domingo, 22 de junho de 2014

Entrevista - Centúrias: A Máquina Não Vai Parar!


Criada no ano de 1980, o Centúrias é uma das mais antigas e tradicionais bandas do Metal nacional, tendo participado das lendárias coletânea SP Metal (do selo Baratos Afins), que em seus dois volumes, além do Centúrias, trazia Korzus, Salário Mínimo e outras importantes bandas de uma cena pioneira, que, embora inspirada nos grandes nomes que já dominavam a cena mundial, apresentava características bem próprias, como as letras em português, adotadas pela maioria dos nomes surgidos naquela época.  (Read the english version HERE)

Lançaram dois grandes álbuns, "Última Noite" (EP de 1986) e "Ninja" (1988), encerrando as atividades após o lançamento deste último, aliás, várias bandas daquela leva acabaram encerrando as atividades, porém, aos poucos, vários daqueles pioneiros foram retomando as atividades, e podemos citar aí o Stress, Metalmorphose e Salário Mínimo, e o Centúrias também, sendo que a banda chegou a fazer alguns shows de reunião, e sempre existia o pedido dos fãs por uma volta, em 2012 retornam em definitivo.

No final do ano passado, juntamente com outras pioneiras (Salário Mínimo, Metalmorphose, Taurus e Stress), participou do projeto Super  Peso Brasil, que foi um show reunindo essas bandas, o qual foi filmado e gravado, e agora as bandas participantes lançaram um projeto de crowdfunding para viabilizar o lançamento. Conversamos com Ricardo Ravache, baixista do Centúrias (também ex-membro do Harppia, tendo gravado o clássico EP "A Ferro e Fogo"), para falar sobre esse projeto, o retorno e também do excelente single "Rompendo o Silêncio", o qual já teve algumas edições esgotadas, e muito mais, pois, como diz o refrão de "Sobreviver", uma das faixas do single: "a máquina não vai parar!"

RtM: O single “Rompendo o Silêncio” é um aviso que a banda ainda tem muita lenha pra queimar e  que em breve teremos um álbum completo? O que vocês podem nos adiantar quanto aos planos futuros?

Ricardo Ravache: É verdade! Temos muito combustível no reservatório (kkkkk). Estamos lapidando o material novo, trabalhando nos arranjos. O plano, sem dúvida, é lançar um novo álbum. Não vou arriscar a definir uma data, porque temos uma responsabilidade grande para com esse lançamento. O sucesso do single nos obriga a manter pelo menos o mesmo nível de qualidade!

Ricardo Ravache em ação!
RtM: As duas faixas estão excelentes, riffs e refrãos fortes!  E, claro, além de várias Características tradicionais da banda, e as letras em português também. Vocês acreditam que ainda há uma certa resistência de parte do público com bandas que cantam na língua natal? No início daquela geração da época das coletâneas SP Metal lembro que também havia isso, mas por outro lado, tem uma parte que ama essa característica.

RR: Sendo bem sincero, desde a volta do Centurias, em meados de 2012, não cheguei a ouvir um único questionamento negativo sobre as letras em português. Muito pelo contrário. A visão que eu tenho é que esse assunto não é mais discutido. O idioma português mostrou ter força suficiente, quando bem empregado.  A preocupação em atingir o mercado internacional não nos preocupa. Mantemos nosso estilo e nos esforçamos na busca do melhor resultado.


RtM: “Sobreviver”, que é a segunda faixa do single, já é praticamente um hino, nasceu clássica! É uma música forte, com riffs e refrão marcante. Foi só eu ouvi-la e já fiquei cantando: “A máquina não vai paraaaar!!! Eu vou sobreviveeer!!” Gostaria que você falasse um pouco mais sobre ela, e a letra que é bem forte.

RR: Essa música, da qual nos orgulhamos, foi trazida pelo Julio Príncipe, nosso batera. A ideia central é dar uma injeção de ânimo a todos nós, que enfrentamos uma luta diária, seja pela sobrevivência, seja pela concretização de nossos sonhos. Cada um sabe as dificuldades que enfrenta... Atribuo a força que ela transmite à inspirada interpretação vocal do Cachorrão, principalmente à ideia e execução do refrão assim como as dobras na gravação. O melhor é que ao vivo essa força é multiplicada pela colaboração dos nossos irmãozinhos, que agitam junto conosco nos shows!


RtM: Em 2012 o Centurias voltou definitivamente à ativa. Conte um pouco como se deu essa volta, de quem partiu a iniciativa?

RR: Foi mais ou menos assim: eu participei de algumas edições do evento Stay Heavy Metal Stars evento organizado pelo Programa Stay Heavy, com apoio da Revista Roadie Crew, onde músicos do Metal participavam de jams.e, em 2011, a temática foi o Metal Nacional. Convidei o Cachorrão para ir assistir e, quando foi rolar a Metal Comando (faixa do álbum Ninja, do Centurias, de 1988), ele foi chamado para subir no palco. 

