quinta-feira, 3 de abril de 2025

Cobertura de Show: Pentagram – 30/03/2025 – Fabrique Club/SP

Noite de culto e peso: Pentagram no Fabrique

O domingo, 30 de março de 2025, foi uma data histórica para os fãs de Stoner e Doom Metal em São Paulo. O Fabrique recebeu uma verdadeira celebração do gênero, com as nacionais Pesta (@pestadoom) e Weedevil (@weedevildoom) preparando o terreno para a aguardada apresentação do lendário Pentagram. Com casa cheia e um público em êxtase, a noite foi um mergulho profundo em riffs hipnóticos, atmosferas densas e a essência da música pesada em sua forma mais pura.


Uma lenda viva retorna ao Brasil

O Pentagram não é apenas uma banda — é um pilar do Doom Metal. Na ativa desde 1971, o grupo norte-americano influenciou gerações e escreveu seu nome na história da música pesada. Em março de 2025, eles retornaram ao Brasil para dois shows marcantes, um em Curitiba (29/03) e outro em São Paulo (30/03), ambos organizados pela Powerline Music & Books. A passagem pelo país integrou uma extensa turnê latino-americana realizada pela Dreamers Entertainment e Extremy Retained Booking, com paradas no México, Colômbia, Peru, Chile e Argentina.

Pioneiros do proto-doom, o Pentagram solidificou seu legado com o álbum “Day of Reckoning” (1987), que definiu o gênero com hinos pesados e uma sonoridade que remete diretamente à era de ouro do Black Sabbath. Décadas depois, sua trajetória foi resgatada pelo documentário “Last Days Here” (2011), apresentando a banda para uma nova geração de fãs. 

Junto ao lendário Bobby Liebling nos vocais, a formação atual conta com Victor Griffin na guitarra, Greg Turley no baixo e Pete Campbell na bateria.


Uma noite inesquecível em São Paulo

Desde os primeiros minutos da noite, a energia no Fabrique era elétrica. A primeira banda a subir ao palco foi a mineira Pesta, trazendo toda a força do Doom Metal de Belo Horizonte. O setlist percorreu seus dois álbuns de estúdio, alternando entre o peso arrastado e o groove do Stoner Rock. O destaque ficou para a performance magnética do vocalista, Thiago Cruz, que além da voz marcante, cativou o público com gestos teatrais e uma conexão intensa com a plateia. O som estava perfeitamente ajustado, garantindo que cada riff ressoasse com impacto máximo.

Setlist – Pesta:

Anthropophagic

Hand of God

Witches' Sabbath

Black Death

Words of a Madman




Em seguida, a paulistana Weedevil elevou ainda mais a temperatura. Com um set focado no recém-lançado “Profane Smoke Ritual” (2024), a banda apresentou uma fusão poderosa de Doom, ocultismo e psicodelia. O show foi um verdadeiro ritual sonoro, carregado de atmosfera e intensidade. Nem mesmo um contratempo técnico — a quebra da caixa da bateria durante a execução da faixa-título — conseguiu diminuir a energia do grupo ou do público, que respondeu com entusiasmo e fez da apresentação um momento memorável.

Setlist – Weedevil:

Serpent's Gaze

Chronic Abyss of Bane

Underwater

Veil of Enchanted Shadows

Profane Smoke Ritual — (Delayed because Flavio broke his snare)

Necrotic Elegy

Serenade of Baphomet

Hi I’m Lucifer!




Quando o relógio passou das 21h, a expectativa atingiu seu auge. Sob aplausos ensurdecedores, o Pentagram finalmente entrou em cena. Recentemente, Bobby Liebling virou meme na internet, o que trouxe uma curiosidade extra: como isso influenciaria a recepção da banda no Brasil? A resposta veio rapidamente — a plateia estava ali por respeito ao legado da banda, e não apenas pelo fenômeno virtual.

A apresentação começou com “Live Again”, e desde o primeiro acorde ficou claro que aquele seria um momento especial. Apesar da idade e de uma trajetória repleta de desafios, Liebling continua um frontman magnético, entregando cada música com paixão e intensidade. Suas expressões e gestos característicos deram ainda mais autenticidade ao show, e sua interação com o público foi constante.

O setlist trouxe uma seleção impecável, misturando faixas mais recentes com clássicos absolutos. “The Ghoul”, “Sign of the Wolf (Pentagram)” e “Review Your Choices” incendiaram o público, reafirmando o status da banda como uma das mais icônicas do Doom Metal. No encore, “Forever My Queen” e “20 Buck Spin” fecharam a noite com chave de ouro, reafirmando porque o Pentagram é uma lenda viva.

Além da música, um dos pontos altos foi o reencontro entre fãs e músicos, unidos pelo amor ao Doom Metal. O Fabrique se transformou em um verdadeiro templo do gênero, onde diferentes gerações se encontraram para compartilhar essa devoção. No fim da noite, uma certeza pairava no ar: todos que estiveram ali participaram de algo único e inesquecível.








