sábado, 7 de fevereiro de 2015

Entrevista: M:Pire of Evil - "Sem Divisões, Apenas um Grande M:Pire of Metal"




                                                                      Read the english version here
O tornado inglês M:Pire of Evil foi formado em 2010  por dois músicos que possuem uma longa estrada na música, mais precisamente no Metal, Jeff Dunn (mais conhecido como Mantas), membro formador do Venom, e Tony "The Demolition Man" Dolan, membro formador do Atomkraft, e também tendo passagem em um reformulado Venom, ao lado Mantas e Abaddon, lançando juntos "Prime Evil" (1989), aclamado pela mídia especializada, porém com relutância de fãs devido a ausência de Cronos. Tony e Abaddon, mesmo após a saída de Mantas, lançaram mais dois álbuns, não muito aceitos por crítica e fãs, resultando na dissolução do Venom em 1993 (em 1995 houve o retorno da formação dita clássica).

A dupla voltou a trabalhar junto em projeto de Mantas, que também chegou a ter Antton (baterista do Venom entre 2000-2009), e logo em seguida o trio voltou a se encontrar, na ideia de formar uma nova banda, forjando um som poderoso. A nova banda inicialmente se chamaria "Prime Evil", mas como já haviam bandas com o mesmo nome, usando um jogo de palavras com o nome primeiramente escolhido, batizaram o grupo de  M:Pire of Evil. Antton deixou a banda, que passou a trabalhar como dupla, tendo bateristas convidados, e vem crescendo em popularidade entre os fãs, ocupando seu espaço na cena, simplesmente fazendo o que sabem, e erguendo a bandeira de uma cena sem divisões, pois o Metal é um só.

Conversamos com Tony "The Demolition Man" Dolan para falar um pouco mais da banda, dos planos, da indústria musical, do Atomkraft, do Venom, cinema (Tony trabalhou como ator), e muito mais, numa entrevista muito interessante, pois Tony e Mantas tem muita bagagem, mas não pensam em se acomodar nem um pouco! Com a palavra, "The Demolition Man":



RtM: Tony bem vindo ao Road to Metal, particularmente é mais do que uma honra realizarmos esta entrevista com você.
TD: Bem, é um privilégio para mim também lhes responder. Muito obrigado.

RtM: Para começarmos nossa conversa, Como se deu seu início na música? Qual foi a primeira banda que você ouviu, ou melhor, quais seriam as bandas que fizeram você sentir que o heavy metal estaria em sua vida para sempre?
TD: Hahaha.... Eu estou um pouco velho agora.... Então as primeiras músicas que eu ouvi eram coisas provenientes da década de '50 , principalmente o que meus pais ouviam. Coisas como Elvis, Buddy Holly, Bil Haley Little Richard ... etc..Mas como eu era uma criança dos anos 60 eu estava "por dentro" do The Mersey beat e, claro, os The Rolling Stones e é assim  que eu cresci. Na minha juventude, na década de 70 e realmente ainda estava tomando conhecimento sobre a música como um todo, ai foram bandas como The Sweet, a banda Slade no seu início, Queen, Marc Bolan (T Rex) e  quando eu emigrei para o Canadá,  fui lá apresentado a Ted Nugent, Aerosmith, Kiss, Foreigner e similares .
Ver o Kiss naquela época então, era um choque, mas não foi tanto quanto como quando testemunhei o Motörhead, depois de voltar para a Inglaterra no final dos anos 70, quando eu estava totalmente inserido no Punk Rock ... Angelic Upstarts The Dickies, The Ruts, o UK Subs e toda aquela cena, foi quando soube que independente do que eu fizesse com a minha vida, eu queria fazer música assim ... tão pesada e tão "Metal" quanto pudesse ..



