quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Entrevista: Project46 – Agressividade Sonora a Serviço da União Underground




“Você só fala, incapaz de agir!”. É isso que diz uma das letras da banda paulista Project46, porém os guris da banda, na verdade, agem e muito, com letras ácidas e postura anti- comodismo. Podemos dizer que o Project46 é um grande destaque das bandas da nova geração.

Mas engana-se quem pensa que a estrada foi curta. Iniciando como um cover de Slipknot, o que serviu de base para uma sonoridade bem mais pesada e com muita raiva. Atualmente a banda é composta por Caio MacBeserra (vocal), Jean Patton e Vinicius Castelallari (guitarras), Rafael Yamada (baixo e vocal) e Henrique Pucci (bateria). Com um trabalho (“Doa a Quem Doer”) que arrancou elogios e uma turnê internacional marcada, o Road tem o prazer de trocar ideia com essa revelação, nas pessoas de Henrique e Rafael. Então, está pronto para acordar para vida?

Road to Metal: Hail Project46! Primeiramente, obrigado pelo tempo para responder nossa entrevista.  A primeira pergunta não poderia ser outra: como foi a transição de banda cover do Slipknot (muito boa por sinal, com direito a máscaras e tudo) para um trabalho autoral?

Rafael Yamada: Opa, eu que tenho que agradecer pelo interesse e pelo espaço. A transição não foi proposital e foi bem lenta, na verdade não sei se foi bem uma transição, pois nos juntamos pra compor algum tempo depois do termino do Kroach. Como somos todos amigos de infância, fora o Henrique, que entrou depois, foi bem natural essa aproximação.

"É isso que sabemos fazer, metal pesado soco na cara, dois pés no peito, curto e grosso, e em português"

RtM: Conheci a banda através do clipe no Youtube de “Tomorrow”  e ai veio “If You Want Your Survival Sign Wake Up Tomorrow”. Só que o trabalho posterior, “Doa A Quem Doer”, veio em Português. Essa mudança foi mais para a banda ser reconhecida no underground nacional? E existe chance de novas composições em inglês?

Rafael Yamada: Não, na verdade quando gravamos o nosso EP, ainda sonhávamos em ser “a banda”, viajar o mundo todo, ser “famoso” e achávamos que tinha que ser em inglês pra entrar no mercado. Mas depois de realmente tomar na cara, ouvir muitos conselhos de pessoas que realmente conheciam a cena e alguma estrada, percebemos que hoje em dia não é isso que queremos. O reconhecimento vem com o tempo e com merecimento, se não for assim, fazendo o que você realmente acredita e sabe fazer não vai valer a pena. É isso que sabemos fazer, metal pesado soco na cara, dois pés no peito, curto e grosso, e em português.

Álbum cantado em português colocou a banda em evidência nacional e internacionalmente
RtM: Uma composição em Português tem toda uma preocupação com a estética da música, do refrão, essa coisa toda. Como a banda divide as composições? Vocês buscaram inspiração nas bandas de Metal do Brasil no seu primórdio que cantavam em língua pátria?

Rafael Yamada: Respondendo a primeira pergunta, quando se canta na sua língua nativa, a letra se torna um novo instrumento para a banda. Em inglês cantamos “in the night I’m alrigth” e dependendo do instrumental isso soa pesado. Todos da banda tem liberdade de criar qualquer coisa, diversas vezes o Caio sugere uma levada pro Henrique, e por aí vai. Em relação às bandas, sempre levamos em consideração nossos “antepassados” e suas obras primas.



RtM: Focando um pouco “Doa A Quem Doer”, quanto por cento dele já estava pronto nos primórdios da banda? E qual música foi aquela que deu mais trabalho para ficar pronta?

Rafael Yamada: Quando a banda foi formada, fizemos quatro sons em quatro ensaios, e gravamos nosso EP, as outras foram saindo do forno aos poucos. A música que mais deu trabalho foi “Impunidade” [Nota do editor: confira a música ao vivo acima], pois ela tem muitas mudanças de andamento e uma palhetada bem treze.