Texto: Patricia Araújo 

Fotos: Roberto Sant'Anna 

Edição/Revisão: Gabriel Arruda 


Realização: Agencia Powerline 

Press: Tedesco Comunicação & Mídia 


Setlist – Pentagram:

Live Again

Starlady

The Ghoul

I Spoke to Death

When the Screams Come

Sign of the Wolf (Pentagram)

Might Just Wanna Be Your Fool

Solve the Puzzle

Review Your Choices

Thundercrest

Walk the Sociopath

Encore

Forever My Queen

20 Buck Spin

quarta-feira, 2 de abril de 2025

Cobertura de Show: Gutalax – 12/03/2025 – Carioca Club/SP

Um dos maiores - se não o maior - nomes do goregrind mundial, os tchecos do Gutalax finalmente responderam às orações dos fãs ao anunciar a “Diarrhea Invasion South America Tour 2025”, sua volta às terras latinas após fazer 2 shows pelo Brasil (São Leopoldo, RS e Duque de Caxias, RJ) em 2018. O início da turnê seria na capital paulista, em uma quarta-feira de chuva, dia 12 de março. Por algumas horas, a La Iglesia se tornaria um antro da escatologia; tudo indicava que começariam a turnê com os pés na porta.

Por conta das chuvas que atingiram a cidade, uma árvore caiu e simplesmente derrubou a energia da rua inteira, então a casa que estava marcada para abrir às 19:00 só foi abrir por volta das 22:00, mas mesmo assim, a esperança era a última que morria, e os fãs permaneceram na fila, esperando para ver a tão querida banda. A Iglesia liberou os fãs com o Trachoma já no palco. Banhados por um véu de luz vermelha, a dupla de Thales Gory (vocal, baixo) e Rafaela Begore (bateria, vocal) enfileirou uma pedrada atrás da outra, totalizando mais de 24 músicas em apenas meia hora. O microfone de Thales estava baixíssimo, praticamente inaudível, então boa parte das vozes vieram de Rafaela, que já conseguia extrair um “growl” de respeito, e armada com um pedal de efeito, tirava um som que só pode ser descrito como as portas do inferno de abrindo. Fizeram um show rápido e objetivo, que dentro da medida do possível, foi incrível, um ótimo aquecimento para o caos que viria.

Os tchecos subiram no palco, primeiro com suas roupas normais, sem estarem vestindo os tão característicos uniformes, apenas para passar o som. Ficaram uns 10 minutos no palco, interagindo brevemente com os fãs, que já abriam inúmeras rodas, tendo certeza que estaria tudo certo para a aula de “vocal de porco” que viria. O plano era que o Gutalax subisse no palco às 21:00, e com uma hora de repertório, acabariam por volta das 22:00, mas pelos imprevistos com a energia, só foram subir às 23:00, ao som do tema de “Ghostbusters”, que realmente ornava com as coisas estranhas que estavam acontecendo. Com um vórtice humano em sentido anti-horário já tendo dominado a pista, quantidades obscenas de papel higiênico voando pelo ar e até um cavalinho de borracha marcando presença no mosh, começou “Assmeralda”, ateando fogo naqueles que estavam presentes.



Passaram por “Shitpendables” com “Nosím místo ponožky kousek svojí předkožky”, e àquela altura, o caos já estava completamente instaurado. Rolou também “Shit of It All”, do mesmo split com o Spasm que veio “Assmeralda”. Maty Matoušek (vocal) aproveitou para interagir com a galera antes de resumir, dizendo que às vezes nos sentimos mal, mas sempre que nos sentimos mal, podemos nos abrir (ele dizia enquanto se dobrava) e falar com alguém que mora ali (apontando para seu orifício circular corrugado), sendo este elemento o carismático Buttman, protagonista da dançante música do mesmo nome.

Maty seguiu dizendo que pela Europa, estavam celebrando 15 anos de banda, como se fosse sua festa de aniversário. Depois, disse aos fãs paulistas que aquela noite era como se fosse a festa de aniversário exclusiva deles em São Paulo, agradecendo a presença de todos, colocando “Celebration” para tocar pelo PA. “Šoustání prdele za slunné neděle” e “Robocock” vieram, sendo elas de “Telecookies” e “Shit Beast” respectivamente. Quiseram mostrar um lado diferente, mais técnico com a próxima música, anunciando um cover do Meshuggah, mas ao invés de “Demiurge” ou “Bleed” veio ”Kocourek Mourek podráždil si šourek” (o gato malhado irritou seu saco), que impressionando a tudo e todos, não era do Meshuggah.



O caos continuou com a introdução do mais novo super herói de todos, o “Diarrhero” e “Vaginapocalypse”, que foi dedicada aos homens presentes naquela noite. Veio “Polykání semena z postaršího jelena” e “Fart and Furious” antes de “Total Rectal”, cujo o vocalista dedicou a “todos aqueles que fizeram esta turnê ser possível”, com a produção do show sendo recebida calorosamente por uma chuva de aplausos. Tentaram continuar com “Vykouření dařbujána vietnamského veterána”, mas Petr “Mr. Free” Svoboda e suas mãos leves simplesmente estouraram a pele da caixa de sua bateria, algo que se repetiu no segundo show.

Para “Shitbusters”, chamaram um amigo de longa data, Thiago Monstrinho, vocalista do Worst. Da primeira vez que a banda dele foi fazer turnê na Europa, ele ficou alojado na casa de Maty, ocasionando uma forte amizade. Monstrinho ganhou um óculos em forma de privada e soltou alguns elogios à banda, finalizando a música com um stagedive realmente monstruoso. O show como um todo fechou com “Strejda Donald”, cantada em uníssono pelo povo.

No geral, foi um show que tinha tudo para dar errado, era data extra, ficou sem luz, atrasou - e vale ressaltar que nada foi culpa da produção. O Gutalax começou sua turnê de maneira incrível, com uma apresentação exclusiva e intimista, que certamente será lembrada por anos e anos por vir.





