sábado, 6 de agosto de 2016

Entrevista - Symmetrya: Evolução Constante e Metal Sem Modismos



Fundada em meados de 2002 na cidade de Joinville (SC), o Symmetrya nasceu com o ideal de tocar Heavy Metal sem se ater a modismos, deixando fluir suas influências e inspirações, e nesses quase 15 anos de estrada, onde já lançaram um CD-Demo, dois full-lenghts, participaram de diversas coletâneas e ainda somam a experiência de inúmeros shows, inclusive em outros países da América do Sul, ao lado de nomes como Angra, Primal Fear, Dark Moor e Shaman, o grupo vem atingindo seu objetivo, apresentando um Metal com poder de fogo, melodia e que transita do Heavy Tradicional ao Power Metal, passando pelo Progressivo, Hard e Classic Rock.   (English Version)

Essa experiência e maturidade adquirida nesses anos na estrada reflete-se no seu mais recente álbum, "Last Dawn", que segue somando elogios e abrindo portas, mas a banda não se acomoda e afirma querer evoluir ainda mais em todos os aspectos. E foi para falar sobre esse álbum, os ótimos resultados da repercussão desse trabalho, e também um pouco desses quase 15 anos de estrada, planos futuros e outros assuntos, que conversamos com um dos fundadores do Symmetrya, Milton Rodrigo Maia (teclados). Confira a seguir o resultado:



RtM: Vocês continuam em plena divulgação do álbum “Last Dawn”, inclusive com shows ao lado do Angra nessa tour de aniversário do “Holy Land”. Nos conte um pouco como estão sendo os resultados da divulgação do álbum até aqui e também sobre esses shows com o Angra.
Milton: Conheço o Rafael há um bom tempo e como ele participou do nosso CD, nada mais natural que tocarmos juntos com sua banda, o Angra. Em 2015 tocamos com o Angra em Curitiba e o show foi um sucesso de público e tivemos um bom retorno nas redes sociais. Este ano surgiu uma nova oportunidade para tocar na turnê deles do Holy Land, e foi uma enorme satisfação poder abrir esse show em Porto Alegre, que foi perfeito e novamente um sucesso.

"Eu acredito que a produção como um todo está bem melhor, as melodias estão mais trabalhadas e pensadas em relação ao álbum anterior"
RtM: Aproveitando que tocamos no assunto divulgação, como vocês veem e avaliam essa questão para uma banda, principalmente as independentes, de buscar levar seu trabalho a um público maior, o que vocês tem percebido que tem funcionado para vocês e o que fatores ou recursos vocês gostaria de contar e que, com certeza, poderiam fazer uma diferença maior?
Milton: Praticamente todas as bandas estão ficando independentes, com exceção das bandas de maior porte que possuem um grande número de fãs, porque praticamente não existem mais gravadoras e sim distribuidoras de CDs. Muitas bandas conhecidas no mercado optam por prensarem seu próprio álbum e fazer uma parceria para distribuição e venda em forma física e on-line, acredito que isso não tem volta e temos que nos adaptar. O que falta no mercado é uma estrutura de agenciamento e venda de shows da mesma forma que acontece no sertanejo, com várias bandas de estilos diferentes numa agência que procura vender e preencher a agenda de shows para a banda, e de fato uma amizade maior entre as bandas com indicações, divulgações de bandas parceiras, etc.
Gostaríamos ainda de ter um aporte financeiro maior para lançar mais videoclipes que considero importantes na divulgação do álbum.

RtM: E falando sobre “fazer a diferença”, que aspectos você considera imprescindíveis para uma banda que pretende ter uma longevidade e conseguir um destaque dentro de um cenário tão inchado?
Milton: Hoje em dia tem que ser muito profissional em todos os aspectos que envolvem uma banda, as pessoas estão muito críticas devido a visibilidade que a internet trouxe como um todo e não aceitam mais trabalhos medianos. O CD tem que ter uma boa produção, arte gráfica, boa divulgação nas mídias especializadas e por fim boas músicas que é o principal.