RtM: No começo você tinha esperança que algum um dia teria seu nome reconhecido mundialmente, como atualmente você de fato é?
TD: Quando eu comecei a fazer isso, eu só queria estar em uma banda e nunca considerei realmente o futuro, e o que iria acontecer. Quer dizer lançando álbuns pelo mundo, ou ser reconhecido fazendo filmes ou qualquer dessas coisas. Eu simplesmente amava o metal e queria tocá-lo para as pessoas. Fazer o primeiro álbum, foram tantos anos após gravar e tocar, mostra que, embora fosse um sentimento ótimo eventualmente lançar um álbum, eu me apressei muito com isso, e aprendi em como não fazer. 

E como ele não saiu até 1985, eu pensava em bandas próximas que tiveram a sorte de gravar álbuns bem antes de termos "Future Warriors" lançado, e ele simplesmente não era material forte suficiente para comparar com álbuns mais desenvolvidos em 1985. Nós somente estávamos no "timing" errado. Penso agora como fui feliz em realmente estar falando para os fãs que foram afetados pela música que eu fiz, é ... incrível... e algo que eu sou grato por cada dia. Mas havia uma visão para o sucesso ou eu vi um futuro naquela época? Não, apenas aproveitamos cada minuto que se seguiu.

RtM: Como é ser um dos fundadores do "Atomkraft"? Eu lhe pergunto isso porque entre meus álbuns favoritos está "Future Warriors" - Atomkraft "1985 . Você poderia nos contar um pouco mais sobre como surgiu a banda e as expectativas que você tinha no início?
TD: Quando começamos a banda, eu estava inserido no Punk e o baterista Paul era o metalhead. Depois que eu descobri o Motörhead foi ai que tudo mudou para mim. Eu mudei o nome para Atomkraft porque houve um enorme reboliço sobre a energia nuclear na época, e a ameaça da guerra fria e das armas nucleares estavam sempre presente. Eu sempre fui fã do idioma alemão e forma de ser deles, assim ao invés de nos chamar de "Nuclear Power" optei por Atomkraft... Eu curto Atomkraft, é o mesmo significado, mas soou melhor para mim. 
Nós não tínhamos expectativas, tanto quanto me recordo era apenas sobre fazer um álbum com nossas músicas e sair tocando para toda e qualquer pessoa. O primeiro show ocorreu semanas depois que o álbum saiu, em Londres, no Marquee com o Slayer, em seguida, não muito tempo depois  saímos em turnê com o Venom e o Exodus, mesmo assim, continuava não considerando o que éramos ou iria acontecer ..apenas assumimos que queríamos fazer mais shows, e em seguida, fazer outro álbum..como toda banda faz, pensávamos!

RtM: Ainda sobre o Atomkraft, você tem planos para lançar novos álbuns?
TD: Sim, este ano ... Eu tenho tentado isso desde 2004, mas ficava um pouco distante e então tinha perdido todo o interesse ou a direção por completo. De alguma  maneira, eu estava meio perdido. Eu tinha algumas boas canções e ainda tinha os outros caras escrevendo o material para eu ver, mas no final eu tinha que examinar como o Atomkraft supostamente deveria soar como quem éramos originalmente e quem o Atomkraft deveria ser.
Então eu tive uma epifânia e  nos ouvi ... quero dizer, Atomkraft em um show chamado Brofest em 2014, onde eu tinha sido convidado para tocar todo o "Future Warriors". Foi tão divertido tocar com Krean Meier (Sacrificial) na guitarra e Paul Caffrey (Gamma bomb) na bateria e eu ainda tive Mantas para tocar conosco "Heat and Pain" e "Pour The Metal In"... mas eu percebi durante o show que éramos, não como um Testament ou Exodus, mas mais para um Motorhead e Judas Priest, se é que você me entende, mais fora do que dentro do mesmo saco que os demais. Bom, agora eu tenho quase completo o track list para o novo álbum, e é mais...direto, seguindo como o "Future Warriors" e agora eu ouço e é 100% Atomkraft.

