sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Sepultura: Relevante é a Palavra, Mas Ainda Longe do que Construíram


Falar do legado do Sepultura é chover no molhado, o que a banda representa e fez pelo Metal nacional é algo inquestionável. Porém, algo que pode ser questionável na carreira da banda, foi quando Max saiu e deixou um legado gigantesco, praticamente um monstro, onde o próprio Sepultura enfrentaria problemas para dominá-lo.

Com admissão de Derrick nos vocais e a opção de ficar com apenas uma guitarra, gerou muita estranheza, pois como soaria a banda com um vocalista desconhecido e com uma guitarra apenas? Apesar de ser fã e gostar dos álbuns com o Derrick, é inegável que "Against" (98), "Nation" (01), são bem fora do eixo Sepultura, na verdade o "Roots" (96) já mostrava isso, mesmo com momentos bons, a banda estava se distanciando do que vinha fazendo.

O que de certa forma, com todas essas mudanças, muitos fãs não aceitaram de forma positiva, mas as coisas começaram a tomar forma em 2003, quando lançaram "Roorback", um disco com uma abordagem mais direta e menos experimental.


Porém, ainda não era o esperado, e então quando o Sepultura lançou o ótimo "Dante XXI" com uma abordagem mais Thrash, mesmo soando moderno, mas direto e agressivo como não se ouvia há anos. Mais uma bomba paira o caminho do grupo: Igor anuncia sua saída.

Não demora muito e o Sepultura apresenta o ótimo Jean Dolabella, e seguindo o trabalho feito em "Dante XXI", temos mais dois bons discos "A-Lex" (09) e "Kairos" (11), onde soam com modernidades e experimentalismos, mas ainda com um "quê" de Sepultura e com excelentes composições.

Mas como ter banda no Brasil é sempre um problema, e principalmente para manter uma formação, Jean também anuncia sua saída da banda, e ai o que esperar? Muitos já consideravam que a banda não deveria se chamar mais Sepultura, pois perdeu os dois integrantes da formação original, e agora mais uma mudança?


Pois é, mas eles não desistiram e méritos ao seu guitarrista Andreas Kisser, que segurou todos esses perrengues e levou adiante o legado da maior banda de Metal do Brasil, mas o que se questionava quem seria novamente o dono das baquetas, e aí uma surpresa, o novato Eloy Casagrande foi escolhido para o posto, e com isso os fãs já não sabiam o que esperar, e não tinham perspectiva do que seria o novo disco.

Quando anunciaram que o produtor do disco seria Ross Robinson, muitos temeram, pois Ross foi quem produziu "Roots", e também pelo fato de não ter produzido nada relevante nos últimos anos. Seria uma jogada de marketing, oportunismo? Trazer logo um produtor de um disco "clássico" da banda, mas que anda em baixa no mercado, que de certa forma não agregaria em nada.

Polêmicas a parte, enfim é lançado o 13° disco de estúdio pela gravadora Nuclear Blast (segundo lançamento da banda com eles), sob o extenso nome de "The Mediator Between Head And Hands Must Be The Heart", e ai caro leitor, o caldo entorna de vez, pois admito, não fui muito otimista pelo novo trabalho, mas tenho que admitir que o álbum é pelo menos bom.


Muito peso, sujeira e agressividade que beira o extremo, com passagens bem Death Metal, e outras, claro, com a insistência no experimentalismo em excesso. O que chama atenção são os riffs de Andreas, soam coesos e diversificados, e com bons solos que surgem, mostrando ser um riffmacker nato. Ponto negativo para os vocais de Derrick, que soam com efeitos desnecessários, soam agressivos, mas a ideia parece que não era pra se entender o que ele está cantando.

Paulo Junior continua discreto no baixo, mas coeso e segura muito bem a onda, e o grande destaque do trabalho é o novato Eloy, em muitos momentos lembrando o que Igor fazia no seu auge, e dando aquele toque a mais de agressividade e técnica.

A produção do disco não é das melhores, soa bem old school e suja, se é proposital ou não, mostra que  Ross Robinson realmente não foi uma boa escolha.


Mesmo assim é um álbum agressivo e extremo, que poderá agradar os fãs antigos e desagradar os fãs da fase atual, mas ainda soa mais como Sepultura, o que já não acontecia há muito tempo. Faixas como "Trauma of War", "The Vatican", "Impeding Doom" e "Tsunammi" são verdadeiros massacres, e já "The Bliss of Ignorants", "Grief" e "The Age of the Atheist" soam exageradamente experimentais, com percussões, sons estranhos e por ai vai. O Sepultura tem uma necessidade tão grande de mostrar que é do Brasil, que certos elementos usados em sua música mais atrapalham do que agregam.

Destaco também a música "Obsessed", que conta com a participação de Dave Lombardo (ex-Slayer), mas no mais é um bom álbum, que mantém viva a história de uma das maiores bandas de Metal do mundo.

Texto/edição: Renato Sanson
Revisão: Eduardo Cadore
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica
Banda: Sepultura
Álbum: The Mediator Between Head And Hands Must Be The Heart
Ano: 2013
País: Brasil
Estilo: Thrash Metal

Formação
Derrick Green (Vocal)
Andreas Kisser (Guitarra)
Paulo Junior (Baixo)
Eloy Casagrande (Bateria)


Tracklist
01 Trauma of War
02 The Vatican
03 Impending Doom
04 Manipulation of Tragedy
05 Tsunami
06 The Bliss of Ignorants
07 Grief
08 The Age of the Atheist
09 Obsessed (com Dave Lombardo)
10 Da Lama ao Caos (Cover - Chico Science & Nação Zumbi)

Acesse e conheça mais a banda

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