RtM:Falando sobre o “Last Dawn”, que é um trabalho que demonstra que o Symmetrya tem realmente um objetivo de buscar uma evolução em todos os aspectos. O que você destacaria de diferenças entre o debut de vocês e este segundo álbum?
Milton: Eu acredito que a produção como um todo está bem melhor, as melodias estão mais trabalhadas e pensadas em relação ao álbum anterior e a arte gráfica foi feita pelo renomado Gustavo Sazes, que dispensa comentários pelos seus trabalhos com: Kamelot, Manowar, Angra, Dr. Sin, James Labrie, etc., e inclusive essa capa foi escolhida por alguns sites como uma das melhores do Metal nacional nos últimos anos, porém penso que ainda podemos evoluir muito mais em todos os aspectos.
 
"O que falta no mercado é uma estrutura de agenciamento e venda de shows da mesma forma que acontece no sertanejo, com várias bandas de estilos diferentes numa agência que procura vender e preencher a agenda de shows."

RtM: Além da capa, que traz um trabalho gráfico belíssimo, realizado pelo Gustavo Sazes, me pareceu já nas primeiras audições que vocês buscaram inserir ainda mais novos elementos na música da banda, principalmente do progressivo e até AOR, e vi muito cuidado com as melodias e arranjos, resultando em composições muito boas e marcantes. Vejo muitas bandas preocuparem-se demais com a parte técnica e esquecer o feeling, já vocês, dosaram tudo muito bem. Contem-nos  um pouco sobre como funciona esse processo criativo dentro da banda, e um pouco também das inspirações para a composição de “Last Dawn”.
Milton: Você está certo em sua colocação, todos na banda gostam muito de filmes e literatura, e com certeza essa é a maior inspiração nas letras. Quanto as melodias tentamos não ser muitos técnicos a todo momento, porque de fato o que importa para o ouvinte é gostar da música, se emocionar, e isso independe da sua complexidade técnica, então sempre discutimos isso e às vezes o mais simples e direto pode funcionar melhor, mas sempre gostamos de compor algumas músicas mais complexas com passagens mais progressivas, etc.

RtM: E sobre a relação da arte da capa e o título do álbum, gostaria que você comentasse a respeito do tema.
Milton: A capa retrata as letras abordadas nas diversas músicas, mas em especial a letra da música "Something In The Mist", que aborda o fim do mundo, esse mundo caótico que as pessoas matam por crenças religiosas, políticas, etc., porém a mensagem final é de otimismo, que nunca é tarde demais para recomeçar, realizar seus sonhos, ou seja sempre existe uma saída e nunca desista!


RtM: Falando das faixas, e já que falamos da “Something in the Mist”, que abre o álbum, é bem vibrante, mais rápida,  e com interessantes variações, poderíamos dizer que mostra o lado mais Power Metal da banda? E também traz uma participação especial do Rafael Bittencourt.
Milton: Exatamente, essa é uma típica música de Power Metal, rápida, com 2 bumbos e com variações que antecedem os solos. A letra foi toda baseada na obra (Filme e livro) do Stephen King “ The Mist”. O amigo Rafael Bittencourt do Angra fez um excelente trabalho gravando o solo de guitarra para essa música, que ficou ótimo.

RtM: Agora me falem também mais da  faixa “In the Blink of an Eye”, que é bem melodiosa, com um belo refrão e grandes melodias no teclado, bem numa linha AOR ou Melodic Rock. Parece uma canção talhada pra grudar na mente do ouvinte! E funciona muito bem, pude presenciar ao vivo em Porto Alegre. Muito bom!
Milton: Obrigado pelos elogios Carlos. Essa música foi composta para ser bem melodiosa mesmo, com um lado mais Hard Rock/AOR ou Melodic Rock como você citou, nós não nos prendemos em um rótulo ou estilo e misturamos o Power Metal, Hard Rock, Classic Rock e o Progressivo. A música funciona muito bem ao vivo e podem esperar mais músicas nessa linha nos próximos álbuns.

RtM: Enquanto que “Darkest Love” é mais cadenciada e climática, com destaque para as melodias dos teclados, “To Live Again” é outra mais Power Metal, e tenho que destacar também o trabalho de Jurandir nos vocais, pois ele transita muito bem por esses elementos mais melódicos, progressivos ou Power Metal, dando tranquilidade para a banda ter uma liberdade maior nas composições. Vejo que também há um lado espiritual bem forte nos temas que o Jurandir aborda em suas letras.
Você tem razão, nossas letras têm essa ligação com o imaginário do sonho, pesadelo, o além, morte, etc., como a letra da música “Darkest Love” que você citou. A música To Live Again é uma continuação da nossa música mais conhecida “Learn To Live”, que fala sobre buscar ao longo da vida realizar todos os seus sonhos e metas, independentemente da idade, posição social, etc. e na minha opinião essa é a razão da vida.