RTM: Fora do palco, você é um ator. Você acredita que a música nos conecta com outras formas de expressão artística? Que filme você gostaria de participar?
TD: Eu atuava sim. O filme que eu mais gostei, e  também foi o maior que participei, foi "Master and Commander-Far Side Of The World" (Mestre dos Mares), com Russell Crowe e Paul Bettany, porque filmamos por 5 meses em Baja, no México no alvorecer..E isso  para um inglês foi algo como :"- Porra, que demais! Sem chuvas!!!".
Existe gente atuando na música?? hahaha oh sim ... nem sempre ... mas alguns dos maiores atores criaram o que você leu ou viu no palco e eles fazem de tudo para fazer você acreditar que eles são o que você quer que eles sejam ... enquanto entretanto eles são, na realidade, muito longe daquilo ali..E isso é uma espécie de intercâmbio e entendimento entre os "atores" e os fãs na maior parte do tempo ... e é isso  acontece ... Isso começa a ir para a direção errada  quando o "artista" começa a acreditar em seu desempenho como um personagem ... e pensa que ele é realmente aquilo, ou quando os fãs reconhecem a "farsa', então eles perdem a fé tanto no artista como na música que vem desse artista. A chave? Não interessa o tipo de talento ... faça música verdadeira, que venha da alma ... dê significado às palavras ... Nunca faça nada falso porque os fãs não são estúpidos, e eles vão saber.


Tony, em "Mestre dos Mares"
RtM: Como você vê a indústria do cinema hoje? Este "leva" de remakes que estamos tendo é positivo ou negativo? Existe um diretor que você quer trabalhar?
TD: Eu adoraria trabalhar com Ridley Scott. E eu quase o fiz, mas cai no último teste e foi chato pra caralho, mas um dia eu vou trabalhar com ele. Os remakes? Bem, eu gostei de "Judge Dredd", eu estava no primeiro, o do Stallone, dirigido por Danny Cannon, mas não foi muito bem feito, bem, de qualquer maneira eu gostei do filme,  mas o remake foi melhor. Eu acabei de ver o remake de "Robocop" e realmente gostei, melhor do que o original. "O Planeta dos Macacos" foi algo realmente grande, e ao meu ver os remakes são incríveis em comparação com os antigos , então eu acho que alguns remakes são bons e bem loucos, como "King Kong" por exemplo, simplesmente porque somos capazes de criar mais nas telas agora.
Mas alguns não deveriam ter sido feitos...não  houve razão..E não vou citar os dois que estão na minha cabeça agora,  porque eu tenho amigos que estão neles, mas ao meu ver..são inúteis e não adicionaram nada mais do que os filmes originais já tinham feito, tanto quanto na história ou o  efeito e contexto em que a história se passava. A indústriatambém mudou por causa do Netflix e afins, mas existem alguns atores incríveis emergentes e alguns filmes magníficos também ... Acho que estamos em uma época de criatividade "final" agora.

RtM: Agora, de volta à música. O selo brasileiro Shinigami vai lançar no Brasil. o álbum "Live" e "Manitou" M: PIRE OF EVIL, ( uma boa notícia para os fãs, aliás) . O contrato inclui a distribuição de álbuns futuros também?
TD: Sim, é a melhor notícia e agradecemos Tommy Moriello por ajudar a negociar isto para nós. Willian e à todos da gravadora. Nós remasterizamos todo o material especialmente para a América do Sul, mas o principal era obter um  produto direto para o Brasil e nossos fãs brasileiros. O acordo vai incluir o novo álbum e ele também será lançado pela  Shinigami, e estamos muito satisfeitos com isso também.

RtM: Como você vê os resultados da banda desde a sua fundação até agora?  Como você se sente em relação à aceitação dos fãs, incluindo aqueles que já conheciam o seu trabalho e o  trabalho de Mantas em suas bandas anteriores ?
TD: Na medida em que os fãs foram vindo,  fomos recebidos de maneira incrivelmente respeitosa e honrosa com a M: PIRE OF EVIL, e é assim  como eles estão  agindo conosco. Dedicados e leais, alguns nos acompanham desde de nossas velhas bandas, Atomkraft e Venom, e alguns são novos.  A cada semana descobrimos novos fãs e eles nos descobrem, e isto é ótimo, e agradecemos a eles do fundo do nosso coração! 

RtM: Os resultados estão andando do jeito que você imaginou e projetou?

