domingo, 16 de outubro de 2016

KISS - 1978, O Ano dos Álbuns Solos: Uma Overdose de Kiss!



O KISS é certamente um modo de vida, uma banda que elevou o show de Rock a um outro nível, arrastando uma legião de fãs, criando até o seu exército, o “KISS ARMY”, além de ser a que provavelmente melhor explorou o aspecto comercial, tendo incontáveis produtos com sua marca, que vão desde miniaturas dos mascarados, brinquedos dos mais diversos, até máquinas de fliperama e, pasmem, caixões!!

O estrondoso sucesso do grupo, que vinha de álbuns multi-platinados, despertou a ideia da gravadora Casablanca de lançar simultaneamente quatro álbuns solos dos mascarados, em setembro de 1978, partindo do princípio que os quatro discos alcançariam o sucesso e a vendagem dos álbuns regulares, como o então recente mega sucesso “Love Gun”, e aí colocou no mercado 4 milhões de cópias, e estima-se que a metade acabou sendo devolvida aos depósitos da gravadora.

Pareceu uma boa ideia, mas ao invés de todos os compradores adquirirem também os 4 solos, muitos preferiram adquirir apenas o seu preferido. Estima-se também que a falta de hits mais poderosos não alavancou a venda, sendo que apenas Ace Frehley teve, com versão de “New York Groove”, do grupo Glam inglês Hello, um single bem colocado e que permaneceu um tempo no top 20 dos charts, e o álbum de Gene, que até chegou a figurar entre os 22 mais vendidos, mas despencou rapidamente.

Fato é que tudo relacionando a banda vira notícia, e sempre é motivo de muitas conversas e discussões, e assim como outros álbuns do grupo, os solos, que já são quase "quarentões", também seguem rendendo bons debates, e certamente, muita gente seguiu adquirindo os discos depois, completando sua coleção, e até novas edições e boxes foram lançados.

Abaixo, segue um texto cedido por um “Kissmaníaco”,  músico conhecido na cena Metal da Alemanha e Europa, atualmente baterista do Manilla Road e Roxxcalibur, Andreas Neudi Neuderth, o qual também é jornalista, e sempre com textos inteligentes, informativos e divertidos, nos traz ótimos momentos de leitura, então é uma honra para nós do Road tê-lo aqui, e esperamos ter mais vezes. Confira a seguir o que Neudi falou sobre os quatro álbuns solo, elegendo os seus preferidos!
Carlos Garcia

Andreas "Neudi" Neuderth

Sem dúvida, os quatro álbuns solo do KISS foram uma “overdose” de KISS para os seus fãs, e a ideia de lançá-los até foi inteligente, e fico imaginando porque houve, na época, tantas devoluções pelas lojas de discos. A qualidade de cada álbum foi discutida várias vezes, inclusive aqui no Facebook. E há um livro lançado ("Gene, Ace, Peter & Paul: A detailed exploration of the 1978 KISS solo albums"), lidando apenas com os álbuns solo, incluindo entrevistas com pessoas que estiveram envolvidas. Eu amo isso, e eu li o livro todo em um dia. Então achei legal falar sobre o meu Top 4 agora, em ordem de preferência:



Número 1: ACE FREHLEY
Ace Frehley, o cara que salvou "Dynasty" de ser um "desastre pop" com suas três canções (incluindo o cover do Rolling Stones é claro, “2.000 Man”), fez o álbum que mais ouvi, porque não é apenas o meu favorito dos quatro, ele também contém  grandes canções - com exceção da versão do Hello,  "New York Groove". Eu nunca gostei dessa música com aquela batida primitiva horrível de bateria e palmas, mas pelo menos rendeu um único hit para Ace/KISS (N. do R.: foi a canção dos 4 álbuns solo, que melhor colocação teve nos charts). Outro argumento é que eu realmente gosto do baterista que tocou no disco, Anton Fig, mesmo que ele tenha dobrado muitas partes neste álbum (também em "Unmasked" aqui e ali), algo que eu normalmente não gosto muito. Neste caso, eu fiquei feliz quando eu finalmente percebi isso, porque os arranjos de bateria em "Rip It Out" (especialmente a última antes da canção seguir com o solo de guitarra) me deixaram louco por muitos anos!! "Rip It Out" é a abertura perfeita, e, em seguida, fechando o álbum, a grande instrumental "Fractured Mirror" é brilhante. As trocas de ritmo em  "Wiped Out" são quase progressivas, pelo menos partindo de algo que vêm da família KISS . E eu poderia viver sem "What’s On Your Mind",  embora eu ache que é uma música ok.