RtM: Outra que gostei muito é “Caught in a Dream”, que tem melodias sofisticadas, e algumas partes me lembram algo de músicas mais melódicas e progressivas do Iron Maiden. Gostei bastante da letra dela, então gostaria que vocês comentassem a respeito dessa música, que é mais uma que mostra essa diversidade e balanceamento bem interessante que vocês alcançaram neste álbum em termos de composições.
Milton: Essa música é bem cadenciada e quase uma balada, porém com uns arranjos mais elaborados em sua introdução. A letra tem um significado especial para o nosso vocalista, pois foi escrita quando da morte do seu pai, que lutava contra um câncer.

RtM: A trilogia “The Witch of Portobello” mostra bastante essas variações, com partes bem progressivas, gostaria que vocês falassem um pouco mais a respeito da parte lírica, baseada no livro do Paulo Coelho, e instrumental desta trilogia, que aliás, tem um dos melhores refrãos do álbum com a “Past Life Trauma”.
Milton: Temos recebido bastante elogios pelos nossos refrãos nesse álbum, Sempre procuramos enriquecer a parte lírica através de leitura de livros, e o Paulo Coelho sempre fez muito sucesso, e após ler o seu livro “A bruxa de Portobello” achamos que daria uma história interessante para encaixar em nossas músicas, e resolvemos contar a história em 3 músicas que se encaixaram muito bem com as melodias.


RtM: Voltando ao assunto de divulgação, vocês tiveram a oportunidade de fazer shows em vários países pela América do Sul, nos contem um pouco mais desses shows e qual o saldo dessas apresentações. Muitas portas abertas para, quem sabe, uma tour mais extensa?
Milton: Em todos os países que passamos fomos muito bem recebidos, tocamos em casas de shows onde passaram artistas como Mr. Big, Jorn Lande, Blaze (Ex Iron Maiden), etc. Fizemos muitas amizades que vão nos abrir portas para novos shows e aumentar nossas divulgações nesses países. Acredito que foi muito valido esses shows, pois sentimos que gostaram muito das nossas músicas e ganhamos bastante experiência para uma nova tour mais completa.

"Todos na banda gostam muito de filmes e literatura (Stephen King, Paulo Coelho), e com certeza essa é a maior inspiração nas letras."

RtM: Aproveitando o gancho desses shows de vocês por Uruguai, Peru, Argentina e Chile, como vocês estão vendo esse intercâmbio entre os países da América do Sul? Me parece que seria bem benéfico para a cena da América do Sul se houvesse uma interação maior entre as bandas daqui do Brasil com o restante do continente, até na questão de quem sabe, montar festivais fortes, pelo menos próximos aos que acontecem na Europa.
Milton: O formato de festivais são uma boa ideia para fortalecer a cena, porque reúnem várias bandas de estilos diferentes em único local e por isso o público e bem maior, enquanto que shows dessa ou daquela banda isoladamente traz um público especifico que segue a banda. Os festivais são um sucesso na Europa e se fossem melhor organizados com uma estrutura similar aqui, seriam um sucesso também. Temos alguns festivais que estão crescendo e talvez daqui uns 5 anos ou mais podemos ter uns 3 festivais de grande porte aqui também.

RtM: E os planos da Symmetrya para esse restante de 2016?
Milton: Para 2016 temos ainda 8 shows agendados no Brasil, Paraguai, Argentina e ainda vamos lançar um videoclipe para a música "Darkest Love" em breve.

RtM: Pessoal, obrigado pela oportunidade, fica o espaço final para seu recado aos leitores!
Milton: Obrigado a você Carlos pelo espaço no Road To Metal, e as pessoas que quiserem conhecer mais sobre a banda, ouvir as músicas, assistir aos nossos videoclipes, enfim, acesse nosso site e nossas páginas nas redes sociais.


Entrevista: Carlos Garcia
Fotos: Arquivo da banda

Symmetrya é:
Jurandir Júnior: Vocals
Milton Rodrigo Maia: Keyboards
Alexandre Lamim: Guitars
Marcos Vinicius: Drums
Gean Souza: Bass

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Um comentário:

Sabiah disse...

Letras e músicas em plena sintonia. O Brasil está bem representado por bandas assim... Um convite europeu seria nada mal. Sucesso.