TD: Se os resultados são como planejamos? Ou o projeto seguiu como imaginávamos?? hahaha! Não. Nós decidimos agora não ter um 3ª membro fixo, apenas Mantas e eu fazemos todos os negócios, os projetos, música e produção. Mais fácil para manter tudo simples e especialmente emocionante, e assim como pudemos ter esse baterista incrível para os shows, e também tivemos vários baterista incríveis  ao nosso lado no estúdio. Isso é algo que quando começamos o  M: PIRE nós não prevemos o que aconteceria, mas o mundo gira e caminhos mudam. Estamos felizes com a forma como as coisas estão indo? Sim, sem um grande selo por trás de nós, ou qualquer apoio financeiro, temos andando em todo o mundo e "pescado" grandes coisas já, então as coisas seguem. Temos a intenção de tomar a coroa !! hahaha


RtM: E sobre os temas das letras e a o som da M Pire OF EVIL? Quais são as principais características de tudo o que  a banda compõe e as diferenças em relação ás suas bandas anteriores? (Elaboramos esta questão para a apresentação da banda para novos fãs, e também para os fãs das bandas que fizeram parte, perceberem que a M: Pire of Evil é uma banda que é plenamente capaz de fazer suas próprias histórias, sem se agarrar  ao passado.)
TD: É meio difícil de não ter partes soando um pouco a lá Atomkraft ou um pouco a lá Venom na nossa música ... depois de tudo,  afinal Mantas escreveu quase que tudo dos 2 primeiros álbuns do Venom, "Welcome to Hell"  e "Black Metal", e nós escrevemos juntos ""Prime Evil" ,"Temples of Ice " e  "The Wastelands" no Venom  também, então, seria difícil não ser nós mesmos e escrever algo na linha do que fizemos no passado, mas vemos o M: PIRE  OF EVIL um pouco "dark" como o Venom, mas mais como uma voz sobre a humanidade, como o Atomkraft ... com uma pitada de puro Heavy Metal clássico jogado dentro desse caldeirão e você tem o M: PIRE de EVIL.
Nos comentamos sobre a fé religiosa, guerra, política, interação humana e propaganda..Basicamente emitimos nosso parecer sobre o que todo mundo pensa, mas passamos para a música. Assim como como falamos para os nossos fãs e sublinhamos aqui  o pensamento de que o Metal não deve ser dividido em tantas facções. Estilos serão sempre estilos, mas eles são UM e todos se reúnem sob um único título: METAL. Se tivéssemos um mantra para usar no M: PIRE OF EVIL seria:"M: PIRE OF METAL..ONE BIG WORLDWIDE ARMY OF METALHEADS  ("M:PIRE" DO METAL, UM GRANDE EXÉRCITO MUNDIAL DE METALHEADS.)



RtM: Sobre o tempo no VENOM. Quais eram  são os principais pontos fortes e bons tempos  que você destacaria?
TD: Fazer o primeiro álbum, "Prime Evil". Foi algo novo, e Mantas, Abaddon e eu estávamos pegando fogo ... e grandes amigos, então foi um grande período. Gravamos no estúdio de Brian Johnson (AC/DC) em Newcastle e finalizado no sul da Inglaterra em um estúdio residencial, aparentemente uma semana antes do baterista do Def Leppard perder o braço. Então viemos atrapalhar com o nosso caos e som ... ah grandes dias. Sólidos? Sólido como banda, poderosa com  nós 3 ... menos irregular do que antes e mais focada.

