sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Thomas Vikström (Therion): "Eu Nasci Dentro da Música!"




Conforme ele mesmo afirma na entrevista, Thomas nasceu dentro da música, filho de conhecido cantor de ópera suéco, conta que sua vida mudou quando ouviu KISS, e então começou com suas primeiras bandas no colégio, fazendo playback, tocando bateria e depois partindo para o vocal, seguindo uma carreira que tem no currículo desde a primeira banda que considera seu primeiro trabalho sério, o Talk of the Town, alcançando disco de ouro na suécia, trabalhos ao lado de bandas e projetos como Candlemass,Brazen Abbot, Dark Illusion, Storm Wind e muitos outros, e hoje mostra toda sua versatilidade e talento no Therion. 
(Read Here the english version)

Bom, vamos ao que interessa, confira esta entrevista onde Thomas nos conta um pouco mais sobre o início de sua carreira, seus trabalhos, planos futuros, a recente tour pela América e muito mais, rendendo histórias bem legais, com o bom humor e simpatia que é típico do cantor.
 


RtM: Eu gostaria de começar esta entrevista perguntando sobre como você começou sua carreira como cantor, e eu acredito que seu pai era o seu principal incentivador. Conte-nos um pouco mais sobre como começou o seu interesse e os seus primeiros passos na música?
Thomas: Eu nasci dentro da música. Meu pai era um cantor de ópera e entertainer, então eu rapidamente aprendi como o showbiz funcionava. Eu ficava nos bastidores com ele e assim fui indo. Mas levou um pouco de tempo antes de eu perceber que eu iria trabalhar com a mesma coisa. Eu era como a maioria dos meninos, eu queria ser um bombeiro ou um policial. Até achei que provavelmente eu seria um marinheiro (Sim, eu ainda tenho interesse em barcos). Também fui jogador de hóquei sobre o gelo,  foi uma grande coisa para mim, e eu joguei por um longo tempo. Mas a música estava sempre lá você sabe. Eu comecei a cantar muito tarde. Eu tinha 15 ou 16 anos, eu acho.

RtM: E como o Heavy Metal entrou na sua vida?
Thomas: Eu estava na casa de um amigo, deve ter sido  por volta de 1976, e ele colocou um disco do KISS e me mostrou uma foto da banda. Isso mudou minha vida para sempre. Eles eram como super-heróis e ainda tocavam música!! E eu também comecei a entender que garotas se interessavam por você quando você é músico. Fizemos playback shows (KISS e ABBA) na escola e eu dei o meu primeiro beijo depois de tocar KISS. Eu lembro da menina, o nome dela era Elsa.


RtM: Lembranças bem legais, e marcantes.
Thomas: Sim! E naqueles dias a palavra Heavy Metal não era conhecida. Mas para mim Metal e Rock pertencem à mesma família. Eventualmente eu comecei a tocar bateria e minha banda era chamada Power Dogs. Eu estava no terceiro ano e eu tocava com os "big boys" do sexto grau!(risos) Fizemos 2 shows e minha mãe costurou minha primeira roupa de palco (eu ainda tenho isso em algum lugar). Quando eu tinha 15 anos eu comecei a cantar em uma banda que batizamos de Bastard. Mais tarde, mudamos para Octagon. Nós éramos realmente bons. Nós éramos horríveis em nossos instrumentos, mas tínhamos boas músicas e a atitude certa. Eu cantava muito mal naquela época (risos). Todo mundo percebia, menos eu! (mais risos!)

RtM: A música clássica já está presente há muito dentro do mundo do Heavy Metal, que fatores você atribui a união desses mundos, com os fãs de metal e músicos sempre sendo muito ligados à música clássica? 
Thomas: Eu não sei... O Therion é uma mistura entre os dois estilos. Música clássica e Metal não estão tão longe  um do outro. A ideia de criar emoções são as mesmas. E eu estou convencido de que Beethoven ou Wagner gostariam de metal se eles ainda estivessem por aqui.

RtM: E além de vocês, no Therion, que unem esses dois mundos muito bem,  que outros músicos você acha que sabem como unir bem esses dois mundos?
Thomas: Nightwish é um exemplo muito bom eu acho. Grande banda!
 