Texto: Daniel Agapito


Edição/Revisão: Gabriel Arruda


Realização: Underground Produções / Caveira Velha Produções


Trachoma - setlist:

WE CAME FROM THE FILTH

MICROSTOMIA TREATMENT

ADIPOCERE CORPSE WAX

THE BODY TURNS FROM GREEN TO RED...

SUPPLIES FOR YOUR OWN OSTOMY BAG

BRAIN EATING AMOEBA

HOSPITAL PURGE

THE TASTE OF HUMAN FLESH

NEUROCYSTICERCOSIS

MEDICAL WASTE

HUMAN SLAUGHTER

SPASMODIC MOVEMENTS

SURGICALLY DIVERTED

IDIOPATHIC OSTEONECROSIS

CYSTIC FIBROSIS

MYIASIS CAVITARY

T.D.I

CADAVERINE PUTRESCINE

DELIRIUM TREMENS

HISTOPATHOLOGICAL TECHNIQUES

GRUESOME CANNIBALISTIC

POST-OPERATIVE DELIRIUM

LIQUEFACTIVE NECROSIS

BONUS: MEDLEY MDK E DFC / ULCERRHOEA


Gutalax - setlist:

Assmeralda

Nosím místo ponožky kousek svojí předkožky

Shit of It All

Buttman

Šoustání prdele za slunné neděle

Robocock

Kocourek Mourek podráždil si šourek

Diarrhero

Vaginapocalypse

Polykání semena z postaršího jelena

Fart and Furious

Total Rectal

Vykouření dařbujána vietnamského veterána

Shitbusters (part. Monstrinho)

Strejda Donald

terça-feira, 1 de abril de 2025

Entrevista - Ronnie Atkins (Pretty Maids, Avantasia): Canalizando Energias Para a Música

   Fotos: Divulgação

Ronnie Atkins, nascido Paul Christensen em 16 de novembro de 1964, é um cantor e compositor dinamarquês, mais conhecido como vocalista da banda de hard rock e heavy metal Pretty Maids. Formado no início dos anos 1980, o grupo ganhou notoriedade com álbuns como Red, Hot and Heavy (1984) e Future World (1987), combinando melodias cativantes com riffs pesados.

Ao longo das décadas, Atkins se tornou uma das vozes mais respeitadas do gênero, influenciando diversas bandas com seu timbre potente e interpretações emotivas. Além do Pretty Maids, ele também colaborou com projetos como Avantasia e lançou álbuns solo, incluindo One Shot (2021), Make it Count (2022) e Trinity (2023), após seu diagnóstico de câncer em estágio 4.

Apesar dos desafios de saúde, Ronnie Atkins continua compondo, gravando e se apresentando ao vivo, inspirando fãs com sua resiliência e paixão pela música.

Prestes a estrear em solo brasileiro com o Pretty Maids no Bangers Open Air, conversamos com Ronnie Atkins sobre a vinda da banda, sua participação no Avantasia e sua jornada de superação. Confira a seguir.

Entrevista realizada por Jessica Valentim.


Jessica Valentim: Olá Ronnie, sou a Jessica.

Ronnie Atkins: Oi, Jessica, prazer em te ver.


Jessica Valentim: Como está seu dia? Como você está?

Ronnie Atkins: Está maravilhoso. Na verdade, estamos indo tocar hoje à noite com o Avantasia. Acabei de fazer algumas tarefas, como lavar roupa e outras coisas, sabe, vivendo a vida. Mas, fora isso, todos os dias parecem iguais. Quando você está algumas semanas na estrada, perde um pouco a noção do tempo, do dia, e tudo mais. Mas é bom ter uma pausa para algumas entrevistas.


Jessica Valentim: Que bom! Muito obrigada por me receber.

Ronnie Atkins: Não há de quê, absolutamente.


Jessica Valentim: Então, como está sua saúde? Como você tem se sentido?

Ronnie Atkins: Estou bem, estou bem. Fiz um exame, acho que há seis semanas ou algo assim, e, felizmente, estava tudo bem. Me sinto bem. Tenho algumas dores e coisas assim, que provavelmente terei para o resto da vida, mas tomo remédios para isso. 

Mas estou com um bom espírito, de bom humor, minha voz está boa e estou aproveitando a vida todos os dias. Como já escrevi antes, sou feliz a cada dia que abro os olhos.

Jessica Valentim: Isso é ótimo! Então, o Pretty Maids finalmente vai tocar no Brasil pela primeira vez no Bangers Open Air. Como é trazer a banda para cá depois de tantos anos?

Ronnie Atkins: Estou muito feliz por isso, na verdade. Nunca tocamos aí, o que, para mim, é surreal e estranho, porque somos uma banda com 42 anos de carreira. Muitas bandas que conheço na Alemanha e na Suécia já tocaram aí, mas acho que foi uma questão de gestão. Mas agora, finalmente, vamos tocar aí, e eu já disse aos caras que será uma experiência única. 

Vamos tocar para as pessoas mais insanas do mundo, os fãs mais barulhentos de todos. Falei isso porque, quando estive no Brasil pela primeira vez em 2016, fiquei impressionado com a reação do público e com o quanto eles cantavam. Foi muito emocionante. Quero que os caras sintam isso, e acho que todos no Pretty Maids estão ansiosos para finalmente tocar no Brasil e na América do Sul. Vai ser incrível! Infelizmente, acho que só teremos cerca de uma hora de show, mas…


Jessica Valentim: Sim, é mais ou menos uma hora. Você pode nos contar algo sobre o setlist? Podemos esperar um mix de clássicos e músicas mais recentes dos últimos álbuns?