RtM: E quanto os negativos? E que as razões principais causaram sua saída? Você pode voltar a trabalhar com o  Venom?
TD: Negativos foram decisões que tomamos, todas más...bem nem todas mas..nós perdemos o nosso caminho, eu acho. Perdemos oportunidades e não aproveitamos o potencial dos nossos companheiros de banda. Era o fim do contrato com a Music For Nations depois que o álbum "The Wastelands" foi lançado e eu já tinha me mudado para Londres, enquanto Mantas e Abaddon subiram para Newcastle ... então eu decidi como eu tinha um grande trabalho em Londres e tinha tipo perdido o interesse na forma como estávamos  trabalhando, então eu pensei que eu tinha cumprido minha missão e pararia por ali..Então foi o que eu fiz. Posso voltar? Hahaha ... com certeza ... porque não? E tenho tocado com Mantas por tantos anos, então estamos mais próximos disso possível, e se nós adicionarmos Abaddon,  seríamos a mesma banda que éramos na época do álbum "Prime Evil"

RtM: E como você vê o Venom hoje, em comparação com o início da banda ? A banda teve uma importância histórica, e apesar das limitações técnicas, acabou chamando a atenção por tentar algo novo, também utilizando-se um bom apelo visual, a conotação "Satânica", que despertou a curiosidade, o título "Black Metal". A banda, por um momento, só pensou em negócios ?
TD: Eu não acho que naquela época eles só pensavam nos negócios, eles só queriam ser diferentes, e  é o que eles escolheram a partir de shows no estilo Kiss, até a imagem satânica, meio Sabbath, mas mais Black Widow .. e o título do álbum, "Black Metal", para mantê-los apartados do Heavy Metal . Eles colocaram tudo isso junto e  isso foi o Venom ... diferente ... e precisamos do Venom neste mundo, perfeito é legal, mas o feio faz você pensar e se sentir vivo ((Nota pessoal da redatora Fernanda: Com certeza, está "sacramentada" a necessidade da banda no mundo).
Agora? Não há comparação, mas como poderia haver? Muita coisa aconteceu, e olhando pra trás, aquilo era real ... agora, às vezes não é a mesma coisa mais, bem o "Venom" propriamente dito, eu acho, mas isso é só uma opinião minha como um fã do velho material.




RtM: Coincidência que você está trabalhando agora com o "Cronos Entertainment", hehe! Deixando a diversão de lado com a coincidência do nome da produtora, tenho certeza que ele vai trazer bons resultados, com a possibilidade de mais shows da banda na América do Sul, certo?
TD: Sim, hahaha! Gostei! Ele é um grande agente..Nosso agente principal é o Rodrigo Scelza e gostei do que a Cronos Produções estava fazendo, então eu quis os dois conosco, e ambos são fantásticos, e vão trabalhar em uma grande turnê sul-americana para novembro/Dezembro de 2015, com algumas belas apresentações no Brasil. Eu amo tanto o Brasil  e mal posso esperar. Fiquei muito decepcionado, pois não estivemos aí em 2014, mas... talvez a espera seja melhor ... Eu sei que vocês vão falar que valeu a pena! Eu gostei da ironia do destino com relação ao nome "Cronos Entertainment", legal!


RtM: E sobre o cenário atual? Percebemos que muitas bandas usam (abusam) demais da tecnologia, com seus álbuns soando frios e "perfeitos" demais, e não são raras as bandas que não conseguem tocar ao vivo o  que você ouve no CD. Eu também percebo que falta sentimento, a paixão de fazer música, e muitas vezes confundem isso com algo como ser excessivamente técnico. O que você acha sobre tudo isso?
TD: Concordo 100%. Como eu disse Acima..Isso não pode ser falsificado, os fãs não são estúpidos. Fingir algo que você não é? Sempre falhará no fim..Você está coagindo as pessoas a acreditarem em algo falso. Alguns permanecerão sempre seus fãs, não importa o quê, não importa o que está sendo feito, mas pelo que foi feito há muito tempo. Para mim, tem que ser real e com paixão e abraçar a tecnologia disponível, mas com a certeza de fazer as coisas ainda melhores, mas agora  remover o sentimento e substituir com perfeição digital??? NãoooooooooooooooooooooooooOOOOOooOOOo porque assim você "Mata" o sentimento ali mesmo. Em seguida, subir no palco e usar samplers, triggers e recursos digitais, o que quer que seja? Ou, pior ainda, nem mesmo ser capaz de reproduzir músicas ao vivo ... não tem como!
Caralho ... Essa não seria a razão pela qual as bandas ou músicos estão ali? Então são produtores, não músicos ..Eu conheço alguns músicos fantásticos, e a propósito, usam triggers e  etc ... mas eu sei que eles também podem tocar ... e que eles usam para sons que pretendem  atingir ... mas também tenho visto alguns pessoas que utilizam artifícios para mascarar onde eles são fracos musicalmente..Apenas seja verdadeiro...



