quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Cobertura de Show – Edu Falaschi & AttrachtA: Uma Noite Nostálgica! (23/07/2017 – Carioca Club – SP)

 

Quando o vocalista Andre Matos anunciou a sua saída do Angra, no começo de 2000, somada também pelo desligamento do baixista Luis Mariutti e do baterista Ricardo Confessori, gerou fortes incertezas para uma das maiores potencias do Heavy Metal nacional, provido de um ponto de interrogação que causou receios tanto nos fãs quanto ao destino da banda, que naquela altura colecionava os melhores hits nos álbuns “Angels Cry” (1993) e “Holy Land” (1996). A restruturação não divergiu no seu ponto criativo, que de 2001 a 2004, com os álbuns “Rebirth” e “Temple Of Shadows”, contagiou gerações com um repertório amplo, estabelecido pela ideia do vocalista Edu Falaschi. 

Após 5 anos desde de seu egresso, finalizando a jornada que perdurou 12 anos, Edu deslindou relembrar aquele passado glorioso, revertida da mega turnê “Rebirth Of Shadows”, exterminando a saudade dos fãs provectos e concebendo, aos mais novos, a oportunidade de conferir o vocalista interpretando (ao vivo) os seus clássicos no Angra, contando, ao seu lado, dois membros que viveram aquela fase: Aquiles Priester (bateria) e Fabio Laguna (tecladista), e completando o line-up desta tour, Diogo Mafra (guitarra), Raphael Dafras (baixista), ambos do Almah, e do novato guitarrista Roberto Barros, que  enfrentou um Carioca Club abarrotado de gente. 

AttracthA Aquecendo as Turbinas


A fila era larga ao chegar a casa por volta das 17h, ainda havia muita procura de ingressos, o que quase resultou num incrível "sold-out", ocorrido apenas no show do Rio de Janeiro, que antecedeu ao de São Paulo. E as 18h em ponto as portas do Carioca foram abertas, recrutando quietamente a entrada dos fãs, podendo curtir as músicas do último disco do Almah, “E.V.O” (2016), enquanto a banda de abertura não aparecia em cena. Sem muitas delongas, o AttracthA aparece no palco, às 19h15, para incendiar a noite e o público, que já era grande.

Formado por Cleber Krichinak (Vocal), Ricardo Oliveira (Guitarra), Guilherme Momesso (Baixo) e Humberto Zambrin (bateria), o quarteto vem promovendo a divulgação do ‘debut’ disco, “No Fear To Face What’s Buried Inside You” (2016), que teve produção do próprio Edu Falaschi. Exibindo um pouco do melhor deste trabalho, “Bleeding In Silence” abre o show com toda disposição, alcançado por aplausos depois do remate, mesclado por toques de Thrash e Prog Metal.


As viradas de bateria de Humberto foram preparadas pra iniciar “231”, que é marcada pela técnica (Guilherme e Humberto expondo domínio) e do refrão confrontante que funcionaram bem ao vivo. “Move On” e “Victorius” esbanjam dinamismo, controlando a qualidade sonora (volvida de peso) e vocal cantado de forma autêntica (Cleber administrando muito bem suas atitudes, tendo uma postura remetida ao Eric Adams, do Manowar).

Regressando no fim, Cleber aproveitou para agradecer o apoio de todos pela casa cheia, com Humberto esquentando a bateria para próxima música, que possui clip dirigido pelo tecladista Junior Carelli, da Noturnall, o qual estava presente na festa. E foi com a explosiva “Pay Back Time” que deu continuidade a apresentação, possuindo um andamento rápido pra bater cabeça e o refrão swingado. 


Os agradecimentos finais foram novamente direcionados ao público, com Cleber enfatizando a todos que fazer Heavy Metal no Brasil é um trabalho duro, não esquecendo, claro, de credenciar o Edu Falaschi (responsável por convida-los a abrir a noite) e a produção do evento, vindo das batidas de bumbo, atraindo os presentes, para terminar o rápido set com a pesada “Unmasked Files”. 





