quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Entrevista - Thunderlord: Levando o Heavy Metal Tradicional aos Quatro Ventos


Conversarmos com o mentor e fundador Peter Kelter da banda Paranaense  Thunderlord, a qual vem vivenciando um ótimo momento, destacando-se pelos shows memoráveis feitos e pelo ótimo CD "Barbarian". Peter, sem meias palavras, nos conta mais detalhes sobre a caminhada, influências, planos e detalhes da história da banda. Acompanhe essa saga de perto!


RTM : Olá Peter, gostaria que nos contasse mais sobre o início do Thunderlord.
Peter Kelter: Saudações, agradeço pela oportunidade!
O Thunderlord surgiu a principio como uma one man band, surgiu de uma vontade antiga, e de uma grande admiração que eu tenho pelo Heavy Metal puro e tradicional, minha antiga banda, o Perpetual Disgrace andava bem parada, quase não ensaiando ou tocando, por conta de mudanças de integrantes para outras cidades, e me sobrou tempo, que foi aproveitado para compor e gravar os sons do Thunderlord.


RtM: Sinto ao ouvir músicas como “Barbarian” e ” Metal Till Death”, uma forte influência do Manowar e demais consagrados nomes dentro do Metal mundial. Poderia nos falar mais sobre suas influências musicais?
Peter Kelter: Se Não existisse o Manowar, não existiria o Thunderlord, o Manowar é sem dúvida a maior de todas as influências do Thunderlord, monstros sagrados do Heavy Metal, a postura, a parte lírica e musical, sem dúvidas exercem uma grande influência.As demais influências derivam da mesma fonte, Heavy Metal puro, direto, como Grave Digger, Running Wild, Accept, Saxon, Judas Priest , sem modinhas, sem "frescuragem", sem coisinhas bonitas pro músico se exibir, ficar com cara de bunda tocando solos sem nexo e usando divisões rítmicas bizarras, som sem aquelas baterias cheias de contra-tempo que parecem forró, eu sou daqueles que pensam que um único compasso da "Breaking the Law" já vale infinitamente mais que a discografia inteira dessas bandas de prog, que fazem som com ar superior e todo afrescalhado, perdendo a verdadeira essência do Heavy Metal. 



RtM: Pois é, não se pode perder a essência, esquecer as raízes.
Peter Kelter: Falando de mais influências, Não posso deixar de citar as bandas nacionais, que alem de influenciar, foram um incentivo, deram razões para se espelhar no seu trabalho, Dragonheart, Hazy Hamlet, Dominus Praelii, Steellord, Battalion e Fright Night, foram uma referência, bandas próximas, de amigos, e que me faziam pensar que “é esse som que eu quero fazer”, recentemente, o álbum já estava pronto, mas me surpreendeu muito, foi uma banda chamada Grey Wolf, de Minas Gerais, foi uma das melhores coisas que ouvi nos últimos anos! É como se fosse o Grave Digger com o Steve Harris no baixo fazendo um disco temático do Conan! É fantástico!


RtM: Você compôs as músicas sozinho. Qual foi a sua maior dificuldade?
Peter Kelter: Branco...Às vezes as idéias rareavam, e não vinha nada na cabeça, ficava ali com a guitarra no colo e não saia nada...Eu tenho dificuldade de compor, de pegar e ir com aquele objetivo de fazer uma música, a coisa tem que fluir sem forçar...Então eu ia ouvir um CD, ver um filme, ler, assim que brotavam as ideias, agora pegar a guitarra e falar:  “vou fazer um som”, travava.


RtM: Em algumas músicas, mais especificadamente em “Blood and Revenge”, "Barbarian"e "Ivanhoe ", ocorreu a participação do vocalista Arthur Migotto da banda Hazy Hamlet. Como surgiu essa parceria?
Peter Kelter: O Arthur é um amigo de longa data, desde 2001 mais ou menos...Conheci ele antes dele entrar no Hazy Hamlet, show do Hazy eu até perdi a conta de quantos assisti, ele é um puta vocalista, desconfio até que ele não é humano, o cara deve ser um andróide, deve ter a garganta valvulada! Nasceu pra cantar Heavy Metal!
A "Blood and Revenge" é um diálogo entre o pai que está morrendo e o filho que vai vingá-lo, eu precisava de uma outra voz que não fosse a minha, para interpretar o pai, precisava de uma voz forte! A música é bem na linha da " Defender" , do Manowar, não tem como negar isso né?...Não teve nenhum outro nome que passou pela minha cabeça, convidei o Arthur, que foi super gente fina, prestativo, gravou a parte dele, e de quebra os backings dos refrãos de outros sons, me mandou por e mail e com certeza a participação dele engrandeceu esse disco.


RtM: Dando uma atenção especial as letras, vejo um grande gosto de sua parte por eventos históricos. Quais assuntos mais o chamam a atenção? Você acredita que o Metal indiretamente nos leva a acrescentar gosto por literatura, filmes e demais fatores intelectuais?
Peter Kelter : Sim, gosto muito dessa temática, história, mitologia, literatura, livros e filmes com esse direcionamento, gosto demais, o Iron Maiden tem muito disso né? É uma fonte interessante e muito rica! Abordar esse tipo de coisa...O Heavy metal é muito rico, culturalmente falando, e acredito que desperta sim o gosto pela história, literatura, o cara pode ouvir o Venom tocando "Countess Bathory" e querer saber mais sobre de onde saiu essa letra, ou ouvir o Iron Maiden tocando "Run to the Hills", ou o Manowar tocando "Spirit Horse Of The Cherokee", ou o Running Wild tocando "Uaschitschun", e querer saber mais sobre a história dos índios dos Estados Unidos, ou, sem querer ser pretensioso, ouvir o Thunderlord tocando "Ivanhoe", e ir ler o livro do mesmo nome, de Sir Walter Scott! Que é um livro fantástico!