Ronnie Atkins: Vai ser um mix de algumas músicas dos anos 80, como do Future World e Red, Hot and Heavy, e também algumas mais recentes, de Pandemonium em diante. Esse deve ser o plano.


Jessica Valentim: E você teve uma carreira incrível que se estende por décadas. Olhando para trás, qual você acha que foi o segredo da longevidade e relevância contínua do Pretty Maids?

Ronnie Atkins: Não tínhamos nada melhor para fazer! (risos). Tivemos nossos altos e baixos. Sempre digo que a carreira atingiu seu auge entre 1984-85 e 1992-93. Esses foram os bons tempos para o heavy metal em geral. Chegamos no momento certo. Era uma época em que as pessoas compravam discos de vinil e CDs, e havia um grande foco nisso na Europa.

Até nos Estados Unidos, estivemos na MTV, no Headbangers Ball, e tudo mais. Depois veio o grunge e vários outros subgêneros ao longo dos anos seguintes. Mas o metal sempre esteve presente, especialmente na Europa, como na Alemanha, Suécia e Espanha. A América do Sul também sempre teve um grande público, mas eu ainda não tinha ido para lá naquela época. Agora chegou a hora! Acho que o segredo é a música. 

As composições são essenciais. Também tentamos nos atualizar um pouco, como fizemos no Pandemonium, mas mantendo nossas raízes e o que nos inspirou desde o início. Além disso, bons shows ao vivo sempre foram importantes. No final das contas, é isso que as pessoas querem ouvir e ver. O que me deixa mais feliz hoje em dia é ver que os fãs antigos estão trazendo seus filhos para os shows. Eles também estão se interessando por hard rock e metal, e isso é fantástico!


Jessica Valentim: Isso é muito legal!

Ronnie Atkins: Sim!


Jessica Valentim: Vocês estão alcançando novas gerações.

Ronnie Atkins: Sim, exatamente! Mas isso não acontece só porque os pais dizem "escute isso". As pessoas precisam gostar do que estamos fazendo, e é ótimo ver que isso está acontecendo.


Jessica Valentim: Falando sobre sua carreira solo, qual é a principal diferença entre esses projetos para você, especialmente em relação à composição?

Ronnie Atkins: Minha carreira solo foi, basicamente, uma forma de terapia musical para mim em um momento difícil. Se você ouvir as letras, verá que são muito mais pessoais do que qualquer coisa que já escrevi antes. Isso foi ótimo porque, no meu projeto solo, posso escrever para mim mesmo, expressar meus sentimentos e emoções. 

Sempre fui parte essencial da composição no Pretty Maids, então dá para perceber isso nos meus álbuns solo. Mas algumas músicas que fiz, como baladas no piano, provavelmente não estariam no Pretty Maids. Algumas podem soar até mais pop. Foi uma experiência incrível para mim, e não pretendo parar. 

Já tenho músicas prontas para um novo álbum, só preciso gravá-las. Nos últimos três anos, lancei três álbuns solo e um com o Nordic Union. Fui muito produtivo. Isso me ajudou a lidar com um momento muito difícil. Em vez de ficar deprimido e sentir pena de mim mesmo, canalizei isso para a música. Espero que isso possa servir de exemplo para outras pessoas que enfrentam desafios semelhantes. Já recebi mensagens dizendo que minha música ajudou, e isso me deixa feliz.


Jessica Valentim: Com certeza, as pessoas se conectam com isso.

Ronnie Atkins: Sim, recebo muito carinho nas redes sociais. E se eu posso retribuir um pouco disso através da minha música, fico feliz.


Jessica Valentim: Muito legal! Depois do Bangers Open Air, quais são os próximos passos para o Pretty Maids? Haverá mais turnês ou novas músicas no horizonte?

Ronnie Atkins: Inicialmente, só concordamos em fazer esses shows em 2024. Mas houve uma grande demanda, então decidimos continuar em 2025 com mais alguns festivais e nossos tradicionais shows de Natal na Escandinávia, principalmente na Dinamarca. 

Também estamos conversando sobre escrever novas músicas. Ainda não começamos, mas estamos discutindo isso. Se a química for boa e tudo funcionar bem, pode haver novas músicas do Pretty Maids no futuro. Mas também tenho minha carreira solo, e não vou abandonar isso. Então, vamos ver o que acontece. Estou bem otimista.

Jessica Valentim: Isso é ótimo! Os fãs também querem saber se você vai cantar com o Avantasia desta vez.

Ronnie Atkins: Sim, com certeza! Estou em turnê com o Avantasia agora. Neste momento, estou na Holanda. Acabamos de tocar em Londres e vamos tocar hoje à noite. É um show incrível, com cantores fantásticos, e estamos nos divertindo muito. O público tem gostado bastante, então podem esperar algo muito especial!


Jessica Valentim: Que legal! Para finalizar, tem uma mensagem para os fãs brasileiros que esperaram tanto por esse momento?

Ronnie Atkins: Sim! Sinto muito por não termos ido antes. É surreal que, depois de 42 anos, ainda não tenhamos tocado na América do Sul. Estamos muito animados para finalmente tocar no Brasil! Espero que esse show seja o primeiro de muitos. Já disse aos caras: "esperem, vocês nunca viram nada igual!" Mal posso esperar!


Jessica Valentim: Com certeza, todos estamos ansiosos por isso!

Ronnie Atkins: E obrigado pelo apoio ao longo dos anos!


Jessica Valentim: Obrigada!

Ronnie Atkins: De nada!


