foi apresentado no Mundial de clubes. O que você espera do Colorado Gaúcho para 2011, e, se fosse dirigente, que providências tomaria para esta temporada?

NM – O que aconteceu em dezembro estava sendo desenhado três meses antes. Foi uma surpresa desagradável, mas não posso me queixar. O Inter foi eleito o clube da década, ganha títulos internacionais desde 2006 consecutivamente, então estamos no topo, o problema é continuar lá. A reposição de 2 ou 3 nomes colocará o time em um patamar razoável para brigar pelos títulos de 2011. Com certeza este ano será o sexto consecutivo em que seremos campeões de algum torneio internacional.

RtM – Você tem um filho e, pelo que comentou no seu Workshop, ele toca bateria. Normal o interesse dele pela música, tendo um bom exemplo em casa, mas com um pai baixista e todos os recursos em casa ele acabou partindo para a bateria. Conte pra gente como surgiu esse interesse dele pela batera e se rolam muitas jams aí na sua casa!

NM – Lógico que o grande culpado por isso ter acontecido foi um cara chamado Aquiles Priester, rsrs. Teve uma época que eu tinha quatro ou cinco contrabaixos em casa, mas não adiantava. O Lucas cresceu no mesmo ambiente do Hangar e acompanhou toda a trajetória do Aquiles. Muitas vezes o Aquiles ligava pra minha casa e o Lucas ainda menino atendia, Depois que ele desligava meu filho perguntava: “Pai , era mesmo o Aquiles?”...hahahah. Eu sempre incentivei, mas tem uma história muito louca que conto em primeira mão pra vocês. No natal de 2006 quando ainda estávamos reestruturando a volta do Hangar com o lançamento do TROYC eu passei um Natal muito apertado, não estava nem trabalhando. Não tivemos Natal naquele ano. No inicio de janeiro recebi uma ligação do Aquiles dizendo “to mandando uma bateria pro Lucas”. Nem me lembro como ela chegou lá em casa, mas foi uma festa. O nosso grande presente de Natal daquele ano foi enviado por um “Polvo” e não pelo Papai Noel, rsrs. Brincadeiras à parte , este é o Aquiles que eu conheço, um grande amigo. Hoje o Lucas tem uma bateria Mapex signature Aquiles Priester e está inclinado a fazer a faculdade de música. Temos um pequeno estúdio em casa e tocamos sempre juntos. Dream Theater, Rush, Deep Purple, Journey. Ele tem muito a estudar ainda, mas quem sou eu para não querer que ele siga este caminho. Detalhe, tocamos várias músicas do Portnoy e do DT, mas nenhuma do Hangar. Eu sempre pergunto pra ele o porquê, e ele responde: “Aquiles é inimitável”.

RtM – Nando, obrigado mais uma vez pela atenção de sempre, desejamos que obtenha muito mais sucesso nessa caminhada, fica o espaço para sua mensagem ao amigos, fãs e admiradores do seu trabalho!

NM – Gostaria de agradecer a oportunidade e também dizer que foi a uma das melhores entrevistas que participei nos últimos anos, sem dúvida. Parabenizo ao site blog Road to Metal pela grande cobertura ao metal na região. Já estivemos em Ijuí, São Luiz Gonzaga, Santo Ângelo, Santo Antônio e Cruz Alta e presenciamos a quantidade de pessoas ligadas ao metal na região. Em breve voltaremos à região das Missões para mais um show do Hangar e fiquem ligados no nosso site www.hangar.mus.br, stay heavy.

Por Eduardo "EddieHead" e Caco Garcia


mello@hangar.mus.br www.hangar.mus.br www.nandomello.com www.myspace.com/nando.mello www.myspace.com/bandariffmaker www.twitter.com/nando_mello www.riffmaker.blogspot.com

6 comentários:

Lucas Prauchner disse...

Bela entrevista. Parabéns ao Nando Mello e a todo o pessoal do Road to Metal!

patyborgir disse...

iden Lucas, ótima entrevista!

kitty rigoli disse...

Adorei a entrevista!Assim temos a oportunidade de conhecermos as pessoas que admiramos...
obrigada á Road to Metal e ao Nando...
abração....

Isadora G. disse...

Baaah!
Ótima entrevista, foram minutos bem perdidos lendo... SKPOSK'

Parabéns..

regis disse...

grande entrevista rapaziada.alto nível o blog

PC disse...

massa a entrevista com o Mello.grande figura.