RtM: Bem, nós conversamos com você uns dias antes do Zoombie Ritual, e você (como nós) foi muito decepcionado com os eventos envolvendo todos os cancelamentos naquele Festival  aqui no Brasil. Você pode nos dizer mais a respeito? Os produtores deram alguma explicação para você? Você foi contactado após o cancelamento?
TD: Ah, sim ... E não foi exatamente o  Zoombie Ritual que foi o nosso problema, embora o agente que nos trouxe ao Brasil pela primeira vez , assumiu para nos trazer de volta e ele vendeu nosso show ao Zoombie Ritual, e o mesmo disse que não houve comunicação com eles (com o festival) , é ...era mais sobre o agente mesmo ..Ele nos prometeu 3 semanas de shows, mas não agiu até que fosse tarde demais ... então queria que eu fizesse shows com o Atomkraft e M: PIRE OF EVIL, mas não conseguiu garantia qualquer para isso. então por isso mesmo eu fui  atrás apenas das negociações com o  M: PIRE OF EVIL e reduzi as datas de 3 semanas a 1 e, eventualmente, com apenas quatro datas nós iríamos. Em seguida, com duas semanas ou menos, vi que ainda não tinha nem mesmo as passagens aéreas, então  era claro que não iríamos tocar. Ai eu o pressionei sobre esse ponto e ele confessou que já era tarde demais e não fazia nenhum sentido.


RtM: Sim, muito decepcionante.
TD: Eu comecei  2014  planejando nossa ida ao Brasil no final do ano  ... planejando uma tour Sul Americana completa. Tinha feito contatos e tudo mais tínhamos visto para ir em maio, com a ajuda de Rodrigo Scelza, ao Rio para promoções ... e tudo se desfez porque o "agente" queria lidar com tudo isso e disse que ele trabalhava sozinho. Bem no final, depois de desperdiçar meu ano à espera de nada, ele estava trabalhando sozinho ... totalmente sozinho ... sem M: PIRE. Agora temos novas pessoas que estão no jogo, então isso não irá acontecer novamente!

RtM: Quando você percebeu que alguma coisa estava errada com o festival???
TD: Quando eu continuava indagando  o agente, pedindo informação ... e nada veio, ele apenas continuava dizendo que " tudo estava ok". Ai depois eu percebi que ainda não tínhamos recebido as passagens de avião, então era sinal que nossa tour seria cancelada. Então a partir dai, escrevi no meu facebook sobre o festival e a organização, porque eu tinha certeza que o promotor viria perguntar pra mim porque eu estava falando mal dele e do festival, então eu expliquei nossa situação e deixe-o explicar o seu lado da situação. Mas eu estava irritado com toda a tour fracassada...4 datas??? 
Nada bom ... e então banda após banda foram sendo obrigadas a cancelar a apresentação no ZR, então tive medo que houvesse uma reação em cadeia, tentei avisar o pessoal sobre o ZR, mas acho que eles não queriam ouvir.
E isso foi uma grande, grande vergonha porque teria sido uma incrível relação de bandas...ao menos algumas fantásticas bandas brasileiras ainda tocaram, então nem tudo foi perdido.