RtM: E quais são suas inspirações como cantor clássico? 
Thomas: É difícil dizer, mas eu acho que quando se trata de clássico, é meu pai. Eu percebo que hoje, quando eu ouço minhas gravações e as gravações dele, às vezes, o timbre é assustadoramente parecido. Eu acho que é inevitável. Sua filosofia era muito simples quando se trata de cantar: "Divirta-se e cante o mais natural possível!". Se você pode falar você pode cantar. Ele era realmente irritante para muitos de seus colegas na ópera real, que ficavam caminhando ao redor cantando escalas e aquecendo durante horas. Ele achava que eram uns fracotes (risos). Ele foi chamado o punk rocker da ópera real. 

RtM: e como um cantor de Heavy Metal? 
Thomas: Quando se trata do Metal... não sei, Há tantos bons cantores. Rob Halford...Dio, para citar dois. Freddie Mercury é também um verdadeiro herói para mim.


RtM: Você é uma parte da história de bandas muito importantes no Metal, como o lendário Candlemass. Eu gostaria que você nos contasse um pouco sobre seus anos com a banda. 
Thomas: O Candlemass Foi um período estranho na minha vida. Eu gravei o álbum "Chapter VI" com eles. Um álbum que eu gosto muito. Messias estava fora da banda e eu fui literalmente jogado no estúdio, então cantei "The Dying Illusion" e acabei cantando em todo o álbum. Os fãs odiaram. (Não agora. Agora ele se tornou um registro "cult") e eu posso de  de certa forma compreendê-los. O desejo do Candlemass era ficar longe do doom metal, e eles fizeram isso com esse álbum. Nós fizemos alguns shows e um dia a banda simplesmente adormeceu. Agora eles estão indo muito bem e nós ainda somos bons amigos. 


RtM: Além desse trabalho com o Candlemas, você teve os álbuns com Talk of  the Town (banda de Hard e Melodic Rock suéca), banda que obteve resultados bem legais. Fale-nos um pouco sobre esse período!
Thomas: O Talk of the Town foi a minha primeira banda séria. Eu tinha apenas 18 ou 19 quando o nosso primeiro disco saiu. Ele subiu nas paradas na Suécia e eu recebi um disco de ouro com ele. O sucesso que tivemos foi com a música "Free Like An  Eagle". Eu escrevi a música e foi como ganhar na loteria. Este foi o momento em que eu entendi que aquilo era algo que eu sabia como fazer, e eu podia, como bônus, ainda ganhar um bom dinheiro com isso. Talk of the Town era como o Backstreet boys do metal melódico. Cinco caras bonitões (sim, eu fui um cara bonitão!! Era uma vez ... hehehe), com boas canções em turnê ao redor Suécia, com um grande sucesso. Foi um grande período na minha vida. 

Talk of the Town
RtM: E você teve seu álbum solo, "If I Could Fly" (1994). Como surgiu a oportunidade?
Thomas: Meu solo foi realmente um negócio muito simples. Fui convidado por meu editor para fazer uma solo e eu disse que sim. O negócio foi: Você canta, nós escrevemos as músicas. Se você curte Melodic Rock, eu acho que é um grande álbum


RtM: Sim! Tem muitas canções ótimas de Melodic Rock ali, minhas favoritas são "I Love Watch you Move", "Forever and Ever" e "Love and Emotion"
Thomas: Infelizmente quando ele saiu o grunge começou a ficar enorme. Então o álbum não foi um grande sucesso comercial. Mas eu gosto desse álbum. Jeff Scott Soto fez alguns dos backing vocals e Marcel Jacob (RIP) tocou baixo em algumas faixas. Pontus do Hammerfall  também fez alguns solos. Johan do Therion tocou bateria, assim como também Per Lindwall, que  já tocou com todo mundo. Sim!! inclusive com o ABBA.


RtM: Além do Brazen Abbot e Dark Illusion, temos Stormwind, com quem você lançou seis álbuns, é também uma parte importante da sua história no Metal. Como foram os anos com a banda, qual é o seu trabalho favorito com o Stormwind e por que você saiu da banda? 
Thomas: Brazen Abbot e Dark Illusion são projetos. Especialmente o Brazen Abbot,  um projeto que eu gostava de estar envolvido. Stormwind foi legal. Eu jamais deixei a banda. O líder da banda, Thomas Wolff,  decidiu colocar a banda no gelo para fazer outras coisas. Eu acho que Stormwind foi crescendo de álbum para álbum. O primeiro álbum é provavelmente o pior que eu já fiz e o último é um grande álbum de power metal. Minha música favorita do Stormwind é provavelmente "Touch the Flames"


RtM: Bom, você trabalhou com muitas pessoas e bandas, além das que falamos acima, e pode ser uma pergunta difícil de responder, mas de todos os trabalhos que você fez parte, qual deles você gostou mais para participar, e em qual, ou quais, você considera que teve suas melhores performances? 
Thomas: Sem dúvida  no Therion, eu acho. Mas eu nunca estou totalmente satisfeito.
Mas eu aprendi uma coisa ao longo dos anos, que é aceitar e seguir em frente, é só música! Ser muito exigente só destrói a diversão. 