Como o Ricardo Batalha, editor chefe da Roadie Crew estava presente, nos chamou e deu o ultimato "vocês não têm desculpa para não voltar". Pronto, foi dada a largada. Conversamos com o Paulão Thomaz, fundador da banda, mas ele já estava por demais comprometido com outros projetos (Baranga, Kamboja, entre outros), porém nos deu a "bênção" pra tocar a banda pra frente. A opção natural para a bateria foi o Julio Príncipe que, além de excepcional músico, se revelou um compositor de primeira qualidade e para assumir a guitarra, resgatamos o Roger Vilaplana, amigo desde os anos 80 e colaborador em cinco faixas do Ninja. Pronto. A banda já estava montada de novo.


RtM: Além do Centurias, várias bandas contemporâneas a vocês também já estavam voltando a fazer shows, gravar, se envolver com relançamentos. Podemos citar aí o Stress e Metalmorphose, que também participaram do evento “Super Peso Brasil” ano passado. Você acredita que esses retornos se devem, além da paixão pelo Metal, o fato de ter ficado uma lacuna deixada por essas bandas pioneiras e clássicas, e existia uma demanda dos fãs? Algo, inclusive, que vem ocorrendo pelo mundo, com diversas bandas dos anos 80 que retornaram as atividades.

RR: Eu entendo que houve o fim de um ciclo de falta de criatividade, dos anos 90 a 2000. A internet teve atuação relevante na atual retomada. A troca rápida de informação, o compartilhamento de arquivos, o resgate de álbuns que não seriam relançados, de histórias e imagens das bandas pioneiras, tudo isso ajudou a reconstruir o que se passou naquela época. 

O que mais ouço e vejo (nas redes sociais) é o lamento do pessoal mais novo que gostaria de ter vivido nos anos 80. Sempre dou minha opinião de que foi um período mágico, mas os dias de hoje são ótimos também. Vamos curtir tudo o que a tecnologia oferece, honrar o passado e construir o futuro a partir de agora.

O Centurias, na época do álbum "Ninja"
RtM: Falando no Super Peso, vocês, juntamente com Taurus, Salário Mínimo, Stress e Metalmorphose, participaram do Festival, um evento histórico, com bandas pioneiras. E agora, foi lançado o projeto de crowdfunding a fim de viabilizar o lançamento em DVD desse histórico show. Gostaria que você falasse um pouco de como surgiu a ideia e as suas expectativas quanto a essa campanha.

RR: No início de 2013, o Ricardo Batalha tomou a iniciativa de promover shows com bandas nacionais. Deu o nome de Peso Brasil. A partir disso, o André Bighinzoli, baixista do Metalmorphose (RJ), se lançou ao projeto em maior dimensão, que levou o nome de Super Peso Brasil. Foi um trabalho árduo que contou com a dedicação, além do André, que teve a coragem de assumir o risco do empreendimento, do Batalha, que se dedicou dia e noite ao projeto e das bandas, que deram o melhor de si no dia do evento e usaram de suas capacidades de divulgação.

Moral da história: lotamos o Carioca, casa de eventos de qualidade, exclusivamente com bandas pioneiras do Metal Nacional, com letras em português! Cada banda contou com seus convidados mais que especiais. O evento foi gravado e está sendo oferecido ao público pelo sistema de crowfunding.


RtM: Acredito que o projeto Super Peso Brasil também servirá para mostrar algumas coisas, como o quanto os fãs de Metal no Brasil realmente apóiam as grandes bandas que temos e que também possuem uma mente aberta a iniciativas e caminhos diferentes, como é o caso do crowdfunding. O que vocês pensam a respeito?

RR: Penso que o crowdfunding é uma oportunidade para a comunidade de headbangers, do público e das bandas, estarem próximos e unidos no ideal. É uma luta em que todos podem e devem batalhar e tenho certeza de que vamos provar que o Metal Nacional é uma manifestação forte e duradoura. O sucesso do lançamento depende exclusivamente ao engajamento do público. Mas acho que o próprio site fala por si mesmo. É muito fácil participar! O link pra acesso é:
http://www.catarse.me/pt/superpesobrasil.


 RtM: Bem, foi um prazer fazer esta entrevista, esperamos em breve fazer outra falando sobre o novo álbum e sobre o lançamento do DVD do Super Peso Brasil! Fica o espaço para vocês mandarem sua mensagem aos fãs! Inclusive de fora, pois esta entrevista vai sair numa versão em inglês também. A máquina não vai parar!!!!!

RR: É um prazer muito grande participar do Road to Metal, de ver a cena forte, o Metal sendo honrado com bandas, músicos de excelente qualidade, agentes da imprensa competentes, produtores, fotógrafos incríveis, mas, principalmente, um público formado por headbangers exigentes e bem informados e, o que é melhor, que vão se tornando mais e mais nossos amigos. Esse é o nosso combustível (o público) e é com ele que a máquina não vai parar.


Entrevista por: Carlos Garcia e Patrick Rafael
Fotos: Arquivo da banda e divulgação

O Centurias é:
Nílton "Cachorrão" Zanelli: Vocais
Ricardo Ravache: Baixo
Júlio Príncipe: Bateria
Roger Vilaplana: Guitarra

Contatos: contato@centurias.com.br

Ouça o single e mais no Soundcloud
Página da banda no Facebook
Site Oficial








Um comentário:

Sound City Estudio disse...


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