segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Angra: Angels Cry 20th Anniversary Novamente em Porto Alegre/RS!


Novamente estávamos lá para ver a apresentação icônica do Angra ao passar por Porto Alegre mais uma vez. A noite começou cedo, impulsionada pelos velhos (e novos) clássicos do Metal, sobre o comando do Maicon Leite (Velho Milg de guerra), tive a impressão que foi uma verdadeira aula sobre novas variações do velho Metal. Maicon fez questão de explorar outros estilos, que não o Melódico, já que em algumas horas teriam uma overdose Power Metal injetada pela anfitriã da noite (particularmente, queria agradecer o Milg pelo Powerwolf que rolou, entre outras).
  
Logo em seguida a Celestial Flames entrou em cena, praticamente uns bebês perto dos 23 anos de experiência do Angra, nossos garotos tomaram o palco como gente grande. Porém com os joelhos dobrados, apenas o suficiente para demonstrar respeito aos verdadeiros astros da noite que entrariam em ação mais tarde.


Mesmo com a galera agitando nas quatro músicas que a Celestial executou, a banda precisa rever algumas questões, presença de palco é uma delas, e mesmo seu som soando forte, ainda é clichê demais, tendo pouco diferencial.

Tudo no seu devido lugar após o aquecimento com a Celestial Flames, o som estava acertado, público com ponto de ebulição e câmeras fotográficas calibradas. Cada um queria guardar ao menos um fragmento desses momentos para recordar mais tarde. As luzes iniciaram uma decida gradual, como fosse um sinal de “preparar”, mas na realidade era algo muito mais que um sinal, era a certeza que era chegada à hora do Angra assumir o (dês) controle da elevação emocional do local. O primeiro a se chegar ao tablado é exatamente o integrante mais novo da banda, em hierarquia e idade, Bruno Valverde que assume a seu kit ao som de aplausos.


Vale o comentário que Bruno nasceu em 1990, um ano antes de o Angra receber o sopro vital, tem se mostrado muito dinâmico e um músico excelente, vindo do gospel  e tendo influências no samba deixou bem claro no último domingo a razão pela qual foi escolhido para assumir os tambores de batalha do Angra. Na seqüência entraram os demais integrantes, um a um, foram recebidos calorosamente pelo público presente. Hora do show!

Como tem sido nos shows anteriores desta turnê, a grande noite começou ao som de “Angels Cry”, música que dá nome ao álbum lançado em 3 de novembro de 1993, e que esta tour comemora os 20 anos do lançamento. Apesar da turnê chamar-se “Angels Cry 20th Anniversary Tour”, o que vimos na noite do dia 28 de setembro, em Porto Alegre no Bar Opinião, foi um passeio pela história da banda.


A afirmação ilustra bem a segunda música “Nothing to Say”, que pertence ao álbum “Holy Land”, já a essa altura da noite (começo) o acender e apagar das luzes revelava uma platéia de braços erguidos e com as letras das músicas em prontidão na “ponta da língua”. A narrativa sonora segue com “Waiting In Silence” do aclamado disco “Temple Of Shadows”. A banda sempre esteve em harmonia durante todo o tempo do espetáculo (e sim, foi um espetáculo), Lione mostrou-se em movimento o tempo todo, sempre comunicativo entre as performances. 

Buscou a latinidade do Italiano, um pouco do inglês misturou tudo e saiu um “portaliano” que rendeu uma conversa muito divertida.  Dando seqüência no show foi à vez de “Time” e “Evil Warning” vindas do disco homenageado essa noite.  Logo em seguida, do álbum “Fireworks” chegou “Lisbon” encantadora e carregada de lembranças.


Com o público na mão era hora de uma das melhores músicas da fase Falaschi, e “Millennium Sun” entra em cena pra deixar todos sem pulmões, impossível não ressaltar o mestre Fabio Lione, um show de interpretação e simpatia, um frontman sem questionamentos.

Ao meio a problemas no som (que de fato estava satisfatório, mas parecia incomodar os músicos em cima do palco) Bruno Valverde mostra toda sua habilidade em seus tambores, em um solo de bateria de alto nível.


Eis um dos momentos mais marcantes do show (se não o mais), onde Lione chama ao palco o “coração do Angra”, Rafael Bitencourt, que chega com seu violão em mão, dizendo que irá executar uma das músicas mais belas que gravou, e que não era composição dele, mas sim de Edu Falaschi.
E aproveitando a deixa, Rafael agradeceu a todos os ex-integrantes que passaram pela banda, dizendo se não fossem todos envolvidos, o Angra jamais chegaria onde está, e “pasmem” ele fez uma menção especial a Aquiles Priester, que só em mencionar o nome do baterista o coro de “Aquiles, Aquiles, Aquiles...” tomou força. E segundo Rafael Aquiles foi peça fundamental no Angra, assim como é a principal influencia do baterista Bruno Valverde.

Ao meio a todos esses agradecimentos “Bleeding Heart” toa forma, com Rafael cantando a mesma em uma bela interpretação.


A trinca seguinte viria para emocionar, e antes dela Lione fala ao microfone que a banda tinha uma surpresa pra ele, e que o deixou bem curioso, e seguindo o baile “Gentle Change”, “Acid Rain” e a surpresa da noite “Make Believe”, que a banda não tinha nem ensaiado segundo Lione, e que é uma das músicas que mais gosta da banda.

Se aproximando do final “Spread Your Fire” (onde mostrou grande competencia de Bruno na bateria), “Rebirth” (com todos cantando a pleno pulmões) e o mix de Carry On/Nova Era pra não deixar duvida da boa forma em que o Angra se encontra.


Após muitas polemicas, saída de músicos importantes, é fato que o Angra retorna com tudo, e se demonstra feliz com seu momento atual e com os grandes músicos que os acompanham. Mais um grande evento realizado pela Pisca Produtora, e mais um grande show do Angra na capital gaúcha.

Cobertura por: Uillian Vargas/Renato Sanson
Fotos: Uillian Vargas
Edição/Revisão: Renato Sanson

Setlist:
01 Angels Cry
02 Nothing to Say
03 Waiting Silence
04 Time
05 Evil Warning
06 Lisbon
07 Millennium Sun
08 Winds of Destination

09 Drum Solo

10 Bleeding Heart (acoustic)

11 Gentle Change
12 Acid Rain
13 Make Believe
Deus le Volt!
14 Spread Your Fire
15 Rebirth

Encore:
Unfinished Allegro
16 Carry On / Nova Era


Um comentário:

Itamar José Guimarães Nunes disse...

Agradeço fortemente a referência a nós, da Celestial Flames.
Respeitamos as suas críticas, e inclusive concordamos com elas. Como estamos muito no início ainda, será necessário para nós trabalhar tanto em presença de palco quanto no estilo clichê. Nós mesmos consideramos as músicas do nosso primeiro álbum realmente clichês, inclusive comparado com as grandes inovações do trabalho do Angra. Todavia, prometemos mudar isso no segundo álbum, o qual oferecerá uma inovação nunca vista antes no Power Metal. Nossas composições para quase três álbuns já estão feitas, mas como somos pequenos, não temos investimento o suficiente para gravar todos de uma vez. Mas, graças a sua divulgação e de todas pessoas que nos apoiam, ganhamos reconhecimento e força para seguir em frente com a evolução musical e com as gravações bancando com o que temos.
Agradecemos sua Review, e adoramos o show de ambas bandas.

Abraços,
O teclado. ;-)