quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Orquídea Negra: "Blood of the Gods", Uma Espera Que Valeu A Pena


Já são três décadas de estrada dedicadas ao Heavy Metal, que corre solto nas veias da banda Catarinense Orquídea Negra, e nem o longo tempo sem lançar novo material esfriou os ânimos, pelo contrário, "Blood of the Gods", além de novamente ter André "Boca" Graebin de volta aos vocais (André só não gravou o terceiro álbum, o ao vivo "More Live Than Never" de 1996) é um trabalho que traz ótimas novas músicas para o catálogo do grupo, e pelo menos um par de canções fadadas a alcançarem status de clássico do Metal nacional, assim como "Surrender", do seu primeiro álbum (que foi relançado pela primeira vez em CD, e a resenha você vai ler aqui no Road também), e entrega para o ouvinte uma sonoridade de essência clássica, um Heavy Metal incrustado de todas as características que um headbanger aprecia, principalmente os aficcionados pela sonoridade mais tradicional do Metal. Então, altamente recomendado para fãs de Black Sabbath, Rainbow, Judas, Dio e Iron Maiden.

Por sonoridade mais tradicional e clássica, entenda-se o Metal oitentista, a NWOBHM, e somado a isso, também elementos do Classic Rock e Hard Rock dos anos 70, e o Orquídea Negra, que começou em 1986, possui essas características naturalmente, não é nenhuma banda que começou alguns meses atrás e quis fazer um som mais vintage, seja para tentar seguir alguma tendência, ou por influência mesmo.


O álbum, que teve edições lançadas na Europa pelo selo inglês Secret Service, agora tem tiragem também pela Metal Soldiers de Portugal, e vem com vários bônus, somando um total de 14 faixas. Produzido por Daniel Finardi, que também colocou os teclados, e pela própria banda, e arte da capa criada pelo Neto Santos (grande batalhador do Metal, que pude trabalhar junto no site All the Bangers), "Blood of the Gods" apresenta ótima qualidade gráfica e sonora.

Aos primeiros segundos da intro, que precede a faixa título "Blood of the Gods", que é um dos grandes destaques do álbum, já dá sinais que o que vem é uma excelente faixa de um Heavy Metal com peso e melodia, Metal clássico, mas sempre soando atual. Podemos sentir alguns toques setentistas, principalmente pelos teclados, remetendo a bandas como Uriah Heep, que tinha aquela veia meio progressiva em alguns momentos, além daquelas faixas épicas que Dio fazia tão bem, quando mesclava Hard/Heavy e utilizava teclados. Excelente abertura, e mal você se recupera e outra grande música já se apresenta, "True Soldier", de características semelhantes, porém com mais teclados ao fundo, destacando o refrão espetacular, e "épica" foi a melhor palavra que encontrei para descreve-la no momento. Início arrebatador, aquele tipo de música que acabou e você já coloca pra ouvir de novo.

A veia da NWOBHM e do Iron Maiden clássico que a banda sempre carregou, aparecem fortes em faixas como "Idea 136", com seus riffs e andamentos bem tradicionais, tem até uns overdubs, dando aquela sensação de "ao vivo", algo que era bastante usado nos 80 ("We Rock", do Dio, por exemplo), trazendo também novamente a mente Dio, assim como a seguinte, "Understand", com seu andamento cadenciado e excelente refrão.


"The Secret of Life", é uma ode ao amor pelo Rock and Roll, com refrão e riffs contagiantes, com direito a um trecho "cavalgado" e um coro daqueles pra chamar a galera; "Annie's Song" tem riffs bem Sabbath, com um andamento arrastado e vocais altos, portanto, não se engane pelo título, que não é nenhuma balada contando uma história de amor, mas sim um Heavy Blues picante.

"The Darkness", gravada originalmente em 1992, mas ficou fora do primeiro álbum devido ao espaço, ganhou nova roupagem, e é mais um petardo de Metal clássico na veia, aqui trazendo mais evidente a influência setentista, com sopros de Rainbow e Uriah Heep, e um ar épico novamente, destaque para as linhas de baixo e os Hammonds, que abrilhantam ainda mais esta faixa; os Hammonds também estão muito bem encaixados em  "They Call Me Insane", que alterna trechos mais rápidos com outros meio tempo, sendo mais uma bela mescla de elementos dos 70 e 80; "Rainbow in the Dark", fecha com Metal direto, de riffs secos e mais um ótimo refrão, em que um trecho da melodia lembra a música homônima do Dio, e assim como o título, parece uma referência ao grande Ronnie.

E para valorizar ainda mais a aquisição deste ótimo álbum, ainda há 5 bônus muito legais, sendo três regravações do "Who's Dead", onde era bem marcante a influência da NWOBHM e Iron clássico, assim como Judas, então temos a épica "Hunting Devil", com seus riffs cavalgados, e a inspiração latente no Iron Maiden clássico (observe o finalzinho dela). "Wonderful and Lost", com sua intro marcante das guitarras, tendo diversas mudanças de andamento e alguns efeitos especiais; "Surrender", em versão acústica, tendo Jean Varela nos vocais (Jean gravou o álbum ao vivo), onde também ganhou alguns arranjos de violino, ficando muito bonita, e ainda a bem humorada "Flodoardo", originalmente gravada por um grupo regional chamado Expresso Rural, em 83, e chegou a ser censurada na época; e a última bônus, temos a versão para "Orquídea Negra", de Zé Ramalho, numa roupagem Metal. Essa versão já havia chegado a sair em um CD-R anos atrás.


Sabemos como não é nada fácil manter uma banda de Metal, ainda mais difícil seguir lançando material inédito e físico aqui no Brasil, tanto que este álbum saiu somente em edições por gravadoras estrangeiras, mas felizmente pode ser adquirido direto com a banda, e só temos a agradecer e parabenizar o Orquídea Negra por todos esses anos de estrada, e acima de tudo pelo ótimo trabalho de Heavy Metal. Altamente indicado a qualquer Headbanger que se preze, e também curta a sonoridade lapidada por mestres como Judas, Iron, Dio e a revolução que foi a NWOBHM! Compre já!

Texto: Carlos Garcia
Fotos: Arquivo da banda

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Ficha Técnica:
Banda: Orquídea Negra
Álbum: "Blood of the Gods"
País: Brasil (Lages - Santa Catarina)
Estilo: Heavy Metal Tradicional
Produção: Orquídea Negra e Daniel Finardi
Mixagem/Masterização e Teclados: Daniel Finardi
Selo: Metal Soldiers (Portugal), Secret Service (Inglaterra)


O Orquídea é:
Róbson Anadon: Baixo
André Boca Graebin: Vocais
Vinícius Porto: Guitarras
Raphael Marini: Bateria

Track List:
01. Blood Of The Gods

02. True Soldier

03. Idea 136

04. Understand

05. Secret Of Life
06. Anne' s Song
07. The Darkness
08. They Call Me Insane
09. Raibow In The Dark

Bônus:
10. Hunting Devil
11.Wonderful and Lost
12. Surrender (acústica)
13. Flodoardo (Original por Expresso Rural)
14. Orquídea Negra (Original por Zé Ramalho)
 







Um comentário:

Anônimo disse...

Excelente banda. Já vi ao vivo.