RtM: E, lógico, falando agora do Therion, uma das bandas (a melhor na minha opinião) que combinam de forma excelente a música clássica com metal, e você se encaixa perfeitamente na banda, o que torna difícil para um fã de imaginar a banda sem você, e esperamos ter muitos álbuns com você ao lado do Therion. Conte-nos um pouco como foi a sua entrada no Therion.
Thomas: Sim, vocês tem que se acostumar comigo, eu não tenho quaisquer planos de sair!!  
Tudo começou com um telefonema. "Oi, meu nome é Christofer Johnson. Eu toco em uma banda chamada Therion. Você quer sair em uma world tour?" Isso é como Christofer é. Muito direto. 
Eu lhe disse: Claro, isso soa como diversão. Mas como vocês soam ?? Envie-me algo para que eu possa ouvir. Eu nunca tinha ouvido Therion antes. Eu tinha ouvido falarem deles. No dia seguinte, eu tinha todo o catálogo no meu e-mail. E a primeira música que eu ouvi foi "Mitternachtslöwe". Eu fiquei encantado por ela e chamei Christofer e disse-lhe: "Eu estou dentro!!!"


RtM:  E sobre a atmosfera de "família" que a banda possui. Podemos ver que este clima contribui muito em suas performances ao vivo. 
Thomas: Quando eu fiz a primeira turnê a atmosfera na banda foi ok, mas um pouco tensa. Um certo integrante (sem nomes!!) chamava os fãs de coisas muito feias, e agiu de forma muito mal educada, o que secretamente me deixou muito triste e envergonhado. Mas eu decidi me divertir e eu não me importava por um segundo com aquele ar mal-humorado que pairava na banda. Agora o espírito e a atmosfera na banda é muito, muito relaxada. Nós nos divertimos, e as "discussões" são realmente poucas. Touring é assim que deve ser: Divertido! E eu acho que as pessoas podem sentir isso quando estamos no palco. 


RtM: Falando de Família, sua filha Linnéa (leia entrevista com ela AQUI) também se juntou ao Therion. Como é para você tê-la ao seu lado no palco? Eu acho que deve ser algo muito especial e que lhe enche de orgulho. E eu tenho que dizer, ela está ficando melhor como cantora e performer a cada dia que passa!
Thomas: Eu estou acostumado a tê-la ao meu lado no palco agora. E claro que estou muito orgulhoso dele. Ela está ficando melhor a cada ano. Ela tinha na verdade apenas 18 anos quando fez o primeiro show com a gente. Isso foi no festival Bloodstock, na Inglaterra. Eu estava mais nervoso do que ela. Eu e Linéea temos uma relação muito próxima. Quando estamos em turnê nossa relação se transforma de pai e filha para colegas. Muitas pessoas perguntam se eu fico com ciúmes com todos os garotos que se aproximam dela durante a turnê. Claro que não. Ela é uma adulta agora e faz exatamente o que ela quer. E agora ela tem um namorado firme, ele é o baterista da Dinasty, e era o baterista da Rock Of Ages, show que eu fiz por quase 2 anos. 


RtM: Deve ser muito legal mesmo tê-la ao seu lado, e você demonstram ter uma bela cumplicidade.
Thomas: Eu acho que eu e Linnéa tivemos 2 brigas somente um com o outro. A primeira foi quando ela tinha 5 anos e eu deveria ensiná-la a andar de bicicleta, e a segunda vez quando ela tinha 16 anos e perguntou se poderia fazer uma festa em minha casa. Eu disse: claro que você pode, mas haverá ZERO álcool, é minha casa e não há nenhuma necessidade de sequer discutir o assunto. Eu não fiquei popular depois disso. Mas agora ela realmente me agradece por isso. 