Depois da agonia e demora, a Rebirth Of Shadows Tour foi instaurada numa noite histórica!


Os minutos que antecederam o começo do show causaram aflição e impaciência aos que aguardavam inquietamente. Passaram-se 10, 20 e 30 minutos de espera, e nada de sinal da banda dar as caras no palco, resultando em mais inquietude, e ainda vaias e urros vindos de vários setores da casa. Pra dissolver todo o nervosismo, eis que, às 20h40, a intro “Deus Le Volt!, do “Temple Of Shadows”, retumba nos PAs, estourando tudo com a eletrizante “Spread Your Fire”, propiciando regalias com “Acid Rain”, do “Rebirth”, que colheu pulos e cantiga de todos. E o Edu vem mostrando que está em plena forma, trovando cada verso da música igual a original gravada em estúdio, encerrando a primeira trinca com a aclamada “Running Alone”. 

Recuperando rapidamente o fôlego, Edu comentou que estava sendo muito bom em poder fazer o show completamente lotado, significando que ali era um ciclo muito importante, que apesar de todas as brincadeiras, declarou amor aos seus fãs. Voltando mais uma vez no tempo, a banda fez mais uma do álbum “Temple Of Shadows”, entoada então, a atraente “Wishing Well”. 


A primeira surpresa da noite vem de forma redentora, pegando muitos de surpresa com a inclusão de “Caça e Caçador”, do EP “Hunters And Prey”, que foi poucas vezes executada ao vivo nos tempos de Angra, recepcionada  calorosamente, provavelmente até por quem torcia o nariz, ou afirmava de que ela nunca mais seria tocada por algum membro daquela fase. “Angels And Demons” adicionou mais lenha na fogueira, elevando o clima em total calor e adura. 

Perguntando se todos estavam cansados, no contravir de um "NÃO", Edu franqueou (apesar de ser domingo) que tinha planos de um show longo, pois o mesmo esperou muito tempo pra poder fazer a respectiva apresentação, e que já passou o jogo do Corinthians e o que o time já é campeão. E para efetuar mais uma do “Rebirth”,  “Heroes Of Sand”, onde o vocalista pediu a ajuda dos fãs, sendo correspondido à altura com todos cantando referto de força e vontade, completando a metade do set com a única do “Aurora Consurgens” (2006): a harmoniosa “Breaking Ties”. 


Antes prosseguir com o restante das obras, Edu aproveitou para anunciar o ganhador de uma guitarra numa promoção feita pela rádio Kiss Fm, onde o felizardo, chamado Vanderson Martins da Silva, subiu ao palco para receber o instrumento das mãos do vocalista e da banda. 

Tendo o palco só pra si, a próxima faixa, vindo de coros de ‘Saint Seya’ e ‘Pegasus’, simboliza um ícone dentro da carreira do vocalista, não tendo a mínima noção que fosse convertida num sucesso e rodado mundo a fora, como foi observado na sua última passagem pela Itália. E essa música, no fim das contas, mudou a vida de muita gente, alegando que muitos passaram a curtir Rock e conhecer os seus trabalhos através dela, alegrando todos, em formato acústico, com a clássica trilha sonora de abertura do Os Cavaleiros dos Zodíaco, “Pegasus Fantasy”. O engraçado, antes de canta-la, é que após o Rock In Rio com o Almah, em 2015, Edu recordou que recebeu o convite pra cantar no desenho do Bob Esponja, rejeitado imediatamente por não ter ligação ou algo a ver com o Heavy Metal. 


Na mesma linha, “Trem das Onze”, originalmente gravada por Adoniran Barbosa, teve boa receptividade, notabilizado por uma etapa ilustre da noite. Voltado ao formato convencional, era chegada a hora da total ajuda dos fãs, que ficou explicito pela enigmática “Late Redemption”, onde ao vivo fica ainda mais requintada, minuciada pelo baixo volume do violão de Roberto. E o Edu não deixou de registrar o momento épico em vídeo no seu celular.