Jessica Valentim: Tenho tudo o que preciso. Muito obrigada pelo seu tempo! Espero que tenha um ótimo show hoje à noite e se cuide. Nos vemos em breve!

Ronnie Atkins: Com certeza! Foi um prazer falar com você, Jessica. Se cuida!


Jessica Valentim: Prazer foi meu! Obrigada! Tchau, tchau.

Ronnie Atkins: Tchau, tchau.


O Pretty Maids se apresenta no warm-up do Bangers Open Air, no dia 3 de maio. Ingressos estão disponíveis no site Clube do Ingresso 


segunda-feira, 31 de março de 2025

Cobra Spell: Ainda Bem que a Viagem no Tempo Existe na Música

 


Nesta era com a predominância das redes sociais fazendo parte do nosso cotidiano, quase que como uma extensão dos nossos corpos, muitas e muitas bandas clamam ter a capacidade de "trazer de volta o som dos anos 80". 

Não somente isso, mas há uma consciência coletiva em se contentar sendo "bandas meme", onde a preocupação com um som polido e com algum grau de qualidade real dá lugar a vídeos bestificados cuja única intenção é colecionar visualizações com um humor direcionado a pessoas com um Q.I. de um dígito, minando assim o conceito de "valor".

Felizmente, este não é o caso aqui, pois a COBRA SPELL é a filha de Sônia Anubis (mais conhecida pela sua participação na BURNING WITCHES antes mesmo de ter 20 anos de idade, e por ter feito parte da formação do grupo brasileiro de Death Metal CRYPTA), e seus atos traduzem um grau de educação musical com referências de quem entende aquilo que faz, como Yngwie Malmsteen e Marty Friedman, então uma boa qualidade é um ingrediente já garantido desta fórmula.


Quando se trata da coisa real, da música em si, não há virtualmente mudanças perceptíveis aqui, visto que este não é um material tão novo assim. E pelo que pôde ser percebido, apenas uma única pessoa entrou no estúdio para o propósito central deste lançamento: a vocalista Kristina Vega.

Substituindo o italiano Alexx Panza há cerca de três anos atrás, seu impressionante alcance vocal se casou perfeitamente com o som da COBRA SPELL, e considerando que esta não é uma alteração trivial, vamos logo apontar os dedos ao elefante na sala.

É comum entre aqueles que comparecem aos shows o questionamento óbvio: como seriam as músicas dos dois primeiros lançamentos com a voz da espanhola? Elas teriam sido escritas visando o estilo Geoff Tate da voz original?

PEGO PELO FEITIÇO. PELO FEITIÇO DA COBRA.

Como ela entrou a bordo antes do lançamento do primeiro álbum de fato (intitulado “666”, no final de 2023), era inevitável que ela teria que tomar a responsabilidade de cantar o repertório disponível nos dois primeiros trabalhos: os EP “Love Venom” (de 2020) e “Anthems of the Night” (de 2022). Tendo um feedback quase unânime do público em relação ao que ela nos ofereceu, a ideia que culminou com este EP se tornou tão comum quanto o nascer do Sol.

Pareceu-me que um ou outro leve efeito foi utilizado nas partes vocais, ou talvez seja apenas impressão minha. A questão aqui é que o conteúdo presente nos dois primeiros EPs possuem alguma diferença quando postos numa comparação direta com o álbum “666”, já que a sensação “Album-oriented Rock” (doravante conhecida como AOR) está mais presente nos dois primeiros casos. 

Deve-se frisar que eles foram publicados de maneira independente (assim como este), sendo assim, sem envolvimentos de gravadora e com mais liberdade criativa. No momento em que ouvi “FLY AWAY” pela primeira vez, fiquei convencido de que ela é remanescente dos trabalhos anteriores antes da assinatura com a Napalm Records.



Suas letras não irão ganhar nenhum prêmio, só que “letras” não são, e nem deveriam ser o tópico principal em análise numa música, ao menos é o que eu defendo. Seu conteúdo sonoro sim, tanto que ela tem um solo tão intenso que é capaz de se comunicar com o próprio núcleo da sua alma, sendo um testamento do poder de composição da líder holandesa (mais sobre isso mais tarde).

E é por estas e outras razões que “Anthems of the Venomous Hearts” se mostra um lançamento interessante, mesmo que todas as faixas presentes nos EPs anteriores não tenham sido agraciadas aqui (até “THE MIDNIGHT HOUR”, que contou com um clipe, foi guilhotinada). Pode ser também que a existência disso aqui signifique um orgulho pelas primeiras canções feitas pela COBRA SPELL, quem sabe? Tendo dito isto, analisemos o arsenal aqui presente.
 
OS ANOS 80 ESTÃO VIVOS E BEM, MUITO OBRIGADO

"FLAMING HEART", naturalmente, ganha os holofotes deste lançamento. Anteriormente disponível apenas via mídia digital, é aqui que finalmente a canção está presente em formato físico, para os aficionados em colocar as suas mãos em discos. "FLAMING HEART" carrega a alma de uma balada dos anos 80, pesadamente influenciada por DOKKEN e VIXEN, e é uma música que não soaria fora de lugar numa trilha sonora de um filme da época a qual presta homenagem. 

A força pela qual ela extrai é capaz de te deixar com um senso de nostalgia por algo que você não experenciou. Só que você esteve lá, porque há memórias escondidas deste momento localizadas nos recessos do seu coração.


 
"MOERU KOKORO" chega a ser a única novidade marcando presença, só que é exatamente a exata mesma coisa, com a diferença de ter letras em japonês, demonstrando o leque de habilidades que a vocalista Kristina Vega tem em seu arsenal em um idioma tão complicado para sequer ser pronunciado para a população ocidental. 

