segunda-feira, 23 de março de 2015

Entrevista: Lords of Aesir - Talento e Novos Caminhos Para o Symphonic Metal



Criada em meados de 2009, a banda paranaense Lord of Aesir, como eles mesmo contam, nasceu entre encontros e desencontros, sejam pessoais ou de ideias, fato é que aos poucos Karol (vocais) e Ian (teclados), foram lapidando, tanto a sonoridade que buscavam, quanto suas próprias habilidades musicais, e com a ajuda de alguns amigos da cena musical, chegaram finalmente, ao que se tornaria o primeiro EP oficial em 2012. (Read the English Version HERE)

Estabilizada com o trio  Karol (vocais), Ian (teclados) e Júlio (guitarras), a banda trabalhou forte no que viria a ser o álbum de estreia, e em 2014, vê a luz do dia o primeiro full-lenght, "Dream for Eternity...", que foi muito bem recebido por público e crítica especializada, trazendo um Symphonic Metal cheio de personalidade, fruto de quem faz música por paixão.
Conversamos com Karol Schmidt para saber um pouco mais do Lord of Aesir, sobre o álbum, influências músicas que compõe a sonoridade da banda, e muito mais! Confira!



RtM:Para apresentar a banda aos novo fãs, poderia fazer um breve histórico do Lords of Aesir?
Karol: A banda Lords of Aesir nasceu no fim de 2009 na cidade de Cascavel (PR) em meio a encontros e desencontros tanto pessoais quanto de ideias. Após perceberem as divergências de objetivos nos projetos que participávamos, (Karol e Ian) resolvemos unir esforços num novo projeto. O nome da banda é uma sátira feita por nós que ao mencionarmos que em nossa formação havia uma mulher nos vocais, sempre perguntavam se éramos músicos de "Folk Metal" com temáticas nórdicas, o que fora um clichê entre bandas por alguns anos no estado do Paraná, porém, bem diferente do que fora sempre a nossa proposta. Passamos por uma fase virtual em que disponibilizávamos gravações de áudio extra-oficiais e vídeos de participações em outros projetos de amigos. Não havia um line-up firmado, portanto nenhum material era tecnicamente “oficial". Até que encontramos a banda de Metal progressivo "AWAKE", estudantes da EMBAP e alguns antigos parceiros musicais de Cascavel dispostos a participar das gravações da LOA. Então nasceu nosso primeiro EP e logo após o nosso primeiro álbum.


RtM: Que bandas você citaria como inspiração ou influência para o Lords of Aesir? Alguns trechos me lembraram os primeiro álbuns do Tristânia, e também Therion.
Karol: Na realidade nossa maior influência fora Freddie Mercury e Montserrat Caballè. Mas certamente Tristânia e principalmente Therion, também EPICA, After Forever, Angra, Almah e os primeiros álbuns do Nightwish além de Fernando Quesada, Gustavo Monsanto, Marcelo Moreira, Timo Tolkki e Yngwie Malmsteen contribuíram com nosso trabalho.


O Lords: Júlio, Karol e Ian
RtM: Gostaria que você nos contasse um pouco mais de como foi esse processo de amadurecimento da banda, inclusive onde vocês buscaram crescimento como músicos. Você passou um período em Florença, não é?
Karol: Cada um de nós buscou individualmente nesse período por crescimento e conhecimento musical. Eu fui aluna de Neyde Thomas e Susanna Rigacci duas sopranos maravilhosas as quais sempre admirei muito! Com Neyde estudei no Brasil técnica vocal e interpretação de repertório operístico e com a Susanna em Florença, onde fui buscar aperfeiçoamento no repertório de câmara e história da ópera. Estudar é sempre um processo constante aos músicos. Ian foi estudar Composição e Regência na EMBAP de Curitiba bem como o Julio aperfeiçoar-se em violão e guitarra. Estudar para nós é um prazer! Afinal, além de músicos somos educadores musicais. Eu e Ian somos graduados em Licenciatura em Música e lecionar é uma paixão para nós! Fazer música e disseminar a arte é o nosso lema.


RtM: E como vocês foram lapidando a sonoridade do Lords of Aesir? Conseguiram alcançar no debut uma boa parte do que vocês projetavam em termos de sonoridade?
Karol: Nós tentamos! Acreditamos que conseguimos sim! Mas como o capital monetário é uma barreira para os artistas nacionais cremos que ainda poderíamos ter conseguido demonstrar muito mais além do que o debut apresenta, mas por essas questões e de tempo, principalmente a geográfica (eu em Cascavel, depois Florença e os meninos em Curitiba) o trabalho foi sofrido para ser concluído. Apesar disso tudo ficamos muito contentes com o resultado final e esperamos fazer muito mais ainda num próximo trabalho, material é o que não nos falta! E estamos felizes por isso!



RtM: Inclusive deve ter sido trabalhosa a composição, tendo tantos instrumentos e vozes envolvidos nas músicas. Conte um pouco pra gente também sobre as gravações e a produção de Aldo Carmine.
Karol: As gravações foram realizadas em Curitiba no Estúdio Koltrane, foram demoradas, se arrastaram pelo tempo, por questões inúmeras, principalmente a financeira, nosso orçamento foi muito pequeno. Realmente foi trabalhoso mobilizar tantos músicos e com tão pouco dinheiro para investir, se dissermos o valor monetário total muitas pessoas não vão acreditar!  Aldo Carmine fez a produção final com a masterização e mixagem e foi trabalhoso, ele é um excelente produtor e nos deixou bem satisfeitos.