RtM: Conte-nos qual o segredo da sonoridade do Project46? É difícil definir a sonoridade, pois tem Death, Metalcore, Thrash, Hardcore, Deathcore e muitos outros elementos. Como a produção do Adair Daufembach foi responsável por esse resultado?

Rafael Yamada: O Project46 é um metal/hardcore moderno, eu diria (risos). Hoje em dia é muito difícil definir um estilo ou outro, já que tem tantas ramificações e tanta mistura de metal com outros estilos. O segredo é não se prender, não tentar seguir tendências e simplesmente tocar o que você sente. O Adair é um gênio do metal, manja muito de música e sabe pegar a energia da banda e botar no disco.

RtM:  A parceria com o vocalista do Ponto Nulo no Céu ficou muito interessante. Conte-nos como rolou o convite e se vocês já reproduziram ao vivo, afinal de contas o PNNC tem um estilo diferente do Project46.

Rafael Yamada: Conhecemos o Adair por intermédio do PNNC, e foi uma das bandas que mais nos influenciaram a fazer o som em português. Tocamos junto com o PNNC no primeiro show deles aqui em sampa, e desde lá somos grandes amigos, passamos a virada de 2011 juntos e sempre que eles tão por perto nos trombamos. Já reproduzimos essa parceria ao vivo algumas vezes e sempre fica muito bom, e em relação aos estilos de som, hoje em dia não tem mais isso de separar os estilos, aqui é tudo #uniaounderground!

"O importante é que nós, como cidadãos, vimos na banda a oportunidade de gritar algo que a sociedade reclama ou sofre"

RtM: Lendo algumas resenhas do álbum, muitas vezes era citado o Project46 como uma banda de Metalcore, eu acho isso muito limitado para a sonoridade de vocês. Afinal de contas qual o estilo do Project46 e quais são as influencias da banda em si?

Rafael Yamada: Eu acho o Project46 um metal/hardcore moderno, mas não nos rotulamos de nenhum estilo simplesmente pra não limitar a banda. As nossas maiores influencias são: Sepultura, Lamb Of God, Slipknot, As I Lay Dying, Chimaira, Whitechapel, Pantera, Slayer, Despised Icon, entre outros... 

Henrique Pucci: Preferimos o termo metal/hardcore, incorporamos diversas influências, muitas delas estão a nossa volta, aqui no Brasil, como rap e ritmos brasileiros, e as bandas da cena brasileira.

RtM: Quem canta em português realmente tem que ter uma mensagem forte. De onde vem a inspiração para letras tão ácidas, como em “Impunidade” e “Acorda Pra Vida”?

Rafael Yamada: As letras são “vomitadas” pelos membros da banda, cada um indignado com algo, escreve uma letra: “Acorda Pra Vida” foi escrita pelo Vini Castellari e “Impunidade” pelo Caio MacBeserra. O importante é que nós, como cidadãos, vimos na banda a oportunidade de gritar algo que a sociedade reclama ou sofre, acho que vem mais dessa parte.

RtM: Agora comentando o momento atual, a banda se encontra trabalhando no sucessor de “Doa A Quem Doer”. Que detalhes já podem ser adiantados para o público? E existe alguma pressão entre vocês para que esse trabalho supere o antecessor?

Rafael Yamada: O que podemos adiantar para vocês é que esse disco vai ser mais extremo que o outro, muito mais violento e mais pesado. Vamos chutar boas bundas gordas com ele e “taca o foda-se nessa porra”.

Henrique Pucci: Estamos pensando em usar todo material de vídeo e áudio para um DVD para acompanhar a próxima prensagem de “Doa A Quem Doer”, que se esgotou, e compondo riffs e explorando ideias para o próximo CD, que com certeza acrescentará ao seu antecessor.

Banda foi recebida calorosamente pelo público Chileno. Foto no festival Maquinaria

RtM: Recentemente foi anunciada uma turnê no Chile. Gostaria que vocês comentassem um pouco como rolou esse convite, como foram os shows e quais são os próximos passos do Project46 relacionados a turnê e o sul está na rota?