RtM: Tendo sido parte de bandas de importância relevante, e também tem vivido com diversas pessoas na cena da música, quais as habilidades e características você acredita que um líder de uma banda precisa ter?
TD: Eu acho que principalmente acreditar no que você está fazendo, é claro. Acho  que você também precisa ter tato (hahaha), para todos que irão amar você, alguns irão te odiar. Eu vi um cara comentar com um fã sobre o nosso show em São Paulo, em 2013, que aliás matador, ele se recusou a sequer olhar para mim no palco ... ele se concentrou em Mantas hahahaah. Cada um tem a sua opinião e  eu respeito, porque eu também tenho a minha, e exijo respeito por minha  opinião também. 
Você precisa ser genuíno e aberto, mas acima de tudo, você precisa respeitar seus fãs, estar disponível para eles, se que eles querem uma foto, então faça uma foto,  se eles querem tudo autografado, então, arrume tempo e assine tudo para eles...sem fãs não há VOCÊ...não funciona desse jeito... e que isso deve ser o seu trabalho. Agradecer-lhes, ouvi-los, e dar-lhes o melhor que você tem para dar. Se você é honesto e real, os fãs, os verdadeiros fãs, vão respeitar isso e agradecer você por estar lá com eles, e para eles. Esse é o M: PIRE OF EVIL, é como somos.

RtM: Para você Tony, O que o " Metal"  significa?
TD: O Metal significa TUDO. É uma maneira de ser, uma vez em sua alma, jamais poderá ser tirado. Os fãs de Metal são os mais fiéis por toda a vida. Isso nunca abandonam você. A música é uma indústria ... as corporações intitulam isso "a indústria da música", o que não deixa de ser  verdade, pois os grandes selos tiram todo o seu dinheiro da música, do território onde as bandas estão crescendo, isto é indústria, sim, mas eles vêem música, e são capazes de fazê-la, seja em gravações ou ao vivo, e eles estão sendo "estrangulados" por pessoas que tentam fazer apenas negócios. Alguns promotores mesmo, ainda pedem para as bandas pagá-los para poder tocar. Quero dizer...Sério isso?? É isso o que está acontecendo em 2015 ??? 


RtM: E como você vê essas bandas que só retornam às atividades visando o lado dos negócios?
TD: Quanto as bandas que retornam só para fazer dinheiro, sem tomar conhecimento das "vítimas", pensando que eles são simplesmente fãs e estão sendo usados somente para ter lucro? Eu não concordo com isso. Toda banda precisa de dinheiro para sobreviver, mas eles sempre fizeram. Se uma banda não pode ganhar dinheiro, então eles não podem comprar cordas, agendar mais shows, que eles não podem mais ter nada, ou até obter comida Deve ser uma troca: fãs vão aos shows, compram ingressos e merchan e a banda usa esse dinheiro para sobreviver e fazer mais. Uma vez que os preços são muito altos, o merch muito caro ou mesmo promotores pagando pouco ou nada para os shows , então isso torna-se impossível.

RtM: Finalizando a conversa Tony, obrigado pela sua disponibilidade, e queremos parabenizá-lo pela atitude que a banda tem com seus fãs, sempre respondendo os em redes sociais, atendendo todos no final dos shows, sempre buscando uma proximidade com seu público, e  é o espaço final para que você possa enviar uma mensagem para seus fãs.
TD: Obrigado por essas palavras, elas significam muito para mim e também para Mantas. Eu não posso fazer tudo o que eu gostaria de fazer, mas tudo o posso fazer, eu faço. Estou aberto a fãs, apoio o underground e falo com todos os que desejam vir e falar comigo. Tiro fotos, se eles querem, autografo tudo o que me pedirem e falo com todos que eu puder. 
Eu faço isso porque tenho consciência de que, sem eles (os fãs), não há Demolition Man, eles são o meu sangue, o meu ar e estou muito grato por isso.

RtM: Obrigado Tony!
TD: Obrigado Carlos e Fernanda, total respeito à vocês e até Breve!




Entrevista: Carlos Garcia e Fernanda Luísa Vidotto
Tradução: Fernanda Luísa e Carlos Garcia
Edição e Revisão Geral: Carlos Garcia
Fotos: Divulgação e arquivo pessoal do artista

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Canais Oficiais da Banda: Site Oficial
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Um comentário:

criminalrecordsBR disse...

EXCELENTE entrevista! Faltou apenas mencionar que o batera original da banda (Antton/Antony Lant) é ninguém menos que o irmão do Cronos (VENOM)!
Hail the M-PIRE! \m/