RtM: Falamos sobre seu álbum solo, lá de 1994, você tem planos ou desejo de lançar outro álbum solo? Talvez com Linnéa! Seria legal! 
Thomas: Na verdade, estou trabalhando em um projeto solo. Tem o nome de trabalho "CHURCH OF DECADENCE". Estou realmente muito emolgado com ele. Quando ou se ele vai sair, eu não sei ainda. E não,  não planejei se Linnea estará nele. Mas ... Obrigado pela sugestão!


RtM: E seu papel no Rock Ópera "Antichrist Superstar" (novo trabalho que o Therion está produzindo)? O que você pode nos dizer sobre este trabalho e suas expectativas para tocá-lo ao vivo? 
Thomas: É um grande projeto grande. E para dizer a verdade não sabemos ainda como vamos fazê-lo ao vivo. Mas, de uma forma ou de outra, vamos! 


RtM: Recentemente você esteve de volta na América, passando pelo México, onde o Therion tem uma grande base de fãs, e América do Sul, onde a banda também é amada. Como foi as impressões sobre essa turnê aqui na América, e como você se sente sobre essa cumplicidade e amor dos fãs aqui para com o Therion?
Thomas: Para mim, os fãs são tudo. Sem eles não somos nada! Zero! E sou um cara social que honestamente ama passar o tempo com os fãs fora dos hotéis e assim por diante. Se você é um artista que acha que os fãs são um pé no saco, há uma abundância de Mc Donalds que precisam de seu serviço (risos! grande Thomas!!)
A América do Sul é muito especial para mim, para nós. E uma grande surpresa desta tour foi a primeira vez em Honduras. Foi realmente muito legal e os fãs foram incríveis. 


RtM: A tour também foi especial porque foi a primeira vez da Chiara (Malvestiti, soprano efetivada ano passado no Therion) aqui também. 
Thomas: Chiara é fantástica. Nós, na verdade, começávamos a perder a esperança de encontrar alguém que pudesse manter a qualidade da Lori Lewis. Graças youtube que a encontramos. Ela é uma ótima pessoa e ela está fazendo um grande trabalho. 


RtM: Lembro-me de ter falado de uma forma bem humorada que essa tour  estava sendo a "No Sleep Tour" com vocês fazendo vários shows em poucos dias. Realmente deve ser cansativo, mas acho que tudo vale a pena com a recepção dos fãs, e estar fazendo o que você gosta. 
Thomas: Essa tour foi um passeio com muitos primeiros voos. Às vezes você tem que acordar tipo 04.00h da manhã para voar para outro lugar. E quando chegar, você deve ir diretamente a passagem de som. Depois do show no Uruguai eu perdi a minha voz totalmente (coisa que não acontece) Por sorte, teve um dia de folga e  consegui dormir e me recuperar,  e pude e fazer os shows restantes no Brasil. Se valeu a pena ?? Sim, em torno de 10 vezes! Você tem que ser feito de um material especial para amar esta vida e eu amo! 


RtM: E artisticamente falando, você sente que é um músico realizado ou tem algo que você quer muito ainda na sua carreira? Que coisas você gostaria de realizar? 
Thomas: Eu tenho feito mais do que a maioria das pessoas têm feito em uma vida inteira, eu visitei cerca de 45 países e eu não sei quantos álbuns já fiz. Eu sou rico ??. Nãaa..Não realmente. Mas eu sou rico se falarmos sobre o que tenho visto e experimentado. Mas eu sempre quero tentar coisas novas. Gostaria de fazer mais teatro. E se me fosse oferecido um papel em um filme que eu diria que sim, sem pestanejar. 



RtM: Thomas, obrigado por seu tempo, antes de tudo, eu sou um grande fã de seu trabalho, e espero vê-lo em breve com Therion aqui na América novamente (Em Porto Alegre também, eu espero)! Eu deixei este espaço final para que você envie sua mensagem para os fãs. 
Thomas: Thanks! O prazer é meu!Acho que tenho os melhores fãs do mundo e vamos estar de volta na América Latina novamente. E eu espero que seja em breve !!!!
 Muitos beijos
 Thomas V

Entrevista: Carlos Garcia 

Photos: Foto de abertura (Opening): Tim Tronckoe
Therion & Thomas archives (all photos are not modify, in respect of the autors)
Thomas Fan Page
Therion website

Links relacionados:
Entrevista Com Linnéa Vikström
Matéria Escrita por Adriano  Monteiro (Escritor e membro da Dragon Rouge, assim como Christofer) 










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