Rafael Yamada: A tour no Chile foi sensacional, fizemos nossa primeira tour internacional e com certeza ela superou todas as nossas expectativas. O povo chileno é muito receptivo, nos trataram muito bem e nos sentimos em casa. O Maquinaria é um mega evento e tivemos o imenso prazer de tocar junto com os nossos maiores ídolos. Estamos agora trabalhando para uma possível tour no Equador em 2013 e Europa em 2014.

Henrique Pucci: Tivemos uma visita de nosso amigo do Chile, Francisco Reinoso, que trabalha na revista conceituada de rock no Chile, a Rockaxis e na Radio Sonar, que gostou muito do trabalho a ponto de falar com o produtor do Maquinaria, e fez questão de nos receber em seu programa Rockaxis TV, além de nos pôr em contato com a banda Sacramento, que marcou os outros três shows. A recepção dada a nós pelo público do Chile foi surreal, as pessoas não paravam de chegar para frente do palco no Maquinaria à medida que ouviam o metal comendo solto. O mais incrível e me fez sentir uma sensação de patriotismo, foi ouvir os chilenos cantando nossas letras em português, foi emocionante, do começo ao fim, e os outros shows, todos lotados, com bandas boas, em clubes muito bons. Esperamos voltar em breve ao Chile.

RtM: Obrigado Project46 pela entrevista. Deixamos aqui um espaço livre para mensagem para os leitores do Road to Metal e, caso queiram, para os chefões da rede globo, (risos) [Nota do editor: O Project46 teve uma música boicotada na emissora, coisas que só acontecem numa mídia como esta “Global”].

Rafael Yamada: Não adianta chorar o leite derramado, e mesmo porque ninguém derruba um pilar que é fruto de tanto trabalho pesado. Quem conhece a gente, sabe o quanto trabalhamos e investimos no nosso Project46, e o resultado desse trabalho que nos faz continuar acreditando no metal barsileiro. Não precisamos voltar muito no tempo pra ver que as coisas estão mudando, há dez anos atrás ninguém mais acreditava em uma banda brasileira desbancando as gringas, em picos lotados pra ver as novas bandas, não se via esse exército de gente com camiseta de banda nacional. E isso não é porque não tinha banda boa na cena, sempre tem banda boa, são as pessoas que estão mudando, e as pessoas que mudam a história. Não é o Project46, o Jonh Wayne, Ponto Nulo No Céu, A Última Theoria, Savant Inc e todas as outras bandas que vão mudar a história do metal brasileiro, são as pessoas que agora estão vendo que são elas que tem esse poder, e elas irão fazer muito barulho em 2013.




Henrique Pucci: Obrigado por ler nossa entrevista, a informação é uma arma, quando agregada a música mais forte ainda, precisamos de uma união de todos evolvidos com a música pesada, a concorrência não serve muito na música, junto somos fortes, unidos somos imbatíveis!!! Vamos mostrar ao mundo o que o Brasil tem a oferecer. Obrigado.

A HORA É AGORA, AS PESSOAS COMPRAM UM DISCO INDEPENDENTE, COMPRA A CAMISETA DA BANDA, VAI NOS SHOWS E CANTA TODAS AS MÚSICAS. TODOS NÓS JUNTOS, AS BANDAS E O PUBLICO, VAMOS MUDAR TUDO.  

Entrevista: Luiz Harley
Edição/revisão: Eduardo Cadore
Fotos: Divulgação/Island Press Assessoria/Igor Lavrador (ao vivo, durante o II Laguna Metal Fest, Santa Catarina)
Assessoria: Island Press

Acesse e conheça mais sobre a banda
Site Oficial (disponibiliza download gratuito do álbum supracitado)
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2 comentários:

MisterZéRoberto disse...

Tenho orgulho imenso de ser fã de Project46, essa banda com certeza vai marcar minha adolescencia, até agora ja foram 7 shows e em 2013 tomara que venham mais 1.000 shows !#SENTEESSAPORRA .

Anônimo disse...

Que isso mano a gente que tem o prazer de fazer isso por vc! E nois mano vamo que vamo continuar dando soco na cara!