Parando para pensar, sua inclusão dá um toque internacional à discografia, de uma banda que já contou com membros de vários países de uma vez só (incluindo o Brasil, na forma da ex-guitarrista Noelle dos Anjos, cuja contribuição engrandeceu bastante a banda espanhola).
 
Uma curiosidade: em um vídeo de anos atrás postado nas redes sociais pela própria Sônia, ela revelou que POISON BITE foi composta em meia hora, no seu quarto. E certamente ela foi escrita após uma maratona ao estilo Netflix de ROCK GODDESS, já que a influência aqui é clara, somada com a performance mais enérgica e teatral de todo o repertório na sua versão ao vivo (quem já viu um show da COBRA SPELL sabe muito bem do que estou falando com isso aqui).

Não é tão recomendável ouvir “ACCELERATE” enquanto dirige, já que o(a) motorista corre o risco de alcançar a velocidade dos carros da franquia de videogames F-ZERO: afinal, só vale à pena se ultrapassar a marca dos 666 km/h, o que não impede dela ser beneficiada com os agudos de Kristina.


Alguém poderia achar que “SHAKE ME” é uma inclusão um tanto quanto aleatória, mas há um motivo simbólico para isso: a canção inteira é um elogio ao MÖTLEY CRUE, notadamente de “DR. FEELGOOD”, o que remete àquela menção sobre as raízes AOR vindas de “Love Venom” e de “Anthems of the Night”. Embora ela não seja tão memorável quanto as 3 outras entregas do “Love Venom”, ela ainda assim deixa a sua contribuição, em especial pelo seu refrão relativamente cativante.

HINOS NÃO SÃO TEMPORÁRIOS, SÃO PASSADOS DE GERAÇÃO A GERAÇÃO

Desnecessário dizer que ADDICTED TO THE NIGHT é um dos principais chamativos, usada geralmente nas apresentações ao vivo para finalizar os shows. Há uma verdade revirada em pedras de que se você produz um conteúdo ao ponto do destinatário responder com lágrimas (não de tristeza, mas de alegria), então o título de "artista" deixa de ser uma massagem de ego e se torna legítimo. O que é precisamente a descrição do dicionário para o interlúdio da faixa acima. 

Tocada em sua totalidade somente em shows, aqui vemos o motivo de Sônia Anubis ser um dos nomes vistos com entusiasmo até mesmo para os ouvidos cansados de pessoas com décadas de experiência e que costumam rejeitar o novo. 

É um solo executado lindamente com uma sinergia entre humano e instrumento, ao ponto da Sônia conseguir extrair um peso sentimental da sua Jackson, característica esta vista em várias ocasiões pelo ilustre Chuck Schuldiner, do DEATH, por exemplo. Então se você já se questionou se uma guitarra pode chorar, este é o momento em que você encontrará a resposta desta pergunta tão complicada.

 
Então, no final das contas, o que você recebe é um trabalho divertido, melódico e que carrega a herança de alguns dos fundadores do gênero ao qual a banda faz parte. Apesar de um grupo como a COBRA SPELL estar em perigo constante de ser acusado de uma carência de originalidade, abordá-los dessa maneira é uma mentalidade errada. 

Fica claro que o quinteto deseja prestar homenagens aos seus "heróis" dos anos 80, assim como utilizar esses ensinamentos ao trazer algo fresco para a mesa com uma roupagem atual. Ajuda com o fato de que a produção como um todo possui uma "mordida venenosa" bem moderna.

Aqueles que procuram uma mescla de Heavy Metal tradicional com Hard Rock sem ser super complicado, uma performance vocal capaz de impressionar quem tem ouvidos veteranos no ramo e solos da variante técnica “na medida certa” se sentirão em casa aqui.

Algumas pessoas precisam de drogas para sentirem a adrenalina necessária em fugir dos problemas da vida, ainda que temporariamente. Mas se você só precisa se alimentar com um som que soletra P-A-I-X-Ã-O para alcançar o mesmo objetivo, então a COBRA SPELL é exatamente o que o médico recomendaria.

Destaques principais: “Flaming Heart”, “Addicted to the Night” e “Poison Bite”

Placar: COMPRE

Texto: Bruno França 
Edição/Revisão: Caco Garcia 
Fotos: Divulgação 


Cobertura de Show: Hard ‘N Heavy Party – 22/03/2025 – Manifesto Bar/SP

No sábado, 22 de março, o Manifesto Bar em São Paulo foi palco de mais uma edição memorável da Hard N’ Heavy Party. Desde seu retorno no primeiro semestre de 2024, o evento tem trazido grandes nomes do Hard Rock, tanto do passado quanto da atualidade, como Robin McAuley, John Corabi, Erik Martensson e Adrian Vandenberg. A última edição contou com um line-up de peso, incluindo os vocalistas Ted Poley, Chez Kane e a banda inglesa Midnite City. 

A casa, que em breve mudará de endereço, abriu suas portas pontualmente às 20 horas, recebendo um público expressivo para as apresentações da noite. Com o tempo, o local foi se enchendo, o que era esperado, já que quase todos os ingressos foram vendidos. 

Os organizadores do evento, Animal Records e DNA Rock Events, ajustaram o cronograma algumas horas antes do início dos shows. A banda Midnite City, que estava programada para ser a segunda atração, acabou abrindo a noite, e essa mudança se mostrou acertada. 