Número 2: GENE SIMMONS
Ok, isso pode ser uma surpresa agora, e houve momentos em que eu o teria classificado como meu número 1. Este álbum caro (em relação ao trabalho de estúdio e os famosos convidados) começa com uma intro maligna!! Mas, em seguida, se transforma em um bom rock'n'roll  ("Radioactive"). A primeira vez que ouvi, ainda garoto, eu esperava algo selvagem após essa introdução (que me assustou um pouco ...). Claro que a última música, "When You Wish Upon A Star", é mais do que horrível !!!! É a maior besteira, nunca deveria estar em qualquer álbum do Kiss. Mas eu realmente amo o resto do LP. Eu sempre gostei de backing vocals femininos no Rock ou Metal, e é triste que nós não tivemos isso mais vezes.  Como o Riot, em "Angel Eyes" ou Deep Purple, quando eles estavam em turnê Austrália depois de Steve Morse se juntou à banda (Eu tenho um boxset bootleg com seis shows). Gene simplesmente escreveu boas canções e até mesmo a coisas meio bobas, como na letra de “Living in Sin”: “I’m living sin in the holiday Inn Day” ... WTF ??,  me fazem sorrir e eu gosto disso. Por muitos anos eu odiei esse álbum, mas as coisas mudaram muito!



Número 3: PAUL STANLEY
Mesmo em álbuns regulares do Kiss, eu amava as composições de Ace e Gene muito mais. Peter fez algumas coisas legais também. Eu acho que as canções de Paul são "mais KISS" para a maioria dos fãs, e eu diria que este solo soa "mais KISS" também. Eu amo a música de abertura, "Tonight You Belong To Me", mas eu preciso pular "Move On" depois disso ... E é isso que acontece durante a coisa toda. Eu gosto de uma música e não gosto da próxima. A melhor música para mim é "Take Me Away"  ("Together As One", que é muito Zeppelin e tem Carmine Appice na bateria, que entrega algumas grandes coisas nos últimos dois ou três minutos. Mas, em geral eu acho que a bateria não está em um volume alto o suficiente durante todo o álbum.

Número 4: PETER CRISS
Nenhuma surpresa aqui eu acho ... Este Rock Country e  R'n'B meio bobinho mostrou porque Criss nunca foi muito feliz no KISS mais Hard Rock: Sua voz é ótima e as canções não são ruins para esse tipo de música, mas não poderia estar mais longe do KISS,  do Hard Rock ou mesmo do Rock. Ouvi muitas vezes para ver se eu ia gostar um dia, mas ... nenhuma chance. Eu acho que mais de 35 anos é tempo suficiente para este teste.

É muito interessante que a ordem de preferência foi mudando ao longo dos anos, e faz um bom tempo que já conheço esses álbuns. Mas Peter sempre foi meu número 4 com certeza, durante todos estes anos. Imagine se todas as canções dos solos fossem demos para um álbum regular do Kiss, entre “Love Gun” e “Dynasty”, quais 10 canções desses quatro você escolheria?


Texto: Andreas “Neudi” Neuderth (Neudi, fã e colecionador de Kiss, além de NWOBHM e Metal Clássico, é conhecido por seu trabalho em publicações programas de Rock e Metal, como Rock Hard e Street Clip, além de trabalhar com mixagem e produção, é baterista atualmente do Roxxcalibur e Manilla Road, tendo passado por diversas bandas como Masters of Disguise, Trance e Savage Grace)

Leitura Recomendada:


"And Party Every Day" by Larry Harris”

"Gene, Ace, Peter & Paul: A detailed exploration of the 1978 KISS solo albums"





















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