RtM: Muito se fala que este ou aquele estilo estão saturados, e teve a vez do Thrash,  do Black, do Symphonic do Melodic....mas o que acontece mesmo, em minha opinião, é que quando alguma banda de determinado estilo chega a um patamar maior, outras vão atrás, e há uma saturação de muita oferta, então acredito que o que há é música boa e música ruim, música boa nunca fica “saturada”, e todo momento um ou outro estilo estará mais em evidência, mas os ciclos nunca param, e os grupos de qualidade continuarão a produzir. Qual sua visão a respeito e como você vê o cenário daqui em diante?
Karol: Acreditamos que fazemos música literalmente e unicamente por amor, caso contrário teríamos desistido há muito tempo. Não pensamos em retorno financeiro. Se houver uma pessoa na platéia, vamos tocar para ela com o mesmo empenho e entusiasmo que tocaríamos para centenas, pois se ela está ali presente, se deu ao trabalho de ir ao nosso encontro, ela é digna de todo nosso respeito e dedicação. Para mantermos nosso projeto realizamos outras atividades profissionais em paralelo. Quanto aos estilos serem saturados, concordo com você! O que existe é boa música ou ruído.  

Quanto à nós, independente de estilos ou modismos, todos estudávamos música erudita e o Ian era envolvido com heavy metal desde muito cedo. Interessei-me por canto lírico em 1987 e iniciei meus estudos com 12 anos. Creio que nossa maior inspiração foi Freddie Mercury e Montserrat Caballè e graças ao trabalho deles a sementinha da Lords Of Aesir foi plantada em nossos corações, foi crescendo e se desenvolvendo com o passar dos anos, nos apropriando de conhecimento e de apreciarmos  bons trabalhos que nos anos posteriores no auge do Metal Sinfônico fomos todos expostos e  presenteados. Nossa intenção não é copiar ou nos assemelhar à outras bandas consagradas, queremos apenas fazer aquilo que nos agrada e nos completa. Comparações sempre haverão, é inevitável, mas creio ser saudável também! Pois graças a isso pessoas que gostam desse nicho musical têm procurado conhecer o nosso trabalho. Todos ganham quando se faz algo por prazer!


Momento na festa de lançamento do álbum: Karol, Júlio, Ian e o baterista convidado, Esmael Marques
RtM: A banda fala em seu press-release que quis transmitir com este trabalho, através do conceito utilizado, os anseios e sonhos que os humanos têm a respeito da eternidade e a sua procura através das diferentes ideologias individuais. Poderia nos falar um pouco mais a respeito desse tema adotado?
Karol: Cremos que o respeito pelas ideologias é o ponto fundamental que contribui para a evolução da humanidade e das sociedades. Acreditamos que não existe um único caminho certo, mas diversos que nos levam aos lugares que ansiamos. Devemos respeitar a diversidade.  A arte é um desses veículos condutores e a música é a nossa ideologia.


RtM: “Black Oasis” é uma das que mais me chamou atenção,  pelas variações e pela bela letra: “In the desert, resisting to all tasks, were no table to see the real dange walking beside, turning their thoughts against themselves.” Fale-nos um pouco mais sobre esta canção.
Karol: Bem, Ian foi quem a compôs integralmente, mas o que posso dizer como interprete é que a música em si trata justamente de demonstrar aquilo que disse sobre as ideologias variadas, a diversidade e o erro em tentarmos impôr sobre a sociedade um único e exclusivo pensamento ou meio de vida como sendo o correto. Por este motivo a frase final desta canção foi a escolhida para nomear nosso álbum. “Dream For Eternity...”


RtM: “Elvish Night” traz um clima bem medieval, me lembrando Blackmore’s Night, sendo um momento de mais “calmaria”, mostrando bem a diversidade do álbum.
Karol: “Elvish Night” foi feita em um momento crucial para o projeto, pensávamos se ainda o levaríamos adiante ou não por conta dos rumos em que a vida nos levava, cada um para um canto.  A intenção realmente foi de demonstrar a diversidade de nossas influências, bem como a música medieval e antiga, uma paixão particularmente minha.


RtM: E você? É uma pergunta que pode ser difícil, mas você tem suas canções preferidas no álbum? Qual a que você mais gosta de cantar?
Karol: Nossa... Essa é difícil! Tenho sim! Gosto de todas! É muito difícil destacar uma ou outra! Mas creio que a mais marcante para mim tenha sido “The Voice Beyond”, a primeira canção que gravamos com a LOA. Pela alegria em ter concordado com o Ian em criarmos este projeto e esta ter sido a primeiraa canção na qual oficialmente entramos em estúdio para gravar quando decidimos em lançar o EP e posteriormente o álbum.


RtM: E sobre sua influências pessoais? Quem lhe incentivou a iniciar na música, suas inspirações?
Karol: Como já disse, sou apaixonada por Montserrat Caballè! Mas creio que, pessoalmente falando, minhas principais influências tenham sido minha avó Zenilda Schmidt (soprano) e meu já falecido avô, que também era músico, Frederico Schmidt. Foi ele quem me ensinou as primeiras canções, as primeiras notas e a amar a música, devo muito à ele e minha avó por esse amor incondicional pela música. Pois hoje sem ela não sei o que seria da minha vida! Cantar para mim é como respirar: se não puder fazer isso eu morreria.


RtM: Karol, obrigado pela atenção, parabéns mais uma vez pelo álbum, e fica o espaço para sua mensagem aos fãs.
Karol: Eu quem agradeço! E aos amigos e todos que acompanham nosso trabalho nossa eterna gratidão! E tenham por certo que enquanto houver uma pessoa nesse planeta que pare para ouvir aquilo que compomos com tanto carinho certamente continuaremos dando o melhor de nós! Um grande abraço para todos vocês e para o pessoal da Road to Metal! É isso aí gente, stay metal! E "in bocca al lupo"!





Entrevista: Carlos Garcia
Edição: Carlos Garcia






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