Com um som que combina Hard Rock intenso e melódico, a banda, formada em 2017, surpreendeu tanto os novos ouvintes quanto os fãs de longa data. O setlist incluiu seis músicas do álbum mais recente, In At The Deep End, que, segundo o vocalista Rob Wylde, é o melhor trabalho da banda até agora. O show começou com “Ready To Go”, seguido por “Atomic”, que aumentou ainda mais a energia inicial. O público também pôde ouvir novas faixas como “Girls Gone Wild” e “Someday”, onde Rob convidou todos a cantarem juntos. Mesmo sendo uma balada, “Hardest Heat Break” manteve a energia alta, e os fãs acenderam as lanternas de seus celulares em resposta ao pedido de Rob.

Rob, que também é conhecido por seu trabalho com o Tigertailz, se destacou ao interagir com o público, cumprimentando os fãs e perguntando se estavam gostando do show. Os outros membros da banda – Miles Meakin (guitarra), Josh ‘Tabbie’ Williams (baixo), Shawn Charvette (teclado) e Ryan Briggs (bateria) – também se destacaram em suas funções, contribuindo com backing vocals vibrantes em várias canções. À medida que a apresentação avançava, mais pessoas chegavam ao Manifesto. 

Aqueles que chegaram um pouco mais tarde puderam curtir pedradas como “Raise The Dead”, “Vampires” e “All Fall Dawn”. No entanto, foi em “Can’t Wait for the Nights” que a banda conquistou completamente o público, que respondeu com o tradicional ‘ole, ole’, e Rob recebeu uma camiseta da Seleção Brasileira de Futebol de um fã. O show foi encerrado com as perfeitas “Give Me Love” e “We Belong”, finalizando com chave de ouro essa estreia da banda no Brasil.

O Midnite City despertou o interesse de quem não conhecia bem o grupo, consolidando-se como um dos melhores nomes do gênero atualmente. O feedback do público foi extremamente positivo, deixando a esperança de um retorno em breve. Rob até comentou que o público brasileiro é o melhor do mundo.

A próxima atração da noite, que também chegou diretamente do Reino Unido junto com o Midnite City, foi a incrível Chez Kane. Ninguém esperava que a cantora retornasse ao Brasil tão rapidamente, menos de um ano após sua apresentação na edição de retorno da Hard N’ Heavy Party. No entanto, devido ao grande sucesso do show anterior, sua volta foi mais do que bem-vinda, deixando-a extremamente feliz.

O show foi quase idêntico ao primeiro, com a mesma banda de apoio: Bruno Luiz (guitarra), Bento Mello (baixo), Gabriel Haddad (bateria) e Flavio Salin (teclados), que também acompanhariam Ted Poley na sequência. Desta vez, o público foi ainda maior, e aqueles que não tiveram a chance de vê-la anteriormente puderam vibrar, dançar e pular ao som de “Too Late For Love”, “All Of It”, “Get It On”, “Rock You Up” e “Rocket On The Radio”, todas capturando a verdadeira essência do Hard Rock dos anos 80 e tiradas dos seus únicos dois álbuns: o homônimo, de 2021, e o “Powerzone” de 2022.

Além de seu talento vocal, Chez se destacou por sua beleza, presença de palco e, principalmente, carisma e atitude. Em “Ball N Chain”, ela desceu do palco para cantar com os fãs e abraçar aqueles que estavam próximos, repetindo o que fez no show do ano passado. Em “Better Than Love” e “Love Gone Wild”, ela contou novamente com a participação do talentoso Bruno Sá, que tocou saxofone em ambas as músicas. É importante destacar que essa colaboração só acontece no Brasil, já que em suas apresentações na Europa não há saxofonista, o que é um motivo de orgulho para nós.

No final de seus shows, Chez sempre apresenta um cover de alguma banda que admira. Desta vez, ela escolheu “Dream Warriors”, do Dokken. Assim que Gabriel Haddad começou a tocar, o público foi à loucura com as melodias que iniciam esse clássico. Em seguida, “No Easy Way Out”, de Robert Tepper, famosa pela trilha sonora do filme Rocky Balboa, encerrou a apresentação de forma grandiosa.

A cada dia que passa, Chez Kane vem conquistando cada vez mais seu espaço como uma das melhores vocalistas femininas da atualidade. Com tanto talento e capacidade, ela certamente se tornará uma das cantoras que marcara gerações.

Finalmente, a tão aguardada atração da noite foi recebida com grande entusiasmo. Após dezoito anos de espera, Ted Poley, a voz original do Danger Danger, trouxe alegria a todos que ansiavam por seu retorno. Assim que ele subiu ao palco e começou a cantar "Horny S.O.B.", o Manifesto se transformou em uma verdadeira festa, com o público e Ted transbordando de euforia. Foi uma maneira perfeita de iniciar o domingo.

Com sua fama adquirida no Danger Danger, não poderiam faltar clássicos como “Monkey Business”, “Crazy Nites”, “Shot of Love” e “Feels Like Love”, vindas do homônimo de 1989 e do “Screw It” (1989), respectivamente. Para não passar batido as coisas mais recentes, “Youngblood”, do Tokio Motor Fist, também se fez presente nesse começo show. 

Mesmo com o passar dos anos, Ted demonstrou que ainda possui muita energia. Embora sua voz não seja mais a mesma de antigamente, isso foi compensado por sua presença magnética, bom humor e empatia, que ele exibiu durante toda o show. Se a aposentadoria está nos seus planos, conforme foi dito no anuncio, ele deveria repensar nessa decisão.