A pausa para o rápido descanso foi culminada pelo tradicional solo de bateria do Aquiles, que até hoje encanta os olhos dos admiradores pelo instrumento. 


“The Temple Of Hate” ganhou uma entrada calorosa, vendo muitos cantando cada verso e o refrão a exaustão, com a banda agitando junto com o público. “Bleeding Heart” mexeu com os corações apaixonados, lembrando-se da romântica apresentação que o Edu realizou, em comemoração ao Dia dos Namorados (10/06), no Manifesto Bar (SP). O ar melodioso só durou até os primeiros versos de “Millennium Sun”, mas que voltou com toda carga nos traços mais frenéticos. 

Vale ressaltar que os músicos que acompanham o Edu nessa turnê se sentem bem familiarizados com as músicas, principalmente o Aquiles, que depois de quase 10 anos sem tocar Angra, ainda consegue imprimir as suas linhas de bateria compostos nos álbuns que participou da melhor maneira possível, além, claro, do guitarrista Roberto Barros, que soube executar muito bem os solos e riffs feitos pelo Kiko Loureiro.


Emoção Pelos Rencontros, e a Satisfação de Mais um Acerto

Regressando nas partes finais, Edu agradeceu a presença de todos e alguns músicos importantes na cena que estavam ali para conferir o show, entre eles o Alirio Netto, Bruno Sutter, Marcello Pompeu, Tiago Mineiro (pianista do álbum “Moonlight”) e o já citado Junior Carelli. E durante essa pausa, foram apresentados cada membro da banda, e repentinamente, o Aquiles tomou a frente do palco, confessando que estava com muita saudade dos fãs do Angra, e o que estava acontecendo nessa turnê é algo muito especial, não tendo a menor ideia que iria ocorrer novamente nessa vida, agradecendo ao Fabio Laguna pela reconciliação dele com o Edu, apresentando, grandemente, o causador de tudo de maneira eufórica, com os dois dando um forte abraço. Enquanto emitia seu discurso, a filhinha do Edu, Mikaela, roubava a cena no palco para dar um abraço no pai. 


O Bis foi procedido com a empolgante “Waiting Silence” e “Live And Learn”, mais uma libertada faixa e que cortejou todos os saudosistas. Não parando por aí, a noite nostálgica foi concluída com as indispensáveis “Rebirth” e “Nova Era”, que encerraram a longa exibição da banda e já deixando uma forte saudade, mas que irá ficar marcado na história do Metal nacional pelo simples fato da música reaproximar não só as pessoas, e sim os músicos que ajudaram a construir trabalhos tão importantes dentro do Heavy Metal. 

Mais um gol de placa do senhor Edu Falaschi. 

Texto: Gabriel Arruda
Fotos: Dener Ariani
Edição e Revisão: Carlos Garcia

AttracthA
1. Bleeding In Silence
2. 231
3. Move On
4. Victorious
5. Payback Time
6. Unmasked Files

Edu Falaschi
1.    Spread Your Fire
2.    AcidRain
3.    Runnig Alone
4.    Wishing Well
5.    Caça e Caçador
6.    Angels And Demons
7.    Heroes Of Sand
8.    Breaking Ties
9.    Pegasus Fantasy (Solo Acoustic)
10.  Trem das Onze (Solos Acoustic)
11.  Late Redemption
Drum Solo
12.  The Temple Of Hate
13.  Bleeding Heart
14.  Millennium Sun
15.  Waiting Silence
16.  Live And Learn
Bis
17.  Rebirth
18.  Nova Era

Um comentário:

Dener Ariani/House of Bootleg disse...

Fantástica resenha Gabriel, me senti no show novamente, e estou emocionado aqui enquanto escrevo estas linhas.
valeu!!!!