RtM: Agora o Thunderlord se encontra com o line up estabilizado. Como foi essa “Transição” digamos assim, de um projeto seu para uma banda ativa na cena e realizando shows?
Peter Kelter : Eu tentei a principio montar na cidade de Presidente Prudente, com remanescentes do Fright Night e Warheart, que tinham o perfil musical que se encaixavam perfeitamente com o ideal do Thunderlord, que é tocar Heavy Metal puro e livre de contaminação externa por modinhas e outras sonoridades, ali tinha os caras que ouviam Running Wild 24 horas por dia, gente que apreciava Heavy Metal conservador, puro, que não iam infectar o som com modinhas!
Sonoridade moderna, tecladinho, som pula-pula? Aqui não! Nem fudendo, no Thunderlord não! Ia ser perfeito! Mas a formação não fechou e eu abandonei a ideia... Acabei encontrando em Londrina, grandes caras, ótimas pessoas, ótimos músicos que apóiam o ideal da banda, e hoje somos um grupo, e estou muito satisfeito de estar ao lado desses caras!


RtM: Qual a maior dificuldade que a banda passou?
Peter Kelter: Não teve dificuldade, são uns caras muito bons, responsáveis, tocam bem, todos tem experiências anteriores com outras bandas, nosso baixista, o Gabriel, é graduado em Música pela UEL, um grande músico, o Renato, guitarrista toca muito, toca baixo também, multi instrumentista, alem de tudo é um exímio baterista! O Ronaldo, batera, também, um cara muito bom, e todos eles cantam, nesse ponto não teve dificuldades, foi ensaiar, subir no palco e tocar....


RtM: Sendo uma pessoa ativa dentro do Underground, qual sua opinião sobre como conseguir espaço em um cenário por vezes saturado de tantas bandas apresentando a mesma sonoridade?
Peter Kelter : Acho que tem que ser cara de pau, entrar em contato com os produtores, mostrar teu trabalho, tentar se sair bem ao vivo, ter uma boa resposta do público, ser correto com as pessoas, se você vende um CD, você tem que entregar, se você compra um CD, tem que pagar por ele, não pode passar a perna nos outros, cancelar show só em último caso, se não tiver jeito mesmo, e claro, dar uma satisfação pra aquele que te chamou...Respeitar as outras bandas também, pode até não gostar do som, mas tratar bem as pessoas, é aplicar a educação que devia vir de casa.


RtM: Vocês realizaram shows ao lado de bandas nacionais como Warheart, Batallion e   Dragonheart. Como foram essas experiências?
Peter Kelter : Foi muito bom, poder conversar com amigos e dividir o palco com grandes bandas é algo muito gratificante, o Dragonheart mesmo foi uma grande referência durante as composições do Thunderlord! Alem dessas houveram outras, que foi muito bom ter tocado junto, como o Vulture, Wodanaz, Panndora e Fire Strike, e os brothers do Hurtgen!



RtM: No Jornal impresso Folha de Londrina, a banda ganhou destaque no dia 19/11/2014 -  na coluna “Folha 2”- (parte cultural). Qual a sensação desse reconhecimento por meios fora da mídia especializada?
Peter Kelter: É um espaço importante, foi muito legal ter tido uma divulgação e uma matéria em um jornal desse porte, até minha mãe viu! Guardou o Jornal, ficou orgulhosa! Não sei se o jornal tava sem pauta, sinceramente...Porque não consigo enxergar a banda com essa “moral” toda...Somos somente mais uma ai, lançando um disco independente, mas foi legal, o jornalista me ligou, conversamos pelo telefone, ele é um cara bem educado, de fácil trato, agradeço o espaço que foi cedido pela Folha de Londrina!


RtM: O CD foi lançado somente no Brasil de forma independente ou você está estudando algum selo, distribuidora para lançá lo? Se sim, fale-nos mais a respeito.
Peter Kelter:  Lançado somente aqui, e distribuição totalmente independente, vendido um por um, pelos correios ou entregue em mãos, isso diminui o alcance e a quantidade de CDs despachados, algumas cópias foram para a Europa, de compradores da Itália e Grécia, que compraram diretamente comigo, mas não foi lançado por nenhum selo lá, gostaria muito de fazer isso!



RtM: Fora das luzes do palco, você é um atuante advogado. Como você conduz sua vida pessoal e sua banda e demais projetos? Sobra tempo para lazer?
Peter Kelter: O meu lazer é tocar com o Thunderlord, seja em show ou um ensaio, ou compor ou qualquer outra coisa relacionada à banda, é a minha diversão, me faz bem, eu advogo porque é a minha profissão, gosto disso também, e procuro dividir o tempo de maneira que uma coisa não interfira na outra.


RtM: Nós do Road to Metal agradecemos a entrevista e deixamos o espaço aberto para suas considerações finais.
Peter Kelter: Agradeço pelo espaço concedido Fernanda, por divulgar o Thunderlord, quem tiver interesse procure a página da banda no Facebook, ou no nosso bandcamp, tem duas músicas lá...interessados em adquirir o CD entrem em contato comigo, pode ser através da página no Facebook!


Acesse e conheça mais sobre a banda:


Entrevista por: Fernanda Vidotto.


Revisão: Carlos Garcia
Edição: Fernanda & Carlos


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