Assim como Chez Kane, Ted também fez questão de se conectar com o público, e um momento marcante foi em “Don’t Walk Away”, o maior sucesso da carreira do Danger Danger. A participação de Bruno Sá, com suas linhas de saxofone, deixou a música ainda mais encantadora. A emoção tomou conta nesse instante, afinal estávamos diante de uma das melhores baladas do gênero, e poder cantá-la ao lado da voz original foi uma experiência inesquecível.

A adrenalina só começou a diminuir quando Ted apresentou uma sequência acústica, tocando apenas com seu violão. Ele interpretou “Love”, do Tokio Motor Fist, além de “F.U.$” e “That’s What I’m Talking About”, as únicas faixas do álbum Revolve (2009), que marcou seu retorno ao Danger Danger. No entanto, a animação rapidamente voltou com as músicas “Bang Bang” e “Beat the Bullet”, que prepararam o público para mais surpresas até o final do show. 

Em “I’m Still Thinking About You”, outra linda balada do Danger Danger, Chez Kane se juntou à banda, tornando a performance ainda mais emocionante com sua voz. Ela permaneceu no palco para “Naughty Naughty”, onde, de forma surpreendente, toda a galera do Midnite City apareceu para cantar junto, criando um momento festivo na apresentação. Mas quem pensou que tudo havia terminado se enganou, ainda houve muita energia em “Don’t Blame it On Love” e no cover de “Born To Be Wild”, do Steppenwolf, que contou com a participação do vocalista Jack Fahrer, do Nite Stinger, enquanto Ted arrasava nas guitarras.

Certamente, esta foi a melhor edição da Hard N’ Heavy desde seu retorno, e muitos concordam com essa avaliação. Ao final de cada edição, surge a expectativa sobre quem estará presente na próxima, já que não é todo dia que temos a oportunidade de ver de perto os grandes nomes do Hard Rock. Por isso, a ansiedade já começa a crescer para o próximo evento, que deve ocorrer no semestre que vem.


Texto: Gabriel Arruda

Fotos: Edu Lawless


Realização: DNA Rock Events

Press: ASE Press


Midnite City – setlist:

Outbreak

Ready to Go

Atomic

Girls Gone Wild

Someday

Hardest Heart to Break

Summer of Our Lives

Raise the Dead

Vampires

All Fall Down

Can't Wait for the Night

Give Me Love 

We Belong


Chez Kane – setlist:

I Just Want You

Too Late For Love

All of it

Nationwide

Better than Love

Love Gone Wild

Ball n Chain

Get it On

Rock You Up

Powerzone

Rocket on the Radio

Dream Warriors (cover do Dokken)

No Easy Way Out (cover do Robert Tepper)


Ted Poley – setlist:

Horny S.O.B.

Youngblood

Monkey Business

Crazy Nites

Shot of Love

Feels Like Love

Don't Walk Away

Love 

F.U.$.

That's What I'm Talking About

Bang Bang

Beat the Bullet

I'm Still Think About You

Naughty Naughty

Don't Blame it On Love

Born to Be Wild (cover do Steppenwolf)

sexta-feira, 28 de março de 2025

Cobra Spell: Novo EP "Anthems of the Venomous Hearts" é Lançado Hoje

Após um anúncio surpresa no último dia 20 nas redes sociais (apesar de ter sido revelado cerca de 1 hora e meia antes, pela plataforma Bandcamp), a banda baseada na Espanha COBRA SPELL lançou ao mundo hoje, dia 28 de março de 2025, seu mais novo trabalho: o EP intitulado "Anthems of the Venomous Hearts".

Desde que a vocalista Kristina Vega se juntou ao quinteto no começo de 2022 e substituiu o vocalista original, o italiano Alexx Panza, uma regravação com o seu vocal das músicas lançadas antes do 1º álbum completo (batizado de "666", em 2023) tem sido um desejo constante entre os ouvintes. E agora, isso finalmente se tornou realidade.

O novo EP traz consigo uma compilação dos dois primeiros lançamentos da COBRA SPELL: "Love Venom" (2020) e "Anthems of the Night" (2022), revigorados com a voz e o poder marcantes de Kristina, trazendo um ar fresco para as canções dos dois primeiros EP.

Um destaque tão importante quanto é a presença de uma música muito querida por quem acompanha a COBRA SPELL: "Flaming Heart". Antes presente somente via mídia digital desde o final de 2022, pela primeira vez ela está disponível em mídia física. Como um "bônus", há a inclusão da versão em japonês dela: Moeru Kokoro.

Respeitando o formato, o restante das faixas ficou de fora, sendo estas "Come Out Tonight", "The Midnight Hour" e "Steal My Heart Away".

O EP pode ser adquirido por mídia física no site oficial da banda pelo preço sugerido de €25 (cerca de R$155), ou por mídia digital nas principais plataformas, como o Spotify, Deezer e Bandcamp (nesta, via download, pelo preço sugerido de €5,99; cerca de R$37,19).

Ainda não há confirmação do seu lançamento aqui no Brasil.

A COBRA SPELL é formada por Kristina Vega (vocais), Sônia Anubis (guitarra), Hale Naphtha (bateria), além de Adri Funérailles (guitarra em shows) e Bel Mena (baixo em shows).

Texto: Bruno França
Edição: Caco Garcia 
Fotos: divulgação

Site Oficial 

Faixas:

1) Poison Bite

2) Addicted To The Night

3) Shake Me

4) Flaming Heart

5) Moeru Kokoro (“Flaming Heart” em japonês)

6) Accelerate